200 ensimmäistä riviä.
Instinto Selvagem
Bom dia, detetive.
Bom dia.
Aqui em cima.
-Como vai, Gus? -Bom dia, Pete.
-Quem era esse cara? -Astro do rock, Johnny Boz.
-Nunca ouvi falar dele. -Não é do seu tempo, caubói.
-Ei, Rony, onde estão? -Lá em cima, à direita.
Em meados dos anos 60 ele teve alguns sucessos.
-Tinha um clube na rua Filmore. -Agora não tem mais.
-Já temos a hora da morte? -Quase.
-Conhece o capitão Talcott? -Claro.
-Por que a chefia está aqui? -Observando.
-O que diz aí? -33 graus, isso dá umas 6 horas.
Então ele morreu lá pelas 2 da manhã.
Alguém pode fechar as cortinas?
A empregada achou o corpo há uma hora, ela não mora aqui.
-Talvez ela tenha feito isso. -Ela tem 54 e pesa 100 kg.
-Não há contusões no corpo. -Não foi a empregada.
Desculpem-me.
Ele e a namorada saíram do clube por volta da meia-noite.
-Foi a última vez que foi visto. -Como foi?
Fura-gelo, largaram na sala de estar.
Marcas de sêmen por todo lençol.
-Impressionante! -Ele gozou antes de morrer.
Senhores, o caso é delicado.
O sr. Boz contribuiu com a campanha do prefeito.
E fazia parte do Conselho do Palácio de Finas Artes.
-Ele não era astro do rock‘roll? -Foi, estava aposentado.
Um respeitável astro do rock, com alto pendor cívico.
O que é aquilo ali?
Parece um pendor cívico movido a cocaína.
Escute aqui, Curran, haverá muita pressão em cima disso.
Não quero erros.
Quem era a namorada de Boz?
Catherine Tramell, rua Divisadero, 162.
-É sempre um prazer, capitão. -Ele geralmente só aparece...
depois de acabar a partida de golfe.
Johnny e o prefeito deviam ser muito chegados.
-Nick! -Oi.
-Confirme às 3:00 horas. -Você me quer nesse caso, ou...
-Eu disse para confirmar! -Está bem. Confirmarei.
Bom dia, sou o detetive Curran e este é o detetive Moran,
polícia de São Francisco, e gostaríamos de falar...
com a srta. Catherine Tramell, por favor.
Entrem.
Sentem-se, por favor, só um momento.
Não é uma gracinha? Cada um com o seu Picasso.
-Como sabe que é um Picasso? -Está escrito, bem aqui.
O dela é maior.
Sentimos muito incomodá-la, são só umas perguntas.
-São da narcóticos? -Não, homicídios.
O que querem?
Quando viu John Boz pela última vez?
Ele morreu?
-Por que acha que ele morreu? -Senão não estariam aqui, não é?
Esteve com ele ontem à noite?
Procuram Catherine, não eu.
-Quem é você? -Roxy.
Sou uma amiga.
Bem Roxy, sabe onde está a sua amiga?
Ela está na casa de praia em Stinson, rua Seadrift, 1402.
Obrigado.
Vão perder seu tempo.
Catherine não o matou.
Gus.
Srta. Tramell?
Boa tarde, sou o det. Curran e este é o det. Moran...
-da polícia de São Francisco. -Eu sei quem são.
-Então, como ele morreu? -Foi assassinado.
Isso é óbvio. Como ele foi assassinado?
Com um fura-gelo.
Há quanto tempo saía com ele?
Eu não saía com ele, eu transava com ele.
Qual é a sua? É profissional?
Não, sou amadora.
Há quanto tempo transava com ele?
A cerca de um ano e meio.
-Esteve com ele ontem à noite? -Sim.
-Saiu do clube com ele? -Sim.
-Foi para a casa dele? -Não.
Tomamos uns drinques no clube e saímos juntos de lá.
Ele foi para casa e eu vim para cá.
Você esteve com alguém ontem à noite?
Não, ontem eu não estava afim.
Deixe-me perguntar-lhe uma coisa, srta. Tramell.
-Sente por ele ter morrido? -Sim.
Eu gostava de transar com ele.
Não quero falar mais disso.
Escute srta., podemos ir à delegacia se preferir.
Então leiam meus direitos e me prendam.
Aí eu vou à delegacia.
Senão dêem o fora daqui.
Por favor.
Garota legal.
"Dra. Elizabeth Garner Consultoria"
Desculpe-me Beth, precisei ir para Stinson.
-Como vai, Nick? -Bem.
Ora, Beth, sabe que estou bem. Quanto tempo isso continua?
Pelo tempo que Assuntos Internos quiser, eu acho.
-Sente-se. -Isso é uma besteira, sabe disso.
Eu sei, mas sente-se assim mesmo...
e terminamos logo, está bem?
Então, como vão as coisas?
Vai tudo bem. Já disse que está tudo bem.
-E sua vida pessoal? -Minha vida sexual está bem.
Na verdade minha vida sexual está uma droga...
desde que paramos de nos ver.
Comecei a desenvolver calos.
Desculpe-me.
-E a bebida? -Não bebo há três meses.
-E a cocaína? -Nada.
-Nada? -Não!
Estou trabalhando feito louco para ficar limpo...
e até parei de fumar.
-Como é parar de fumar? -Um saco.
Agora diga a eles que eu sou um tira regenerado...
e me deixe sair daqui, por favor?
-Sim. -Obrigado.
Ainda sinto sua falta, Nick.
Talcott está aí dentro te esperando. Como foi?
Ela sente minha falta.
Quando essas garotas gostam, é para sempre.
Bem, podemos começar, Harrigan.
Bem, temos 31 perfuracões, pescoço e peito.
Sem digitais, nem forçaram a entrada.
Sem digitais no furador, que se acha em qualquer mercado.
A echarpe é da Hermes, muito cara.
Eles vendem 20.000 ao ano no mundo todo.
O pó era cocaína, de alta qualidade.
Ele a inalou e havia traços nos lábios e no pênis.
O sr. Boz deixa 5 milhões e nenhum herdeiro...
e não tinha ficha criminal.
Ele gostava de drogas, gostava de garotas e de rock'n roll.
E também gostava do prefeito, certo?
E quanto à namorada?
É revelante? Ela é suspeita?
-É suspeita. -Em que bases?
Namorada, Catherine Tramell, 30 anos, sem prisão...
nem antecedentes. Formada com louvor em Berkeley, 1983.
Especializada em literatura e psicologia.
Herdeira única dos pais Marvin e Elaine Tramell,
mortos em acidente náutico em 1979.
Catherine Tramell herdou bens estimados em 110 milhões.
Está brincando!
Foi noiva de Manuel Vasquez, falecido.
-Manny Vasquez! -Manny Vasquez.
Lutador de peso médio, morto no ringue em Atlantic City, 1984.
Adorei isso, ganhou 100 milhões. Transa com lutadores,
astros de rock e é doutora em fuçar a cabeça das pessoas.
Você esqueceu a literatura, também é escritora.
Publicou um romance ano passado com um pseudônimo.
Sabem sobre o quê?
Um astro de rock aposentado é assassinado pela namorada.
Página 67, caubói. Sabe como ela mata o namorado?
Com um fura-gelo, na cama.
Com as mãos atadas por uma echarpe de seda branca.
"O AMOR FERE CATHERINE WOOLF"
Doutora Garner...
Pedi ao dr. Lamott para auxiliar, esta não é minha especialidade.
O dr. Lamott leciona patologias do comportamento psicótico.
É membro do grupo de perfis psicológicos do Depto. Justiça.
Doutor Lamott.
Vejo duas possibilidades.
Um, a pessoa que escreveu esse livro é a assassina.
E encenou a morte em detalhes literais e ritualístico.
Dois, alguém que leu o livro quer prejudicar a escritora.
E encenou esta morte para incriminá-la.
Se foi a escritora, com o que vamos lidar?
Lidam com um diabólico desvio da mente.
Veja, este livro deve ter sido escrito 6 meses,
ou talvez um ano antes de ser publicado.
Significa que a escritora havia planejado o crime no...
subconsciente desde então. O fato de ela ter consumado...
indica comportamento psicótico obsessivo não só ao assassinato,
mas na aplicação de avançados mecanismos de defesa.
Às vezes eu não consigo pegar direito.
-O que quis dizer mesmo? -Ela fez o livro como seu álibi.
-Correto. -Ela dirá: “Acham que eu seria...
tão estúpida para matar alguém como descrevi no meu livro?"
Não faria isso, senão seria suspeita.
E se não foi a escritora, mas alguém que leu o livro?
Então estarão lidando com alguém tão obcecado,
que ele ou ela mata uma vítima inocente...
só para incriminar a escritora do livro.
Falo de um ódio obsessivo profundamente enraizado...
e total falta de respeito pela vida humana.
Então temos aí um raríssimo pirado de primeira linha,
em qualquer das opçóes, certo doutor?
Vocês estão lidando com alguém muito perigoso...
e muito dœnte.
Sabem que não temos um caso aqui sem evidência física.
-Ela não tem álibi. -Certo,
ela não tem um álibi, mas nem motivo.
Acreditem, a defesa também nos bate no caso da imitação.
Qualquer um que leu o livro poderia fazer isso.
Então o que vamos fazer? Nada!
Vamos chamá-la para interrogatório.
Ela tem muito dinheiro para acabar conosco.
Ela foi a última pessoa que o viu, assumo a responsabilidade.
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