De første 200 linjer.
Systems this is prop.
I read you 500, do you read me?
Estas pessoas estão a observar o trabalho da sua vida a chegar ao fim...
The team is on its way to point.
... num outro mundo.
All right. Roger that.
Todos eles eram jovens quando a puseram a caminho.
Estes homens e mulheres têm viajado vicariamente com ela há mais de duas décadas.
E agora que o trabalho dela está feito... ela tem de morrer.
Mas antes de ela dar o mergulho fatal,
eles lançaram-lhe um desafio final épico.
A gravidade tem muitos truques,
nenhum mais belo do que os sistemas de anéis de alguns mundos.
Só o nosso próprio Sistema Solar tem quatro planetas com anéis.
Este, com a romântica designação J-1407B,
é o primeiro que encontrámos a orbitar outro sol.
Porque é que não encontrámos mais planetas com anéis na nossa Galáxia?
Será que os anéis são assim tão invulgares
ou serão os métodos que utilizamos para encontrar exoplanetas que não são muito
bons a ver os sistemas de anéis que os podem estar a rodear?
O sistema de anéis do J-1407B é tão vasto,
que eclipsa a sua estrela durante dias.
Estes anéis estendem-se ao longo de uns espantosos 180 milhões de quilómetros.
Preencheriam mais do que a distância entre a Terra e o Sol.
Mas enormes como são, são surpreendentemente finos.
Se o sistema de anéis de J-1407B fosse do tamanho de um prato de mesa raso,
seria 100 vezes mais fino,
tão fino como um cabelo humano.
Este contraste surpreendente entre o imenso território
de um sistema de anéis, e a sua fina espessura,
é igualmente notório no nosso próprio Sistema Solar.
O anel mais externo de Neptuno é tão delicado,
que primeiro se pensou serem fragmentos de um anel...
Não um anel, mas uma colecção de arcos.
Isto foi até a nave espacial Voyager 2 da NASA ter revelado
que os chamados arcos eram aglomerados,
as partes mais espessas de um anel completo, mais ténue.
É engraçado que o planeta mais estranho do Sistema Solar seja o que tenha
atraído menos atenção.
A Voyager 2 é a única nave espacial que alguma vez foi
enviada em missão de reconhecimento a Úrano,
um dos dois planetas gigantes gelados que orbitam o Sol.
Durante os seus Verões com 20 anos de duração
o Sol nunca se põe em Úrano.
Os Invernos são igualmente longos,
20 anos de noite ininterrupta.
Ao contrário dos planetas gasosos seus companheiros, Úrano tem o núcleo frio.
Não gera qualquer calor interno.
Úrano é um mundo louco.
A orla exterior da atmosfera de Úrano é tão quente
que chega a ultrapassar os 260 graus Centígrados.
Mas Úrano também tem a as nuvens mais frias do Sistema Solar,
Estou a falar de quase 240 graus abaixo de zero.
Que tipo de oceano é este?
É feito de amónia?
Água?
Alguns cientistas pensam que pode ser um oceano de diamantes líquidos.
Nota às agências espaciais: pode valer a pena outra visita.
Depois há aquela coisa de estar deitado "de lado".
Úrano roda em torno do Sol num ângulo de cerca de 90 graus em relação ao seu próprio plano orbital.
O que poderia ter acontecido a Úrano para ter levado uma pancada no traseiro?
O nosso melhor palpite é que foi algo parecido com isto:
Úrano sofreu um acidente terrível.
Depois do segundo impacto, o eixo rotacional de Úrano inclinou-se 98 graus.
Há outro mundo no nosso Sistema Solar que nós não
pensamos que tenha um anel.
Os anéis de Júpiter eram tão escuros que nunca nenhum
telescópio em terra os viu.
Foram descobertos quando a Voyager 1 voou lá perto.
O nosso Saturno é brindado pelo mais belo, o maior
e o mais brilhante de todos os sistema de anéis à volta do nosso Sol.
É o planeta mais distante que pode ser visto a olho nu
e causou uma grande impressão aos nossos antepassados.
Quando penso nos Babilónios de há 3 500 anos a olhar para cima,
para os planetas e estrelas,
imagino como lhes teria parecido improvável que alguém da sua
espécie pudesse, alguma vez, enviar um emissário a esses
pontos de luz distantes.
Estamos na sala da Rede de Espaço Profundo, no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA.
Neste local, as viagens mais ambiciosas de descoberta são dirigidas e monitorizadas.
Porque é que estas pessoas estão tão emocionadas?
Dedicaram a sua vida profissional
a uma colaboração com este robot .
E agora essa parceria de décadas está prestes a terminar
da forma mais violenta.
O caminho que nos levou desde a nossa terrena impotência até
à nossa presença nos céus de Saturno está prestes a desfazer-se.
O que é aquela coisa tremeluzente e instável para onde estamos a olhar?
Foi isso que Galileo Galilei perguntou a si próprio em 1610, quando
se tornou o primeiro humano a ver Saturno como mais do que
um simples ponto de luz.
Ora aqui está, então, o telescópio que tornou a moderna
revolução científica possível.
Sabe... você começou mesmo qualquer coisa...
Você olhou através desta coisa e encontrou o Cosmos.
Não quer dizer que não tenha cometido a sua quota-parte de erros.
Adivinhou mal o que pensou ter visto,
acreditando que Saturno exibia duas luas simétricas,
uma de cada lado dele.
Dois anos mais tarde, ao olhar pela segunda vez,
ficou chocado ao constatar que as suas "luas" tinham desaparecido.
Isto porque ambos os mundos, Terra e Saturno,
estavam em movimento, e os dois tinham mudado de posição um em relação ao outro.
Você agora estava a ver os anéis de Saturno de perfil.
O sistema de anéis de Saturno tem 280 000 quilómetros de diâmetro
mas, em média, apenas algumas poucas centenas de metros de espessura...
Eram demasiado finos para o seu telescópio recém-criado poder ver.
Mas dois anos depois desse, você fez um terceiro visionamento.
Desta vez pensou que o planeta tinha braços.
40 anos passaram até que um astrónomo Holandês, chamado
Christiaan Huygens, voltou a olhar para Saturno com
o seu próprio telescópio muito aperfeiçoado.
Huygens foi o primeiro a saber que os mundos podiam
ser rodeados por anéis... Saturno era um deles.
Ele também descobriu a maior lua de Saturno,
que mais tarde seria conhecida como Titã.
Quando finalmente chegou a altura de visitarmos esse mundo,
a nossa nave espacial ostentava o nome de Huygens.
Na Ciência há os Galileos, os Newtons,
os Darwins, os Einsteins.
E depois há outro tipo de grande cientista...
não do tipo que pinta um quadro totalmente novo da Natureza,
mas, como Christiaan Huygens,
alguém que tenha muito a contribuir
preenchendo um espaço em branco, ou dois, naquela vasta tela.
Esse cientista era Giovanni Domenico Cassini.
Ele nasceu no início do século XVII, na cidade de Perinaldo,
no que é agora a Itália.
Cassini não começou como cientista.
Ele começou a sua carreira como pseudocientista, como astrólogo.
A astrologia é uma colecção de ideias baseadas na noção de que
os mundos têm certos traços de personalidade humana
e que a influência desses mundos distantes,
dependendo de quais se encontrem em ascensão ou em queda no momento
do nosso nascimento, irá determinar quem somos
e qual o nosso destino.
É outra forma de preconceito,
fazer suposições infundadas sobre quem uma pessoa
é sem se incomodar em a conhecer.
Astronomia e astrologia costumava ser a mesma coisa
até ter havido um grande despertar para a nossa
circunstância real no Cosmos.
Em 1543, Nicolaus Copernicus,
um clérigo Polaco, demonstrou que,
ao contrário da crença popular,
não éramos o centro do Universo...
a Terra e os outros planetas viajavam à volta do Sol.
A despromoção da Terra de centro do Universo
foi um duro golpe na auto-estima humana.
Mais de um século depois
algumas pessoas ainda não tinha ultrapassado o facto
e Giovanni Cassini era uma delas.
Cassini aceitou uma oferta de emprego fantástica,
uma proposta de Luís XIV,
o lendário Rei Sol de França.
Louis acreditava-se ser um governante absoluto cujo reinado era por vontade de Deus.
Mas também foi o primeiro monarca na Europa a reconhecer
o grande poder da Ciência.
Ele sabia que era vital para a segurança nacional.
Luís XIV estava a inventar o primeiro instituto
governamental moderno de investigação científica,
o Observatório de Paris.
Cassini disse ao governante absoluto que não iria
ficar muito tempo em Paris... um ano ou dois, no máximo.
Mas quando o Rei colocou o seu novo observatório à disposição da Cassini,
ele perdeu todo o interesse em voltar novamente para Itália.
Durante os 125 anos seguintes,
o Observatório de Paris iria ser dirigido por um Cassini.
Cassini recompensou o seu patrono com um mapa da Lua
que se manteve de vanguarda durante um século.
O Rei Louis financiou uma expedição de investigação à América do Sul
para obter medições mais precisas de longitude,
informação de enorme valor para os capitães da sua vasta frota
e para astrónomos.
Cassini recolheu todos estes dados e tornou-se a primeira pessoa
a calcular a escala do sistema solar Copernicano
que outrora rejeitara.
Com os seus telescópios cada vez mais potentes,
ele descobriu o duração de um dia em Júpiter
e as faixas e manchas na superfície desse planeta.
Cassini descobriu a Grande Mancha Vermelha de Júpiter de forma independente
de Robert Hooke, em Inglaterra, e até aos dias de hoje
eles partilham o mérito.
Prosseguindo, Cassini determinou a duração do dia em Marte.
Errou por apenas três minutos.
Quando regressou às suas observações de Júpiter,
ficou perplexo com as contradições nelas encontradas.
Os eclipses das luas de Júpiter não começavam quando deviam,
variavam de observação para observação.
Poderia ser que fosse devido a mudanças na distância
entre a Terra e Júpiter, à medida que os dois mundos se moviam através do Sistema Solar?
Se isso fosse verdade, então a luz não podia viajar a
uma velocidade infinita visto que estava a demorar mais tempo a chegar à Terra.
Seria a velocidade da luz finita?
A ideia era demasiado louca para Cassini, demasiado revolucionária.
Ele rejeitou-a completamente.
Se ele tivesse seguido as pistas para onde quer que elas conduzissem,
ter-nos-ia dado o critério de referência para o Cosmos que
ainda usamos 350 anos volvidos.
Mas Cassini, sempre conservador,
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