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A família do paciente com morte cerebral quer pensar mais uma noite.
Por favor, esperem um pouco mais.
Sim, claro que vamos esperar.
Ficaram esperançosos.
Temos que contar a verdade, que a família se recusou a doar.
O que acontecerá com o Pung-sang?
Vou falar com cuidado.
Fico com lágrimas nos olhos só de ouvir esse som.
Minha mãe saiu de casa assim algumas vezes antes de falecer.
A vida de alguém está acabando.
A família deve estar desolada.
Os carros não davam passagem para a ambulância da minha mãe.
Hoje em dia, todos abrem passagem.
Nunca mais quero me despedir de alguém
dessa forma.
É ótimo ter você para cortar minhas unhas.
Ainda bem que adoeci.
Estas mãos sustentaram uma família enorme.
São as melhores mãos do mundo. Deve ter se decepcionado hoje.
Eu mentiria se dissesse que não,
mas entendo aquela família.
Doar um fígado não é uma decisão fácil.
Acho que eu também não aceitaria.
Não desista.
Vai ter uma boa notícia.
Bun-sil,
todo mundo morre.
Alguns morrem antes do que outros.
É mais fácil me deixar ir e não se preocupar demais.
Já disse que não quero me despedir de mais ninguém.
Morrerei primeiro, você cuidará de tudo e irá depois.
Queria fazer tantas coisas por você.
Se eu nascer de novo…
Não sabemos o que acontece após a morte.
- Se quiser fazer algo, faça agora. - Tem razão.
Eu sempre deixei tudo para depois.
Nunca andei de avião até hoje.
Nós engolíamos a comida,
eu ia consertar carros, e você os lavava.
Se não sabemos o que está prestes a acontecer,
como temos tanta certeza do que vai acontecer
em alguns anos e até mesmo décadas?
Achei que eu ainda tivesse muito tempo.
Ainda tem, Pung-sang.
Quer ir ao mercado?
- Me dê. - Eu carrego.
Por quê?
Veja isto. Veja.
Senhora, quanto custa?
Isto? Seis mil wones cada.
Entendi.
Abra a boca.
Para onde aquele porco foi?
Ele foi caminhar na colina para tomar um ar.
Que apelido é esse? Como se atreve a chamar seu genro de "porco"?
É porque ele nunca me comprou carne bovina, só de porco.
Que ótimo… É melhor ir embora antes que ele volte.
- Arrume as malas. - O quê?
Eu vim te buscar. Não vou deixar você fazer isso.
- Pai… - Onde está sua mochila?
Veja! Aqui está.
Pai, por favor.
Não consigo dormir.
Há muito tempo, eu conseguia matar um touro com as mãos.
Eu enfraqueci depois de cuidar da sua mãe doente por uma década.
Você perde a sua vida,
se é que poderá chamar isso de vida.
Só terá dias difíceis pela frente.
Eu sei disso, pai.
Sei o quanto sofreu
e entendo por que está fazendo isso.
- Então por que não deixou a mamãe? - O quê?
Uma vez o senhor me disse
que queria fugir porque era muito difícil cuidar dela,
mas que não podia, pois tinham filhos para criar juntos.
Disse que era lealdade.
Também me sinto assim.
Ele é o pai da minha filha.
Pense no tempo que passamos juntos. Tenho que ser leal.
Como posso deixá-lo só porque está doente?
Quando soube que ele estava doente,
achei que fosse culpa dos irmãos.
Pensando bem, eu também fui parcialmente responsável.
Se eu fosse calma,
se eu não o estressasse,
talvez ele não tivesse câncer.
Que bobagem é essa?
Por acaso alguém adoece por isso?
Por que está se culpando?
Pai.
Não vou embora.
Como eu poderia dormir à noite se fosse para casa?
Quero ficar aqui com ele.
Depois não me culpe por não te impedir.
Droga, estou muito irritado!
AÇOUGUE DO HONGA
Bun-sil!
Achei que tivesse ido.
Trouxe um pouco de carne.
Deve ter sido caro.
Tive que usar minhas reservas.
Não dê tudo para o porco. Precisa se alimentar primeiro.
Precisa estar forte pra cuidar dele.
Vou esconder e comer sozinha.
Entre, pai. O porco já vai chegar.
Não quero vê-lo.
Fico triste por ele, que ainda é jovem.
Eu o odeio por fazê-la sofrer tanto,
mas tenho pena da vida dele.
Deve ser horrível deixar a família.
Se você decidiu cuidar dele,
seja bondosa para não se arrepender.
Há momentos de raiva quando cuidamos de um doente,
mas eu sempre me arrependi.
As coisas estavam tão difíceis que eu gritava com ela,
dizendo que ela deveria morrer.
Um dia, sua mãe quis morangos.
Eu trabalhava na lavanderia o dia todo, então estava cansado.
Fiquei bravo e saí de casa dizendo: "Por que você quer morangos?"
Eu dei uma volta pelo bairro, comprei uns morangos e voltei para casa…
mas ela já estava…
Acho que ela queria comer aquilo antes de partir.
Nunca mais consegui olhar nem comer morangos depois disso.
Talvez a mamãe não quisesse
que o senhor a visse partir.
Não é culpa sua.
Pai.
Se as coisas ficarem difíceis, eu farei as malas e partirei.
Por favor, espere por mim
até ficar tão difícil que eu decida desistir.
Só assim me sentirei em paz.
Não sou tão boa
a ponto de me desgastar ao máximo.
Certo.
Cuide-se.
Quem eu terei se algo te acontecer?
Não acredito que temos o mesmo destino.
Querido, estou no mercado.
Quer alguma coisa? Ainda está na colina?
Sim, estou caminhando.
O ar está tão fresco! Já estou indo.
Cuidado na volta. Não caia.
Certo. Chegarei cedo.
Ele está trabalhando em uma oficina?
Por que está surpresa?
Sei que ama dinheiro, mas como pôde forçá-lo a trabalhar?
Vim aqui porque achei um absurdo!
Pode apostar.
Senhor,
meu marido não trabalhará mais aqui. Sinto muito.
Querida.
Eu disse que ele não podia trabalhar, mas ele insistiu.
Bun-sil, me deixe explicar.
Qual é o seu problema, Pung-sang?
Não fique brava.
Não estou brava, só chateada. Como pôde?
Não faça isso, está bem?
Não vou.
Não vou te chatear.
Tudo o que fiz até agora
te fez sofrer.
É desumano continuar.
Você sabe muito bem
que me fez mais do que sofrer.
Sei que não temos dinheiro.
Pagamos 30 milhões de wones aos credores, estamos falidos.
Eu só queria ajudar um pouco.
Se eu te deixar com dívidas,
como você e a Jung-i viverão?
Não tenho nada melhor para fazer e ainda tenho saúde para trabalhar.
Não é tanto esforço, só estou usando minhas habilidades.
Não está mais rasgando as calças.
Está doente?
Estou muito saudável. Cuide da sua saúde.
Ver o Pung-sang sofrer daquele jeito me magoa.
Não quero isso para mim, então se mantenha saudável.
Só isso já basta para ser feliz nesta vida.
Não posso viver sem você.
O mesmo vale para mim. Cuido da minha saúde.
Eu como alimentos saudáveis e não bebo nem fumo.
Ótimo. Você precisa se manter saudável
da cabeça aos pés.
Pode apostar.
A senhora é muito esperta.
Tudo, da cabeça aos pés.
Pode apostar.
Tem que cuidar da saúde.
Peide o quanto quiser.
Quando envelhecemos, nem notamos que estamos peidando.
Pode peidar o quanto quiser enquanto é jovem.
Eu costuro as calças para você.
Se quer tanto assim…
- Meu Deus! - Nossa, olhe isso!
Nossa, você é ridículo!
Detergente, por favor.
Me sinto culpada por rir.
Bun-sil, entre um pouco.
Você não comeu, não é?
Sei que gosta de mingau de abóbora. Coma.
Você precisa comer direito se quiser cuidar dele. Pode apostar.
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