Die ersten 200 Zeilen.
BASEADO NUMA HISTÓRIA VERÍDICA
Doutor, que honra! Miúdo, faz um café ao doutor!
- Dê-me esse saco. - Doutor, se quiser jogar às cartas…
O meu sobrinho é incrível, é um génio. Talvez pudesse ouvi-lo…
- Eu estava a dizer uma coisa importante! - Tens muito tempo!
Doutor, sente-se. Venha cá, sente-se.
A cela está à sua disposição. Esta é a sua cama.
A de cima é confortável e arejada, mas tem de subir. Além disso, veja.
Há bolor e pode cair-lhe porcaria na cabeça.
Esta é a menos desconfortável, mas é a mais apertada.
O doutor decide. Gostos não se discutem.
Qual prefere?
Acorda, puto.
Vá lá, acorda.
Diz-me, és mesmo quem me disseram?
Bem, depende.
Puto, és o "Enrico by Erry" ou não?
- Sim. - Está bem.
Ouve com atenção.
Os amigos do teu irmão Angioletto têm uma mensagem para ti.
O dinheiro está seguro. Está enterrado numa obra.
Amanhã, vão tapá-lo com cimento e construir campos de ténis.
A concessão expira daqui a dez anos.
Com uma pequena oferta, ficarás com os campos e o dinheiro todo por baixo.
Voltarás a ser rico.
- Puto, percebeste ou não? - Sim.
Daqui a dez anos, voltaremos a ser ricos.
Só por curiosidade, estou preso há 20 anos.
Posso não saber o que se passa lá fora.
Mas para teres tanto dinheiro,
quem raio és tu?
Estou?
Sim, Pasquale, o que foi? Está bem.
Sim, vou dizer-lhe já. Adeus.
Marisa!
Marisa!
Olá, Marisa. O teu marido ligou.
Disse que vem a caminho, prepara o chá.
Obrigada, Carmela.
Adeus.
A subir, ajusta a mudança e os pedais ficam mais leves.
- Deixa-me dar uma volta. - Não. É cara. Vais cair e estragá-la.
- Só uma! - Não.
- Como assim, os pedais ficam mais leves? - Se ajustares a mudança, ficam.
Peppe!
Angelo! O vosso pai ligou. Têm de fazer o chá.
Que chatice!
Sei que são as mudanças, mas qual é o mecanismo?
- Mãe, só mais cinco minutos! - Não me faças descer. O Enrico?
Não sei. Deve estar na loja.
- Vão buscá-lo! Vá lá! Mexam-se! - Ajusta-a e fica mais leve.
Já percebi. Se a ajustar…
Esquece, não sabes.
- Vamos buscar o Enrico à loja. - Porque é que ele está sempre lá?
- É atrasado mental? - O que disseste?
Sabes com quem estás a falar?
- Não quero saber. - Parem!
Angelo! O que estás a fazer?
Desaparece! Ainda aqui estás?
Está a ouvir a Rádio Kiss Kiss, 108.8.
Hoje, tenho o prazer de tocar um grupo incrível, mas pouco conhecido em Itália.
- Conhece-os? - Os Jackson 5, "I want you back".
- São os Jackson 5, "I want you back". - Errì.
Ele conhece-os todos. Como raio é que ele faz?
Não sei, Sr. Ferdinando. Ele faz o mesmo em casa.
Anda, Errì. Temos de ir.
- Adeus, Sr. Ferdinando. - Tenha um bom dia.
Adeus, meninos.
Olá! Cheguei!
- Olá, Pasquale. - Bom dia, Marì.
- Pai! Fizemos o chá! - Fiz o mais escuro, como da última vez.
Muito bem! Vamos lá ver.
A que horas acordaste hoje? Não te ouvi.
- Às 4h30. - Porquê tão cedo?
Para estar na Praça Garibaldi para o comboio das 12h30 de Milão. O bom.
Esta manhã, o Sr. Salvatore, o dono da charcutaria…
- Sim? - Disse a toda a gente
que nos tem vendido fiado
e que ainda não pagámos. Foi tão embaraçoso.
Diz-lhe que vamos pagar. Tenho 50 garrafas vazias.
Vamos enchê-las, vendê-las e pagar-lhe.
Ele é tão chato! Meninos, mostrem-me o chá!
Este não está bom. Está muito escuro, precisa de mais água.
- Este está perfeito. Quem foi? - Fui eu.
- Não, fui eu. - Não…
Não discutam. Saíram-se os dois bem. Vamos engarrafar aquele, estou com pressa.
- Pai, podemos ir trabalhar contigo? - Ajudamos-te, como da última vez.
- Vá lá, pai. - Vá lá. Mãe?
- Diz que sim, por favor! - Está bem.
- Vamos lá, então! - Sim! Vamos!
Ajudem-me a engarrafar. O comboio parte em breve. Rápido.
- Pai? - Sim?
Somos pobres?
Como assim?
Que pergunta é essa? O que queres dizer com "pobres"?
- O pai do Aniello deu-lhe uma coisa fixe. - Sim?
- Uma bicicleta com caixa de velocidades. - A sério? Inventaram isso?
A bicicleta do Aniello tem uma caixa de velocidades?
Quando se sobe, põe-se em primeira e fica mais leve.
O quê? Como é que isso é possível?
- Tem mudanças. Ajusta-se… - Não vou pedir uma no meu aniversário.
Não podemos comprá-la, somos pobres.
Do que estás a falar?
Primeiro, não somos pobres porque temos comida na mesa todos os dias.
- Não é? - Sim.
Além disso, para que fique claro,
como acham que o pai do Aniello ganha o dinheiro?
- Trabalha para o Dom Michele. - E o que faz para o Dom Michele?
Meninos, por favor. Nunca se esqueçam disto.
Além da comida, há uma coisa que nunca pode faltar na casa dos Frattasio.
A honestidade.
Sargento, talvez não me explicasse bem.
Na loja, uma garrafa custa o mesmo que uma caixa aqui.
Porque é tão barato?
Digamos que estes produtos eram para o mercado americano
e, por acaso, caíram do camião ontem.
É de alta qualidade, acabado de sair da destilaria.
Mas chega de conversa.
Tome, prove. Assim, poderá ver por si próprio.
É sempre melhor provar. Diga-me o senhor.
- É bom. - E não acreditava em mim.
Da melhor qualidade! Só para si, dez mil liras por caixa.
- Dê-me uma caixa. - Desculpe.
Preciso de 200 liras para ligar ao meu pai no hospital em Battipaglia.
Deixa-o em paz! Duzentas liras para quê?
Desaparece daqui, vá lá!
Lamento imenso, sargento. Estes miúdos não me dão descanso.
Dê-me dez mil liras, por favor. Estão sempre por aí, é inacreditável.
- Seja como for, foi um prazer. - Adeus.
Tenha um bom dia.
- Bom dia, Sr. Pasquale. - Bom dia, Sr. Mimì.
- Quem são os miúdos? Os seus filhos? - Sim.
Às vezes, trago-os comigo.
- Meninos, cumprimentem o Sr. Mimì. - Bom dia.
Tão giros! Como se chamam?
O mais velho é o Peppe. É o génio da família.
- Diz-lhe. - Acabei o quinto ano.
A sério? Para o ano, vais para o sexto?
Não tem de se tornar um cientista. Já tem o diploma, avancemos.
Este é o Angelo, o mais novo. É muito teimoso.
- És teimoso? - Sou mesmo.
E o Enrico, o meu filho do meio.
Errì, o que gostas de fazer?
- Nome? - Revolver DJ.
- Conhecemo-nos? - Talvez.
Costumo passar música no Veleno, em Vomero.
Não, foi noutro lado.
Este verão, estive no Lanternone, em Palinuro.
- Então, és tu. Foi uma noite louca. - Obrigado.
Vais atuar a meio da noite, quando estiver movimentado.
Bebe um copo, é por minha conta.
Nome?
Frattasio, Enrico.
O que é isto, a tropa? Não tens um nome de DJ?
Um nome… Fiquei confuso.
O meu nome de DJ é…
DJ… Enrico.
E nunca nos vimos antes?
Não, acho que não. Sou de Forcella, não…
Errì, vou ser sincero. Esta noite é muito movimentada.
Deixa-me ver onde te posso encaixar e como correm as coisas.
Scorpio! Já não era sem tempo!
Até liguei para o hotel. Não sabiam de ti.
Um grande aplauso para o DJ Pégaso!
E agora está na hora de alguém que muitos de vocês já conhecem.
De Palinuro, o nosso próximo concorrente,
o Revolver DJ!
Dá cabo deles.
Scorpio! Ainda bebes vodka de melão?
- Vais embebedar-te e fazer merda. - Desculpe incomodar.
Tenho de saber quando é a minha vez, para me preparar.
Como te chamas?
- DJ Enrico. - Certo, Enrico. Chega aqui.
Não te posso deixar atuar esta noite, porque estamos a ficar sem tempo
e, infelizmente, tenho de fechar a discoteca às 2 da manhã,
senão, a polícia aparece aqui.
Então,
não vou passar música? Estou aqui desde as 5 da tarde, mas…
Já percebi.
- Errì, tens um emprego? - Sim, claro.
Trabalho numa loja de discos.
És consultor musical?
Nem por isso. É uma loja que frequento desde criança.
Como estava sempre ali,
fui contratado para fazer a limpeza.
Mas, no meu tempo livre, faço compilações.
São muito populares no meu bairro.
Sim.
- Enrico, vou ser sincero contigo. - Sim.
Ser DJ é um trabalho peculiar. Precisa de…
… boa aparência, estilo e internacionalidade.
São coisas que não vejo em ti.
Já para não falar do nome que escolheste. É uma merda.
- Só adicionaste um D e um J ao teu nome. - Na verdade, estava disposto a mudá-lo.
Errì, ouve-me.
Mantém o teu emprego na loja. Não te despeças.
Temos este, um pouco mais pequeno. É um espetáculo.
Tem leitor de cassetes, rádio, AM e FM.
É um pouco mais caro, mas o rapaz só faz 18 anos uma vez.
- Quanto custa? - Trinta mil liras.
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