أول 200 سطر.
Legendas: rcarreiro
Antes de nascermos, estamos na escuridão.
O som é o primeiro sentido que começa a funcionar.
Seis, sete meses, dentro do útero.
A gente ouve o coração da mamãe batendo.
Ouve sua respiração.
Ouve o papai gritando de longe, da garagem.
É assim o primeiro contato com o mundo.
Você desenvolve um tipo de consciência.
Usando apenas o som.
Só então você nasce.
O som nos afeta de um modo mais profundo do que a imagem.
Mais inconsciente.
Uau!!
E no entanto, aparentemente somos meio que alheios a isso.
Som de filme é uma arte alusiva.
Tendemos a achar que estamos apenas ouvindo os sons naturais …
… que acontecem na diegese.
É subliminar,
Um modo puramente emocional de pensar sobre um filme.
Trabalhar com som é traiçoeiro, furtivo
É como voar abaixo do radar.
E por isso, é subestimado.
Mas o que o som acrescenta à imagem …
… é algo tão emocionante que logo me tornei uma viciada.
Basicamente, nunca olhei para trás.
Você está triste, não está funcionando, e aí entra o sound design …
O sentido de escala que o som acrescenta é enorme.
Penso que o som, de várias maneiras, está mais conectado à imaginação.
Se você nasceu para pensar artisticamente, o som tem que ser parte do negócio.
Porque é parte do ser humano.
Filme é visão e audição.
Você só se expressa por completo com as duas coisas.
As pessoas falam direto sobre o visual do filme
Não costumam falar muito sobre o som do filme.
Mas é igualmente importante, às vezes mais importante.
Não sou um animal.
A questão é transmitir uma emoção.
Tudo tem que estar a serviço disso.
E o som é metade da experiência.
Sempre tive a crença de que …
… os ouvidos guiam os olhos para onde a história vive.
Quando concebo o som para um filme hoje,
Como “O resgate do soldado Ryan”,
Sinto que estou construindo uma complexa orquestração de sons.
Em cada filme que trabalhei com Steven Spielberg,
Ele entrega um presente, uma cena, um momento especial,
Ele conta com o som para ajudar a contar a história. E lá vamos nós.
O que mais me surpreende,
Especialmente no começo de “Soldado Ryan”,
É que foi concebido para usar o som …
… para contar uma parte da história que você não está vendo.
Uma cena desse tipo tira vantagem total
do modo como um soldado sente a guerra, um ponto de vista realmente estreito.
Ande! Ande!
O som é que sustenta a escala.
Gastamos muito tempo trabalhando naqueles 25 minutos de filme.
Foram semanas e semanas apenas balanceando os efeitos sonoros
que Gary e seu time construíram.
Eu meio que sugeri um certo padrão rítmico
de cortar das metralhadoras para a batalha ao fundo.
De forma que foi possível dar concisão à batalha.
Existe um ritmo contínuo. Dentro do caos, existe ritmo.
Ponto de vista é importante para o som.
Porque permite que você coloque a plateia na cabeça do personagem.
Então eu concebi a sequência,
A partir do ponto em que há uma explosão perto do capitão Miller,
Todos os sons desaparecem.
Essa ideia veio de um veterano
Ele me contou como era estar no meio das explosões.
Então o ponto de vista sonoro te dá essa percepção íntima.
Se você prestar bem atenção, não existe na cena, até o final,
um plano aberto, que te dê uma visão panorâmica, em larga escala, do Dia D.
A cena não busca isso. A perspectiva é íntima.
E, muito importante: não colocamos música.
John Williams teria feito uma linda trilha, cheia de emoção,
Mas era a ausência a música que te daria a sensação de realidade.
Quando a música entra … A música é normalmente usada
Como um bote salva-vidas.
Você tem um momento emocional, aí ela aparece.
E então te oferece algo para se agarrar.
Esses diferentes elementos que compõem o som dos filmes -
música, efeitos sonoros e voz,
Funcionam de modo similar aos instrumentos em uma orquestra.
Mas trabalhar no som de filmes nem sempre foi dessa maneira.
Com dezenas de editores de som construindo milhares de tracks.
Levou tempo para que pessoas como Ben Burtt em “Star Wars”
E Walter Murch em “Apocalypse Now”
Pudessem nos apresentar uma trilha completamente imersiva
Como o púbico se acostumou a esperar dos filmes de hoje …
… com som criado por um time de artistas sonoros talentosos.
Não!
Quando o cinema foi criado, os filmes eram silenciosos.
“Mary had a little lamb Its fleece was white as snow”
“And everywhere that Mary went The lamb was sure to go”
A invenção do fonógrafo
foi um passo gigantesco para a humanidade.
Agora podíamos capturar som para sempre.
Edison originalmente desenvolveu a câmera cinematográfica
Porque ele queria que imagens pudessem rodar em paralelo com o fonógrafo.
O áudio veio primeiro!
Mas imagem funciona a uma certa velocidade.
O som funciona com outra.
Não havia jeito de haver sincronia,
E por isso o projeto original foi abandonado.
Eles ficaram ansiosos para colocar som em filmes
Porque sabiam que isso iria ampliar a experiência.
Filmes eram projetados com uma orquestra tocando ao vivo.
Podiam também ser projetados com pessoas falando atrás da tela.
E havia até pessoas que viajavam por todo canto,
Criando efeitos sonoros ao vivo para filmes silenciosos.
Em filmes como “Asas” (1927), quando exibido em New York,
e em grandes sessões especiais, havia artistas no palco,
criando efeitos sonoros ao vivo para motores de avião,
e usando instrumentos de percussão para simular tiros e explosões.
Eles conseguiam simular vento, cavalos galopando,
Só que ainda não havia meios técnicos de captar e gravar sons,
E fazê-los tocar em sincronia com filmes.
Até 1926.
Warner Bros. fez então “Don Juan”, com John Barrymore.
O filme tinha uma trilha sonora com música sincronizada.
O fonógrafo era mecanicamente ligado ao projetor de imagens.
E aí, em 1927, finalmente se pôde gravar diálogos em um set,
“O cantor de Jazz” usou isso e se tornou o primeiro filme falado.
O teatro Warner Bros, na cidade de New York,
onde “O cantor de Jazz” está sendo exibido,
já está com ingressos esgotados por várias semanas.
O que mais impressionava as pessoas era a voz de Al Jolson.
Ele falando, não cantando.
O fato de ele poder falar parecia revolucionário.
Eram os diálogos que as pessoas queriam ouvir.
Espere um pouco! Só um pouco!
Você não ouviu nada ainda!
Espere, vou te dizer.
Você não ouviu nada!
Foi um enorme sucesso,
e Hollywood agora tinha que decidir o que fazer a seguir.
Os estúdios tinham desenvolvido um modo de gravar filmes sem som,
E isso proporcionava certa liberdade no set.
O set podia ser bem barulhento, pois isso não incomodava.
De repente, havia som. E eles precisavam mudar.
Levar as gravações para grandes estúdios sonoros,
A fim de isolar os sets do barulho do mundo exterior.
OK, vamos em frente. Silêncio!
- Silêncio! - Silêncio.
Gravando!
Mas a sensibilidade dos microfones era tão rudimentar
Que os atores não podiam se mover.
Ela precisa falar no microfone. Não consigo captar a voz.
Não se esqueça, nem por um segundo:
Há um microfone bem aqui, escondido no arbusto.
O sistema era muito limitado.
Corta!
Apesar das limitações, o público adorou o som.
Acredito que mesmo no som da voz humana,
transmitimos emoção.
Antônio?
Não! Não! Não!!
Está vivo!!
Mas a adição da voz não foi a única coisa
Que mudou nos filmes da época.
Realizadores se deram conta
de que efeitos sonoros eram parte importante do cinema.
E descobriram que não podiam gravar todos os efeitos sonoros
simplesmente pendurando um microfone sobre o set de filmagem.
Os sons não estão lá.
Lentamente, a noção do editor de som começou a ser desenvolvida.
Para que fosse possível adicionar sons após as gravações.
Há fogo, explosões,
animais.
Carros e até …
motocicletas.
Ônibus diferentes entre si, múltiplos trens …
Com um pouquinho de vento ao fundo e um pouquinho de chuva …
Como editores de som, criamos universos sonoros.
Independente do que foi gravado durante a produção do filme.
Mas provavelmente não foi até a chegada de “King Kong” …
… que essa técnica pôde ser chamada de sound design.
Muitas técnicas que a gente usa para manipular o som hoje
foram criadas naquele filme.
O filme gira em torno de animais que não existem.
então Murray Spivack teve que ser criativo para criar os sons.
Fui até o Selig Zoo na época.
Gravei todos os rugidos de que precisava.
Aí eu diminuía a velocidade pela metade,
e tocava o rugido do tigre de trás para frente, e ao mesmo tempo o leão.
E a soma dos dois gerou um rugido aterrador.
Esses são truques de sound design que continuam a ser usados hoje.
E representaram um enorme passo adiante.
Só que Murray Spivack operava fora do sistema.
Ela estava trancado no departamento de música,
Ninguém sabia o que ele estava fazendo.
Acho que eles sentiam que o estúdio diria, “Não se preocupem com isso”
Se eles soubessem o tipo de esforço que ele estava fazendo …
… porque cada estúdio desenvolveu sua própria coleção gigante de …
… efeitos sonoros, que eles não se preocupavam em usar repetidamente.
Muitos estúdios usaram efeitos repetidamente por anos e anos.
Cada estúdio tinha um ricocheteio …
… um soco na cara, uma explosão.
Se funcionasse num filme, o efeito era usado de novo e de novo.
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