My Next Guest Needs No Introduction With David Letterman

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My Next Guest with David Letterman and Volodymyr Zelenskyy 2022 720p NF WEB-DL DDP5 1 H 264-SMURF
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نخستین 200 خط.

KHARKIV, UCRÂNIA - MARÇO DE 2022 UM MÊS APÓS O INÍCIO DA GUERRA

As sirenes de ataque aéreo ecoam na capital, Kiev.

Vladimir Putin declarou guerra num discurso na televisão nacional.

A Ucrânia está extremamente desfavorecida, mas continua a lutar.

Não temos medo da Rússia.

Mas, agora, o destino do país depende totalmente do nosso exército,

do nosso povo.

PRZEMYSL, POLÓNIA

Atualmente, dada a guerra, não há forma fácil de chegar à Ucrânia.

É preciso voar até Varsóvia, conduzir até à fronteira

e fazer uma viagem de comboio de 14 horas até Kiev.

Quando vi este homem a defender o seu país contra o Putin e a Rússia,

pensei para mim mesmo: "Adorava conhecer este tipo."

- De onde é? - Sou do Indiana.

- Indiana. - De onde é?

Da Ucrânia.

Da Ucrânia? Para que cidade vai?

- Kiev. - É para lá que vamos.

O que vai fazer a Kiev?

Vamos dar uma volta por Kiev e, talvez, falar com o presidente.

- Ena! - Sim, sem dúvida.

Há alguma coisa que quer que eu pergunte ao presidente?

Diga que lhe desejo boa sorte.

- Eu digo-lhe isso. Obrigado. - Obrigada.

Olá!

É isto. E só preciso disto.

Ninguém precisa de mais do que isto.

O PRÓXIMO CONVIDADO COM DAVID LETTERMAN E VOLODYMYR ZELENSKYY

A batalha pela Ucrânia transformou-se num duelo de artilharia.

De 60 a 100 soldados são mortos por dia.

As tropas ucranianas, em menor número e com menos armas, aguentam-se.

No entanto, por todo o mundo, há apoio constante

e pessoas decididas a mostrar que apoiam a Ucrânia.

Não temos medo de tanques nem de metralhadoras

quando temos a verdade do nosso lado.

Ao planearmos esta viagem, eu não sabia o que esperar.

Há meses que as tropas russas foram expulsas da cidade,

mas, há uma semana, a Rússia lançou mísseis e drones contra a Ucrânia,

sendo que vários atingiram Kiev.

- Bem-vindo à Ucrânia! - Obrigado!

A nossa conversa vai decorrer na parte mais segura da cidade,

cem metros abaixo do solo, numa plataforma de metro.

Nunca fiz algo assim.

Estamos todos aqui para defender a nossa independência, o nosso país.

A verdade é que esta é a nossa terra,

o nosso país, os nossos filhos.

E vamos defender tudo isso.

Glória à Ucrânia!

Senhoras e senhores, o vosso presidente,

Volodymyr Zelenskyy.

Boa tarde.

- É um prazer. - Muito prazer.

- Obrigado. - Muito obrigado.

Muito obrigado.

- Obrigado. - Certo.

Bem, estou muito empolgado.

É uma emoção vê-lo em pessoa.

Obrigado. É um grande momento para mim, mas não ouço a tradução.

Tem um canal ucraniano. Se quiser aprender ucraniano, tudo bem.

Mas prefiro entender. O que se passa?

Se eu tiver de aprender ucraniano, vamos ficar aqui umas semanas.

Eu ajudo. Está bem assim?

Se não me conseguir ajudar, ajudar é impossível.

Sim. Obrigado. Está muito melhor. Estou a ouvir o metro.

Já expressei a minha gratidão e deixo assim o assunto, para já.

E, agora, vou dizer-lhe porque quis vir a Kiev, à Ucrânia.

Quando a guerra começou, lembro-me de não saber muito sobre si

ou não saber quase nada sobre si e vê-lo na televisão.

Foi onde o vi.

E estava a dizer aos seus irmãos e irmãs da Ucrânia:

"Esta pode ser a última vez que me veem vivo."

E achei isso, como toda a gente, parece-me,

arrebatador, comovente e inspirador.

E eu pensei: "Não estou habituado a ver seres humanos a comportarem-se assim."

Isso intrigou-me. Quis saber mais sobre si.

Conhecemos um pouco da Ucrânia através da cobertura da guerra.

E comecei a reparar na bandeira ucraniana.

E é tão simples.

Azul, amarelo-dourado.

E descobri recentemente o que isso simboliza.

Pode partilhar isso connosco?

São as duas cores, a terra e o céu.

É a nossa terra, o nosso pão.

É o nosso amarelo.

E o céu. É o nosso céu.

E, para mim,

o azul é a cor da vida, do céu, do espaço e da liberdade.

E não é por acaso

que a bandeira não tem imagens de aviões ou mísseis no nosso céu

nem tem vestígios de tiros.

Para mim, essas duas cores

são as cores do país onde eu nasci

e do país pelo qual lutamos.

Está a ouvir a sirene?

Sim, estou a ouvi-la.

O que fazemos?

Nada.

Em outras circunstâncias, isso não seria reconfortante,

mas aqui, consigo, sinto-me seguro.

O que foi aquilo? O que indica a sirene?

Infelizmente, tenho de dizer que significa que a guerra se tornou um hábito.

Muitos ucranianos habituaram-se.

E digo "infelizmente" porque acho que a guerra não deve ser um hábito.

Às vezes, estamos tão habituados às sirenes que as ignoramos.

Não ligamos às sirenes e não vamos para um abrigo, como este.

Para um metro, um abrigo antiaéreo, uma cave.

Para seja onde for, desde que seja seguro.

E, para mim,

as sirenes são um lembrete de que a guerra ainda não acabou.

Houve uma euforia no início,

quando a região de Kiev foi desocupada. Uma euforia.

"A guerra acabou."

Mas ainda não acabou.

Os nossos vizinhos, entes queridos ou parentes não vão ser mortos,

mas, em outros sítios, os nossos soldados sacrificam a vida.

É um lembrete de que, algures, alguém está a dar a vida por nós.

Acho que ouvi falar de uma retórica da Rússia

que diz que não havia Ucrânia.

Como se pode assumir a posição de que não há Ucrânia?

É só uma narrativa.

Uma narrativa pura. É apenas a política do atual presidente da Rússia,

a política da equipa dele.

Eles desenvolveram essa narrativa de propósito

e estão a passá-la ao público.

Infelizmente, na minha opinião, eles conquistaram a sociedade russa.

Fizeram-lhe uma lavagem cerebral, infelizmente.

Essa foi a narrativa mais importante para justificar a invasão.

Tinham de os convencer e isolar na bolha de informação

que diz que os ucranianos não existem,

que são apenas partículas insignificantes,

algures na periferia, bem longe,

que não têm língua, herança, história. Nada.

Dizem que lhes roubámos tudo isso quando a União Soviética se desintegrou,

que nos separámos deles temporariamente.

Muito primitivo. Porquê primitivo?

Porque, quando tudo mudar e nós ganharmos,

vão ver a rapidez com que eles se apercebem que era tudo mentira.

Fomos parar à Catedral de Sofia.

E lá, na praça,

há uma homenagem aos homens e mulheres que perderam a vida a defender o país.

O que me impressionou, como ser humano,

foi ver que que houve uma altura em que isto não era o vosso dia a dia.

Isso muda-nos imediatamente, não muda?

Ter de viver com essa tristeza.

Não sei ao certo se a guerra nos muda.

Acho que só saberemos isso quando a guerra acabar.

A guerra põe-nos em condições diferentes.

Condições diferentes de existência.

Condições em que temos de escolher entre permanecermos humanos

ou tornarmo-nos animais,

terroristas, saqueadores, violadores.

Eu vi tudo isso, todos vimos as consequências da ocupação russa.

Isso sim, a guerra é uma escolha.

E é uma escolha difícil de fazer,

porque o ódio contra os inimigos domina-nos diariamente.

O ódio contra os inimigos que tiraram a vida que tínhamos,

aquela vida de que falou.

Mas temos de suprimir o ódio.

Saber que é o inimigo, mas, ainda assim, lutar de acordo com as regras.

Ou seja, mantermo-nos humanos.

É uma escolha difícil.

E eu comecei a gostar de coisas simples desde o início da guerra.

As crianças, a vida, a manhã.

É uma maravilha. Não há sirenes. Silêncio. Silêncio é uma palavra importante.

Os ucranianos juram lutar e defender o seu território.

Em Irpin, a noroeste de Kiev, os corpos encheram as ruas.

E, em Bucha, cedo surgiram provas de crimes de guerra,

e valas comuns foram escavadas para enterrar os mortos.

O exército russo parece ter sofrido grandes perdas

antes de ser expulso da área à volta de Kiev.

Veículos blindados totalmente destruídos em Bucha.

Estas são relíquias de guerra que foram trazidas para o centro de Kiev

como monumentos ao horror desta batalha.

Muita gente ficou segura em Kiev.

E isto lembra-os de que a guerra continua.

Pois.

As pessoas deviam lembrar-se de que podem ir trabalhar e beber café,

mas a maior parte da Ucrânia continua em guerra.

Acho que este deve ter vindo de Bucha.

- Sabe, a cidade perto do… - Bucha, sim.

Toda a gente nos EUA ouviu falar de Bucha.

É uma pequena…

Pois, mas o horror e a natureza obscena disto

é algo que temos de tentar retirar da mente e da alma.

E isto foi usado lá. Meu Deus.

- A propósito, também há um carro civil. - Sim.

Muita gente morreu durante a evacuação.

As pessoas queriam encontrar paz em outra parte da Ucrânia,

mas foram mortas dentro dos próprios carros.

Foi terrível.

E quantas pessoas deixaram o país?

- Falou de cinco milhões. - Sim.

- São todos refugiados? - Sim.

No fim do verão,

muitas pessoas voltaram porque querem ficar em casa

e mandar os filhos para a escola.

E cerca de dois milhões continuam fora do país.

Meu Deus!

Os sacos de areia…

São para proteger o monumento do fundador de Kiev.

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