نخستین 200 خط.
Chega, Niyazi. Os baldes estão cheios.
Deus te abençoe. Ela não dava leite há dez dias.
Falas com ela, e abre as comportas. Como é que vocês se entendem?
Ela tem ouvidos. Só temos de falar a língua dela.
Bravo, neto!
Niyazi! Niyazi... Ajuda-me. O meu filho enfiou um ovo numa galinha!
- Despacha-te, Niyazi! - Rápido.
Aquele rapaz vai ser um grande veterinário.
Há de estudar para isso, se Deus quiser.
Vai ser um veterinário de fato e gravata.
Meus caros, na vossa carreira como veterinários,
encontrarão muitos desafios,
como terem de tranquilizar um animal selvagem.
E o que usamos para isso?
Cloridrato de metadona. É um medicamento comum, como sabem.
- Pode ser usado em qualquer animal? - Por exemplo?
- Galinhas. - As galinhas são selvagens? Não se riam.
Alguma vez viu uma galinha armada em Rambo, a atacar pessoas na floresta?
Não se riam. Qual era a regra de ouro?
"Não injetar metadona em gado." Porquê?
O fígado tem dificuldade em excretá-la, pelo que pode contaminar a carne.
Hoje, o nosso convidado é um urso. Ursus arctos.
Os ursos podem atingir um peso de 800 kg.
Foi visto um com uma tonelada perto de Artvin.
O animal está em sofrimento há anos.
Foi colocado em cativeiro e obrigado a imitar senhoras a ter piripaques,
ou a dançar ao som da pandeireta, como objeto de entretenimento.
O desgraçado foi sujeito a um treino de respostas condicionadas.
Depois da aula, Metin, o dono dele, irá connosco levar o nosso amigo
até ao parque natural onde ele será feliz.
Porque é que o Homem não gosta de ursos?
Bem, são sensíveis, amáveis, têm o dom da empatia...
Professor, como assim, "sensíveis e amáveis"?
Ligam sempre em datas especiais. Por amor de Deus.
Vocês, troquem de lugar. Não estão atentos.
Portem-se bem, como este urso. Olhem para ele, tão bonzinho.
- Credo, o que se passa? - Zarife!
- Não lhe toque, professor. - Metin, segure o animal.
Calma. Senta-te.
Presumo que nunca tenha trabalhado com ursos, professor.
Claro que trabalhei. Já tive uma frutaria com um.
Se não estão a ouvir, saiam. Estamos aqui para falar de ciência.
Agora, tomem nota. Não aconselho a administração de medicamentos.
E porquê?
Abordo a questão no meu livro, Ser Um Animal com Animais.
O sedativo natural Indolência 1 é perfeito para isto.
É uma mistura à base de raiz de funcho e não faz mal aos animais.
E a excreção do fígado é fácil. Vamos a isto, Metin.
Plantas? O urso não vai lá com isso.
É preciso uma garrafa de vodca para o adormecer à noite.
- Vodca? - Sim.
Dá vodca ao animal? Segure-o.
- Zarife, relaxa. - Muito bem.
Não custa nada.
Cuidado, ela não gosta que lhe mexam por trás.
Está tudo bem. Pronto, já está. O que isto nos diz?
A ciência é uma demanda interminável, à qual nem um urso selvagem pode escapar.
Zarife! Professor, atrás de si!
Zarife, para! Enlouqueceu. Para!
- Controle o animal! - Sim, mas como?
Agora apanhou-me! Chamem a polícia. Segurança! Fujam!
UNIVERSIDADE EGE FACULDADE DE VETERINÁRIA
Eu zango-me contigo, Zarife!
Sim, senhor governador? O pato está a chorar? O que posso fazer?
Eu vou aí. Sra. Naciye está aí? Vou a caminho.
Veja, Dr. Niyazi. Um maluco qualquer atirou contra ele.
Valha-me Deus. Como se ele fosse uma ave de caça.
Desculpe? Se fosse uma ave de caça, já não havia problema, era?
Não. Acho que não me expliquei bem.
Devia ter vergonha.
É uma vergonha para o departamento,
para os professores, para a faculdade,
para as suas fitas de finalista, para o seu traje académico!
- É uma vergonha completa, Niyazi! - Maldito seja quem o alvejou.
Foi um lapso de linguagem. Meu Deus, errar é humano.
Não me venha com essa.
Não me fale de ser humano. Se eles são humanos, eu não sou.
- Sou um animal. E o professor também. - Também sou.
- E você? - Sim, também sou.
Ótimo. Somos todos animais. Que é feito do projeto do refúgio?
O ministério aprovou. Como aprovaram, não financiam.
- Então? - Temos de arranjar um patrocinador.
- Hoje em dia, quem dá dinheiro? - Alguém há de dar!
Têm de encontrar alguém.
- Vamos encontrar. - Sim.
Estão na reta final.
O número dez, Night Sultan, continua à frente.
O número dois, Shah Rza, vem por fora. Estão muito próximos.
Os dois puros-sangues estão taco a taco, mas Night Sultan segue à frente.
Mas Shah Rza, por fora, triunfa sobre o rival.
E a corrida é ganha por Rza Kabakoz, dono do cavalo vencedor, Shah Rza.
Caramba.
Não é como os leilões, pois não, Sultan Sahmerdan?
Vamos, antes que sejamos expulsos pelo mau-cheiro, Süleyman.
Para trás.
Perdeste a corrida. Queres ganhar no amor?
O meu pedido de casamento continua válido.
Comeste salada russa suficiente, Rza Kabakoz?
Quando te deixei, só faltava o Serdar Ortaç naquela piscina.
Sultan, ouve...
"Estava bêbedo, fui uma besta." Mais alguma coisa?
Isso é passado, juro. Perdoa-me. Dá-me outra oportunidade.
O nosso romance é colossal. Os outros amam, nós veneramos.
Estamos loucamente apaixonados.
Para mim, és apenas um rival que eu quero derrotar.
Vou vingar-me da derrota de hoje no Aegean Derby.
Apostamos.
Se ganhares,
a minha fazenda, os meus cavalos, será tudo teu.
Deixo-te em paz e saio da cidade.
E se ganhares?
Serás minha. Serás a minha mulher.
- Estás com medo? - Imenso.
Medo que sejas tão parvo ao ponto de ainda não me conheceres.
Aceito a tua proposta. Süleyman, vamos.
Ela aceitou. Mahmut, ela aceitou.
Começa a preparar o casamento. Já!
- Olá, Ferruh. - Olá, Niyazi. Seja bem-vindo.
O que tens feito?
Vou mostrar-lhe uma coisa que o vai deixar de boca aberta.
- Espero que resulte. - Olá. Tudo bem, professor?
Tudo bem.
Nunca pagas. Pelo menos, não escolhas o mais caro.
- Diz que ganho um brinde. - Tretas. Já levaste 50 e nada.
Tu comes e eu pago.
Não tenho culpa, Ferruh. Queixa-te à empresa.
Está aqui. Telefone para queixas, vês?
Não te assustes. Nem tu, Mestan.
Kemal, nós habituámo-nos a ti. Também te podes habituar a ele.
Como me posso habituar a este minidragão?
Olha para ele a exibir-se, como se fosse uma grande coisa.
Espere até ver isto, Niyazi.
- Que tal? - Fantástico.
Se chamares o músico Ankaral Namk, ele começa a tocar
e consegues pôr o animal a fazer a dança do ventre.
Que vergonha, rapazes. Pensa como um animal.
Ele desenvolveu esta caraterística como um mecanismo de defesa,
e usas isso contra ele? Tinha-te em melhor conta, Ferruh.
É uma tortura para o animal.
- Põe na conta. Pago no fim do mês. - Está bem, professor.
Sra. Sultan, há antigos campeões a participar no Aegean Derby.
- Então seremos os campeões dos campeões. - Com o Night Sultan?
Claro, com o Night Sultan.
Vamos ganhar com o presente do Rza. Vencê-lo no jogo dele.
Aquele cavalo não consegue ganhar sem drogas. É impossível.
Traz-me o melhor veterinário do país.
- Nós já... - ... temos os melhores, não é?
Encontra o melhor dos melhores.
Vale a pena arriscar o seu nome numa corrida destas?
Sim. Se for para acabar com o Rza Kabakoz.
Vamos vencer o Aegean Derby, Mahmut.
Avisa os homens das cavalariças. Não quero erros!
Temos de ganhar a corrida. Serve-me um uísque, Mahmut.
Aqui tem.
Sultan, ao nosso amor.
Tenho tudo, Mahmut. Tenho cavalos, tenho armas,
mas onde está a minha mulher, Mahmut?
Sou um gangster de segunda? Sou um gangster de meia-tigela?
- Claro que não. - Atira essa garrafa ao ar, Mahmut.
Sr. Rza, mandei mal.
Está tudo bem, Mahmut. Não me dês graxa.
Chama-se gravidade.
Isto é um mal do coração Nenhum medicamento o pode curar
As tuas palavras de conforto Não servem de consolo
O meu amado é que tem a cura Não tu
Não percas o teu tempo
Gevrek, vai à porta.
Depressa, Gevrek! Vai à porta, querido.
- Olá, Hediye. - Bem-vindo, Sr. Niyazi.
Seu malandro. Estou cansado, rapaz.
Obrigado.
- Como estás, Hediye? - Bem, Sr. Niyazi. A trabalhar.
Ótimo. Meu Deus.
Isto é um mal do coração Nenhum medicamento o pode curar
As tuas palavras de conforto Não servem de consolo
O que é isto? Foste tu que lhe ensinaste isto?
- Sim. Disse-me para o pôr a falar. - Isto é forma de o pôr a falar?
Uma vítima do destino. Porque será que arrancou as penas?
- Não pode ser, Hediye. - Não grite comigo.
Já tenho muito que fazer sem ensinar o papagaio.
Digo às pessoas que trabalho na Arca de Noé.
Limpar esta casa é um pesadelo. Hoje pisei as tartarugas duas vezes,
os ouriços picaram-me os tornozelos, havia pelo de cão na minha comida.
Não me provoque, que ainda digo algo de que me arrependa.
- Proíbo-te de falares assim comigo! - Não, eu é que o proíbo!
Depois de tantos anos, continua a portar-se como um ditador.
Posso ser sua empregada, mas não sou sua escrava.
Quem disse que eras? Que conversa é essa?
Comporto-me como um ditador? Estás a falar com um professor.
Não sei do que estás a falar!
O que foi? Conseguiste enervar-me.
- Estás a rir-te de quê? - Professor, olhe para a sua gravata.
Está toda torta.
Realmente. Endireita-a lá. As mulheres percebem destas coisas.
- Fazes-me perder a cabeça. - Pronto.
- Mudou de aftershave? - Não, uso sempre casca de tangerina.
Uma vez experimentei com clementina, mas o cheiro é diferente.
Chega a casa enervado e descarrega em mim.
Não te portaste bem. Não ensines essas coisas ao papagaio.
- Está bem, então vou fazer chá. - Espera. Esquece o chá.
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