Le Doulos

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Julkaistu: 2026-04-18
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No jargão, “Doulos” significa na verdade “chapéu”.

Mas na linguagem secreta dos policiais e criminosos,

“doulos” é o nome dado a alguém “que usa um”...

Um informante.

TRAÍÇÃO EM MONTMARTRE

Tens de escolher. Morrer... ou mentir?

Já comeste? - Não.

Há um ensopado na cozinha. - Não tenho fome.

Tira o casaco e come. - Alguns dias simplesmente não consigo.

Ultimamente têm sido bastantes.

O que estás a fazer? - Tenho dois compradores.

Um para as pedras e outro para a platina. Ninguém suspeitaria.

Quanto achas que vais receber?

Entre 15 e 20, mas os jornais deixavam entender que eram 110 milhões.

Falaste com o Rémy sobre isso?

Neuilly? - Sim.

Então o que estás à espera?

Queixas-te de dinheiro, mas tens trabalho.

Há um cofre, mas será à noite e o local é isolado.

Tens razão, parece demasiado fácil.

Não gosto disto. Há seis anos também aceitei um trabalho fácil.

Para quando é?

O Rémy diz que é para amanhã. - Ele tem razão, quanto mais cedo melhor.

Contaste a alguém? - Quem pensas que eu sou?

Nem ao Silien?

Ele é um bom homem. - Não é o que dizem em Paris.

O Silien é um amigo, e ponto final.

Espero que sim. Vais enviar alguém para reconhecimento?

A Thérèse vai verificar se todos saíram.

O Rémy usa um maçarico? - Não, uma ventosa.

Se estiver reforçado, melhor. Vai dormir. Vou falar com o Nuttheccio.

Ele vem cá?

Sim? Porquê? Tens algum problema com ele?

Não pessoalmente. Acho-o apenas um lixo.

Não percebo porque trabalhas com ele.

É o mesmo que tu e o Silien.

O Nuttheccio fala com a polícia. Isso faz dele diferente do Silien.

Percebes? - Porque não vais comer?

Ele vem com o amigo, o Armand? - Sim.

Um belo par.

Quando? - Vão chegar em breve.

Vou-me embora, apanho um táxi e durmo em casa da Thérèse.

Ela vai ficar contente. - Vais por causa do Nuttheccio?

Percebo como te sentes. As coisas mudaram nos últimos seis meses.

Estás de novo no bom caminho se conseguires algum dinheiro

e puderes ir com a Thérèse. Estou certo?

Se não queres trabalhar com o Rémy, deixa isso.

Muitos desistem depois de quatro anos na prisão.

Assim que vender isto, dou-te algum dinheiro para ires para a Provença.

Depois volta com outras ideias.

Diz lá. - O quê?

Preciso da tua arma amanhã. - Estás louco?

Vais perceber.

Não consigo lutar com ninguém. Já não aguento.

Por isso, para proteger o Rémy, e se algo correr mal,

disparo para o teto, só para os assustar.

Não quero que vás com uma arma.

Não concordo.

Já não és uma criança. - Onde está?

Gaveta de cima, à direita. Podes ligar a luz.

Está bem escondida!

Tens munições?

À direita, lá no fundo há dois carregadores.

Obrigado. Isso vai ajudar. Não te preocupes.

Leva dinheiro se precisares. - Está bem.

E não te esqueças dos cigarros, estão na mesa.

Voltamos já.

O que se passa? Que luz é essa?

Olá.

A que horas ele chega? - Às 7.

Tens a certeza de que não vais fazer mais disparates?

Nunca posso ter a certeza...

Estou farto de comer de graça e ficar em casa da Thérèse sem pagar.

Posso dar-te dinheiro.

És o segundo hoje. Vocês acham todos que já não consigo.

Não disse que não conseguias. Não dou nada em troca de nada.

Comprei uma casa, e em breve... - Precisas de um responsável de localização.

Assim parece menos caridade.

Terás trabalho, não te preocupes.

Está bem, falamos disso daqui a vinte anos.

Fica sentado.

Quem é? - É o Jean.

Porque vieste? - Para ver como estás.

Podia estar melhor. Ontem à noite comi caracóis.

Ficaram-me pesados no estômago. Tens algum remédio?

Leste o jornal? - Sim, vi.

Gilbert Varnove: vítima de um ajuste de contas?

Ele safou-se bem. O que achas? - Nada.

Quem te deu a morada?

Tu, estavas bêbado. - Ele esqueceu-se.

Estava completamente bêbado. Cuidado com o álcool.

Falas demais quando bebes. - O que é que eu teria dito?

O que disseste ao Jean, que a Arlette foi assassinada.

O que disse? - Quase nada.

Quando o Maurice estava na prisão, matou.

O Gilbert mandou matar a mulher para a fazer calar.

Isso é exagero. A Arlette não era informadora.

Quanto a ele, não trairia os seus cúmplices.

Isso não é a minha maneira de ser.

Não. - O Gilbert era um canalha.

Ele queria ajudar a Arlette. Não falei mais com ele desde então.

Eu já sei disso tudo, eu próprio estava na sala de estar.

E eu conseguia ouvir tudo.

Vou-me embora.

Espera, vamos beber qualquer coisa.

Não, eu só queria ver como estavas.

Desculpa ter vindo sem ser convidado.

Olá. - Olá.

Este é o Silien. - Olá.

Olá, senhor Silien.

Faz-me uma sandes. - Está bem.

Diz lá...

Estou com dores de estômago por causa daqueles caracóis de ontem à noite.

Estou completamente mal disposto.

E?

Passei a tarde toda no carro.

À exceção de um homem, está tudo vazio. Há um caniche que não para de ladrar.

E depois? - Liguei ao senhor Delétang.

Ele disse-me que o escritor e a mulher estão em Biarritz.

Acho que um amigo deles fica lá até eles voltarem.

Então é este o Silien? - Sim, ele trouxe material.

Que material? - Para o cofre.

Porque trabalhas com ele? Ele não é de confiança.

Porque não pediste ao Jean?

Ele não conseguiria arranjar esse tipo de material.

Vamos ver.

O Silien é, de qualquer forma, um amigo.

E continuará a ser amigo até prova em contrário.

Vou garantir que ele não encontra o Rémy.

Se houver um problema, a culpa é minha.

Sabes, eu e os amigos...

Tenho de ir. Queres ver a mala?

Enquanto estiver tudo lá, não há problema...

Trouxeste parafusos? - Oito.

São dois pacotes. - O trabalho demora cerca de duas horas.

Se o primeiro conjunto partir, são mais quatro horas de perfuração.

Se o segundo partir, têm de fugir o mais rápido possível.

O Rémy sabe o que fazer. - Está bem, até logo.

Tenta devolver a ventosa. São difíceis de encontrar.

E também difíceis de fabricar.

Se funcionar, não te vais arrepender.

Adeus. - Adeus.

Ele finalmente foi-se embora, o vosso Silien.

Podias ter sido mais simpático. - Não vejo porquê.

Com a polícia.

Dê-me o inspetor Salignari.

Está?

O Maurice ainda está aí? - Não, acabou de sair.

Estou a incomodar? - Não, entra.

Queres um whisky? - Sim, por favor.

Gostas de castanho, certo? - Sim, é a minha cor preferida.

O Maurice também gosta disso. - O quê?

Castanho. É por causa dos teus olhos. Estou a incomodar-te?

Se tivesses chegado dez minutos mais cedo, ainda o apanhavas.

Não se pode gostar de uma cor que só se viu uma vez.

Os teus olhos... o Maurice tem sorte.

Sê razoável e dá-me a morada onde o Maurice trabalha esta noite.

Faz-me um sinal se quiseres falar.

Senhora bonita, seja razoável. E sobretudo: não grite.

Diz-me onde fica esse hotel que visitaste esta tarde.

E?

Boulevard du Général Grenier, em Neuilly.

Espero que não estejas a mentir, porque já volto.

Flip, chega, vem aqui. Vem aqui, já.

Mãos ao ar. Não te mexas ou disparo.

Façam o que mandamos. - Isto é um assalto?

É só uma festa surpresa. Vais divertir-te, entra.

Luzes acesas e cabeça baixa.

Olha para a parede e não te vires.

Isto começa bem. - Agora para o mealheiro.

Como? - O cofre.

O dinheiro está no banco.

Eu sei, mas vamos dar uma vista de olhos na mesma.

Hora de dormir. Fica calmo.

De bruços.

Se não queres ficar ferido, não comeces a gritar.

Fica de olho nele. - Está bem.

Não arranjas um trabalho melhor do que este?

Claro, queremos entrar na polícia em breve.

Primeiro precisamos de dinheiro.

Chega de conversa. Estás a incomodar o meu colega.

O homem sujo.

Rémy?

Vamos! - Estou a acabar.

Parem tudo, vamos fugir.

Esse desgraçado do Silien. Primeira à esquerda, depressa.

Dá-me isso. - O quê?

A espingarda.

Porra!

O que foi? - Fui atingido.

Continua sem mim.

Dá-me essa arma.

Continua, não te esqueças desse sujo Silien.

Thérèse?

Olá doutor. - Olá, Maurice.

É grave? - Um pequeno furo acima da axila.

Desmaiei só por causa disso? - Maurice, da última vez que te vi,

disse-te que os anos na prisão

não te fizeram bem. Também te disse que tinhas falta de ferro.

Você entendeu errado. Eu queria dizer espinafre.

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