As primeras 200 linias.
OS MISERÁVEIS
- Não pode dormir aqui. - Deixe-me.
- Por que não fica numa pensão? - Por que acha?
- Bateu às portas, pediu a alguém? - Pedi... em toda parte.
- Deixe-me. - Não pediu lá.
Bata naquela porta.
Quem pode ser?
- Tem comida para me dar? - Entre.
Sou um criminoso.
Me chamo Jean Valjean. Cumpri 19 anos de trabalhos forçados.
Estou em condicional há quatro dias.
Preciso me apresentar em Dijon, ou volto para a prisão.
Meu passaporte. Não sei ler, mas aí diz: "Ele é perigoso".
- Entre e coma conosco. - Sou um criminoso!
- Viu meu passaporte. - Sei quem você é.
Vai me deixar entrar na sua casa?
Que crime você cometeu?
Talvez tenha matado alguém.
Como sabe que não vou matá-lo?
Como sabe que eu não vou matá-lo?
É alguma piada?
Teremos de confiar um no outro.
Não matei ninguém.
Sou um ladrão. Roubei comida.
Roubei, mas paguei. Dezenove anos preso.
Soltaram-me, e recebi um passaporte amarelo.
O que posso fazer com ele?
Vou me apresentar ao oficial e morrer de fome?
Dezenove anos, e agora começa o castigo de verdade!
- Os homens podem ser injustos. - Deus não?
Está bem, seja quem for, obrigado.
Uma refeição e uma cama para dormir. Uma cama de verdade.
Amanhã, serei um novo homem.
Porco!
Tem alguém ai?
Então usaremos colheres de pau. Não quero mais falar nisso!
- Lamento incomodá-lo... - Vocês o pegaram!
- mas estava de olho nele. - Graças a Deus!
- Estou muito zangado com você. - O que houve com seu olho?
Ele não contou que foi nosso hóspede ontem?
Depois, nós o revistamos e achamos essa prataria.
Ele disse que foi um presente seu.
Claro que lhe dei a prataria.
Mas por que não levou os candelabros? Foi uma tolice.
Sra. Gilot, pegue os candelabros de prata.
Valem uns dois mil francos. Por que os deixou? Rápido!
O Sr. Valjean precisa ir. Já perdeu muito tempo.
- Esqueceu-se de levá-los? - Então, ele disse a verdade?
Claro. Obrigado por trazê-lo de volta. Estou aliviado.
Soltem-no!
- Vão mesmo me soltar? - Não ouviu o bispo?
Sra. Gilot, ofereça-lhes vinho.
- Devem estar sedentos. - Obrigado.
E não se esqueça...
nunca se esqueça: prometeu tornar-se um novo homem.
Prometo. Por que está fazendo isso?
Jean Valjean, meu irmão, você não pertence mais ao mal.
Com essa prataria, comprei sua alma.
Eu o resgatei do medo e do ódio...
e agora eu o devolvo a Deus.
NOVE ANOS DEPOIS
Boa tarde, capitão. Sou Javert, o novo inspetor.
As instruções do comissário de Paris.
Olá, inspetor. Estava à sua espera. Sou o Cap. Beauvais.
- Como foi a viagem? - Não olhou minhas instruções.
Tenho certeza de que está tudo certo. Já comeu?
Quero que siga o procedimento.
Bem, parece que está tudo em ordem, inspetor.
Está encarregado da polícia de Vigau.
Em Paris, a situação é péssima. O crime está aumentando.
As ruas estão sujas. As condições aqui são melhores.
A vida aqui nunca esteve melhor.
Quer conhecer a fábrica de tijolos? É o nosso maior negócio.
- Está bem. - Por aqui.
- Quem é o dono? - O prefeito.
Era um dos operários, mas, há 5 anos, quando a fábrica faliu...
comprou tudo por menos de 500 francos.
Pensando bem, quero ver o prefeito o quanto antes.
- Sim. - Ele parece estar por trás de tudo.
- Deve ser inteligente. - Ele é brilhante...
- mas um pouco excêntrico. - Como assim?
É tímido. Vive como um eremita. Nem queria ser prefeito!
Quis recusar, mas os fundadores da cidade insistiram.
Não é ambicioso, e é tão bem-sucedido?
É um mistério. Alguns acham que é louco, mas gosto dele.
- Gosto e sinto pena dele. - Sente pena do prefeito?
Porque é solitário. Chegamos.
Ele mora aqui?
Estranho, não? Quase uma casa de operário.
Boa tarde. O novo inspetor chegou. Quer se apresentar.
Tudo bem. Não é preciso.
Mas, se não permitir que o inspetor se apresente...
ele vai cair em prantos.
Sr. Prefeito, sou o inspetor Javert.
Tenho a honra de me apresentar para o posto de comissário.
- Desculpe. Como se chama? - Inspetor Javert.
- Estava à minha espera. Paris... - Tem documentos?
Sim, me desculpe. Deveria tê-los apresentado.
Ótimo. Obrigado por vir.
Capitão, cuide das acomodações do inspetor.
- Bom dia. - Bom dia.
Homens e mulheres trabalham separados?
O prefeito reprojetou a fábrica para que ficassem separados.
- Disse que ele era excêntrico. - Excêntrico, não, capitão.
Ele se preocupa com as operárias e quer protegê-las.
Muito adequado. Muito sábio.
- Desculpe. - Com licença, senhor.
- Foi sem querer. - De novo! Vou ser descontada!
Chega! Pegue suas coisas. Vai mudar de lugar.
- Que ótimo! - Já vai tarde!
- Chega! - Vamos! Ao trabalho!
A diversão acabou. Vamos, ao trabalho!
- Preferia que fosse com alguém. - Não se preocupe, sei me cuidar.
Não tenho tempo. Preciso partir.
Espero que a pressa não implique problemas.
Por que está retirando toda a sua fortuna?
Sabe que esta instituição está aos seus serviços.
Obrigado, trata-se de investimentos, não problemas.
- Volto amanhã. - Antes de ir...
recebi informações sobre uma das moças.
Não a interroguei, mas acho que tem um filho, e não é casada.
- O quê? É prostituta? - Não contrato...
- não contrato prostitutas. - Claro que não. Desculpe.
Não quero nossas moças expostas à corrupção.
Sugiro que a dispensemos.
- Confio no seu julgamento. - Obrigada.
Fantine, venha comigo, por favor. Vamos.
Ela pegou a meretriz.
Por favor, não me demita. Minha filha está doente.
Leu na carta das pessoas que cuidam dela.
Ela tem uma febre. Precisam de 40 francos para remédios...
- ou ela morre em uma semana. - Quem são essas pessoas?
Os Thénardier? São parentes?
Não, não são parentes.
Deixou sua filha com estranhos para escondê-la?
Vai me demitir por eu ter uma filha?
Não, por ter uma filha fora do casamento...
- e fingir-se de mulher honesta. - Preciso alimentá-la.
Como posso trabalhar e cuidar dela? Preciso mentir.
Parece que sua mentira é culpa minha.
Desculpe, estou nervosa. Não quero discutir.
Minha Cosette é um amor de menina, uma inocente.
Não a castigue pelo meu pecado.
- Fui burra, eu o amava... - A desculpa é sempre o amor.
Tem razão, eu não presto, mas os Thénardier são bons.
Têm duas filhas. Cosette brinca com elas.
Não fica sozinha. Está melhor com eles...
mas preciso pagar os remédios.
Por favor.
- Só um mês. Vou dar duro. - O prefeito cuida das operárias.
Mulheres de moral questionável influenciam as moças. Lamento.
O que está havendo?
Cinco sous pela cadeira. Foi um prazer.
- Vai embora? - Preciso do dinheiro.
- Deve um mês de aluguel. - Só na semana que vem.
Pague ou saia. Há gente interessada. Trinta francos.
- Vamos, você tem 50. - Quinze. O resto na semana que vem.
Como? Foi despedida.
- Quem lhe contou isso? - Ainda é uma cidade pequena.
Arrumei um emprego. Vou trabalhar como lavadeira.
Todos conhecem sua história. Tem uma filha bastarda.
Ninguém lhe dará emprego.
Aceite metade. Eu consigo o resto.
Não se preocupe tanto. As coisas não estão tão ruins.
Ainda tem uma cama.
Cabelo de boa qualidade.
Dez francos.
Cara Madre Superiora...
o bispo de Digne, que descanse em paz...
sempre me falava do seu convento e suas obras.
Em homenagem a ele, eu queria dar...
- Ou "gostaria"? - "Gostaria" é preferível.
E "doar" é menos rude que "dar".
- Eu gostaria de doar... - Senhor! Houve um acidente.
Um dos operários! Lafitte!
Tirem-no dali!
- Socorro! Não consigo respirar. - Deixem-me passar!
Ajudem! Precisamos de uma alavanca. Mexam-se!
Socorro! Minhas costelas!
- Preparem-se. - Vamos, vamos!
Vamos, força! Força! Força!
- Marla. - Boa noite.
- Onde está Claudette? - Oh, monsieur.
- Há mais do que nunca. - Inspetor, que susto!
Contei quatro garotas novas.
Quando uma cidade cresce, o crime cresce com ela.
- Devo mandar prendê-las? - Não. Viu os clientes?
Ali.
- E registrei as garotas novas. - Bom trabalho.
- São 22h? Não ouvi o relógio. - Cheguei cedo. Estava agitado.
Soube sobre Lafitte e a carroça?
- Só se fala disso. - Incrível.
O prefeito sempre foi tão forte?
Ele é grande, mas nunca soube que fosse tão forte.
Não demonstrava na juventude?
- Eu não o conhecia. - Certo. Ele se mudou para cá.
- De onde ele é? - Veio de Paris, mas não é de lá.
Checou os documentos quando ele chegou?
- Acho que sim, não me lembro. - Talvez não. Por que o faria?
E quanto a ela?
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