Die ersten 200 Zeilen.
- Olá. - Senhor.
Estás avariado?
- De quanto precisas? - O quê, senhor?
Gasolina.
Não é... Não é gasolina. É a vela, acho.
- Que vela é? - É uma vela para ciclomotores.
Para ciclomotores?
Já não tenho velas para ciclomotores.
Não importa. Vou para casa a pé. Moro não muito longe daqui.
Adeus senhor.
- Olá, Dufour. - Olá Lambert, boa noite.
- Quanto? - 100 francos.
Florence, posso ter uma cerveja?
O que esperas? Queres dinheiro? Mostra o "nebro".
- Não tenho comigo. - Mostra.
Não tenho, espera por mim no bar.
- Não, não funciona assim. - Vá, vai-te embora.
Não. Vamos, vamos. Olha.
Espera por mim no bar.
Tudo bem, Lakhdar?
Oh, deixa-me em paz.
Está alguém aí?
Está alguém aí?
- Calma. O que queres? - Quero gasolina.
É o empregado do posto?
- Sim, sou eu. - Estou aqui à espera há 10 minutos!
Tive de fazer um recado, tenho direito. Quantos litros queres?
- Cheio completo. - Pronto, não é assim tão difícil.
Não precisas acordar todo o bairro por isso.
- É "super"? - Sim, é "super".
Vai correr bem.
- Quem buzina assim? - Sou eu. - É ele.
Já não tenho direito de ir à casa de banho?
Quem é o empregado do posto? Tu ou ele?
Mas que importa? É meu primo. Queres gasolina, não?
- Obrigado, primo. - Pode verificar o óleo?
- Posso verificar o óleo? - Não, eu faço.
Tudo parece ótimo.
240.
Obrigado. Sem ti eu teria ficado constipado.
Sim. Também tinha fome mas já não há nada aberto.
- Quanto te devo? - 10 francos.
- Não. - Não, nunca bebo álcool.
- É a tua religião que te proíbe? - Qual religião?
Bem, os árabes nunca bebem álcool, certo?
- Mas... árabe não é uma religião. - É? Eu pensava.
- Então não és árabe? - Não totalmente.
Sejas árabe ou marroquino, não me importa.
Mas... não te aborreces à noite, completamente sozinho?
Não estou sozinho.
- Moras perto? - Sim, a cem metros. Não longe.
- Trabalhas ao lado na garagem? - Não, porquê?
Pensei isso, porque mudas sempre de carro.
É porque troco com amigos.
Não tens medo que roubem o teu ciclomotor? Tu
deixas assim, é fácil de roubar.
Mas tenho uma corrente com um grande cadeado.
- O que fazes na vida? - Sou faz-tudo.
Trabalho num bar. Sou barman.
Quantos anos tens?
Não vais interrogar-me a noite toda?
Posso parar. Já não falo com ninguém há 5 anos.
Posso sentar-me?
- Queres uma pastilha? - Não.
- Queres saber a minha idade? - Não me importa.
Sou meio árabe do lado da minha mãe, e meio judeu do lado do meu pai.
- Como sabes isso? - O meu pai adotivo disse-me.
É como o meu verdadeiro pai.
Também são árabes, os teus pais adotivos?
- Estão mortos. - Estás completamente sozinho?
Quase. Tenho um tio chamado Farid Bensoussan.
. O rei do cuscuz. Não o conheces?
- Ele tem pelo menos 20 restaurantes. - Por que não trabalhas com ele?
Não quero pedir-lhe nada. Só quero ter sucesso.
O que queres alcançar?
Queres alguma coisa?
Sim, quero algo. E tu também queres algo.
Não. Não quero.
Como te chamas? Falei contigo 3 horas e não sei o teu nome.
- Lambert. - "Lambert" como? - Lambert.
- Lambert Lambert. - E tu?
Bensoussan. Youssef Bensoussan.
És bastante simpático. Tens mulher? Tem filhos?
Patrão, quanto lhe devo?
- Empresto-te o meu ciclomotor, se quiseres. - Não. Tenho o metro, direto.
- Vês, moro ali. - Ah, somos vizinhos.
- 3 cartas. - Quantas cartas? - São deles.
- Uma carta. - Vem uma carta.
Tapete.
- Deixa vir. - Está bem, está bem.
Vais buscar a minha mota? Despacha-te, vou fechar já.
Vá, de uma vez.
- Tens o endereço errado. - Alguém me disse que...
Não importa, não está correto.
- Tenho dinheiro. - Não se trata de dinheiro.
- Pago o necessário. - Não sei do que falas.
- Agora sais porque vamos fechar. - Tenho dinheiro.
Vais dar uma volta.
É lá que está a acontecer! Onde estavas, raios?
- Subiste nela? - Não, eu juro.
- O motor ainda está quente. - Não fui eu.
Achas que sou estúpido ou quê? - Nem sequer tenho carta para isso!
Ouve, seu porco, cuidado, hein!
- Não fui eu, juro. - Vai-te embora.
O que é isso? São drogas?
- Ficaste maluco? - É um baseado.
Começa com um baseado, e ambos sabemos como acaba.
Ficaste maluco? O que se passa contigo?
Viste o que fazes todas as noites?
Viste com o que disparas? Todos os dias?
Cada um tem a sua própria merda, homem! Cada um a sua própria merda!
Guarda a minha moto e deixa-a em bom estado.
Para! Acalma-te agora, porra!
Gostas dela?
- Posso levar-te a dar uma volta. - Deixa-me em paz, ok?
Espera um pouco, espera.
É verdade que me levas? Não estás a brincar, pois não?
Lola, para onde vais?
Deixa. Eu volto. Vou só um momento.
- São todas prostitutas. - São mulheres como as outras.
Sim. São mulheres, são prostitutas.
A vantagem das prostitutas é que sabes o que esperar.
- A minha mãe não era uma prostituta. - Como sabes isso? - Eu sei.
Não tenho nada contra prostitutas.
Então o que tens contra mulheres?
Com uma prostituta digo a mim mesmo: "Porque não me poderia apaixonar?"
- Queres ser um proxeneta? - Não foi isso que quis dizer.
Não sabes porquê nem para quê fazem isso.
Porque não me poderia apaixonar por uma rapariga assim...
que gostaria que eu a tirasse de lá.
Porque não conheces logo uma rapariga que não seja prostituta?
Não foste só com prostitutas, pois não?
Não, claro que não... mas muitas vezes. E tu, com quem vais?
Sozinho.
180.
Não, não aceito pão de árabes.
- Não preferes cola? - Sim, mas com muito rum.
- Continua a tua história. - Já disse tudo.
Tenho um encontro com ela no "Petit Gibus". Não estou bem.
- É um bistrô? - São punks na República.
"Punks na República"?
Não será antes com a tua Honda que ela tem um encontro?
E a moto, de onde a tiras?
É do Rachid, o meu chefe.
- Roubas? - Não, empresto. - Ah sim?
- Não tens carta, claro? - Sou um homem crescido.
Vai a pé. Vais ver com a moto.
Estás a deixar-me louco, deixa-me em paz.
Proíbo-te de tocar na moto, deixa-a aqui.
Vais a pé, este é o meu conselho.
Não me proíbes nada. Faço o que quero.
Da última vez bateste-me. Mas quem és tu para me proibir?
Digo-te uma coisa: faço o que quero!
A partir de agora não me dás mais conselhos sobre
raparigas. Quem és tu para me proibir?
Estás maluco? Tu dizes-me o que fazer com raparigas, tu?
Olha para mim, Lambert. Esta é a última vez que me vês.
Ei, é o teu encontro? Olha para o encontro dela.
- Quem é? - É o homem da Bastilha.
Deixa-me em paz agora.
Lola, não vás!
- Então vamos? - Não posso.
- Mas há pouco disseste... - Agora não posso.
Estou com os meus amigos. Não posso desiludi-los.
Vá lá, desculpa por isso.
Não sei. É possível amanhã? Amanhã?
Não dá porque amanhã não estou livre. É estúpido, não é?
Amanhã não estou livre, mas terça à noite posso. Se ainda quiseres...
- Se puderes, claro. - Ok, mas não aqui.
Bem. Então... terça à noite às 22:00 na tabacaria.
A tabacaria onde nos conhecemos.
Ok. Vais aparecer?
- Bem. Tchau. - Tchau.
Quem é aquele tipo?
- Olá. - Olá, Mahmoud.
- O que se passa? Precisas de mim? - Nada disso.
Precisas dele?
Passei só para conversar um pouco. Sobre
nada e tudo. Sobre a moto do Rachid.
O quê?
Quem te fez isso? Não te mexas.
Mahmoud.
A moto dele? Eu disse-te para teres cuidado.
Não te mexas. Eu vou tratar de ti.
- És uma verdadeira mãezinha. - E a tua punk?
- Ela é uma idiota. - Não a viste?
Sim, mas ficou com os amigos. Tenho um encontro com ela terça à noite.
Não vais, pois não?
Vou sim, ela irrita-me.
- Com essa cara? - Não me importa.
Por favor. Vá, vai para a cama e dorme.
Viste o que fizeram aos meus livros, aqueles bastardos?
- Olá. - Olá.
- É a tua moto? - Bem, sim.
- Não é a mesma. - Ainda vens?
- Onde está a tua moto então? - Na garagem.
Atacaram-me nos boulevards.
Saí com arranhões, vês, na cabeça.
- Vais atrás agora? - E compraste uma nova?
Não, a oficina emprestou-me até que o meu esteja reparado.
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