Cosmos: Possible Worlds - First Season

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Cosmos Possible Worlds S01E05 The Cosmic Connectome [1080p x265 10bit FS87 Joy]
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Legendagem traduzida do Inglês por Manuel Matias

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De første 200 linjer.

Poderemos conhecer o Universo?

Serão os nossos cérebros capazes de compreender o cosmos em

toda a sua complexidade e esplendor?

Ainda não sabemos a resposta a essa questão porque o nosso

cérebro permanece quase tão misterioso

como o próprio Universo.

Pensamos que o número de unidades de processamento no nosso cérebro

é aproximadamente igual a todos as estrelas de mil galáxias...

Pelo menos 100 biliões.

E é possível que o número real de unidades de processamento

seja dez vezes maior.

Estamos no interior de um cérebro,

presa de um furacão de Categoria 5 de forças químicas

e eléctricas.

A tempestade veio sem aviso,

espalhando o caos e o sofrimento a toda a sua volta...

Mas também proporcionou as primeiras pistas para a natureza deste

pequeno cosmos.

Estamos a viajar 2 500 anos para trás, no tempo, para a ilha

de Kos no Mar Egeu.

Esta é a história de um salto gigantesco na

história do pensamento.

Foi aqui que um dos feitiços mais poderosos

que têm turvado a mente foi quebrado pela primeira vez.

Imaginem que são os pais amorosos de um

filho único precioso.

O menino é dado a momentos de brilhantismo,

que encantam e impressionam os vossos amigos.

Mas há algo de errado...

Há uma tempestade a formar-se dentro da sua cabeça...

Peleu! Peleu!

Isto era medicina há 2 500 anos na Grécia.

A ideia de que o ritual de apaziguamento de um dos deuses

poderia trazer a cura para uma crise de epilepsia era

pensamento mágico.

Quando os Gregos ― e povos de outras culturas ― realizavam os seus rituais,

alguns dos doentes recuperavam,

devido ao curso finito da doença,

ou aos seus próprios sistemas imunitários.

Mas para os pacientes e para os seus entes queridos,

significava que os deuses tinham sido apaziguados.

E quando o paciente morria?

Isso só significava que os deuses estavam tão zangados

que não havia nada a fazer.

Esta forma de pensar foi um subproduto dessa grande força ― e fraqueza ― humana,

chamada reconhecimento de padrões.

Neste caso, falso reconhecimento de padrões.

A crença de que a epilepsia era causada pela ira dos

deuses era a confusão de correlação com causalidade,

e a esperança ilusória que prevalece quando

as pessoas se sentem impotentes.

Isso não quer dizer que os antigos Gregos não tivessem

remédios, plantas e minerais para utilizar como medicamentos.

Mas para uma doença tão misteriosa como a epilepsia,

só podiam acender o seu incenso e rezar.

Eles nem sequer sabiam que tinha alguma coisa a ver com o cérebro.

E então apareceu Hipócrates.

Hipócrates rejeitou a noção de que deuses irados fossem

a causa de doença e de lesões.

Escreveu ele: "O médico deve investigar o paciente na sua totalidade,

a sua dieta e o seu ambiente...

O melhor médico é aquele que é capaz de

prevenir a doença.

Não acontece nada que não tenha uma causa natural."

Só por isto... já ele poderia ser chamado o Pai da Medicina.

Ele é creditado com a autoria de um código ético para os médicos.

O juramento que lhe é atribuído data do séc. III a.C. e é ainda

prestado hoje por aqueles que irão praticar medicina.

E foi Hipócrates quem esteve entre os primeiros

a declarar o cérebro como sede da consciência.

É difícil de acreditar...

mas isto já foi um conceito revolucionário.

A convicção dominante era a de que, na verdade,

pensávamos com o coração.

E pode ter sido aqui que ele fez uma

das grandes profecias da história da ciência.

Hipócrates compreendeu que, tanto ele como os seus contemporâneos,

chamavam à epilepsia "a doença sagrada"

por não compreenderem a sua causa física.

Escreveu ele: "Quando compreendermos, deixaremos de pensar que é divina".

Aquele rapazinho não tinha sido amaldiçoado.

Havia uma disfunção física dentro do seu cérebro.

Enquanto a procurássemos no capricho dos deuses,

não havia esperança de o ajudar, nem a ele... nem a nós próprios.

No entanto milhares de anos passaram

e o cérebro permaneceu um mistério.

Entre 420 a.C. e o século XIX,

a nossa compreensão do cosmos cresceu a passos largos.

Descobrimos a velocidade da luz...

as leis da gravidade...

e aprendemos que o nosso Sol faz parte de uma galáxia maior

de estrelas e, no entanto, 2 300 anos depois de Hipócrates,

ainda não sabíamos praticamente nada sobre a parte de

nós próprios que tornaram possível fazer estas descobertas:

os nossos cérebros.

Poder-se-ia até dizer que, de facto, sabíamos menos.

O estudo do cérebro tinha ficado preso num

beco sem saída pseudocientífico, chamado "frenologia",

que sustentava que a partir da forma do crânio de uma pessoa,

se podiam deduzir a sua inteligência e

a sua credibilidade.

Seguiu-se um frenesim de medição da cabeças.

Um dom para as línguas residia por cima da maçã do rosto

e a fidelidade conjugal localizava-se atrás das orelhas.

E não é de surpreender que

frenologistas Europeus tivessem descoberto que as suas

próprias cabeças representavam o padrão universal

de excelência cerebral...

A primeira percepção real sobre a ligação

entre a mente e o cérebro teve lugar em França, em 1861.

E aqui, uma vez mais, a epilepsia desempenhou um papel crucial...

O hospital psiquiátrico Bicêtre era o que havia de mais moderno em

em Paris nessa altura.

No século anterior, tinha sido o primeiro a

introduzir práticas humanas no tratamento dos loucos

e dos deficientes mentais.

E, entre os médicos que lá trabalhavam, o cirurgião Paul Broca foi

especialmente admirado pela forma esclarecida de tratar

os seus pacientes.

Tan...

O nome do paciente era Louis Leborgne,

Tan...

mas toda a gente lhe chamava "Tan" por ser essa

a única sílaba que ele pronunciava desde os 30 anos.

Ele tinha agora 51 anos.

Tan tinha tido ataques epilépticos desde a infância

mas estava internado no Bicêtre porque tinha perdido

todos as capacidades de expressão, excepto a de poder dizer "tan".

Agora, o pobre Tan estava a morrer.

O seu lado direito tinha ficado paralisado

e a gangrena tinha-se instalado.

Antes da crise médica de Tan,

Broca tinha especulado a respeito de que regiões específicas

do cérebro poderiam ser responsáveis pelos

poderes da fala e da memória.

Broca queria saber tudo o que pudesse

sobre o doente moribundo, na expectativa do que um

post-mortem poderia vir a revelar.

Não sabemos se a epilepsia de Tan causou os danos no seu cérebro,

ou se uma lesão não declarada, na infância,

causou a sua epilepsia e posterior perda da fala.

Tan...

Mas por causa do trágico destino de Tan,

Paul Broca pôde associar,

pela primeiríssima vez, uma parte do cérebro humano,

― neste caso a região que foi danificada ―

com a sua função especializada: a capacidade de usar a fala.

A sua recompensa...

essa parte do nosso cérebro tem sido conhecida desde então

como " área de Broca ".

O cérebro do próprio Paul Broca foi parar a um frasco

como este, numa arrecadação dos fundos do

museu antropológico que ele dirigia,

com prateleiras por cima prateleiras de cérebros de assassinos em massa e

de outros grandes criminosos, bem como anomalias congénitas

que pareciam fascinar o público do

século XIX.

Broca era um humanista.

Ele concluiu que existiam profundas ligações na fisiologia cerebral

entre os primatas não humanos e nós.

Fundou uma sociedade de livre-pensadores na sua juventude,

acreditava apaixonadamente na importância

da investigação sem entraves

e viveu a sua vida na prossecução desse objectivo.

Mas até ele estava parcialmente cego pelos preconceitos que

permeavam a sua sociedade.

Ele pensava que os homens eram mentalmente superiores às mulheres,

e que os brancos eram superiores a todos os outros.

As insuficiências dos seus ideais humanistas mostram que, mesmo alguém

tão empenhado na livre busca do conhecimento

como Broca, ainda pode deixar-se levar por um sectarismo endémico.

A sociedade corrompe os melhores de nós.

É um pouco injusto,

penso eu, criticar uma pessoa por não partilhar

o esclarecimento de uma era posterior,

mas também é profundamente triste que tais preconceitos tivessem

sido tão generalizados.

A questão suscita incertezas incómodas sobre quais dos

pressupostos da nossa própria era serão considerados

imperdoáveis pela próxima...

Broca estabeleceu, pela primeira vez, que existiam

correlações físicas entre anatomia e função,

mas que dizer da energia crepitante da consciência?

E quanto àquilo de que são feitos os sonhos?

Não se pode pôr num frasco...

Quando os antigos Egípcios olhavam para cima, à noite,

eles viam a parte anterior do corpo de Nut,

a deusa da Via Láctea.

Quando fechavam os olhos e começavam a sonhar,

acreditavam que estavam a transitar para o além.

E assim, sonhar era ritualizado numa espécie de

culto, um meio de aprender o que o futuro lhes reservava,

ou para enviar uma mensagem para o deuses, enquanto adormeciam.

Os fiéis faziam uma peregrinação a

um templo... para sonhar.

Para se prepararem, retiravam-se para um

local isolado,

e jejuavam para limpar a mente e o corpo.

Uma oração podia ser escrita a um deus em particular...

e queimada.

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