Die ersten 200 Zeilen.
Se as personagens e acontecimentos deste filme são fictícios,
o problema que ele levanta é bastante real e até perigoso.
Por isso decidimos apresentá-lo ao espectador sem qualquer embelezamento.
É um problema de todos os tempos e de todos os povos.
Parece-nos que na luta
contra uma das mais terríveis pragas do nosso século
o melhor meio é mostrar o verdadeiro rosto deste mal.
Ser-nos-á perdoado ir buscar à realidade
as suas manifestações duras, até cruéis.
O nosso objetivo é servir a verdade e não sacrificá-la
em nome de convenções ilusórias de um sentimentalismo barato.
Agradecemos aos serviços oficiais que nos ajudaram nesta tarefa.
Prestamos também homenagem ao Centro Materno Nacional "NEST",
que atualmente é
um dos meios mais eficazes de combate à prostituição.
Há alguns meses, numa quarta-feira dia 16, fomos informados por telefone,
de que no canal de L'Ourcq tinha sido descoberto o corpo de uma mulher.
Nua, e queimada com ácido clorídrico.
Dois dias depois, à saída da fábrica da Renault
uma operária da oficina n.º 47 foi atropelada por um táxi misterioso.
Ela morreu a caminho do hospital.
No mesmo dia foi encontrado o corpo de um camionista,
também atropelado por um veículo que fugiu do local.
À primeira vista, tratavam-se de três incidentes comuns,
e nós, a Polícia Judiciária do Quai des Orfèvres, 36,
pusémo-nos imediatamente a trabalhar.
Mão esquerda...
dois,
três,
três,
um,
cinco!
Mão direita...
um,
três,
três,
quatro,
dois! Pára.
Mão esquerda: 23315, mão direita: 13342.
Olá, Leandro? Encontrei a tua rapariga.
Yvonne Lériche. Dossiê 133412-F.
Anota: Ginette Bachelet, dossiê 319313-B.
Dossiê 319... 313... B.
Ginette Bachelet.
Nascida em Lyon a 12 de maio de 1928.
Então, Leandro? O que sabemos da mulher do Ourcq?
Prostituta, chamada Yvonne Lériche. Morte por fratura do crânio,
o corpo foi lançado no Sena com uma pedra de calçada ao pescoço.
O que há no dossiê? - Seis detenções numa semana.
Por assédio a homens.
Há dois dias não temos qualquer progresso.
Sim, estou a ouvir. O camionista atropelado hoje ainda está em coma?
Vou tentar passar pelo hospital esta noite.
A rapariga de Billancourt, chefe.
Ginette Bachelet. Última residência conhecida, o mosteiro de Betânia.
Pedido de remoção dos registos de saúde a 10 de fevereiro.
Bem. Leandro, leva os dossiês destas mulheres à brigada dos costumes.
E encontra-me a última morada de Ginette Lériche.
Bayard, continua a busca, vamos embora.
E interroga a abadessa do mosteiro dominicano.
Assim, a operária de Billancourt e a mulher do canal eram ambas prostitutas.
COMPANHEIRAS DA NOITE Legendas por BuStEl, 2026.
BAR-RESTAURANTE ESCOCÊS.
Grogu!
Só um segundo, querida.
Frio na boca, aquece quando se bebe.
É assim que se reconhece um bom bourbon!
Eu fico com sumo de tomate, preciso de vitaminas.
O que quer que aconteça, eles vão sempre beber isso!
Olá, senhora Anita.
Não vai beber o seu café?
Não, não há tempo. Estão à minha espera.
Isso sim são vitaminas!
Nova inquilina?
Sim. Uma rapariga muito simpática.
E muito fria.
Não viste a Mireille?
Ela ainda não desceu.
Que esquecida ela é!
Pelo menos comigo.
Tinha mil e mil em dois sacos.
Depois ele entra numa corda pela curva.
Ele venceu-o.
E então?
Copas.
Copas.
Trunfo! Não estamos em Marselha, prometeste que ias jogar!
Não foi em Marselha, foi em Longchamp.
Digo-lhe: «Por que não?».
E ele diz-me: «Por que “por que não”?».
Então o que lhe podia responder?
Então, crianças, o que vão querer?
Uma garrafa de «Misha».
O mesmo para mim.
Jo, diz-me a verdade! Ainda ontem...
Ontem é ontem...
E o que mudou?
Já não me amas?
Tonta!
Então quê? Estás a esconder-me alguma coisa?
Por causa dessa mulher de quem você me falou?
Ora, ora, ora! O senhor Jo está te deixando assim?
Se ele te machucar, me diga. Eu o castigarei!
Não, eu não amo mais essa mulher, mas...
Entre nós há uma questão de dinheiro—o bar, o pavilhão em Saint-Cloud.
O casamento... era apenas um sonho. Um sonho muito bonito.
Eu teria feito qualquer coisa para que ele se tornasse realidade!
Qualquer coisa? - Então, pombinhos, tudo bem?
Então escutem com atenção. Há uma maneira de resolver tudo.
Jo, cuidado!
Jo!
Alô? É o 17? Polícia?
Sim, cinco.
Um pouco mais e poderia ter atingido outro cliente.
Não me surpreende. Às sextas-feiras fica lotado aqui.
Sua profissão? - Taxista.
Até à noite. Talvez por isso eu não tenha visto nada.
Eu estava quase dormindo quando aconteceu.
Meu nome e minha foto nos jornais só porque parei para fazer uma ligação?
Você tem que admitir que isso é exagero. - O que você viu?
Absolutamente nada. Eu estava de costas para a porta.
Ouvi três tiros e, quando olhei…
Você é o dono? -Um escândalo desses no meu estabelecimento!
Trinta anos de trabalho honesto para acabar assim!
Conhecia a vítima? - Acho que sim.
Um bom sujeito, honesto, trabalhador...
E tão gentil! Tão gentil! Você viu quem atirou?
Não vi nada, eu estava virado para o outro lado.
Eu estava fechando o caixa.
Então, se entendi bem, todos estavam de costas para a porta.
Eu tinha acabado de derrubar um cartão debaixo da mesa e me abaixei para pegá-lo.
E você estava brincando com um isqueiro nesse momento?
Exatamente, inspetor!
E o que você viu?
Eu não queria dizer: eu estava no banheiro retocando a maquiagem.
Acho que vi um homem com o chapéu puxado sobre os olhos.
Ou talvez fosse um boné ou uma boina basca.
E você, o que viu?
Eu estava terminando meu "Ricard" quando ouvi três tiros na porta.
Sim, eu sei. Obrigado. E depois?
Depois? Pedi outro para me acalmar.
Chefe, um homem com o chapéu puxado sobre os olhos. É tudo o que consegui.
Mas não tenho certeza. É ele, é o Daniel, eu sabia!
Ele me disse que se vingaria. Daniel?
Meu noivo.
Eu o deixei para ficar com o Jo.
Nós íamos nos casar. Meu Deus!
Sobrenome do Daniel?
Daniel Lecour, 36 rue de Crimée.
Sede, chefe? -Não, primeiro vou a Saint-Mondeu.
Ao motorista do caminhão? -Sim. Se perguntarem, estou no hospital.
Você acha que ele vai sobreviver?
Fratura dupla de pelve,
possíveis lacerações de órgãos internos...
Mesmo assim, vamos operá-lo.
E quando posso interrogá-lo? - Amanhã.
Se ele estiver vivo.
Comissário Marchal da Polícia Judiciária.
Eu não ousaria incomodá-lo em um momento como este, mas...
Ficaria muito grato se pudesse vir ao meu escritório
no Quai des Orfèvres o mais rápido possível.
Alguma novidade, Leandro? O noivo da garota foi preso.
Ele não confessou, mas não tem álibi.
Você acha que ele matou Jo Verdier? -Sem dúvida.
Um noivo rejeitado, apaixonado... uma história clássica.
Conto com você.
Isso é improvável. - Como?
Eu sei que vocês têm métodos confiáveis para isso, mas desta vez foi outra pessoa.
Você conhece o assassino de Jo Verdier?
Sim, um pouco.
Deixe-nos, Leandro. Até o escritório.
Então, me conte tudo o que você sabe.
É uma longa história. - Conte!
Estou ouvindo.
Não tenho pressa.
Começa como um conto de fadas em um lindo castelo.
Um castelo luxuoso do século XVI,
com fossos, pontes e torres, tudo o que as meninas sonham.
Minhas amigas e eu vivíamos lá uma vida feliz e despreocupada.
Fazíamos caminhadas alegres em um parque esplêndido.
No inverno passávamos os dias conversando e fazendo trabalhos manuais junto ao fogo.
Em outros dias juntávamos lenha sob a supervisão das nossas boas fadas.
E quando nos cansávamos das brincadeiras e queríamos descansar,
tínhamos uma linda sala separada,
onde podíamos nos entregar aos nossos sonhos.
No entanto, até nos contos de fadas tudo acaba mais cedo ou mais tarde.
E no dia em que atingi a maioridade...
Viterbo, você está pronto? - Sim, senhora.
Diga-me, mamãe, vamos pegar o trem? -Sim, meu querido.
Onde você vai morar?
Em Paris com Ginette. Ela está me esperando.
E o dinheiro da passagem? -Vou dar um jeito.
Vocês estão prontos?
Não na estação de Bordeaux, foi lá que me pegaram.
Boa sorte! - Ainda me resta um ano.
Vai passar rápido!
Vamos.
Adeus. Adeus!
Adeus, Olga! - Adeus, Olga!
Olga, dê meus cumprimentos aos meus! - Vá para a rua de Lantier, 14!
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