نخستین 200 خط.
Calma! Virem!
Calma!
Vai à volta!
O que foi, Gaya?
O que foi?
HOMICÍDIOS NA PONTE DO DIABO
PROIBIDO MERGULHAR
Deixem passar.
Passe.
Vá lá, Gaya!
Cuidado com o rebanho!
Desculpe.
Enviarão a cavalaria em breve.
André Savignac, 75 anos, presidente de Saint-Guilhem.
Fratura da sétima vértebra cervical.
Marcas de estrangulamento que correspondem à corda.
Bom dia!
Capitão Charras, tenente Guemmouri, Polícia de Saint-Guilhem-le-Désert.
Comandante Fazergues, da PJ de Montpellier.
Como a Chantal Fazergues, que gere o hotel na aldeia?
O que faz a PJ num suicídio?
Há sempre um inquérito quando morrem funcionários públicos.
A procuradora chamou-nos a ambos.
Temos de trabalhar juntos, capitão.
A mulher do Savignac morreu há muito.
Só tem o filho, o Eric.
É ele que dirige o olival.
Porque...
O André Savignac não era só presidente de Saint-Guilhem,
era o maior agricultor da região.
Especializava-se em azeite.
Ali.
É o Eric no trator.
Estacione aqui.
O Eric é um tipo estranho. Prefiro anunciar a morte do pai sozinho.
Bom trabalho de equipa!
Mesmo agora, não sou o filho com que ele sonhou.
A culpa não é tua, Eric.
Vivíamos juntos e não vi nada.
A crise agrícola, a competição do petróleo espanhol, preços em queda...
Nem sempre é fácil no olival, pois não?
Não.
Ela quer dizer que é muito,
até para alguém forte como o teu pai.
Podemos ver lá dentro?
Não precisas de vir.
Eu trato disso.
Parece conhecê-lo bem.
O que se passa com o filho do Savignac?
O pai dele morreu.
Referia-me ao caráter dele.
Disse que ele era estranho.
- Ele é bizarro. - Depende de com quem.
O Eric é frágil.
Não foi à escola em criança.
Esteve no hospital durante meses.
Porquê?
Mononucleose, acho eu. Algo parecido.
Ele mal saiu do olival.
Estar sempre com o pai afastou-o dos outros.
Porquê?
É filho único.
Ambos os pais morreram.
O negócio das azeitonas já não é o que era, mas é uma bela herança!
Tem cá uma lata!
O Eric acabou de perder o pai, e trata-o como um suspeito!
Até prova em contrário, o Savignac não foi morto, enforcou-se!
A PJ vê o mal em todo o lado.
É melhor do que não ver nada.
Devíamos ver o escritório dele.
É mais acima, à esquerda.
Esquerda! Aqui!
Esquerda!
- Mãe, onde estás? - A trabalhar. Enviei-te uma SMS.
Estou de férias, prometeste que as passávamos juntas.
Desculpa, querida, não tenho escolha.
Que treta.
Agora não posso falar, depois ligo-te. Adoro-te!
Não deve vir muito a Saint-Guilhem. Não a reconheço.
Vinha com o meu irmão quando éramos pequenos.
Os meus avós geriam o hotel, a minha mãe ficou com ele.
Mas agora não tenho muito tempo.
Sou secretária da Câmara Municipal há dez anos.
Nunca pensei que ele fizesse tal coisa!
O que faremos sem ele?
Como estava ele ultimamente?
- Notou alguma mudança? - Não.
O presidente fez muito pela aldeia.
É graças a ele que hoje recebemos tantos visitantes.
Todos aqui o adoravam.
Que estranho, para alguém que todos aqui adoravam...
Capitão...
"Eu sei de tudo. Vai pagar."
Procuramos uma carta de suicídio e encontramos uma ameaça.
Já temos um motivo, vingança!
Quem escreve cartas nem sempre age...
Como disse o médico, o Savignac morreu enforcado.
Alguém pode tê-lo ajudado.
Alguém o ajudou a suicidar-se enforcando-o?
Não pensei nisso, mas é óbvio.
Calma! Eu explico.
Damien!
Maninho! Lamento.
Vieste por causa do André?
- Sim, sei que era teu chefe. - Era meu amigo.
Foi o único que acreditou em mim depois do acidente.
Confiar-me a loja foi ótimo para mim.
- Quando o viste pela última vez? - Ontem, no inventário.
Perdemos o rótulo biológico.
Deve ter-se sentido em baixo, mas não o suficiente para se enforcar...
Pobre Damien, acabei de saber. É horrível.
Como a rapariga de há 30 anos.
Enforcou-se na Ponte do Diabo.
- Que rapariga? - A Nora Allouache.
A filha de um produtor de azeitonas.
- Todos conhecem a história. - A ponte está amaldiçoada.
Desculpa, não queria...
Não faz mal. Obrigado por ter vindo.
A mãe sabe que estás cá?
Ia adorar ver-te.
Comandante!
Lamento pelo André... A sério.
Obrigado, capitão.
A procuradora espera-nos em Montpellier para a autópsia.
Este é o Sr. Savignac.
Morte por enforcamento,
como prova a hemorragia subconjuntival,
mas foi drogado primeiro.
Vestígios de agulha,
de uma injeção de escopolamina,
detetada nas análises sanguíneas.
É uma droga que remove qualquer vontade de resistir.
Estava vivo quando foi enforcado, mas não se conseguiu defender?
Afirmativo.
O assassino queria que o Savignac testemunhasse a sua execução.
Homicídio com premeditação.
Mais alguma pista?
Sim. O Savignac foi ameaçado.
E uma adolescente, Nora Allouache, enforcou-se no mesmo local,
há 30 anos.
Um pendurado numa ponte é raro, mas dois...
Vamos investigar.
Eu sabia que fariam uma boa equipa.
Ainda bem que partilha as informações.
O senhor não partilha!
Não contei porque a aldeia toda sabe!
Talvez, mas eu não! A minha mulher é de cá.
Ela quis voltar. Mudámo-nos há pouco tempo.
Não sei coisas de há 30 anos!
Podemos ir buscar a minha filha? Amanhã não há escola...
Obrigada.
Aonde vamos?
Já te disse, Fanny, para casa da avó.
Porquê?
Já te disse, é trabalho.
Não ficaremos muito tempo.
Aquilo é uma treta. Aborreço-me.
Porque dizes isso? É bom, vais gostar muito...
Não, não é bom. É por isso que nunca lá vamos.
Também não gostas de ir.
Mãe, deixa-me fazer!
Tira o boné.
Que boa surpresa!
Olá, mãe!
Estás tão crescida!
Deixa-me dar-te um beijinho.
Fanny, beija a avó.
Não a forces, dá-lhe tempo.
Não nos vemos há séculos.
Entrem.
Só ficamos três ou quatro dias para terminar a investigação.
Investigação?
Que investigação?
- Não sabes? - Não!
O Damien não te disse?
Vi que ele ligou, mas não ouvi as mensagens.
O que se passa?
O André Savignac foi encontrado enforcado.
Estás bem?
Queres água?
Não, estou bem.
Não estava à espera disto.
O que lhe aconteceu?
Não sei. Estamos a investigar.
Foi por isso que voltaste.
Mãe?
És tu na foto?
Eras muito nova.
Quem é o rapaz que está contigo?
É o tio Damien. Não reconheces?
Mas ele está de pé! Onde está a cadeira dele?
- Antes não precisava dela. - Antes de quê?
Tenho um quarto com uma casa de banho grande. Eu mostro.
Com uma cama grande para dormir com a mamã!
Avó, percebes de geometria?
Claro. É a minha disciplina preferida!
Ainda há café lá dentro?
E... conhecias bem o Savignac?
Toda a gente o conhecia. Era o presidente da câmara.
Pessoalmente?
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