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ÁFRICA OCIDENTAL
O reino africano do Daomé está numa encruzilhada.
Um novo rei, Ghezo, acaba de subir ao poder.
O seu inimigo, o Império de Oyo, juntou forças com o povo Mahi
para atacar as aldeias do Daomé e vender os prisioneiros aos negreiros europeus,
um comércio cruel que empurrou ambas as nações para um ciclo vicioso.
O poderoso Oyo tem armas novas e cavalos,
mas o jovem rei tem a sua própria arma temível.
Uma força de elite de mulheres-soldado, as Agojie,
lideradas por uma general, Nanisca.
Agora, essas guerreiras são a última barreira entre Oyo
e a aniquilação do Daomé.
ALDEIA MAHI
Agojie! Agoj...
Baixa-te!
Onde estão os prisioneiros?
Onde está a nossa gente?
Somos agricultores. Não levámos ninguém!
Miganon.
Em breve estarão em casa.
Cavalos.
Só podem ser de soldados Oyo.
Quem é ela?
A minha mãe.
Vamos levar-te de volta para a tua aldeia. Talvez o teu pai...
Venderam-no.
E aos meus irmãos.
Venderam-nos a todos!
Miganon. Os prisioneiros estão prontos para marchar.
Traz-me guerreiras mais fortes.
REINO DO DAOMÉ
Obrigada.
Nawi!
Sim?
Diz à tua mãe para vir falar comigo sobre o vestido.
Qual vestido?
O teu vestido de casamento.
Vou preparar-te e ficarás linda.
Diz-lhe.
Arranjaram-te outro par?
Não sei do que ela está a falar.
Elas vêm aí.
Vamos.
Minha filha! Bem-vinda a casa!
Anda cá!
Filha! Anda!
Minha irmã!
Minha irmã!
Mãe!
Estou tão feliz por te ver.
Mas eu quero ver.
O rei não permite que olhemos para as Agojie.
Nanisca.
É uma vitória.
Eles vieram ver-te.
Não sabem que um mal se aproxima.
Sabem que os protegerás.
Quero falar com o rei.
Ele hoje só recebe as esposas.
Diz-lhe que esperarei.
As Agojie bebem dos crânios dos homens que mataram.
Não.
Cortam-lhes a cabeça
e derretem-lhes a pele em caldeirões a ferver.
Mana!
- Mana! - Nawi.
Temos uma visita.
É um homem rico de Cana.
Vem.
Vem!
Talvez ele seja bonito.
Tenho três campos de palmeiras.
Vais trabalhar.
Não falas com o teu marido?
Na minha casa, vais aprender a obedecer.
Nawi!
Perdoe a minha filha.
Os boatos eram verdadeiros.
Esta...
...rapariga é imprestável.
Sr. Abade...
Anda!
Quero oferecer a minha filha ao rei.
Nenhum homem aceita ser marido dela.
Não vou casar com um velho que me bate!
Vai para a guerra, então.
Vais perceber o que é a dor.
Entra.
No palácio, não tens de evitar olhar.
Anda.
Fecha a boca.
Pareces um peixe.
O que está ali dentro?
Tintura índigo.
O que pensaste que era?
Cabeças.
Não.
As cabeças estão ali.
Alguns dos homens que atacaram a nossa aldeia.
Os outros serão vendidos em Ajudá.
Os eunucos são os únicos homens que podem ficar no palácio depois de anoitecer.
Para lá desta parede, este é um palácio de mulheres.
Vem.
Vão lavar-se.
Oyo! Estão a ver isto?
Os vossos camaradas assassinados.
Por mulheres.
O Daomé torna-se ousado demais sob o jugo do novo rei.
Meus amores.
Meus amores.
Meu amor.
Meu amor.
Nanisca, vem comigo.
Porque é que ele a favorece sempre?
Ela aparece aqui imunda, não mostra respeito.
Ela lutou por ele durante o golpe de estado.
Pô-lo no trono.
O que fizeste tu?
Trancaste-te num armário.
Os Oyo entraram no nosso território.
Violaram a paz.
Quando vierem cobrar o tributo,
não pagaremos.
Significaria guerra.
Migan, estamos subjugados aos Oyo desde o tempo do meu pai.
Não estás farto?
Só porque tememos o poderio deles.
Por causa do medo.
Meu rei, eles são uma nação duas vezes maior do que a nossa.
Com cavalos e mais mosquetes.
Precisamos de tempo para planear e preparar os nossos exércitos.
As Agojie estão prontas.
Quantas perderam na última batalha?
Contra os modestos Mahi?
Meu rei.
Ouvi boatos sobre um novo general.
O último ataque foi uma demonstração de poder. Nada mais.
Concordo.
O Daomé prosperou com a paz. E os Oyo também.
Prosperamos devido ao comércio de escravos.
Mas a que custo?
É um veneno que nos mata lentamente. E os europeus sabem-no.
Eles vêm à nossa terra em busca de carga humana.
Vêm fazer comércio. Vendemos-lhes o que querem.
Mas porque vendemos os nossos prisioneiros?
Pelas armas? Para capturarmos mais pessoas para vendermos por mais armas?
É um ciclo tenebroso sem fim.
O caminho não é este.
Os espíritos falaram. Ifá busca a luz.
O que sugeres, Nanisca?
Temos outras coisas para vender.
Ouro. Óleo de palma. Podemos duplicar a nossa colheita.
Ela quer fazer de nós uma nação de camponeses.
Quero que o Daomé sobreviva.
Os deuses trouxeram-nos um rei novo.
Um rei para ser temido.
Ninguém teme um agricultor.
Já começámos a recolher o tributo.
Talvez devêssemos pagar, para ganhar tempo.
Prometo...
...que este será o nosso último.
Quanto ao óleo de palma, Nanisca...
...mostra-me.
Mostra-me quanto consegues produzir e logo veremos.
Falas em segredo com o rei.
Tentas excluir-me.
Se o rei me respeita, é porque o mereci.
Eu sou a Amenza.
Vieram para o palácio de Ghezo,
o nono monarca do povo Daomé,
que descende do leopardo, Agasu,
o amado dos deuses gémeos, Mawu e o irmão dela, Leesa.
Foram chamadas para se juntarem à Guarda Real.
Nós lutamos ou morremos.
Lutamos pelo Daomé.
Pelas nossas irmãs.
Pelo nosso glorioso rei.
Serão veneradas.
Serão pagas pelo vosso trabalho.
As vossas opiniões serão ouvidas.
Nenhuma tribo ou reino em África confere tal privilégio.
Por essa honra,
vivemos entre as paredes deste palácio.
Não aceitamos marido algum.
Não teremos filhos.
Mulheres Mahi,
não sofrerão nada pelos pecados dos vossos homens.
Ofereço-vos e ao nosso povo uma escolha.
Qualquer mulher que não deseje ficar...
...pode partir.
Não toques na arma de outra guerreira.
Especialmente desta.
Está amaldiçoada.
E a Esi não acertaria num elefante durante uma debandada.
Vira-te de costas e vê como tenho boa pontaria.
Eu?
Passei todo o meu tempo livre junto ao rio até encontrar a pedra de amolar perfeita.
Alisada pela cascata.
Afiada que nem um espinho.
Arranca-lhes os olhos e acabou a luta.
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