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Falei-lhe no vídeo. É para os seus advogados.
- Os seus advogados. - Certo.
Não é maravilhoso?
- Pode... - Não fazia ideia. Isto é fantástico.
- Está bem assim. - Isto é maravilhoso. Sim.
- Pronto. Conseguem ouvir-nos? - Sim.
- Ouve bem? - É um prazer conhecê-lo.
É um prazer, Marjorie.
Podemos começar?
Sou uma mulher normal. Faço compras no shopping. Salvo cães e gatos.
Sou boa cozinheira e sou muito normal.
Não sou a Miss Simpatia, mas também não sou a pior.
Sou bipolar. Tenho os meus altos e baixos.
Mas sabe que mais? O Lincoln era bipolar. O Churchill também.
Alguns dos melhores escritores e músicos são bipolares.
Tenho um QI de génio. Não tenho...
Esta é a única entrevista filmada da Marjorie Diehl-Armstrong.
É uma videoconferência que preparei como parte do acordo.
A Marjorie falaria sobre o assalto,
se lhe arranjasse um advogado para discutir assuntos legais.
De que signo é? Quando faz anos?
Sou Carneiro.
A Lua hoje está em Carneiro.
A Lua está em Carneiro. Nasceu no ano chinês do Cão.
Ajude-me, porque estou mesmo a ser tratada como um cão.
Primeiro, vamos falar do caso James Roden, sim?
Alvejei e matei o James Roden.
Não vou mentir sobre nada do que fiz,
admito que o fiz e lamento que tenha acontecido.
Porque alvejou o Roden? Qual foi o motivo?
Ele estava em minha casa, ameaçou matar-me,
há dez anos que fazia isso.
E deixou-me descontrolada. Já não aguentava mais.
Não aguentava mais, toda a gente tem um limite!
Eu não fui má. Não recebi um cêntimo. Não o queria morto.
- Amava-o. - Quando é que...
A morte do Roden não teve nada a ver com o caso Wells.
Porque é que o corpo foi posto numa arca?
- Qual foi a lógica disso? - Não sei.
O Bill Rothstein disse-me: "É por isto..." Eu conto-lhe.
O Bill Rothstein disse-me:
"Não o posso tirar daqui até acabar o meu projeto de negócio."
Vim a descobrir que o projeto de negócio dele era o caso Wells.
UMA SÉRIE DOCUMENTAL ORIGINAL NETFLIX
OS SUSPEITOS
A minha relação com a Marjorie começou antes desta entrevista.
Contactei-a em 2005.
PRODUTOR
Um ano e meio após o assalto ao banco.
Esta é uma das primeiras cartas que recebi dela.
Pude finalmente perguntar-lhe o que queria dizer
com o acesso de fúria após a audiência preliminar.
O Rothstein vai ser processado, é mentiroso.
O que acha do Rothstein?
Devia ser acusado do homicídio do Brian Wells
e muitas outras acusações.
Mas ela só me contava
que presumia que o Bill era o cérebro do assalto,
porque precisava de dinheiro para saldar o património.
A Marge queria que eu soubesse
que não tinha tido nada a ver com isso e nunca tinha chamado a atenção do FBI.
Mas isso ia mudar.
Porque, na altura em que me começou a escrever,
a Marjorie também escreveu uma carta à Polícia estadual.
PRISÃO ESTADUAL DE MUNCY
POLÍCIA ESTADUAL
Estava destacado na Unidade de Polígrafo em Erie.
Houve uma carta assinada. Era da Marjorie Diehl.
OBRIGADA, MARJORIE
A Marjorie queria negociar com a Polícia.
Ofereceu-se para dar informações sobre um caso não relacionado com o assalto,
que envolvia um antigo colega de pesca, um tipo chamado Ken Barnes.
Mas a informação dela era apenas um rumor.
Então, a Marjorie arranjou um plano novo, porque...
Ela queria mudar-se de Muncy para Cambridge Springs.
Ela queria ficar mais perto do seu dinheiro e do seu advogado.
O advogado não queria ir até Muncy para falar com ela.
Ela começou a dizer que tinha informações sobre outros crimes,
e foi por isso que falámos com ela.
Provavelmente, aquela carta foi a nossa salvação, para a fazer falar.
Ela falou do Bombista da Piza.
Disse: "Sei que o Bill Rothstein está envolvido."
Não disse: "Creio que está envolvido." Disse: "Sei que está envolvido."
Creio que ela disse que havia outra pessoa envolvida,
que ele se mantinha muito próximo do caso
e que estava encantado com o caso.
Ele sabia mais do que a Polícia, caso falassem com ele sobre isso.
Não a convenci a contar-me como sabia.
"Marjorie, como sabe isto?" Ela não dizia.
Ela controlou o interrogatório, foi fácil.
Ela só tinha de se ir embora, ou dizer: "Não falo mais."
O AGENTE GLUTH DIZ AO FBI
QUE MARJORIE TEM INFORMAÇÕES SOBRE O ASSALTO.
PEDEM-LHE QUE SE JUNTE À INVESTIGAÇÃO.
Em 2003, depois de encerrar o caso do corpo congelado,
a Polícia removeu o recheio da casa da Marjorie
e colocou-o num armazém.
Mais um cavalo.
Mas agora que Marge era o foco do assalto ao banco,
o Agente Gluth ofereceu os artigos ao FBI.
Durante dias, os investigadores reviraram o lixo e, finalmente,
numa das últimas caixas, encontraram uma pista.
Uma carta furiosa que Marge tinha escrito a um banco.
O gerente tinha deixado o pai da Marge esvaziar um cofre da família
que continha pertences valiosos da filha.
Ela estava furiosa com o pai e com o banco,
que era o Banco PNC, o mesmo banco que Brian Wells assaltou.
Acho que ela tinha contas a ajustar com o Banco PNC.
Como é que a Marjorie se sentiria? Ela tinha sido enganada.
A herança da mãe nunca lhe chegou às mãos e foram mal-educados com ela.
Tinha interrogado imensas pessoas na minha carreira, mas a Marjorie era...
AGENTE RESPONSÁVEL DO FBI
... única.
Registámo-nos, entregámos as armas e os distintivos
e fomos levados por um longo corredor.
E, até hoje,
ainda me faz lembrar o Silêncio dos Inocentes,
em que a Clarice Starling percorre um corredor escuro e lúgubre
para falar com o Hannibal Lecter.
E nós entrámos numa sala muito pequena.
E, de repente,
o tenente trá-la, ela senta-se,
estou a olhar para ela e penso: "Meu Deus."
É ela. É a Marjorie Diehl-Armstrong.
E começou com: "O que querem?"
Sempre que íamos falar com a Marjorie,
o primeiro minuto era ela a gritar connosco.
AGENTE ESPECIAL DA ATF
Dizia asneiras. "Porque estão aqui?"
O Jerry elogiava-a sempre e dizia:
"Está com bom ar" e ela acalmava-se.
Acalmava-se e dizia: "Obrigada, Jerry.
- Como vos posso ajudar hoje?" - Uma das primeiras coisas que diz é:
"Falo com vocês sobre o caso Wells,
mas só se me mudarem para perto de Erie."
E eu disse: "Vou ver o que posso fazer, mas estou no sistema federal,
a Marjorie está no estadual.
Vou fazer telefonemas e ver se podemos fazer isso."
Tal como o Sr. Rothstein, muito manipuladora, muito inteligente.
Ela era muito cuidadosa com as palavras.
No primeiro interrogatório, observou-nos tanto quanto a observámos.
Ela dava respostas muito... limitadas,
muito ocas, esperando que as aceitássemos e avançássemos.
Nunca o fizemos. Insistíamos.
Poucas semanas após a Marjorie pedir ao FBI para a levar para mais perto de Erie,
eles conseguiram a transferência,
na expetativa de que daria informações novas sobre o assalto.
Mas não deu. Continuava a implicar Bill Rothstein.
Aqui está uma carta dela, da Prisão de Muncy.
Admito que me perguntei porque estabelecia uma relação com esta pessoa,
uma criminosa que tinha matado dois namorados
e cujo marido morreu num acidente doméstico suspeito.
E havia o estado mental duvidoso dela.
Às vezes, ela inclui...
Isto é... Uma inclusão.
É papel vermelho com um cavalo
e um autocolante de uma laranja da Florida.
Diz algo como: "Guarde, por favor. Obrigada."
Mas ela prometia contar-me segredos sobre o assalto
e começámos a falar.
Você é um anjo. É mesmo. Não sei,
agradeço do fundo do coração aquilo que fez.
E aqueles livros distraem-me mesmo deste inferno.
Durante anos, eu tinha esta bolsa à volta da cintura.
As pessoas diziam: "O que é isso?
Agora andas com uma bolsa à cinta?"
Transportava vários gravadores
e gravava
os telefonemas todos com a Marge,
ouvindo a Marge ao longo dos anos.
Na maior parte do tempo,
ela confessava a sua inocência.
Mas, finalmente, a Marge cumpriu a sua parte do acordo. Contou-me algo novo.
Uma história sobre uma carrinha azul em casa do Bill Rothstein.
A Marge achou suspeito que Bill, logo após o assalto,
tivesse rebocado a carrinha,
e depois só a voltou a trazer após ter sido descartado como suspeito.
Fale-me um pouco desta carrinha Astro.
Achava que sabia disso. Adiante, ele estava a conduzi-la.
Estava a conduzi-la. Eu vi-o.
E...
E acha que a carrinha Astro
foi o que o Bill conduziu a 28 de agosto?
Sim, acho.
Um deles. Acho que ele mudou de carro.
Quando lhe digo que ele conduziu a carrinha naquele dia, é verdade.
Vi-o com os meus próprios olhos. Não estou a inventar coisas.
Isto é verdade.
Fez-se luz.
Estava uma carrinha azul em casa do Bill quando o tentei entrevistar.
Então, quando falei com o Agente Lamont King,
que tinha visto uma carrinha sair do último local da caça ao tesouro,
perguntei-lhe se podia ver o meu vídeo.
Quando vejo a imagem da carrinha azul...
POLÍCIA ESTADUAL
Tal como disse, não sabia disso até o Trey mo enviar.
E penso: "É a carrinha."
Não tenho dúvidas de que é a carrinha que vi naquele dia.
Podemos presumir que você andou de carro com o Rothstein naquele dia?
Não vou dizer isso. As pessoas pensam que se sei isso,
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