Les Misérables: The Story of Jean Valjean

Les Misérables: The Story of Jean Valjean (Jean Valjean)

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نخستین 200 خط.

Antes que houvesse um herói, houve um homem… um miserável.

JEAN VALJEAN

A mim.

Nos primeiros dias de dezembro de 1815,

cerca de uma hora antes do pôr do sol, um homem entrou na cidade.

Ele se apresentou à gendarmaria.

Ninguém o conhecia.

De onde vinha ele?

Do sul.

Das margens do mar, talvez.

Homens riem, burburinho.

Nunca! Bem, bem.

Onde estavas? Quanto tempo levas para lavar roupa?

É verdade, onde estavas?

Senti a tua falta. Anda, vem aqui.

Vem!

Não podes prestar atenção?

Não te basta estar atrasado?

Vou descontar o preço do jarro do teu salário.

E tenta ser mais amável com a clientela.

Eu pago a rodada, rapazes.

É um condenado.

Olha para ele.

Lamento, não posso recebê-lo.

Estes senhores

reservaram todos os quartos.

Os estábulos servirão.

- Os cavalos ocupam todo o espaço. - Preciso de pouco.

Bem, isso já é demais.

Caminhei desde o nascer do sol, fiz doze léguas, tenho fome.

E eu não tenho nada para si.

Apenas um pedaço de pão.

Anda, vai-te embora.

Morto de fome!

Não te queremos aqui!

Assassino!

Não te mexas!

O que fazes aí, meu amigo?

Estou a tentar dormir.

Sobre a pedra, lá fora?

Já conheci pior.

Vai à estalagem.

Infelizmente,

não tens dinheiro?

- Só tenho quatro moedas. - Dá-as mesmo assim.

Poderíamos alojar-te.

Por caridade.

Bati a todas as portas.

E em todo o lado me expulsaram.

Há uma casa

lá em baixo no caminho.

Bateste lá?

Não.

Bate lá.

O vizinho do meu primo,

era ele que os gendarmes procuravam, o falsificador.

O mal está por toda parte.

Até prenderam a sua mulher.

O procurador diz que obterá confissões dentro da semana.

E se ele for inocente?

- Nesse caso, o que faz ele na prisão? - Boa pergunta.

O que se deve fazer com um homem acusado antes de ser julgado?

Deixá-lo em liberdade é correr o risco de que reincida.

Se ele cometeu o ato que lhe é atribuído.

Colocá-lo na prisão é tratá-lo como culpado.

E isso, mesmo que seja inocente.

Essas pessoas são patifes, há em todo o lado.

Até chegou um à cidade hoje.

Sim, senhorita.

Esse homem seria perigoso.

Dizem que ele é horrível: feio, peludo, malcheiroso.

Horrível. Certamente um cigano, um homem de saco e de corda.

- Mesmo? - Como digo.

Vai haver desgraças, toda a gente diz.

Toda a gente, isso é muita gente.

Deixe-me dizer ao serralheiro

para recolocar os velhos ferrolhos, nós temos-nos lá.

- A esta hora? - É a três casas daqui.

Ele ficará contente por ser útil. A irmã dele é uma amiga.

É coisa de um minuto.

Madame Magloire, é inútil inventar o pretexto do ferrolho

para ir ver o seu bom amigo serralheiro.

São calúnias, Monseigneur.

- Uma tolice cuspida por invejosos. - Poderíamos pôr um trinco.

Estamos então em grande perigo?

Não se vive com a porta aberta a todos os ventos.

- Fale com ele, a mim ele não me ouve. - Se isso tranquiliza Mme Magloire.

Pelo menos por esta noite, até que este perigo seja afastado.

Até deixariam entrar o diabo nesta casa!

Fechar-se não é apenas recusar o outro.

É também recusar o que se poderia ser ou tornar-se.

A porta de um médico deve permanecer sempre aberta.

Mas você não é médico.

Todo homem é um médico do outro.

Eu sou um...

Entre!

Chamo-me Jean Valjean.

Passei dezenove anos no presídio.

Estou livre há quatro dias.

Quatro dias que caminho desde Toulon.

Quatro dias que ouço: "Vai-te embora."

Ninguém me quis, deitei-me fora,

uma boa mulher disse-me para bater à sua casa.

Bati.

Senhora Magloire, ponha mais um talher.

Ouviu-me?

Sou um forçado.

Aqui está o meu passaporte.

Serve para me apresentar às autoridades à minha chegada à cidade

e para me fazer expulsar.

Quer ler!?

"Permaneceu dezenove anos no cárcere."

"Cinco anos por roubo com arrombamento."

"Catorze por ter tentado fugir, este homem é perigoso."

Aqui.

Vejo que apanhou a chuva, senhor.

Deve estar cansado.

Aproxime-se, o fogo vai aquecê-lo.

Vai jantar

enquanto fazem a sua cama.

Senhora Magloire, ponha lençóis brancos na cama da alcova.

Por favor, senhor, sente-se.

O que é isto aqui?

Quem é você?

Um padre.

Um padre?

Um bom padre.

Que vive com duas mulheres, além disso.

Há coisas que me recuso a ouvir, estarei na cozinha.

Um homem abre-lhe a porta, alimenta-o, e você calunia-o?

Não era minha intenção.

É o que você fez.

Dois homens estavam ali, frente a frente.

Um, o forçado, era rude, mas não tinha escondido nada do seu passado.

O outro, o bom padre, era mais evidentemente amável,

mas permanecia um mistério para todos.

Algumas décadas antes,

tinha partido para Itália ao braço da sua esposa

para regressar sozinho e amargo.

A morte daquela que amava tinha-o mudado.

Tinha saído do século para entrar na religião.

Tinha-se convencido de que devia tornar-se um implacável servo de Deus,

mas a sua transformação ainda não estava concluída.

E para compreender o que se segue,

convém voltar à sua primeira visita a este lugar.

As irmãs fazem milagres, mas faltanos tudo, Monsenhor.

Ligaduras, poções e até comida.

Seria preciso poder comprar carne de vez em quando.

Um doente deve poder comer para recuperar a saúde.

- Senhor diretor. - Sim?

Desculpe-me, Monsenhor.

O que está a acontecer?

Naquele dia, aquele que era agora bispo visitava o hospital.

Uma tarefa que prometeu nunca mais impor a si mesmo.

Monsenhor Myriel, pois esse era o seu verdadeiro nome,

tinha o título e todos os atributos da sua função.

Sua Eminência preferia visitar os ricos

e frequentar os poderosos.

Vivia como notável, um daqueles que julgam e condenam.

E depois, um dia, aconteceu algo.

Ninguém sabe o quê.

Mas aconteceu.

Ele mudou.

Mas melhor ainda, mudou.

E o que era uma tarefa a evitar

tornou-se um acontecimento diário.

- Bom dia, meu amigo. - Obrigado, Monsenhor.

As camas estão muito apertadas umas contra as outras.

Está cada vez pior.

Estou muito preocupado com o futuro.

O andar está cheio, instalámos infelizes no pátio.

Sem falar das epidemias que virão.

Este ano tivemos tifo.

Tente dormir.

Faltou espaço e isso repetir-se-á.

Que quer, é preciso resignar-se à realidade.

Já não poderemos aceitar toda a gente.

Quantas camas poderia conter a minha sala de jantar?

- Monsenhor, por favor. - Estou aqui.

Quer dizer no palácio?

Para compreender a surpresa do diretor, é preciso saber que o palácio episcopal

era uma residência senhorial, ao ar livre.

Os aposentos do bispo, as galerias, as escadas,

as fontes, os jardins.

Tudo era grandioso.

Na sua sala de jantar?

Não sei muito bem,

mas imagino que poderia conter

sessenta doentes.

Pelo menos.

Então, há erro, meu amigo.

Você tem a minha morada e eu tenho a sua.

Devolva-me a minha casa, eu estou aqui em minha casa.

No dia seguinte, vinte e seis doentes estavam instalados no palácio,

e Monsenhor Myriel tomava como morada o que servia de hospital.

Um homem assim, é um presente do céu.

Já não é o mesmo, já não quer refeições de bispo.

Se eu tivesse de o ouvir,

tomaria o pequeno-almoço com uma sopa de óleo e pão.

Dá a impressão de que ele se alimenta do cheiro das flores.

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