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- Serviço completo! - O melhor.
Para a sociedade, é um criminoso.
O que acha disso?
Não me importo de ser visto como um criminoso.
É difícil. Cometi crimes a vida toda.
- Fraudes e tal. - Era vigarista?
Sim, um vigarista.
Acho que as coisas mudaram.
Não é fácil trabalhar e comprar uma casa.
Hoje, temos de conseguir enganar o sistema.
É o sonho americano moderno.
Quanto ganhou ao todo?
Oficialmente, 32 milhões.
Mas ganhámos centenas de milhões.
Ótimo.
Sim. Os Trapanis são assim.
Voltaria a fazê-lo?
Eu penso sempre: se tivesse a certeza de que ganharia
trinta milhões a fazer algo ilegal, fá-lo-ia ou não?
DETIDOS DOIS FUNDADORES DA CENTRA VIRTUAL
Acho que correria o risco.
CRIPTOFRAUDE
Eu cobria o setor das criptomoedas para o New York Times.
Era a única pessoa no jornal que o levava a sério.
JORNALISTA DO NEW YORK TIMES
A maioria dos editores ainda via isto como uma piada.
O meu trabalho consistia em dizer:
"Há aqui algo real a acontecer que vale a pena cobrir."
Quem se importava com o bitcoin, importava-se realmente.
Eu confio e acredito no bitcoin. Eu venero o bitcoin.
Comecei a ficar fascinado por isto.
Era como ouro digital.
Oficialmente, fiquei milionário com bitcoins.
Nem imaginam o que isto significa.
Isto mexia com as pessoas.
Sessenta e quatro mil dólares num par de dias sem fazer nada.
E depois, em meados de 2017,
tivemos um aumento da oferta inicial de moeda.
Diariamente, havia um novo projeto
que, de um dia para o outro, gerava milhões de dólares.
Tornou-se um fenómeno.
Diariamente, vejo três ou quatro ofertas de novas moedas bitcoins.
"Melhor que o bitcoin. Vais ficar rico."
- A criptomania continua. - O futuro do sistema financeiro.
Tornou-se milionário aos 24 anos.
As OIM vão mudar o mundo.
Vamos fazer história.
Era um frenesim económico
que nunca tinha sido visto antes das criptomoedas.
Pode não ser nada. Não incentivaram as empresas
a fazer nada além de gastar o dinheiro.
As OIM permitiram que qualquer um começasse a vender
e a comercializar produtos financeiros sem uma conta bancária.
Havia burlas e fraudes por todo o lado.
Qualquer um podia criar uma OIM
e todos fizeram isso.
A Centra era o arquétipo do que estava errado com as criptomoedas.
O setor da cripto era novo e desconhecido.
Sem regulamentação da SEC.
E, quando encontramos um mercado assim,
temos de descobrir como explorá-lo.
Não sabíamos nada sobre isto.
Mas não importava. Era demasiado fácil.
Mentimos, enganámos
e ganhámos milhões de dólares.
E agora posso passar cem anos preso.
Desde miúdo que sempre quis ser um criminoso.
Eu nunca disse que queria ser médico ou cientista.
Se pudesse, teria posto no anuário: "Quero ser um criminoso."
Isso explica tudo.
A minha mãe era mãe solteira de três rapazes.
Oxalá tivesse um pai presente, mas não tive.
Ele era um falhado de merda e pronto.
O Ray sempre se esforçou.
Ele queria ser das ruas,
mas não era.
Ele é de Atlantic Beach.
Onde há praias.
Na altura, aquela região estava tão inundada de oxicodona
que já éramos viciados, sem dúvida.
Na altura, eu adorava-o.
O Ray foi um dos meus primeiros melhores amigos.
Nós falsificávamos receitas.
Conhecemos um miúdo que roubou um receituário.
O receituário foi-lhe roubado.
Receitávamos 120 comprimidos,
levávamos a receita a uma farmácia.
Eles vendiam.
A primeira vez é sempre empolgante.
Ficas motivado.
Um receituário inteiro é uma fonte ilimitada de dinheiro.
O meu frigorífico tinha milhares de comprimidos.
Quanto ganhavas?
Num bom dia, ganhávamos uns cinco mil.
Nesta idade, já ganhavas isso tudo. Em que gastavas?
Mais drogas.
Eu divertia-me.
E depois…
O Ray foi apanhado.
Mandaram-no parar e encontraram o frasco com um nome que não devia ser o dele.
Perguntaram onde o arranjara e ele denunciou-me.
Denunciou quem fazia as receitas.
- A sério? - Sim.
Meteram-se em sarilhos?
Sim. Eu sim.
Passei dois anos em tribunal.
O que aconteceu ao Ray?
Nada.
Porquê?
Quando colaboras com a polícia, safas-te.
Fiquei surpreendido ao ver que ele tatuou "lealdade" nas costelas,
pois ele nunca foi leal a nenhum amigo dele.
É dececionante ver no que ele se tornou.
O Ray é um merdas, sabes?
Sexo, drogas, dinheiro. Tudo o que liberte endorfinas, foda-se…
Largo logo tudo.
Tenho cabeça para ganhar dinheiro com qualquer coisa.
Quando o Bert me falou de uma ideia de negócio,
eu alinhei.
Conheço o Ray desde o terceiro ano.
Ele sempre foi obcecado por dinheiro. Ele é obcecado.
É o verdadeiro amor dele.
O Ray é assim.
O Bert trabalhava com carros, conhecia o mercado.
E criámos a Miami Exotics, uma empresa de aluguer de carros.
Carros de luxo.
Rolls Royce, Lamborghinis.
Foi a minha transição para uma empresa séria.
Já tinha feito muitos esquemas e tal,
mas nunca tinha tido uma empresa.
Mas o Bert conhecia o tipo perfeito e eu também.
Então, chamámos o Sorbee.
SÓCIO DE RAY
O Sorbee era um miúdo do liceu que eu odiava.
Ele sempre foi inteligente,
mas nunca gostei nem confiei nele.
O Ray e o Sorbee nunca foram amigos. Eles nunca se deram bem.
Ele tinha cara de fuinha e achava-se muito fixe.
Queria ser do gueto, mas era um grande cromo.
Ele era conhecido por ser vigarista e por enganar os outros.
Não era o meu tipo de pessoa. Mas acrescenta valor.
Eu e o Bert somos ótimos em relações
e conseguimos ser os carismáticos que ganham dinheiro.
Ter o Sorbee foi muito benéfico.
Ele passava o dia a trabalhar.
Nem todos são bons na mesma cena.
De quanto dinheiro precisaste para abrir a empresa?
Cerca de meio milhão de dólares.
O Ray ligou-me e disse: "Só falta o dinheiro."
MÃE DE RAY
Então, ele falou com os meus pais.
Ele sempre disse que ia ser rico.
Deve sair ao meu pai.
O meu pai era um bom homem e sempre cuidou da minha família.
O meu avô foi a única figura paterna que eu tive.
Ele era o vô.
AVÔ DE RAY
O meu avô era, no geral, um tipo porreiro.
Ser criminoso não significa ser mau.
Sempre vi o meu avô como o maior chefe da máfia da história.
Ele conseguia sustentar a família.
Eu dizia: "Vou ser um criminoso e sustentar a minha família."
Não sei se ele via as malas de dinheiro como eu vi.
- Viu malas com dinheiro? - Vi.
O que quer dizer? Que ele da máfia?
Não! Fiz mais parte da máfia do que ele.
O Bill trabalhava com elevadores.
Fomos à Florida visitá-lo, eu e o Bill.
Conhecemos os sócios dele.
Ele viu-me feliz, que era o que importava.
Acreditaram em mim e disseram:
"Agarra esta oportunidade e faz o que achares melhor."
O Bill faria tudo pelo Ray, ele era a figura paternal.
O meu avô fez um empréstimo de 250 mil dólares
com a casa como garantia
para me dar uma oportunidade de abrir esta empresa.
Tentámos fazer tudo legalmente.
A empresa dava cerca de 60 mil dólares de lucro por mês.
Alugávamos carros para o Rick Ross e para toda a região.
Ia a casa, enchia os armários, tinha um belo apartamento,
com os meus sapatos e tudo o que podia comprar.
Outra fonte ilimitada de dinheiro.
E eu tinha orgulho nele, por ele estar a sair-se bem.
Era ótimo! Podíamos respirar.
Eu desfrutava da vida. Conduzia o carro que quisesse.
Por uns tempos, tudo era divertido e agradável.
O problema foram os gastos descontrolados.
A empresa dava um lucro de 60 mil, e, entre nós os três,
gastávamos mais do que isso mensalmente.
CONTA VENCIDA
Acabei por fazer mais empréstimos de cerca de meio milhão.
Toda a família, as minhas tias, a minha mãe, o marido dela, a minha avó,
assinaram algum tipo de empréstimo para mim.
Vi o Sorbee no Instagram.
Ele publicou as férias dele nas Bahamas.
Pensei: "O que está ele a fazer?"
Obviamente, algo não batia certo.
Férias, hotéis.
Quer fosse o Sorbee sair à noite,
eu a apostar, ou o que quer que seja…
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