نخستین 200 خط.
AS AVENTURAS DE CADET ROUSSELLE
A França era então governada por Luís XV.
Não era um dia especial, mas era-o para a nossa história.
Os habitantes desta pequena cidade foram testemunhas de um acontecimento extraordinário nesse dia.
Pela primeira vez, foram batizados aqui trigémeos.
Credes em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra?
Credes em Jesus Cristo, nosso Senhor, que nasceu e sofreu por nós?
O último dos três a nascer receberia o nome de Cadet.
E o número três viria mais tarde a revelar-se também funesto para Cadet Rousselle.
Os anos passaram.
Quando Cadet Rousselle ficou órfão,
o bom sacerdote que o tinha batizado tomou-o sob a sua proteção.
Ora, Cadet, já chega! Ainda vais estragar aquele sino.
O primeiro amor de Cadet era a encantadora Isabelle,
filha do presidente da câmara de uma pequena cidade vizinha.
Mas Cadet não tinha nada, e o presidente da câmara desaprovava o amor deles.
Tentou impedir a relação deles.
Esquece a filha do presidente da câmara, rapaz.
O pai quer casá-la com um oficial.
Nunca será feliz com um soldado, é demasiado sensata para isso.
Não digas disparates e vai ajudar o capelão! Vá, não temos tempo a perder.
Ama o teu próximo como a ti mesmo.
Houve alguma vez um momento mais apropriado para recordar estas palavras
do que este verão do ano de 1789,
agora que uma nova era se abre diante de nós,
Uma era de liberdade,
uma era de fraternidade,
uma era de paz?
Ámen.
Que estás para aí a sonhar? Tens de andar por aí, não ficar a sonhar inutilmente! Vá, anda!
Finalmente chegaste.
É preciso separá-los!
Uma boa sova não lhe fará mal. Vá, vamos.
Bater no próximo é um pecado grave!
Por isso, tendes de ir já confessar-vos. Venham, seus malandros, venham!
- Tu também. - Está bem.
- O vinho é bom? - Absolutamente.
- Mais um pouco? - Com gosto, obrigado.
- Quem compôs isto? - Eu próprio.
Caro senhor Rouget de Lisle, é um grande artista.
Espero, senhor presidente da câmara, que depois do escândalo de
esta manhã não hesitará em tomar as medidas necessárias.
Refere-se à briga em frente à igreja?
Precisamente essa! Que mau exemplo para as crianças!
Mande esse sacristão para Paris, se gosta tanto de lutar.
Vou pedir ao pároco que nos livre daquele sacristão demasiado belicoso.
Aquele rapaz tem coragem! O mais novo de todos, Cadet, e enfrentou três homens.
Espera-o, sem dúvida, um destino extraordinário.
Tudo na sua vida está ligado ao número 3.
Desde o nascimento, é o mais novo de trigémeos.
Isso é magnífico! Um excelente tema para uma canção.
Cadet Rousselle, Cadet Rousselle, vale por três. Cadet Rousselle vale por três.
O mais novo de três irmãos.
- Ataca quando menos se espera. - Sim.
- Vai para a luta... - Espera, espera, um momento!
Se for preciso, mesmo à porta da igreja.
Ah, ah, nem mais uma palavra, Cadet Rousselle é um valente rapaz.
Ah, ah, nem mais uma palavra! Cadet Rousselle é um valente rapaz.
Bravo! Ficou muito bem.
- Vamos tentar outra estrofe? - E, se possível, ainda mais engraçada.
- Por exemplo, sobre as suas três estranhas madeixas. - Uma excelente ideia!
Que tal: Cadet Rousselle tem três madeixas.
Vamos a isso! Cadet Rousselle tem três madeixas.
Cadet Rousselle tem três madeixas.
Que lhe caem nos olhos.
- E quando vai ter com a sua amada... - Faz deles uma trança.
Ah, ah, nem mais um pio, Cadet Rousselle é um bom rapaz.
Compõe com a mesma facilidade com que um pássaro canta.
Um dia, uma das suas melodias há de torná-lo famoso.
É oficial, afinal, porque não tenta uma marcha?
- Não conheço nenhuma marcha decente. - Vou pensar nisso.
Não é uma má ideia...
Cadet! Cadet!
Aconteceu algo terrível. O teu pai quer obrigar-te a partir daqui.
Ouves-me, Cadet?
A maioria dos pais impede a felicidade dos filhos.
E, de qualquer modo, já há muito que tenciono partir.
Queres partir?
Não quero deixar-te. Quero ser digno de ti.
Quando regressar da minha viagem rico e famoso,
o teu pai terá todo o gosto em dar-te como esposa!
A minha rosa! És a mais bela de todas! Ah...
Vou guardar estas rosas!
E leva o meu medalhão junto ao coração.
Dar-me-á coragem. Voltarei em breve.
Lembra-te bem disto. Esperar-te-ei.
Nunca casarei com outro homem.
Agora que partes pelo mundo, lembra-te de que o caminho reto é geralmente o certo.
E vou dar-te mais uma coisa, rapaz.
Aqui tens três moedas de ouro, infelizmente não consegui poupar mais.
É muito bom para mim. Quando regressar rico, mandarei
restaurar a residência paroquial e o telhado do coro.
- Que Deus te ouça. - Cuida da Isabelle.
A Isabelle e eu vamos pensar muito em ti.
Isso vai ser difícil. O pai dela vigia-a constantemente.
Não no confessionário!
Promete-me que não a darás a outro.
- Nunca! A menos que ela própria o queira. - Voltarei em breve.
- Que Deus me permita viver para o ver. - Certamente, e então abençoar-nos-á!
Esperemos que sim. Adeus então, meu querido filho!
Que a Santíssima Trindade vele sempre por ti.
Vai agora, rapaz. Está na hora de partires.
Cadet partiu então para Paris ao encontro da aventura.
No fim do dia, parou e descansou.
Ali foi atacado por três bandidos. Outra vez aquele número fatídico 3.
- Porque é que paras? - Está alguém caído na estrada.
Senhor! Quer ter a gentileza de se desviar? Gostaria de passar. Vamos!
Ah, com estes peões há sempre qualquer coisa.
E, além disso, estão sempre a estorvar.
Vamos, senhor! Lamento incomodá-lo, mas compreende...
- O que se passa? Porque gritas assim? - Ele...
O que se passa?
- Está morto. - E então? Então tira-o daí!
Por acaso tens medo de um morto? Espera, eu ajudo-te. Não podemos perder tempo.
- Onde o pomos? - Agarra-o pelos pés.
Atira-o para fora da estrada.
E mais uma vítima desta estrada mortífera.
Em que tempos vivemos! Ter de morrer tão jovem... Que tragédia.
Vamos, Jérôme! O que se passa agora?
- Está morto. Ele... - O que se passa agora?
Ele mexeu-se.
Mas ele está ferido! Vai buscar água depressa!
- É grave? - É difícil dizer.
Vamos, temos de continuar, senão a noite surpreender-nos-á aqui.
Não podemos deixá-lo aqui!
Deixá-lo morrer aqui não nos traria sorte.
Podemos levá-lo connosco e levá-lo à cidade mais próxima.
Temos de partir. Uma boa ação é sempre recompensada.
- Como aconteceu? - É uma longa história.
- Uma história de amor? - Claro.
Conta-me.
Voltou a ter gosto pela vida.
Há qualquer coisa que não bate certo na história dele. Não confio nisso.
Ficaremos com um amigo.
Se houver alguma coisa, acabaremos por sabê-lo.
Em breve saberemos.
- Tenho bastantes desses. - De que tens muitos?
Nisto, está bem.
Não queres saber quanto amo a Isabelle.
Também não sabes como ela é. Quase tão bonita como tu.
É naturalmente uma beleza diferente, mas mesmo assim. Mais...
Ou um pouco menos...
Mas tão bonita. Tão suave.
E tão terna.
Ela aninhou-se junto de mim.
Adorava o cabelo dela.
O seu perfume fazia-me esquecer todas as minhas preocupações.
Adorava a suavidade da sua face.
A frescura da sua mão.
Não podes imaginar quanto te amo, Isabelle.
Violetta! Chamo-me Violetta.
Mas o que se passa comigo? Deve ser por causa daquela pancada que levei na cabeça.
- Onde te dói? - Em lado nenhum.
Sinto-me entorpecido. Deliciosamente entorpecido, como se estivesse a sonhar.
É exatamente assim que me sinto. E, no entanto, não levei nenhuma pancada na cabeça.
É estranho.
Acho que vamos tornar-nos bons amigos.
Ah, sim.
Gallet foi acolhido por atores itinerantes que, tal como ele, se dirigiam para Paris.
Em breve chegaram a uma grande cidade, onde montaram o seu palco para atuar.
Venham ver o espetáculo mais divertido e
extraordinário que alguma vez viram.
- Viajámos por todo o mundo. - Recebemos aplausos por toda a parte. Em todas as línguas.
Venham ver Carlos, o lançador de facas.
Carlos, que todas as noites põe em risco a vida da sua bela parceira
Maria em risco, que serve de alvo vivo.
O lançador de facas que, felizmente, nunca acerta no alvo.
Venham ver o malabarista. Malabarismo!
Os animais treinados fazem proezas incríveis.
Dois patos sem gelo... um no braço de um irmão.
Dois solados que podem esmagar a minha mão.
Venham admirá-lo! Quem quiser lutar com ele será bem recebido, garanto-vos.
E aqui vem o gigante Atlas, com braços de ferro.
Não tenham medo, ele acabou de comer.
E como adora as crianças, pusemos-lhe um açaime.
E como saídas de As Mil e Uma Noites, aqui estão as três dançarinas mais famosas de Bagdade.
- Monseigneur. - Não me chame Monseigneur.
Custou-me muito encontrá-lo. Hoje em dia é preciso ter cuidado com toda a gente.
Se quiser seguir-me até à minha carruagem, poderemos falar lá mais tranquilamente, Monseigneur.
Estas são as informações que consegui recolher pelo caminho, Monseigneur.
Não me chame Monseigneur, alguém pode ouvir-nos.
Temos uma mensagem importante. Tem de chegar a Paris o mais depressa possível.
Amanhã envie imediatamente um ou dois homens.
Quanto a si: mude de rota para não levantar suspeitas.
- Realmente? - É mais prudente. Siga em direção a...
- Seguirão mais instruções. - Muito bem, Monseigneur.
- Não me chame Monseigneur. - Oh, perdão.
- Já vai embora, Monseigneur? - Ah sim, tinha-me esquecido.
Viva o rei!
A magnífica, incomparável Isabelle!
Não, Violetta!
Vem diretamente à minha carruagem e vai buscar o Ricardo.
E pela primeira vez na vossa cidade: Jérôme Valdinguet.
Ao vosso serviço.
Sim, será o mais famoso engolidor de espadas. Engolir espadas.
Não, não tenho fome agora. Guardo-o para esta noite, está bem?
E para encerrar o espetáculo: a tomada da Bastilha!
Com a participação de toda a companhia!
Uma peça real! Eh... uma peça de escolha!
Com fogo de artifício e uma explosão geral, por isso aqui fica já uma pequena amostra!
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