Les Patates

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200 ensimmäistä riviä.

Durante a guerra de 1939-45, as forças

de ocupação dividiram a França em três zonas: a zona ocupada, a zona não ocupada

e a zona proibida. Nesta última,

a população sofreu severas restrições próximas da fome.

Escolhemos esta história verdadeira para que as

gerações futuras façam tudo o possível para evitar que se repita.

Este filme foi realizado com a ajuda e o apoio do Conselho.

Geral das Ardenas, ao qual expressamos o nosso mais sincero agradecimento.

AS BATATAS Legendas de BuStEl - 2026.

Paulette...

eu pensei que para o jantar de funeral...

És muito gentil.

Sem ti, Mathilde, não teria havido nada além de nabos.

Ele gostava tanto deles.

Era o que mais lhe faltava..

A carne não...

as batatas..

Queres que as descasque por ti? Deves ter mais alguma coisa para fazer.

O que é que tenho de fazer?

Eu descasco-as. Isso vai manter-me ocupada.

Olá, filho.

Tens umas boas calças.

Sim..

É uma boa oportunidade.

São as do teu casamento?

Pareces não me reconhecer..

Não me servem. - Vamos ter de apertá-las.

Ao olhar para mim não sou assim tão magro.

Porque no espelho vês o teu rosto grande e redondo.

Mas se visses as tuas nádegas...

uma desolação..

Nunca devíamos ir a funerais.

Vês aqueles buracos de rato ali?

Uma bandeira deve ter buracos. É mais gloriosa..

Mas não buracos de rato. Eles comem o melhor.

Já em 1914, na comissão de revisão,

ele pesava 90 quilos.

Tu falas. Eram quilos de antes da guerra.

Aumentavam sem nos darmos conta. - Depois queríamos perdê-los.

Quando queria sentar-se precisava de duas cadeiras...

Uma para cada nádega.

As duas cadeiras do Paul eram uma curiosidade.

Quando só uma foi necessária pensamos: Isto não está bem-".

Ele vai morrer.

E ele morreu... de fome..

O primeiro morto de fome da comuna.

Nos tempos que correm isso podia ser contagioso.

Tens razão. Se isto se tornasse uma epidemia, não me surpreenderia.

Não é um insulto à sua memória evocar

este alegre companheiro que brincava com a sua corpulência,

e que era o primeiro a rir-se disso.

Antigo cozinheiro e fino cordon bleu...

gostava de repetir que um chefe de cozinha que não tem barriga

não honra os seus molhos..

Embora estivesse reformado, todos os anos vestia o avental...

O que faço? - Não o terás.

Infelizmente, a guerra deu-lhe um golpe fatal.

Podemos dizer que teve de suportar as privações que todos

nós suportámos corajosamente

mas que, sem dúvida...

Um coelho. - O quê?

Com este forte apetite...

conseguiu sempre defender-se

contra este flagelo

que se abate sobre os nossos campos e que pensávamos desaparecido para sempre

das nossas terras civilizadas.

"Chamava-se fome" Hoje, mudou de nome

chama-se restrição"...

Ficas aqui!

E na minha qualidade de presidente da câmara e amigo,

testemunho a minha fé no futuro do país.

Descansa em paz..

Se eu não tivesse a bandeira...

Para ti.

Para que serve um chapéu?

Troco-o por duas trutas. - Ah, não.

Não, vou dá-lo à viúva.

É o mais apropriado.

Paulette.

Se quiseres aceitá-lo, é de coração.

Mas não. Fica com ele-

É para ti. Aceita-o, para mim é um prazer.

Assim está bem. - Obrigado.

Olha.

Sim, pois, vejo.

Este é o último..

O que dizes?

É o nosso último saco de batatas.

Em nome de Deus!

Não é possível que tenhamos chegado ao último saco.

Colhemos 1000 kg em setembro..

Não nego.

Comemos 4 sacos num mês? - É tudo o que comemos.

O que vamos comer depois?

Nabos.

Já viste quem come nabos?

Vistes as caras deles no cemitério?

Estão em cima, mas depois estarão em baixo

como o pobre Paul que morreu de fome.

No dia em que o enterrámos, tu dizes-me que não há mais batatas?

Não é um bom momento.

É uma ideia estranha que me digas isso, mesmo antes do jantar.

Agora não tenho fome, não consigo comer.

Não digas às crianças.

Não vale a pena.

Batatas outra vez!

Não muito. - Estás a ver.

Estás farto de comer batatas.

Maldita guerra!

E maldita vida!

Não tinhas um amigo com os pais em Bezonche?

Em Bezonche?

Sim, Guignard Alfonse. Conheci-o durante a guerra.

Mas… porque me falas dele?

Por nada.

Não dormes, pensas no Alfonse que não conheces.

Nem sequer sabes como ele é.

Não.

Era um grande idiota. - Não digo o contrário.

Rodeado pelos alemães, não quis fugir comigo.

Não queria deitar fora a espingarda.

No rio é fácil. Como é pesado, afunda sozinho.

É um prazer ver isso..

Ele enviou-te uma carta da Alemanha?

Nem lhe respondi.

Era para visitar os pais?

Também nunca fui lá.

Os pais dele têm uma quinta em Bezonche.

Sim, em Bezonche.

Devem estar a fazer batatas.

Sim, batatas, sem dúvida.

Devias ir visitá-los.

A Bezonche? - Sim.

Ah. É uma ideia engraçada.

Como é que te lembrou isso?

Assim do nada, veio-me sozinha.

Não é uma má ideia.

Não digo que não.

Ideias assim têm de ser pensadas.

Claro.

É preciso refletir.

De qualquer forma…

às vezes tens ideias estranhas, ideias que eu nunca teria.

É mais forte do que eu. Quando te ris assim…

quero logo fazer amor contigo.

Depois disso, roncaste.

Tu dormes sempre depois.

Eu penso em muitas coisas.

Ontem pensei nessa ideia que tive,

de ires a Bezonche ver os Guignard.

Acho que é uma boa ideia.

Não digo que não vá.

Mas primeiro tenho de pensar.

Não posso levar 200 kg de batatas às costas.

Mesmo com 50,

iam ver-me. - Certamente, não às costas.

É na zona ocupada. Aqui é a zona proibida.

É preciso um passe.

Isso nem vale a pena pensar.

Imaginemos que consegui chegar com os meus 200 kg de batatas.

Depois, o que encontro?

Os guardas franceses.

Como se os alemães não fossem suficientes.

E não só os guardas, também os alfandegários.

E isso é pior!

São tão lixo como os guardas..

Os guardas às vezes são mortos.

Os alfandegários não têm acidentes.

Já viste algum alfandegário mordido por uma mala?

Um alfandegário morto no campo da honra? Vítima do dever?

Os alfandegários vivem muito.

Há muitos reformados na alfândega.

Há um Deus para os cabrões. - Nem todos, há alguns bons.

“Os bons”… ou os idiotas?

Digo isto porque o teu irmão é alfandegário…

Provavelmente é um filho da mãe,

mas como é teu irmão digo que é um idiota..

Exatamente.

Temos de conseguir enganá-los…

“Temos de conseguir”.

Se não formos tão idiotas como eles.

Então, diz-me como!

Não levar nada, por exemplo.

“Não levar nada”?

Parece que não entendes..

Tenho sempre de te explicar tudo.

“Não levar nada”...

“Não levar nada”...

Tu és sempre o último. - Alguém tem de ser-

Tens sempre resposta para tudo.

Conhecem a palavra honra ? - Sim, senhora!

Ouvem-na muitas vezes.

Sim. Honra e pátria.

Palavra de honra.

Honra aos bravos. - Muito bem.

Henri, consegues dizer-me o que é a honra?

A honra vale menos do que as batatas..

O que é que isso quer dizer?

Nada. Não quer dizer nada.

Quer dizer que as batatas são melhores do que a honra.

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