De første 200 linjer.
Olá, sou a Cassie.
- E sou alcoólica. - Olá, Cassie.
A maior parte de vocês já sabe a minha história.
Desde que deixei de beber, fiz algumas mudanças.
Mudei-me para Los Angeles.
Comecei a namorar com um tipo incrível, o Marco.
Arranjei um trabalho a tempo parcial.
Mas continuo a viajar. Continuo a ser hospedeira de bordo.
Mas sinto que me estou a transformar noutra pessoa num ótimo sentido.
E sei o que dizem de avançar demasiado rápido,
nada de grandes mudanças no primeiro ano.
Mas estou a dois dias de estar sóbria há um ano.
Estou muito empolgada e sei que é um dia de cada vez,
mas digo-vos, a minha vida e tudo em geral...
...está ótimo.
Por isso... Obrigada.
Sim, aí atrás.
- Olá. Ted, alcoólico. - Olá, Ted.
Estava aqui sentado a pensar.
Lembro-me do início da minha recuperação, daquela confiança.
Era estupidamente ingénuo e achava que tudo estava ótimo.
O que disseste, Ted?
- Sem conversas cruzadas, Cassie. - Eu sei, mas ele...
- Está bem? - Certo.
Recordo que não interrompemos as partilhas das pessoas.
Sim.
Sei que os princípios vêm antes da personalidade,
mas aquele tipo foi um otário. - Pois foi.
Sim, obrigada. E ficaram semtamales quentes,
o meu corpo ainda pede açúcar todos os dias.
- Vou comer estes dónutes todos. - A maldição de deixar a bebida.
És a minha madrinha, diz algo sensato.
Uma altura, achei que estava ótima. Até pegar fogo à minha casa.
Céus, Brenda. As tuas histórias são sempre traumatizantes.
Sou tua madrinha porque isso me ajuda na minha recuperação.
- Se queres comer os dónutes, come. - Obrigada pelo conselho. Olá.
A tua partilha comoveu-me. Só queria dizer olá.
Meu Deus, o meu namorado ia adorar o teu colar.
Não, eu adoro o teu colar. Acho que o meu namorado...
Estou a tentar ser menos codependente.
Tudo bem, não peças desculpa.
Estamos aqui para trabalhar em coisas, certo?
És a Jenny, certo? Digo-te onde comprei, se quiseres.
Vou buscar o meu telemóvel.
Tens uma novata encantada contigo.
- Pronta para ser um exemplo? - Sim, pronta.
Está bem, envelope misterioso. Ótimo.
- Olá. - Olá.
Estás a dar uso à chave de casa?
- Como correu a reunião? - Correu bem.
Fui repreendida por iniciar uma conversa cruzada.
Sim.
Foi isso que me fez sentir atraído por ti.
A sério? Que estranho, achei que tinham sido as pernas. Olá!
Olá.
Mas foi bom, pude partilhar.
E não sei, sinto que estou numa fase boa.
- Como foi a tua sessão? - Longa.
Era uma bebida energética.
De quantas formas se pode fotografar uma lata?
- Afinal, são 72. - Setenta e duas!
Ia mesmo dizer isso.
Tenho uma pergunta para ti.
Quando volto a fotografar-te?
Vá lá, nenhuma vai ficar tão boa como esta.
Adoro esta, adoro a energia.
Não gostas?
Ao ponto de o jantar poder esperar?
Meu Deus! O trânsito em Los Angeles é de loucos, mas não me atrasei.
Anota isso no teu bloquinho.
Se não chegas mais cedo, estás atrasada.
Benjamin, nunca vou atingir essa fasquia impossível.
- Porque estamos num estacionamento? - Para tua conveniência.
Eu teria escolhido a pista de corridas Hollywood Park.
És um homem de apostas. Estou a saber mais sobre ti.
Eis uma foto do teu alvo em Berlin. Chama-se Will Cotaff.
Somos ativo e responsável há meses, não devia saber mais sobre ti?
Não.
Queremos que o observes no local, apenas no hotel.
Ouviste a última parte? Olha para mim.
Estou a olhar.
Apenas no hotel. Não segui-lo, não interagir.
Não segui-lo, não interagir. Entendido.
Fazes um bom trabalho, Bowden.
Mas ambos sabemos que te envolves demasiado com os alvos.
Isso é um exagero, não achas?
- Tóquio, Madrid. - Não, não.
E o impasse alucinante que criaste num restaurante em Moscovo
e tiveste de fugir? - Não tive culpa, foi um impulso.
Não, esquece. Soou mal. Não foi nada.
Mas eu não sei muito sobre eles, dão-me uma foto e um nome.
E eu sou muito curiosa. Não faz parte do meu trabalho?
Bowden, se tiveres problemas com a forma como a CIA atribui...
Não tenho. Mas gosto de ir mais além.
Às vezes, no momento, fico um bocado...
- Vou interromper-te. - É melhor.
Não és agente da CIA, és um ativo civil.
Com ênfase no "civil". Lembra-te disso para tua segurança.
Benjamin, eu sei e entendo. Prometo.
Memoriza essa foto.
Sei que costumas andar com elas e isso é muito má ideia.
Considera-a memorizada.
Espera aí. Agora é que está.
Diz-me só mais uma coisa sobre ti, ajuda no meu processo.
Tens um cão? Um gato? Onde vives?
És casado? Namorada, namorado? Vá lá!
- Ora, ora, ora! Olá, jeitoso. - Olá, boneca.
Não te tenho visto muito pelo LAX. Andas a perseguir-me?
Estou numa rota transpacífica. Vejo locais lindos e como muito peixe.
E fazes um trabalho secreto para um emprego secreto
que eu também tenho. Isto é tão divertido!
Se soubesse do que falas, diria que fazemos coisas diferentes.
- Certo. - E não vamos falar sobre isso.
- Estás com ótimo aspeto. - Achas?
- Sim, a franja está incrível. - Gostas?
- Sim. E o homem? - Está ótimo, o Marco é maravilhoso.
E o teu homem? Imaginário, porque não mo apresentas.
Acho que te disse que se chama Justin.
- E acho que te disse que é... - Ruivo.
- Isso mesmo. - Adoro-te.
Jantamos em breve? Justin, Marco, levamo-los?
- Não. - Está bem, ótimo.
- Olá, Jada. - Olá, Cassie.
Vim como substituta. Também estás neste voo?
Parece que sim.
Boa!
Agora vivo em Seattle. Por motivos familiares.
Sou a hospedeira principal do voo.
Não sou a Megan, sei que sabes disso,
mas concordemos que não haverá disparates.
Ouve, Jada, deixei de beber. Não haverá problemas.
Na verdade, estou louca por não cometer infrações.
Bom para ti, Cassie. Assim vai correr lindamente.
- És a Cassie, certo? - Olá. Sim.
Foi estranhamente intenso com a Jada. Está tudo bem?
Sim, obrigada.
Estou a tentar ser boa pessoa. É difícil.
Bom para ti. Boa sorte com isso.
Sou a Grace. Não sou boa pessoa, mas respeito muito a tua jornada.
- Obrigada. - Vou sair em Berlim, devias vir.
Obrigada pelo convite, mas tenho de trabalhar quando chegar.
Fixe. Espera, tens trabalho na Alemanha?
Sim, uma coisa de computadores que faço por fora.
Cada cêntimo conta.
VISTO PARA A ALEMANHA APROVADO
- Olá! Já aterraram? - Sim, já chegámos.
O LAX é um desastre.
Sim, está em construção há anos. Ninguém entende.
Tanto faz. Já disse ao Max. Se ficarmos nos escombros,
não tem de me apresentar aos pais, o que ele adorou
porque está apavorado e deseja que não tivéssemos vindo.
Cassie, a Annie está nervosa com a entrevista e não admite.
Isso não é verdade.
Estamos a ir para tua casa. Pronta para me vender a Califórnia?
Porque estou muito indecisa e já me sinto superagitada.
Vá lá, vais arrasar na entrevista. Vai correr bem.
O Max acha que o ano de suspensão me deixou enferrujada.
- O Max não acha isso. - Ouve, Annie,
se eu consegui organizar a minha vida caótica,
pores a tua nos eixos vai ser canja. - Certo, é justo.
Tens uma chave por cima do aro da porta.
Entra, vejo-vos quando chegar a casa.
Cassie, tens de parar com isso da chave.
Eu sei, cala-te. Tenho de ir, adeus.
Céus! Desculpem. A culpa foi minha, não estava atenta.
Não faz mal. Espera, estavas no voo. Imperial Atlantic.
- Deixa-a em paz, ela tem pressa. - Sim.
Estavas no voo vindo de Los Angeles. Só queremos agradecer.
As pessoas não agradecem o suficiente.
- Obrigado por um ótimo voo. - De nada.
Sou a Gabrielle, é o meu marido Esteban.
Meu Deus, o teu cabelo é perfeito. É loiro mel?
Ando a pensar ficar loira, mas é um compromisso grande.
Obrigada, tenho mesmo de ir. Prazer em conhecer-vos
e obrigada por viajarem com a Imperial Atlantic.
- Obrigada. - Obrigado.
Uma água com gás e lima, por favor. Obrigada.
Hoje é uma bebida mais leve?
- Sim, já não bebo álcool. - Nem eu.
Isto é uma cola. É mais saudável para mim.
És uma alcoólica em recuperação?
Sim, sim. Já passou quase um ano.
Eu vou em seis.
Não sei porque faço isto. Vir a bares depois de deixar de beber.
É um bocado masoquista.
Sim, estou a quebrar regras. Muitas regras, honestamente.
Mas não sei, para mim...
Sou a Ali.
Não sei, acho que não quero perder nenhuma animação.
Sim.
Sou o Will. Prazer em conhecer-te, Ali.
Então, o que achas que estamos a perder?
Meu, não sei.
A sensação de não saber o que vai acontecer, aquela emoção.
Sim, nem te consigo dizer. Eu era caótico.
Eram mais falhanços do que emoções. Não é bom para o trabalho.
- O que fazes? - Sou correio.
Um mensageiro pretensioso, na verdade.
Nem sempre adoro, mas a bebida costumava ajudar-me.
Eu era a alma de todas as festas.
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