Dead Donkeys Fear No Hyenas

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De første 200 linjer.

Ação.

Vamos começar?

Não sei nada do preço da terra

Se soubesse de economia, dizia-te

Já ouviste falar nos investidores

que vêm cavar a nossa terra?

Falemos disso, quero saber se é verdade

Eles vêm de longe para investir

Os alemães vêm para investir

Os americanos vêm para investir

Todos vêm para cá investir!

O que vai acontecer à nossa terra?

Eles vêm do mundo inteiro para investir

Não deixem os agricultores perder a terra

Não deixem os agricultores perder a terra

O aeroporto em Adis Abeba, na Etiópia, há seis anos.

Foi aqui que começou a história.

Na pista, vejo aviões de carga brancos a serem descarregados.

É ajuda alimentar a entrar no país…

CORPORAÇÃO DE SEGURANÇA ALIMENTÍCIA DIREÇÃO DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA

… e, ao mesmo tempo, há comida a ser exportada.

Porque está um país que passa fome e recebe ajuda alimentar,

a exportar comida para o mundo rico,

para nós?

ORIGEM EUROPEIA

Não fazia sentido.

Ao voltar para descobrir mais,

nem imaginava que era o início de uma história muito maior.

ADIS ABEBA ETIÓPIA

Aonde quer que vá, na cidade,

tudo parece estar ligado ao desenvolvimento.

A fome e a pobreza devem ser erradicadas, seja de que maneira for.

Para o governo etíope, a solução é convidar investidores estrangeiros.

"Estamos a convidar empresas estrangeiras

para investir na terra e impulsionar

o crescimento económico da Etiópia."

Diz o primeiro-ministro Meles Zenawi.

Ele sublinhou as vantagens

do investimento estrangeiro no país.

O governo tenciona dar

quatro milhões de hectares de terra

a investidores agrícolas estrangeiros.

O apelo do governo foi ouvido.

Nos hotéis de luxo da cidade encontro homens de negócios e investidores,

à procura de oportunidades.

Toda a gente fala de terra arável,

aquilo a que chamam de "o novo ouro verde".

Temos quase 66.248 hectares

MOHAMMED AL AMOUDI INVESTIDOR

de terra na Etiópia

a produzir e a exportar

café, farinha, chá, fruta…

Quando vim para cá, fui ao Gabinete de Investimento.

Eles disseram que estavam desejosos de ter investidores estrangeiros aqui,

para estimular a economia

e também para melhorar o seu saldo no mercado cambial.

É uma operação comercial.

Pareceu-me adequada para aquilo que queria fazer aqui.

IVAN HOLMES INVESTIDOR E FAZENDEIRO

Há boa precipitação, bons solos…

É uma situação muito interessante, por isso, decidi tentar.

Investidores a trazerem dinheiro para um país pobre pode ser bom,

mas o que acontece aos agricultores locais quando os investidores chegam?

Sem saber nada sobre o país, estou um tanto à nora.

Contudo conheci um jornalista ambiental, que lida com os problemas da terra.

Acontece que vai aparecer uma grande quinta comercial no centro do parque.

Acontece que isso vai prejudicar todo o sistema ecológico do parque.

Essas coisas nunca são noticiadas.

Perder essa floresta, a meu ver, vai ser mais um grande desastre,

porque só daqui a 500 anos ela estaria totalmente recuperada.

Onde houver terra fértil na Etiópia, encontra investidores agrícolas.

ARGAW ASHINE JORNALISTA AMBIENTAL

Nos últimos meses recebi muitos relatos da região ocidental.

Agora quero ver com os meus olhos o que se passa ao certo.

Argaw deixa-me acompanhá-lo na sua viagem de investigação à região de Gambela,

no interior da Etiópia ocidental.

Após uma viagem de carro de dois dias, chegamos finalmente a Gambela.

Há muito tempo que esta região é um canto isolado da Etiópia.

De certa forma faz-me lembrar um mundo esquecido,

ainda intocado pela civilização moderna,

mas as coisas estão a mudar.

ABRAHAM D. FAZENDEIRO LOCAL

Porque parou aqui?

Não me é permitido passar daqui.

Porquê?

Esta terra foi dada aos investidores,

por isso, não posso avançar mais.

Porquê?

Fui banido pela lei.

Não posso lá entrar,

nem sequer fotografá-la.

Porquê?

Não posso ir ao sítio

onde estão as minhas plântulas.

Isso é um grande problema.

O que aconteceria se fosse lá?

Tive de prometer que não ia lá.

O que lhe fariam?

Seria castigado.

Desde nascença que nós e a floresta

pertencemos um ao outro.

A floresta é a fonte de tudo

o que temos na vida.

A nossa voz não é ouvida,

porque somos pobres.

Só os investidores

é que têm direitos sobre a nossa floresta.

Porque ignoram a nossa voz?

É isso que me entristece.

Porque é que o governo

não nos trata de forma justa?

Porque dão a nossa floresta

aos investidores?

Deixando o agricultor, seguimos pela estrada nova.

Embrenhamo-nos ainda mais no coração de Gambela

e chegámos ao maior parque nacional da Etiópia.

O parque cobre mais de 5 mil km2, estendendo-se até ao sul do Sudão

e é o habitat de muitas espécies ameaçadas.

Esta área enorme também alberga povos indígenas,

que vivem da agricultura, da pesca e da caça.

O sonho é expandir este parque até ao sul do Sudão

e fazer deste parque

BEM-VINDO AO PARQUE GAMBELLA

o segundo maior de África,

depois do de Serengeti.

OMOT AGWA OKWOY OFICIAL, PARQUE NACIONAL

Esta é a região de Gambela.

Há um parque nacional aqui no meio.

A região está cheia de muitas espécies de animais selvagens.

Há a ameaça por parte dos investidores agrícolas,

que vêm para Gambela para receberem terrenos.

A nossa preocupação agora é fazer esta demarcação depressa,

o quanto antes,

para que os investidores não possam ser alocados no centro do parque.

Isto é o que estamos a fazer, mas, quem sabe?

Visto que esta ameaça vem da parte das autoridades governamentais,

o nosso plano pode fraquejar, não sabemos,

mas estamos a fazer todos os possíveis.

É esta a situação em que nos encontramos.

Omot, o responsável do parque,

está receoso de que o seu pouco pessoal não consiga controlar a área do parque.

Algumas horas mais tarde,

descobrimos que as preocupações dele parecem ser justificadas.

SAUDI STAR DESENVOLVIMENTO AGRÍCOLA SA

Num cruzamento foi erguida uma placa,

de uma empresa chamada Saudi Star.

Aquilo que vimos foi muito perturbador.

Pergunto-me o que a empresa Saudi Star estará a pensar fazer naquela região.

Se estiverem a expandir para o parque nacional,

vão danificar seriamente a vida selvagem e a vida dos habitantes locais.

Argaw sai sozinho na capital regional para procurar informação

sobre os planos do governo para o parque e sobre a empresa Saudi Star.

A polícia local soube que Argaw andava a fazer perguntas e prenderam-no.

Argaw passou a noite a ser interrogado na sede da polícia.

É libertado de manhã cedo e mandam-no sair imediatamente de Gambela.

Foi-lhe dito:

"Se te preocupas com a tua segurança, nunca mais voltes."

Tivemos problemas.

A polícia prendeu-me.

Interrogaram-me, tiraram-me a identificação

e obrigaram-me a sair de Gambela.

Eles querem esconder qualquer coisa.

Sinto um medo no ar, na maior parte dos sítios,

mas, principalmente, nas zonas rurais.

Eles não compreendem que somos jornalistas.

Não compreendem que temos o direito de criticar as políticas do governo.

Não compreendem que é o nosso trabalho

e tentam sempre suscitar medo

e fazem avisos ameaçadores.

As pessoas pensam que podem ser presas ou que podem ser atacadas por alguém

e, por isso, fogem desse lugar.

Argaw teve sorte em conseguir sair de Gambela,

mas, para ele, esta história é demasiado importante para ser esquecida.

Em relação ao Parque Nacional de Gambela.

A quinta Saudi Star e o parque

vão ficar localizados lado a lado.

Onde posso obter informação oficial

sobre este plano?

Certo. Então, não está acessível?

Compreendo.

Durante a grande fome, na década de 80, morreram cerca de 400 mil pessoas.

Quase todas as famílias perderam familiares.

Contudo, a fome não desapareceu.

Ainda há milhões de pessoas dependentes da ajuda alimentar para sobreviver.

Agora há investidores do mundo inteiro a vir para cá, para ocupar a terra arável.

Se, ao mesmo tempo, é tirado o terreno agrícola aos nossos agricultores

e as colheitas são exportadas,

é capaz de haver ainda mais fome.

Antes, nenhum investidor internacional tinha interesse no solo arável africano.

Porque estão tão interessados agora?

NOVA IORQUE EUA

À procura de respostas, vou aos centros financeiros globais.

Em Nova Iorque há a maior conferência para investidores agrícolas.

Consegui entrar pela porta das traseiras.

Alguém perguntou a um ladrão famoso porque roubava bancos

e ele respondeu: "Porque é onde está o dinheiro."

De certa forma, é por isso que se investe na agricultura, porque agora dá dinheiro.

A agricultura dá atualmente um lucro, que não dava há 10 ou 20 anos.

As coisas mudaram, em meados da década de 2000,

quando houve um grande aumento no preço da comida.

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