نخستین 200 خط.
Porque é que o amor é
intensificado pela ausência?
Qual é a sensação?
Qual é a sensação?
Normal.
Sabem?
Como se não fosse nada.
Como se a atenção vagueasse por momentos,
e, de repente, o livro que lia e o café que bebia desaparecessem,
e a sala onde estou desaparecesse, e eu estou numa valeta funda.
Ou no meio da autoestrada.
Merda!
Ou num campo cheio de vacas.
E claro, estou nu.
No passado, e nu.
Os lençóis arrefecem.
Ou a água do chuveiro continua a correr,
ou o bacon continua a fritar,
ou ouço uma caneca a cair e a partir-se, e percebo que ele desapareceu.
Voltou a acontecer.
Ele é só um monte de roupa.
E depois, começa.
A espera.
Viajar no tempo não é um superpoder.
É um defeito. É um problema que tenho.
Não consigo agarrar o presente. Simplesmente...
...escorrego.
Volto a cair no tempo.
Quando ele desaparece, eu espero e preocupo-me.
Pergunto-me onde estará,
em que altura estará.
Se corre perigo.
Às vezes, volto logo para onde estava,
ao livro, ao café, e está tudo bem.
Não é nada, cinco minutos, uma sesta.
Outras vezes, são dias, semanas, meses.
E tenho de sobreviver.
Tornei-me bom em três coisas:
correr, lutar e roubar.
Tenho de ser bom nisso quando apareço nu em algum lado.
Merda.
É uma pergunta difícil.
A sério? Está a perguntar-me isso?
Quando nos conhecemos?
A primeira vez?
Defina "primeira".
Casei com um viajante do tempo.
É complicado.
Para quem não é viajante do tempo, o passado é inalterável.
Para quem é artista, ou pensa que é,
o futuro é o que vai criar.
Às vezes, vemos o futuro numa tijela de resíduos.
Outras vezes...
Clare? Estás bem?
Sabes do que preciso?
CLARE - 20 ANOS
Dr. Felman, tenho de ir a uma biblioteca.
- Está bem. - À biblioteca Newberry.
- O que tem lá? - Pornografia.
Outras vezes...
Outras vezes, lembramo-nos que o futuro é apenas o que aparece
quando procuramos outra coisa.
As pessoas acham que as bibliotecas são sítios calmos.
CLARE - 20 HENRY - 28
Para mim, uma biblioteca é uma multidão.
Para um viajante do tempo, o passado está vivo.
Ainda acontece, ainda é perigoso.
Os livros nas prateleiras são como barras de uma jaula,
e o monstro no interior está impaciente.
Para todos os outros, o passado terminou.
Para mim,
ainda tento sobreviver a ele.
São tuas?
Encontrei-as nas pilhas.
Sim. Obrigado.
Henry, ando para te perguntar isto.
Porque deixas roupa por todo o lado?
- Toda a gente deixa. - Não.
É complicado.
Sou todo ouvidos.
- É uma longa história. - O tempo não é problema.
Sorte a tua!
Olá.
- Com licença. - Estás bem?
Sim. Tudo bem. O que estão a fazer?
Apresentação de dicionários raros.
Meu Deus! Adoro dicionários.
Sabem qual é a melhor coisa de um dicionário?
É o único livro com as palavras na ordem certa.
Pois. Não precisamos de nada. Obrigado, Henry.
A ordem certa é importante. Acreditem.
Se esperar um momento,
talvez o Mr. DeTamble possa ajudar.
Obrigada.
Isabelle,
há uma jovem na Exibição 2.
Podes acordá-la quando o Tom parar de a aborrecer
e mencionar o meu nome com entusiasmo?
O Chaucer da Kemlscott Press.
- O que tem? - Sabes o que é?
É um livro do Chaucer. Ilustrado.
É praticamente pornografia, mas aceitável num comboio. Porquê?
Aquela jovem quer ver a pornografia.
Está bem.
Olá. Posso ajudar?
Quer o Chaucer da Kelmscott Press, certo?
Henry.
Olá.
- Desculpe, eu não sei... - Clare.
Abshire.
Clare Abshire.
Está bem?
Acho que sim. Sim. Porquê?
Bem, está com um ar estranho.
Que tipo de ar?
Estou a tentar pensar em algo melhor do que "concussão".
Desculpa, eu...
Não estava à espera de te ver, hoje.
Muito menos numa biblioteca. Espera...
És bibliotecário?
- Sim. - Bibliotecário?
E chamas-te DeTamble?
Vou demorar a habituar-me.
Desculpe, não entendo...
Tens uma marca de nascença.
Parece um morango.
Parece que pisaste um morango.
No teu pé esquerdo.
E tens uma cicatriz abaixo da linha do cabelo.
Agora não se vê porque tens o cabelo comprido.
Está mesmo muito comprido. É de propósito?
Nunca disseste como fizeste a cicatriz.
Já perguntei, mas acho que não gostas de falar disso.
- Então, já nos conhecemos? - Sim.
Bem, não. Eu conheci-te.
Vi a marca de nascença há 14 anos.
Conheço-te há 14 anos.
E agora, estás aí com cara de quem nunca me viu.
- E não vi. - Eu sei.
És tão jovem.
Nunca te vi tão jovem.
Sabes porque não te reconheço?
- Sim. - Então, sabes do meu...?
Problema? Sim.
- Quem te contou? - Tu.
Não podemos falar aqui. Vamos tomar café.
- Ou beber um copo. - Está bem.
Jantar.
Evoluiu rápido.
Catorze anos.
Então, esta noite.
Sim.
Sim. Esta noite.
- Desculpa, não sei como... - Não.
- Eu também não. - Costumo ser bom a ler mulheres.
- Mulheres? - Pessoas. Ambos.
Certo.
Sim. Até logo.
"Ambos."
Muito bem.
- Olá. - Olá.
Nunca me deste flores.
- Achas que vai funcionar? - Em que sentido? Quer dizer,
onde queremos chegar?
É um encontro? Estamos num encontro?
O que é isso?
Encontros.
Cento e cinquenta e dois.
Cento e cinquenta e dois?
Envolveste-te numa luta?
Sim. Como achas que consegui as flores?
Quem...?
- Quem escreveu esta lista? - Eu.
Quando era miúda.
- Ditaste-ma. - Eu?
Para eu saber quando ias aparecer.
Disseste-me há uns anos que memorizaste
a lista que te estou a dar agora.
A que tu me ditaste.
Por isso, nem sei como essa informação existe.
- É uma lista de Möbius... - Para, por favor.
Mais devagar.
Desculpa, é confuso.
Tive mais tempo para pensar.
Isto já te aconteceu antes?
- Conhecer alguém pela ordem errada? - Não.
Ele não te avisou sobre estas coisas?
- Quem? - O tipo que te treinou.
Sei que houve um tipo que te ensinou
tudo sobre viajar no tempo, as regras todas.
Quando eras pequeno. Outro viajante.
Eu disse-te quem foi?
Até agora, não. Não.
Certo.
11 DE SETEMBRO 2001 25 DE OUTUBRO 2001
Então...
...vejamos se percebi.
No futuro...
No meu futuro, vou começar a aparecer no teu passado.
- Sim. - Durante 14 anos.
No comments yet. Be the first to leave one.