نخستین 200 خط.
Fiquei obcecado por este sítio.
Lembro-me de ter vindo cá uma noite. Tinha a minha .357 Magnum.
Disparei contra aquela coisa seis vezes,
esperando que a polícia viesse.
Ninguém veio.
Tenho 75 anos. Acham que ainda quero fazer isto diariamente?
Mas vou fazer.
Vou lutar até ao meu último suspiro
para tentar descobrir quem matou a minha filha.
Os campos de Calder são um enigma.
É um sítio onde acontecem coisas más.
A polícia está perplexa com uma descoberta que alguns chamam de campo de morte.
Os corpos estavam no campo de League City.
Os Campos da Morte.
É um sítio fácil para deixar um corpo e sair impune.
Este homicídio foi brutal.
E foi aqui no nosso quintal.
Desde 1983 que o Condado de Galveston tem um número invulgarmente elevado
de desaparecimentos misteriosos.
Perto desta estrada movimentada,
raparigas e mulheres raptadas tinham sido mortas e abandonadas.
Puf, desapareceu.
Ela foi-se.
Houve mais de duas dúzias de vítimas.
Foi um assassino? Foram vários assassinos?
Se queres cometer um crime,
fá-lo aqui porque não o podem resolver.
É uma história assustadora.
Temos deixado que assassinos em série saiam livres.
Deram-lhe luz verde para continuar a matar as nossas meninas.
Estes são apenas casos notórios.
O mundo pode ter-se esquecido, mas aquelas famílias não.
Quero que quem tenha feito isto seja castigado.
As famílias merecem respostas.
Os nossos entes queridos merecem justiça.
Marca a linha da vedação ali.
Toda esta informação nova podia ser a solução para o caso.
Depois das coisas que vi e ouvi,
quero chamar a atenção para a situação.
Quero que as pessoas saibam.
UMA SÉRIE DOCUMENTAL NETFLIX
Se forem pela I-45 hoje,
vão ver dois mundos.
O mundo dos subúrbios que está a chegar ao sul,
e ainda temos os últimos vestígios do velho mundo da Costa Sul
de que já não nos lembramos.
À medida que conduzimos para sul ao sairmos da I-45,
há muitas cidades pequenas de cada lado.
Há muitos campos vazios, pântanos, bacias de contenção,
e as fábricas petroquímicas abraçam a costa.
Há muitos campos de petróleo antigos e charcos
entre Houston e Galveston.
Muitos desses sítios ainda são muito remotos.
Os assassinos podiam esconder facilmente os corpos lá.
Em certas áreas, o corpo desaparece,
tu fechas a porta, continuas a conduzir e sais impune.
Estes são conhecidos como os Campos da Morte.
Os campos de Calder Road eram propriedade de uma empresa petroquímica.
Era uma grande quantidade de hectares sem nada,
exceto um negócio de passeios a cavalo.
Era uma estrada de terra sem saída.
Não havia quase nada por perto.
Chamo-me Richard Rennison.
Sou agente especial supervisor do FBl em Texas City.
Comecei a minha carreira policial na polícia de League City.
Foi quando me falaram pela primeira vez sobre os Campos da Morte.
Era um grande caso para o departamento. Ele era pequeno.
Estava sempre a pensar que queria trabalhar nisto quando fosse experiente.
Quando voltei para o FBl, consegui trabalhar no caso.
6 DE ABRIL
Pela linha das árvores, do outro lado da estrada,
há casas e caravanas ali.
São 274, 365 metros. É longe, por isso…
Havia um casal que tinha uma casa em Calder Road.
E o filho deles estava a brincar lá fora
e o cão fugiu para a floresta.
Pouco depois, voltou e tinha algo redondo na boca.
Eles pensaram que tinha encontrado uma bola.
Por isso, foram averiguar.
O cão tinha um crânio humano na boca.
Também encontraram um esqueleto.
Dois anos depois,
uns miúdos de bicicleta passaram pela mesma zona.
Encontraram o esqueleto de outra jovem.
E enquanto a polícia procurava pela zona por qualquer prova
que ajudasse a descobrir quem era a 2.ª rapariga,
encontraram um terceiro esqueleto,
a 22 metros de onde a 2.ª rapariga foi encontrada.
Isto era tão…
Tão diferente. Era tão denso, só que sem os pequenos trilhos.
Nem pensar que podia andar assim.
Este foi o sítio onde…
Onde foram encontradas.
Três vítimas foram encontradas a metros de distância.
Muito perto.
A pessoa voltava sempre para o mesmo local.
As mortes de Calder Road
assombram esta parte do Texas há muito tempo.
A certa altura, assombraram-me a mim.
Eu e o meu marido íamos de Houston para Galveston
passar um bom fim de semana ou para irmos à praia.
E havia um cartaz com a cara de uma das raparigas.
Estás prestes a comer um bom marisco.
E estás constantemente a pensar:
"Porque estão a morrer tantas mulheres por aqui?"
E continuei a guardar os artigos à medida que isto evoluía.
Foi aí que comecei o livro.
Estes casos são antigos,
não se passava nada quando comecei o livro.
Mas as famílias mantiveram estes casos vivos.
E o Tim Miller foi uma das primeiras pessoas com quem falei.
Quando somos chamados para um caso,
sou eu que vou dizer às famílias:
"Ouçam, eu sei pelo que estão a passar.
Eu sei."
Já estás a perder pelo.
Estava a montar aquele cavalo quando encontrei o primeiro corpo.
É por isso que lhe chamamos EquuSearch.
Já estivemos em 42 estados, em 11 países diferentes.
Nunca cobrámos nada às famílias.
O Tim Miller é uma figura conhecida aqui,
na Costa do Golfo.
A ideia de que, algures, há alguém que desapareceu
e ninguém está à procura dela, é demasiado para ele suportar.
Por isso, ele vai lá e procura.
Mas…
Às vezes, quando falamos, pergunto-me se ainda continua à procura da Laura.
Vou fazer uma pausa.
Nunca vou esquecer o dia em que a minha filha desapareceu.
Foi como se fosse ontem.
Estacionei lá fora pelas 18h45. A Laura disse: "Podemos falar?"
Respondi: "Claro, o que foi?"
Ela disse: "O Vernon pode cá vir hoje à noite?"
Era o namorado dela.
Respondi: "Sim, seria uma boa ideia.
A mãe vai guardar umas coisas e eu vou fazer um churrasco lá fora.
Quando ela vier almoçar, pede-lhe para te levar à cabine telefónica."
Morávamos naquela casa há pouco tempo.
Na época, não tinhas o telefone instalado no dia da mudança.
A mãe da Laura chegou a casa e levou-a à cabine telefónica.
A Laura estava a falar ao telefone.
A mãe disse: "Despacha-te. Vou chegar atrasada ao trabalho."
A Laura disse: "Quero falar mais um pouco com o Vernon. Posso voltar a pé."
Era a menos de 800 metros.
Mais tarde, cheguei a casa, a mãe da Laura chegou a casa.
Bateram à porta. Era o Vernon.
Perguntei pela Laura. Ele não sabia.
Ela não tinha chegado a casa.
16 ANOS DESAPARECEU A 10 DE SETEMBRO DE 1984
Entrámos em pânico.
Ela tinha 16 anos, tinha convulsões.
A Laura tinha de tomar Dilantin duas vezes por dia
ou iria ter problemas.
Dissemos: "Meu Deus. Ela vinha a pé da loja.
Teve uma convulsão.
Agora está num hospital como a 'pequena desconhecida'."
Fomos a dois hospitais da zona e não havia nenhuma "pequena desconhecida".
Nenhuma Laura.
Fomos à polícia, reportámos o desaparecimento
e disseram que ela tinha fugido.
Disseram: "Vão para casa. Esperem perto do telefone. Ela vai ligar."
Os Miller receberam a resposta que muitos pais receberam.
"Ela fugiu.
Ela está só com amigos. Tenham paciência. Ela vai aparecer."
A Laura adorava música.
Linda Ronstadt. Fleetwood Mac.
Ela tinha muitos amigos.
Ela andava com uma malta um pouco da pesada.
Alguns miúdos fumavam erva e metiam-se em sarilhos.
Todos querem ser aceites por alguém.
Os Miller viviam em Dickinson, Texas,
e mudaram-se para não muito longe, League City, Texas,
para pôr a Laura num sistema de ensino diferente.
CASA DE LAURA MILLER
Para lhe dar um novo começo.
Eu disse à polícia:
"Ouçam, a Laura está em perigo. Ela tem de tomar a medicação."
E nunca esquecerei o que aquele detetive disse:
"Ela é muito sabida, consegue arranjar a medicação em qualquer lado."
Acho que a polícia não levou o desaparecimento
tão a sério como devia ter levado.
Mas o Tim não sabia
que ela não foi a primeira jovem a desaparecer na área.
Havia uma rapariga chamada Heide Fye.
SETEMBRO
OUTUBRO
ONZE MESES ANTES DO DESAPARECIMENTO DE LAURA MILLER
Esta gravação que vamos ouvir
foi gravada há uns anos.
São as vozes da Heide, da mãe e a minha.
Um dia, perto do Natal,
a Heide comprou-me um gravador.
Diz algo para ver se consegues mexer a agulha.
Agulha, mexe-te!
A Heide nasceu em 1958,
era filha do Joe e da Janie Villareal, os meus avós.
O mundo conhece-a como Heide Fye.
Mas a nossa família chama-lhe Heide.
A minha tia iluminava a sala
e essa luz apagou-se quando ela desapareceu.
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