200 ensimmäistä riviä.
O ESTÚDIO
"PLANO-SEQUÊNCIA"
Devagar, por favor.
Não. Falei pra sair mais cedo. Vamos perder.
Quem liga pro "plano-sequência da hora mágica"?
Eu ligo. Será uma coisa épica.
Será uma tomada famosa num filme. Quero presenciar.
O Dresden é ali. Vamos lá tomar todas. Seria divertido.
Não vou perder isso.
Por que se importa? Não fazemos nada nessas visitas,
e eles querem nos ver pelas costas.
Não é verdade. Muito executivo só enche no set.
- Eu, não. - Tá.
É a parte que mais gosto no trabalho.
Ver o diretor de fotografia e o diretor darem vida ao roteiro.
A gente faz essa merda por isso.
Eu faço por grana, sexo e drogas, mas devo ser diferente.
Você sabe que adora isso. Ei, é aqui.
- Ah, sim. Bom... - Merda. Onde eu vou estacionar?
Não nessa entrada. A equipe não estaciona aqui, tá?
Volte pra base, como avisaram.
Não dá tempo. Estaciono no set, eu sou o diretor do estúdio.
- Tiram meu carro se precisarem. - Ok.
Ei. Não está com o terno do trabalho. Você trocou de roupa.
- Troquei. - Por quê?
Me visto de boa em set. Já viu esses largados?
Shorts e tatuagem na panturrilha.
Esse terno é de traficante.
Porra. Por que não falou nada? Eu teria me trocado.
Vai parecer o executivo maneiro, e eu, um nerd.
- Foi mal. Vou dizer o quê? - Com licença.
- É o Sr. Remick, diretor do estúdio? - Sou! Como vai?
- Prazer. Sou o Doug. - E aí, Doug?
- Estão animados com a sua visita. - Olha só.
Não fosse esse terno, não o teria notado. Venham comigo.
Terno do caralho.
Vou levantar um cartaz: "Pago seus salários, porcos."
Como se a sua visita já não fosse distração.
Que distração, o quê? Já visitei uns mil sets.
Sei ficar na minha, tá?
- Estão sem tempo, não fica dando ideia. - Tá. Se pedirem feedback, eu dou.
Tirando isso, nem reparam.
Abram alas pro presidente do estúdio. Sai!
Abram alas.
- Matty e Sal chegaram chegando. - Oi, Patty.
Oi. O smoking está na lavanderia?
Porra. Estou muito chique, né?
- Não está tão ruim, né? - Você está bem.
- Seja discreto. - Tá.
Não há margem de erro pra essa tomada.
- Claro. - Entendeu?
Sua presença aqui distrai tanto
quanto Bob Evans aparecendo com uma champanhe e pó.
É isso. Garoto? Quanto falta pra rodar?
Uns minutos. Sarah está no pátio fazendo ajustes com Jonas.
- Tá. - Ei.
Tem departamento de figurino?
Queria um moletom, algo mais informal.
Claro. Por aqui, eu mostro.
Comecei como assistente.
Sal, você não serve pra nada.
A missão era não deixar ele vir hoje.
Eu tentei, tá?
Fiquei 20 minutos no banheiro pra não dar tempo de vir,
ele me achou e gritou. Uma vergonha.
- Sério? - Sarah.
Pessoal, agradeço a paciência. A gente vai começar agora.
- Oi, Patty e Sal. - Oi.
Vi o Matt andando por aí. A visita ao set não estava cancelada?
A gente tentou, mas o tesão dele pelo filme está explodindo.
Mas, se ele te ouvir que não era pra vir,
nunca mais o verá. Digo pra ele que...
- Não, tudo bem. - Tudo?
Vou pedir mais 800 mil por uma música dos Rolling Stones nessa cena.
Se achar que não o quero aqui, ele não paga.
Verdade. Ele é frágil e vingativo.
- Falo isso sendo melhor amigo dele. - Tudo bem.
Não falei nada. Ele é legal.
- E pode ser útil. - Nem a pau.
Podia ter um monitor só para ele, tipo uma quarentena.
Tipo chimpanzé com vírus.
- Boa. - Ótimo. O que funcionar.
Quero rever a abertura. Obrigada.
Vamos deixar Huguinho, o Bebê Gigante, no quadrado.
- Quê? - A Greta termina hoje.
Ela vai a Londres amanhã fazer um filme secreto do Nolan.
Li o roteiro. É sobre o Jack, o Estripador.
Alerta de spoiler: ele é ela.
Sal, se o plano-sequência não sair perfeito na próxima meia hora,
não tem cena final.
Patty, é uma produtora simbólica aqui, no máximo.
Desenvolvo esse filme há quatro anos.
- É? - Você só veio puxar
o saco da Sarah pra fazer o próximo filme dela.
Não é burro como aparenta.
Não é grande coisa, já que você aparenta ser.
Você era bem mais legal quando era alcoólica.
Que bom que estou sóbria agora.
Espera aí.
- Estamos juntos nisso. - É.
Não vamos deixar o Matty estragar a tomada.
- Tá. - Vamos deixar ele longe da Sarah,
- dos atores e principalmente da Greta. - Quê?
Ela quer um jatinho pra divulgação.
Se o vir, perdemos a luz enquanto ela bajula ele pra não ir em voo comercial.
Entendi.
- Entra! - Matty!
- Olá. Meu Deus. - Oi.
Muito melhor.
Pareço figurante idiota?
Figurante idiota é melhor do que executivo pomposo do estúdio.
Vamos logo!
- Posso mijar? Tá. - Vão rodar.
- Vem. - Essa bexiga de bebê. Segura.
Calma, a calça é grande, não consigo andar direito.
- Que amadorismo, Matty. - Já entendi.
Plano-sequência é idiota. O diretor se exibe enquanto toca o caos na equipe.
O público não está nem aí.
Está brincando? Plano-sequência é a maior conquista cinematográfica,
é a junção perfeita de arte e técnica.
Tem em Birdman , Filhos da Esperança , Os Bons Companheiros .
Sabia que eu namorava o Ray Liotta quando filmaram esse?
- É mesmo? - Uma mala impressionante.
- Nossa. - Descanse em paz.
E é uma grande ferramenta narrativa.
Você vê a personagem da Greta Lee ir de confiante a arrasada
numa tomada sem cortes. É perfeito.
Maya quer vender como romance lésbico,
não um plano-sequência deprimente.
Já vamos começar. Todos na posição inicial.
Deu certo. Chegamos para ver a magia.
Vou lá cumprimentar?
- Não. - Não. Fica.
- Tá. - Merda. Uma nuvem.
- Um minutinho. - Tá, vamos ver...
Repete o vídeo do ensaio antes de rodarmos.
Alfie, pode passar?
Tá. A câmera está perfeita. Eu só...
A substituta acelerou.
Vamos pedir pra Greta não se apressar.
DIRETOR DE FOTOGRAFIA
Ei, figurante não pode ficar aqui.
- Nossa. Desculpa, Sr. Remick. - Relaxa. Está tudo bem.
- Tudo bem. Eu entendo. - Achei que fosse figurante pela roupa.
Me chama de Matt. Não esquenta.
Tá. Matt, quer um café ou alguma coisa?
Se você for sair,
traz um café gelado com leite de aveia e um pingo de agave.
Valeu, obrigado.
- Tá. Tudo bem. Finja que não estou aqui. - É? E quem vai beber esse café?
Vamos parar aí. Ficou meio lento na porta de entrada.
- É. - Faltam uns ajustes na sala. E a luz?
Quase perfeita. Se for agora, fazemos duas tomadas.
- Tá. - Gente, à posição inicial.
- Olá. Como vai? - Oi, Matt. É,
soube da visita. Bom que deu tempo.
- Por pouco, mas chegamos. - É uma roupa do figurino?
Longa história. Depois te conto.
- Está ocupada. - Legal. Obrigada por vir.
Pede para ela ficar mais à esquerda no comecinho...
- Tá. - Material bruto incrível.
- Estamos empolgados. - Que bom que gostou.
- É. - Ótimo.
Vai ficar mais claro ao abrir o plano.
- Tá. - E aí...
Apoiar diretoras é uma grande prioridade da Continental.
Então vamos filmar e garantir que não se enganou.
Não tem engano, não.
Se puder fazer essa observação, seria ótimo. E daí...
Estava ansioso pra ver você dar vida à cena
desde que a li no seu roteiro. Era poética.
"Sophia parte com o carro, a vida dela mudou para sempre,
tudo que ela ama ficou para trás." Você escreveu isso.
- Escrevi. - Sim.
Não perderia por nada nesse mundo.
Ensaiamos a tarde inteira e filmamos três vezes com substitutos,
e já estou enjoada dela.
Não, nada disso.
Muito bem, então...
Mas é fantástico. É como acompanhar filmarem
Boogie Nights , com PT Anderson, aquele plano-sequência,
ou estar no set de A Marca da Maldade como Orson Welles, sabe?
Na cena da explosão do carro. Ou estar nas ruas de Cuba
quando filmaram o funeral em Eu Sou Cuba .
É claro. São todas tomadas excelentes.
Eu vou conferir o set.
Sim.
Não me deixa atrapalhar.
Não está atrapalhando.
Sério?
Não, é claro que não.
Se tiver algum feedback, pode me falar, tá?
Quero o chefe contente.
Vamos tomar um café? Epa, não. Ela foi educada.
- Não. - Ela não falou agora.
Nada disso. É só uma ideia.
Ei, Sarah.
Uma coisa. A substituta da Greta Lee não estava fumando um baseado
no começo da cena como no roteiro.
A gente tirou. Não parecia necessário.
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