Las primeras 200 líneas.
UM DOCUMENTÁRIO NETFLIX
Nesta terra,
a família
é tudo.
São os laços no seio da alcateia…
… da matilha…
… e da manada…
… que permitem a cada membro ter êxito.
Em mais lugar nenhum, são estes laços mais duramente testados
do que no grande deserto do Calaári.
Aqui, as famílias são moldadas
por mães corajosas…
… anciãos sensatos…
… e rafeiros tenazes.
Todos atraídos pelo oásis imenso que fica mesmo no coração do deserto.
O delta do Okavango.
Habitat de mais vida selvagem
do que qualquer outro pântano na Terra…
… assiste a algumas das mudanças sazonais mais radicais do planeta.
Por entre o caos e as agruras do próximo ano…
… entrecruzar-se-ão destinos
e serão forjadas relações incríveis.
Não só no seio das famílias mas entre famílias.
E até com a própria terra.
Para uma leoa de dois anos,
a força da família provém da sua alcateia.
Ela e a sua irmandade controlam este território.
E o seu chefe macho reina como rei guerreiro.
Mas, no delta, as mudanças podem surgir repentinamente
e complicar a existência pacífica de uma família.
O calcanhar de Aquiles da alcateia é o próprio rei.
Anos de luta a defender a sua família e o seu território
tiveram o seu preço.
A fraqueza dele põe a leoa em risco.
E constitui uma oportunidade
para dois jovens machos ambiciosos.
O velho guerreiro
marca o seu território.
Mas está fragilizado…
… e em minoria.
Cada ano, no Okavango,
constitui uma viagem nova e perigosa.
Mas, para a leoa,
este ano será o mais incerto que alguma vez enfrentou.
Cada família enfrenta os desafios do delta à sua maneira.
Uma matilha de cães selvagens.
Vinte e quatro e fortes.
A sua força é um tributo à sua grande líder.
A fêmea alfa.
Treinou-os para pensarem e caçarem como um só.
E para darem sustento a todos.
Mas a alfa está prenha.
A equipa irá perder a sua líder,
precisamente quando o delta enfrenta a sua maior convulsão.
Estamos em maio,
e o deserto de Calaári em redor
enfrenta a pior seca em décadas.
Milhares de animais fogem das áridas regiões periféricas,
viajando durante semanas.
Todos atraídos aqui por uma razão.
Água.
A água da chuva que caiu há quatro meses ,
nas terras altas de Angola, a norte,
chegou finalmente cá a baixo,
através do Calaári,
até às planícies do delta.
Mais de nove biliões de litros de água doce
inundam o vasto deserto…
… criando
o maior oásis do planeta.
Após a cheia,
chegam as grandes manadas…
… que se juntam às que aqui vivem o ano inteiro.
Todos têm um papel a desempenhar,
na configuração e na manutenção desta terra.
Até um elefante fêmea de seis meses,
na sua primeira visita.
Ela nunca viu tanta água.
Nem tanta comida.
Com infindáveis planícies aluviais para atravessar a mastigar,
os elefantes tornam-se os jardineiros naturais do delta…
… arrancando bem mais do que o que conseguem comer.
Mas a desramação excessiva pode obstruir os cursos de água ,
travando o alastramento das águas.
O que os jardineiros bloquearam
é terraplanado por famílias de hipopótamos.
Não sendo nadadores, avançam em bicos de pés ao longo do fundo.
E, à sua passagem, deixam autoestradas à sua dimensão…
… que ligam rios a lagoas e lagoas a planícies aluviais…
… permitindo que a água continue a fluir,
alimentando a vibrante expansão de todo o delta.
Mas a cheia não é uma boa notícia para todos.
Para a leoa,
significa a perda de terrenos de caça.
E o velho rei guerreiro não aparece em lado nenhum.
Quer tenha fugido ou sido morto,
os jovens invasores usurparam-lhe o trono.
Agora, só as leoas em idade reprodutiva estão autorizadas a ficar.
E ela não é uma delas.
Para estes novos machos,
ela é apenas mais uma boca para alimentar,
com pouco para contribuir.
Banida e sozinha,
precisará de todos os seus dotes só para se manter viva.
A fêmea alfa está confinada em casa há semanas.
Porque…
Bem, quem deixaria este bando de maltrapilhos?
Às quatro semanas,
os cachorros arriscam sair pela primeira vez.
Todos eles, 14.
Incapaz de caçar para si,
ela tem de contar com a matilha
para lhe trazer a carne de que necessita para manter o leite.
Mas o trabalho doméstico nunca para.
Varre da toca…
… três semanas de carraças e pulgas…
… e acaba onde começou.
A matilha sai em patrulha…
… sem a sua líder.
E as águas da cheia atrasam-nos.
Cobos-de-leche.
Um único alimentaria a matilha inteira.
Com cascos largos e pernas possantes,
conseguem avançar através da cheia.
Sem a orientação da alfa,
a matilha segue-os
até águas mais profundas.
É inútil.
E então…
… uma impala solitária.
Faltam-lhe os cascos semelhantes a remos e as pernas altas do cobo.
Acabam o serviço rapidamente, para evitar problemas com rivais.
A matilha ataca muitas vezes os fracos ou os feridos.
Presas mais fáceis.
Com a vantagem acrescida de reduzir a doença nas manadas.
Os caçadores entregam as refeições
da forma mais segura possível.
No seu estômago.
Até os cachorros poderem caçar por si,
são os primeiros a comer.
A generosidade é um princípio-chave na matilha.
Embora aprender a partilhar não seja fácil.
Voltar para a toca com o primeiro pedaço de carne
é do melhor que pode haver.
Com os níveis de água no máximo,
o Okavango torna-se um autêntico paraíso.
A vida aquática dos rios e pântanos envolventes
espalha-se pela pastagem para desovar.
Árvores e ramos derrubados pelos elefantes
dão origem a viveiros protegidos para os jovens peixes.
No pico da cheia,
o delta expande-se para o dobro do seu tamanho original .
E todos os locais altos e secos
se tornam em terrenos de primeira.
As figueiras aquáticas proporcionam ninhos perfeitos
a uma variedade assombrosa de aves comedoras de peixe.
Para estas famílias,
a questão não é tanto onde se constrói.
É o que se constrói.
Só servem os melhores materiais de construção.
Caso não se encontre o tecido exato que se procura…
… basta roubá-lo ao vizinho.
Ele pode sempre roubá-lo de novo.
Finalmente.
Um ninho pronto para acolher os seus bens mais preciosos.
Virados suavemente…
… e protegidos do sol abrasador.
Casca de ovo?
Casca de caracol?
É a primeira vez que é pai.
Todos têm pressa em criar a sua prole ,
antes de as águas da cheia recuarem…
… e de os ninhos perderem a sua proteção insular.
A leoa tem tido dificuldades em matar.
Em condições mais secas,
um nunce ou um cobo-de-leche seriam uma boa aposta.
Mas não na cheia.
Não sozinha.
E tem concorrência.
É hora de repelir os rivais.
É pura intimidação.
Ela não comerá a carcaça.
A matilha faria melhor em não testar a sua paciência novamente.
Em setembro, as temperaturas sobem
e o nível das águas começa a cair,
deixando as lagoas em retração repletas de peixe.
Na hora H.
Os adultos deitam mãos à obra…
… alimentando os seus preciosos monstrinhos.
A cada dia, formam-se novas lagoas, à medida que as águas recuam.
Cada um tem a sua técnica especial ,
ajustada ao seu bico especial.
Os pelicanos preferem a rede de pesca.
Os guarda-rios-de-colete
usam o sistema de mergulho-bomba.
As cegonhas-de-bico-aberto fizeram da apanha do caracol uma ciência.
E a muito teatral garça-preta
usa a capa para criar pontos sombrios onde os peixes gostam de se esconder.
Bravo.
Diferentes abordagens
No comments yet. Be the first to leave one.