نخستین 200 خط.
UM FILME ORIGINAL NETFLIX
Querido filho,
que surpresa tão agradável ter notícias tuas, passado tanto tempo.
Estou bem, e a fazer tudo o que se espera de mim neste país.
Fico feliz por estares a começar uma etapa nova.
Um velho ditado diz que há coisas que um homem só aprende na cidade.
Descobri que isso é verdade. Mas não te distraias, meu filho.
Concentra-te nos teus estudos e objetivos. Vamos falar deles quando me visitares.
Vou esforçar-me mais para manter o contacto contigo.
Pai.
Iniciámos a descida para o aeroporto John F. Kennedy.
Obrigado por viajarem connosco e tenham uma boa noite em Nova Iorque.
AGOSTO DE 1981
Devido à atividade policial, a próxima paragem será na Rua 125ª.
Merda.
Sai da rua!
Precisas de ajuda?
Não, estou bem, obrigado.
- Estava a ver a universidade. - Tens identificação?
O campus é privado. Não podes entrar assim.
- Sou estudante. Fui agora transferido. - Preciso do teu cartão de estudante.
Ainda não o tenho.
Lamento, rapaz. Vais ter de sair daqui.
Liga quando quiseres, irmão Vemo-nos na Grande Maçã
Não te volto a dizer, seu cabrão!
Tenho uma arma e dou-te um tiro na cara!
Saleem? É o Barry. Conhecemo-nos há uns meses na festa do Amir.
Desculpa incomodar, mas és o único que...
Barry?
Barry, meu irmão!
Anda daí. Entra.
Caraças, vais mudar-te para aqui?
Estou trancado fora de casa e o Will...
Na boa. Acabei de sair do trabalho.
Barry, Rachel. Rachel, Barry.
Raquel.
- Raquel. Foi o que eu disse. - Muito gosto, Raquel.
Ela tinha melhor aspeto há bocado.
Toma uma cerveja. Dá-me isso.
Visita guiada. É aqui que a magia acontece.
Esta é a sala de estar. Ouviste aquilo?
Senta-te.
Bem-vindo a Nova Iorque.
O problema, hoje em dia, não são os Republicanos. É a república.
Hoje em dia, não são os Democratas. É a democracia.
A nossa nação está a atravessar uma crise de valores...
- Estás pronto? - Dá-me cinco minutos.
A divisão entre os sexos.
Não somos o problema do outro, mas sim a solução.
E então, menino da universidade?
Dá-me um cigarro.
Também queres?
Dá-me mais um.
- Tens lume? - Claro, Andre.
- Viva. - Olá.
O que andam a estudar?
Um pouco de tudo.
Tirem Economia ou uma merda assim, arranjem guito e desandem.
Acabei de chegar.
Mas aqui não ficas.
Vemo-nos por aí.
- Até logo. - Até logo.
"A justiça nada mais é do que o interesse do mais forte."
Todos sabemos que os gregos adoravam símbolos.
Desde a Antiguidade.
Qual seria o grande símbolo da democracia no tempo de Platão?
Sim... Barry.
SÓCRATES/PLATÃO/ARISTÓTELES
Está certo. A mão levantada.
Um voto por homem. E tudo muito público.
Mas quando imaginarem essas mãos levantadas, lembrem-se
de que todas elas seguravam uma lança.
A "regra da maioria" era isso, o que levanta a seguinte questão:
Estará o regime do governo sempre apoiado na ameaça da violência?
- Sim, Thad. - Tem de estar.
- Senão, que autoridade teria? - Então, e a vontade do povo?
- Sim, do povo que tinha mais lanças. - Isso não é tudo.
Sacrificamos parte da nossa independência ao governo em troca de segurança
e sabedoria coletiva.
Ou seja, ter-se mais lanças.
Quando havia um voto, a minoria não decidia se iria revoltar-se.
Quando há um pacto para formar-se um governo, ele ganha autoridade.
Como uma autoridade moral?
- Bem... - O Ronald Reagan tem autoridade moral?
Claro que tem. Ganhou com maioria absoluta.
Uma coisa que o Ronald Reagan não tem de certeza, é autoridade moral.
Mas tem um cabelo excelente.
- Estou só a brincar. Continuem. - Deixem-me reformular.
Se os estados votassem a favor da escravatura, perderíamos o voto.
A autoridade moral intervém e defende a minoria da vontade do povo.
- É quando surgem as lanças. - Também vi as notícias ontem à noite.
Foi o Jesse Jackson que disse isso sobre a escravatura.
Pois disse. E tem razão.
A sério? O tipo que abraçou o Yasser Arafat tem razão?
Isso não tem nada que ver.
Vamos rebobinar. Voltemos ao Platão.
Posso só fazer uma pergunta?
Porque é que vai tudo parar à escravatura?
Olá.
Will?
Está aí alguém?
Vá lá, Barry.
Valha-me Deus.
- Como entraste? - Barry, tens ganzas? Dói-me a cabeça.
Vê no cinzeiro.
O que fazes aqui?
Toda esta experiência da universidade mudou a minha vida.
Trabalhas num bar, Saleem.
O que estás a fazer no West Side?
Ontem à noite, no West End, conheci uma andorinha linda.
Uma estudante de Sociologia do Minnesota.
Feições de porcelana, mamas que chegam até aqui.
Andámos pela cidade a noite toda.
Mas depois, não pude entrar no dormitório dela.
- Por assim dizer. - Por assim dizer.
Fui beber uma cerveja no café na esquina e decidi passar por aqui para fumar.
E pedir-te dinheiro para apanhar um táxi para casa, se possível.
Isto pode parecer uma loucura, mas escuta até ao fim.
Achas que poderá existir uma correlação
entre estares sempre a comprar álcool e cocaína e estares sempre falido?
É uma teoria interessante, mas acho que não.
Por falar em bebida e coca, a minha amiga Daphne vai dar uma festa esta noite.
A Daphne é uma dançarina burlesca. Como todas as amigas dela.
Não tenho de fazer-te um desenho, pois não?
O que me dizes a eu dormir uma sesta aqui, e por volta das nove irmos os dois?
Prometi ao Will que iria a uma festa na universidade.
Eles nunca nos vão aceitar, Barry. Sei que tu sabes isso.
- Não sei. Quero pensar que irão. - Pensas demasiado.
- É por isso que nunca pinas. - Não é só isso que quero.
Estás a ver? Foda-se, puto. Se estivesse no teu lugar...
"Olá, menina branca e rica. Chamo-me Barry.
Vim de África para estudar aqui.
Sou um homem profundo que escreve poemas sobre os mistérios da humanidade.
Queres abrir-me as calças, ou preferes que seja eu?"
Muito bom. Não sabia que me imitavas.
O truque é falares à branco, mas só um pouco.
Vai à merda, Saleem.
- Barry! Eu amo-te! - Pois...
Está tudo bem.
Vão precisar de toda a ajuda que conseguirem agora.
Vão precisar de ajuda.
Bola em jogo.
Precisas do quê para jogar? Vão perder.
É assim mesmo que se joga.
- Anda. Aqui. - Atrás dele.
Sabem que mais? É assim mesmo.
Vamos ao próximo jogo.
- Próximo! - Boa, PJ.
Tirámos estes gajos daqui.
Pois.
Próximo!
Eu marco o Homem Invisível.
Gostaste, Invisível? Este cesto foi meu.
Faço isto o dia todo.
Até te deixo encestar.
Este miúdo deu-te uma abada, PJ.
Foi uma boa jogada, sim.
Agora que sei que és canhoto, não voltas a marcar.
Espero que saibas contra-atacar.
Grande homem!
- Chega. Vamos jogar. - Não te metas comigo.
Não me toques, senão dou cabo de ti.
A bola é vossa.
Mostra-me o que vales, Invisível.
Vou estar em cima de ti o tempo todo. Como as moscas na merda.
Como é que é?
O Jack Kerouac andou cá, percebes?
O Allen Ginsberg e o Paul Robeson. O que é feito deles?
Estão mortos? O Kerouac está, de certeza.
- Quem é o Paul Robeson? - Mas onde se meteu essa onda?
Parece que nem existe. Ou talvez tenha de ser mais fixe para a encontrar.
Então, meu... Somos novos. Com o tempo vai lá.
Estás pronto?
- Conheço estes tipos. - Fixe.
Certo. Vou buscar cervejas para nós.
Devias ter chegado há meia hora.
Bem... Vim na mesma.
O que temos à escolha?
- Rum com cola? - Que nojo.
Ou Jack.
Jack, não. É um uísque muito rasca.
- Eu bebo um. - Pode ser.
- Três? - Está bem. Porque não?
- Vamos a isto. - Vamos.
Um brinde.
Cheguem o barril de cerveja aqui.
Não, não, não.
Vamos lá. É isso mesmo.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez,
11, 12, 13, 14, 15.
Quem se segue?
- Vamos. - Deixem-no ir.
Ele disse que vinha.
- Acho que está ali. - Obrigada.
Olá. Estás na minha aula de Ciências Políticas.
- Julie, não é? - Certo.
Sou bom com nomes. Barry.
Olá. Esta é a Charlotte.
Autoridade moral.
- Espero que isso não se apegue a mim. - Acho que já é demasiado tarde.
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