La unuaj 200 linioj.
Episódio 2.
Perfeito, fizemos um bom trabalho.
Administramos o antibiótico e suturamos, depois disso podemos retirar a intubação.
O senhor fecha, professor?
Sim, claro. A ferida está alinhada, não creio que sejam precisos muitos pontos.
Bem, terminámos.
Senhor professor, a tensão está a descer.
Corremos o risco de a perder.
- Dêem-lhe adrenalina depressa! - Adrenalina, uma dose, depressa!
Frequência respiratória muito baixa. O ritmo cardíaco abranda.
Taquicardia grave! Está a entrar em choque!
Está 60/40, doutor. Continua a descer.
- O pulso está, praticamente, ausente. - A paciente entra em coma.
Bom dia, doutor!
Deixa, ele só está a pensar em como correu a operação.
Que Deus vos abençoe em nome do Pai, do Filho
e do Espírito Santo. Amém!
- Cobarde! Não te apanhe eu! - Senhor, eu lhe peço!
A missa terminou. Ide em paz.
És um patife!
- Saiam! - Só cumpri o meu dever!
- Senhor professor? - Tenha paciência.
Não é verdade!
Levem os pacientes para os quartos, por favor!
- Vamos! - Mas o que é que ele diz?
Ouvi-vos dizer que ele errou. Ouvi.
Não é possível! Não é verdade!
- Mario, o que se passa? - Chega!
- Entrou em coma. - Em coma?
O anestesista foi o culpado. Até o doutor o reconheceu...
Arranco-lhe o coração, mato aquele açougueiro.
Chega, Mario, acalma-te. Pára.
Vou ter com Angela, pelo menos para ficar perto dela.
Padre, o meu marido tem razão, eu ouvi os dois a falar.
O doutor Anzillotti. Aquele que operou a nossa filha,
disse que o anestesista Giuliani se enganou não sei no quê...
Percebeu, padre? Ele errou. Foi ele que errou, e a minha filha está a morrer.
Disseram-nos para não fazermos esperanças. Está em coma profundo.
Sei que é difícil, mas têm de acreditar, apesar de tudo.
Vejam em que estado ela ficou.
Eu trato das orações, mas vocês acreditem na vossa filha.
Têm de acreditar no amor.
Que distraída que eu sou! Como pude esquecer a roupa na chuva?
Que tonta que eu sou!
Diz-se que isso é uma virtude dos santos e dos génios.
- Não, eu não sou uma santa. - Então és um génio.
Um génio? Talvez...
Abaixou-se sobre a criança e disse:
Meu Deus, por favor, traz de volta a vida a esta criatura.
Deus ouviu a voz de Elias, e a vida regressou-lhe e ele viveu.
Don Matteo!
A menina recuperou um pouco.
Ontem o pai veio aqui.
Esteve quase sempre perto dela, falou-lhe. Parece que a presença dele lhe fez bem.
Sim, mas o meu marido já não aguenta com a cabeça. Ontem à tarde vim para o render
e ele disse-me que vinha depois da meia-noite.
Não o voltei a ver. Começou a beber outra vez.
Tenho a certeza de que foi embebedar-se. Quem sabe onde? Pobre Mario...
Desculpe, mas aconteceu alguma coisa. É preciso que venha comigo.
Como é que aconteceu?
Deixem-me passar! Abram espaço!
Para trás! Abram espaço! Capitão!
- Agente, faça a identificação... - É o doutor Giuliani.
- Quem é o senhor? - Doutor Valle, um colega.
Pelo que percebi, o óbito ocorreu há seis horas.
- Só o encontraram agora? - Fui eu que o encontrei.
Ia buscar o carrinho da limpeza.
Percebo, senhora, mas o pobre ficou no meio das escadas durante sete horas
e ninguém deu por isso?
Não é assim tão estranho. É uma escada de serviço.
Daqui tens acesso ao pátio, onde alguns, incluindo o pobre Giuliani,
deixam o carro. Evidentemente, desde ontem à noite que ninguém mais passou por aqui.
Sempre lhe disse que estas escadas são perigosas.
Como estavam molhadas depois da chuva de ontem à noite...
Doutor, faça-nos perceber também a nós.
O doutor Giuliani, perto da meia-noite, desce para o carro,
mas a senhora diz que as escadas são perigosas, sobretudo com a chuva,
por isso escorrega, cai, bate com a cabeça e morre.
Estranho que ainda tivesse o seu jaleco vestido.
Agente, retiremos discretamente todos os que não têm nada a fazer aqui. Obrigado.
Por favor, quem não tem nada que fazer que desapareça. Rápido, noutro sítio!
Tu não tens nada a fazer por aqui. O que estás aqui a fazer? Por favor. Vai-te embora!
Agente, você não acredita que tenha sido assim!
Bem, tratamos nós disso. Padre, não se preocupe.
Lamento, padre.
Eu deixava-vos ficar. O que posso fazer?
Eu sabia! Venham!
- Don Matteo! Venham! - O que foi?
- Apanhei-o! - Quem apanhaste?
O ladrão.
Viram? Eu dizia-vos que alguém roubava da caixa das esmolas.
Não sou estúpida.
E a este eu conheço-o.
É o Nerino. O neto da senhora Elide, a velhinha de Ponti.
Está aqui? Bem. Que ponha o casaco. Não vai sentir nada.
Eu é que te mostro...
Espera!
- O que é que ele vai fazer com aquela vela? - O que ele faz, faz. Não percebi.
- Deixamo-lo ir assim? - Não te preocupes. Eu trato disso.
Não sei nada disso. Eu não sei nada!
- Levem-no para cima! - Solta-me! Don Matteo?
Don Matteo, acusam-me de tê-lo assassinado. Não sei de nada!
Não fui eu! Don Matteo, não fui eu.
Don Matteo, a minha filha está no hospital. Não fui eu!
- Porque o estão a prender? - Pelo homicídio do doutor Giuliani.
- Então não foi um acidente... - Não foi.
É verdade que o Giuliani caiu pelas escadas e bateu com a cabeça,
mas encontrámos sinais de luta. Alguém o atirou.
Isso não me surpreende, mas porquê o Ricci?
O Ricci ameaçou-o à frente de todos, e ele não tem álibi.
- Não tem? - Álibi.
- Porque me deixaste ganhar? - Como? Queria ver se caías.
Gostava de jogar a dinheiro, mas já não tens, pois não?
És um padre esperto, mas eu não nasci ontem.
É proibido jogar a dinheiro, não é, padre?
Bem, entendemo-nos.
- Olá, Nerino! - Também sabes como me chamo?
Também sabes de onde tirei o dinheiro. Que intenções tens? Queres denunciar-me?
- Bom dia. - Bom dia, padre!
É verdade que nessa noite foste ao hospital e perguntaste pelo Giuliani?
Sim, é verdade, eu tinha bebido. Nem sequer tinha as melhores intenções.
Disseste isso também ao juiz?
Sim, mas expliquei-lhe que quando ameaças matar, não é assim.
Padre, assim se diz... Uma coisa é dizê-lo, outra é fazê-lo.
Eu teria dado-lhe umas bofetadas com todo o gosto... Mas só isso.
Sabes que a polícia concluiu que houve uma confrontação?
E que alguém empurrou o Giuliani pelas escadas...
Não se confrontou comigo. Não vi o Giuliani nessa altura.
Só que, em vez de voltar para a minha filha, fui embebedar-me.
- Tens a certeza de que não o encontraste? - Não, não o vi nessa noite.
Padre, olhe-me nos olhos. Não fui eu que o matei.
Está?
Sim, senhor capitão. Desculpe incomodá-lo de novo.
- Está aqui o don Matteo, que... - Ainda está aí?
Quer tornar-se polícia? Ghisoni, diz-lhe para me deixar em paz.
Quer falar sobre o Mario Ricci.
Inventa qualquer coisa, não sei...
Se o deixares passar, transfiro-te para a Turquia.
Diz-lhe que tenho algo contagioso. Percebeste?
Bem.
Se és padre, faz o teu trabalho...
Acho que ele está muito ocupado e não quero atrapalhá-lo...
- Sim. Podem voltar noutra altura... - Percebi. Até logo!
- Como está, don Matteo? - Bem, senhor agente.
Tenha paciência com o capitão Anceschi. É difícil falar com ele.
Sobretudo para mim. Não há mesmo nenhum modo de me aproximar?
Haveria um modo..
Vem! Anda.
Vem cá.
Como está, capitão?
Desculpe, lamento.
Só há duas horas é que tentava apanhá-lo...
Quem sabe? Talvez fosse o peixe errado, como no caso do Mario Ricci.
Não, padre. Vamos manter a calma. Hoje é domingo, o dia do Senhor.
Até Ele descansou, mas o senhor não. Bem, o que quer dizer-me?
Que o Mario Ricci é inocente? Nós não pensamos assim.
Talvez tenha circunstâncias atenuantes, não digo que não.
É o gesto desesperado de um pai destruído pela dor, mas ainda assim...
É exatamente esse o ponto, capitão.
Falei com o Ricci e asseguro-vos que ele começava a recuperar a esperança.
Padre,
o meu trabalho baseia-se em factos concretos, elementos racionais.
Elementos racionais?
Correto.
O Ricci descobriu que, estando ao lado da filha e falando com ela, ele tinha melhorado um pouco,
mas à noite, para matar o Giuliani e embebedar-se sem testemunhas,
depois de o ter ameaçado à frente de todos...
Padre, lamento pela menina,
mas viu os antecedentes do Ricci?
Padre, ele fez de tudo.
Além disso, viram-no no hospital à hora do crime.
Sim, mas à saída não encontrou o Giuliani e foi para casa beber.
É o que ele diz, mas a vítima não o pode confirmar...
Padre, quem lhe disse isso?
Sei-o porque falei com o Ricci. Lamento ter incomodado.
Por aquele peixe lamento um pouco menos...
- Espero que agora tenham algumas dúvidas. - Não, não conseguiu.
Tem a certeza? Nem sequer o tamanho de uma pulga?
- Veja aqui... - Sim...
Atenda o telefone, menina.
- Como está, professor? - Padre!
Infelizmente, não tenho novidades.
Nós, médicos, não deveríamos deixar-nos influenciar, mas casos como este...
Doutor, desculpe. A polícia chegou. O capitão Anceschi quer falar consigo.
Vou já. Desculpe.
Doutor, prendemos o pai da menina, o Mario Ricci.
- O suposto assassino. - Suposto...
O que é que eu disse? O suposto assassino.
Doutor, pode dizer-nos como decorreu a operação da Angela Ricci?
- Aquela criança que está em coma. - Agente, deixa-o falar!
- Don Matteo! - Olá!
- Boa tarde, padre. - Boa tarde.
Doutor?
Começou como uma apendicite normal.
Muito bem, então pode explicar-me
como se chegou ao coma após uma simples operação de apendicite?
Podem acontecer coisas.
A operação estava quase terminada, eu estava a coser,
e então foi realizada a extubação rápida.
Quando operas com anestesia geral,
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