نخستین 200 خط.
Ele pode ir a qualquer lugar no tempo.
O passado, o futuro.
Normalmente, no tempo de vida dele.
Normalmente, mas nem sempre.
A Galeria Bromley de Arte Moderna
convida-o a ver a nossa exposição...
Não consigo evitar nem controlar.
Viajar no tempo simplesmente acontece.
Merda.
Claro que é perigoso.
Às vezes, é tranquilo.
Lidamos com a situação.
Às vezes, é difícil.
Mas o perigo não é o pior.
O Natal é o pior.
HENRY - 8 ANOS
Disse-te para vestires o casaco, Henry.
Está a nevar.
Alguém tem de ir buscar o pai ao aeroporto,
porque queremos o papá em casa no Natal, não é?
Sim.
Há tempos e dias aos quais ele volta muito.
Não faz por isso. Não consegue evitar.
Um dia em particular.
HENRY - 8 ANOS
HENRY - 8 E 24 ANOS
Sei sempre quando regressou de lá.
Mal o vejo.
Pela cara dele.
- Já puseste o cinto? - Sim.
HENRY - 8, 24 E 38 ANOS
É como a gravidade.
Funciona assim.
Quanto maior algo é, mais força gravitacional exerce.
Puxa coisas mais pequenas,
e elas orbitam à sua volta.
HENRY - 8, 24, 38
E 39 ANOS
Tive dias importantes na minha vida, como a maioria das pessoas.
Momentos cruciais.
A diferença para mim que...
...regresso lá.
HENRY, 8, 24, 38, 39 E 23 ANOS
HENRY - 8, 24, 38, 39, 23, 22 E 34 ANOS
Henry...
Viajaste no tempo assim que bateram.
Deve ter sido um reflexo, a única coisa que o teu corpo pôde fazer.
Sei que o vais fazer, mas não tens de olhar.
Mãe!
Vais regressas. Não...
...olhes.
Mãe?
Mãe!
Mãe!
Mãe!
Mãe!
E 28, 25, 27 E 32 ANOS
Mãe!
E 23 ANOS
Mãe!
Mãe!
HENRY - 8, 22, 31, 17, 37, 40 ANOS
Mãe!
E 24, 25, 34, 32, 15, 12, 10, 23
39, 29, 28, 38, 35, 41 ANOS
Tens pais?
HENRY - 31 CLARE - 6
Claro.
Toda a gente tem.
Como são?
Fantásticos. São meus pais. Claro que são fantásticos.
O que fazem?
O meu pai toca violino,
e a minha mãe era cantora.
Porque parou?
Quem disse que parou?
Disseste "era".
É.
Queria dizer "é".
Parece que ficaste triste.
Pareço?
Porque estás triste?
Sabes o que é bom em estar triste?
Nada.
As pessoas felizes são todas iguais, mas as tristes são todas diferentes.
Queres divertir-te com alguém, é fácil, fazes a pessoa feliz,
mas se a quiseres conhecer,
descobres porque está triste.
Porque estás triste?
Porque a tua mãe parou de cantar?
Um dia, explico-te, mas não hoje.
Quando?
Quando um homem verde te der um batido na margem do Lago Como.
- Não sejas tonto. - A sério.
Homem verde, batido, lago Como. É nessa altura.
Estás a dizer coisas parvas.
Juro que não estou.
Parvo.
Parvo.
HENRY - 28 CLARE - 20
O quê? Não fiz nada. Estou só aqui sentado.
Nem olhei para ela.
Senti-te a não olhares para ela.
As portas abrem à esquerda.
Porquê sempre louras?
A minha namorada é loira. É a minha forma de ser leal.
Em teoria, eu sou tua namorada.
- Segundo tu, és minha namorada. - Com licença.
Segundo tu.
Segundo o meu futuro eu,
que conviveu contigo na floresta quando eras miúda.
Não confio nesse tipo.
- Ele és tu. - Ambos sabemos como eu sou.
Então, o que fazes aqui hoje?
- Próxima paragem... - Bem... Desculpe.
Saída para Ópera de Chicago.
Segundo encontro. Almoço.
- Porquê almoço? - No primeiro, bebemos e fizemos sexo.
O almoço vai fazer-nos conversar antes de voltarmos a beber e a fazer sexo.
É como uma relação funciona.
Quem diz que isto é uma relação?
O futuro. Não tens escolha.
- E tu aceitas? - Sim. Porque não?
Nunca tentas combatê-lo, seguir o teu caminho?
Sim, claro, já tentei.
Vou sair do comboio. Com licença.
Pareces estar a marcar posição. Com licença.
Não sou como tu. Está bem? Não ando a correr.
Não vou aonde me mandam, principalmente se estiveres no destino.
Eis o meu problema: espero por ti desde os meus seis anos.
E afinal, depois de tanto tempo, de tanta espera, não gosto de ti.
- Porquê? - Namoras com outra.
Não gostas de mim, mas queres-me só para ti?
- Não te quero. - Dormiste comigo.
- Que conto de fadas. - Não tive queixas.
Beijei um sapo, e ele continuou sapo.
Tu continuaste a ser princesa.
- Que quer isso dizer? - Não sei. No momento, pareceu inteligente.
Rua Quincy. As portas abrem à direita...
- Eu achei inteligente. - Obrigado.
- Clare. - Porque me segues?
- Porque saíste do comboio? - Decidi sair.
A escolha é minha. Que se lixe o que diz o futuro.
Qual é o teu problema? Porque não resistes?
É impossível. Vê onde estás.
Olha à volta. É a nossa paragem. Não te estou a seguir.
Íamos sair aqui de qualquer jeito. É assim que funciona.
Exatamente assim.
O que decidires fazer é o que já ias fazer.
- Não. - Sim.
Já o tentei mudar, acredita.
Não consegues.
- Onde é suposto almoçarmos? - Ali.
Está bem.
Vês aquele café?
- Vou lá. - O quê? Porquê?
Porque, de uma forma ou de outra, vou sair do comboio.
Observa. Isto sou eu a mudar o futuro.
Batido de banana?
Não pedi um batido de banana...
Aquilo é o Lago Como?
Acho que sim.
Muito bem.
Se não se importa que pergunte, porque está verde?
- Bebi o café. - A sério?
Não, foi para ter piada.
- Sou animador infantil. - Agora?
Às 16 horas de hoje. Já estou pronto.
Não pediste um batido de banana.
Não interessa. É inevitável.
Sou horrível contigo.
Sim.
Tu és péssimo,
mas eu também sou horrível.
Porque estás aqui?
Só porque as viagens no tempo o ditam?
A maioria do que as viagens no tempo ditam é aterradora.
Sei que vão acontecer coisas terríveis.
Sei que vou ficar assustado e a sangrar,
e que, um dia, não vou sobreviver.
Mas a única coisa que as viagens ditaram que não é aterradora...
...é que, um dia, no futuro...
...vou casar com uma ruiva incrível.
É tão bom ser identificada pela cor do cabelo. Sinto-me especial.
Que, devo dizer, neste momento, me odeia.
Eu não te odeio.
Não, eu odeio-te, mas...
...é o bom tipo de ódio.
Ai é? Que tipo é esse?
Quero comer-te agora, nesta mesa, só para te calares.
- Bom, podíamos... - Não. Ouve-me.
Não posso evitar.
A minha líbido formou-se centrada em ti.
Cresci a fantasiar contigo.
És literalmente uma versão mais jovem e sensual
do homem dos meus sonhos.
És a personificação de tudo o que quero.
De tudo a que me condicionaste a querer.
Só tens um defeito,
exatamente um pequeno defeito.
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