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UMA SÉRIE DOCUMENTAL NETFLIX
A Baía de Hanauma é um dos meus sítios favoritos no mundo.
Eu cresci no Havai. Isto era o meu quintal.
O meu amor pela natureza começou aqui.
Quando era miúdo,
espaços selvagens e espaços do quotidiano fundiam-se,
como parte essencial da nossa vida.
Quero garantir que os espaços selvagens deste mundo
vão chegar aos meus filhos e aos meus netos.
Juntem-se a mim nesta celebração dos maiores parques nacionais e selvagens,
uma viagem pelas maravilhas naturais deste nosso mundo.
UM MUNDO MARAVILHOSO
A minha mãe costumava contar que se sentava aqui quando estava grávida,
a ouvir o mar e a olhar para as ondas a rebentar nos recifes de coral.
Ela dizia que era por isso que eu era tão calmo.
Eu já tinha passado muito tempo aqui, mesmo antes de nascer.
Quando tinha seis anos, a Baía de Hanauma
juntou-se ao número crescente de áreas selvagens protegidas.
O que começou como um desejo comum de preservar a natureza para a humanidade
tornou-se um movimento global
para preservar estas zonas para as gerações futuras.
São sítios onde podemos fugir dos problemas
e que inspiram os nossos filhos.
São um santuário para espécies em perigo
e ideais para investigação científica.
Não só cuidam da maior diversidade de vida na Terra,
como regulam o nosso clima,
limpam o nosso ar
e purificam a nossa água.
Quando a humanidade começou a proteger estas áreas selvagens,
nem percebemos a importância que viriam a ter.
Hoje em dia, são os últimos refúgios
da vida e da natureza selvagem.
Alguns continuam a ser tão remotos
que só agora começamos a desvendar os seus segredos.
Como o Parque Nacional de Loango, no Gabão, na costa ocidental de África.
É um santuário para animais da floresta tropical.
Mas muitas das suas criaturas são atraídas para o mesmo local:
a praia.
Um dos últimos sítios onde a vasta floresta tropical do Congo
se encontra com o Oceano Atlântico.
Os búfalos comem a vegetação
coberta de sal marinho,
um mineral difícil de encontrar na floresta tropical.
Um porco-vermelho-africano…
… em busca de marisco fresco.
Os elefantes-da-floresta vêm até à praia e juntam-se a gigantes marinhos.
Como esta tartaruga-de-couro de 900 quilos.
E há uma criatura
que sabe bem como aproveitar todas as vantagens de viver à beira-mar.
Durante o dia, os hipopótamos ficam pelas lagoas
para se protegerem do sol.
Quando a noite chega,
tendem a ir para terra, para os seus pastos favoritos.
Mas este não.
Ele tem outros planos.
Ele vai direitinho às ondas!
Os seus 270 quilos parecem mais leves na água salgada.
As ondas livram-no de parasitas
e acalmam as feridas que fez durante o dia.
Não há mais nenhum sítio onde possam ver um hipopótamo no Oceano Atlântico.
Mas ele não veio só dar um mergulho.
Ele quer apanhar as ondas.
Aproveita a ondulação e vai para norte, costa acima.
Até chegar ao seu pasto favorito.
Agora que já ganhou apetite, passará a noite a pastar.
À medida que o sol se põe na costa, outros hipopótamos seguem o seu exemplo.
Deixam as suas lagoas para apanhar ondas.
Os hipopótamos surfistas de Loango.
Isto prova que a natureza pode continuar a surpreender-nos
se lhe dermos espaço para prosperar.
Os últimos refúgios da natureza
tendem a ser em zonas de difícil acesso,
por isso, os parques nacionais são santuários fundamentais
para animais icónicos
e para criaturas raras e extraordinárias.
Do outro lado de África, na ilha de Madagáscar,
existe o remoto Parque Nacional Tsingy de Bemaraha.
Esta impenetrável fortaleza de pedra
deu origem a espécies que não existem em mais nenhum lugar.
Como esta iguana,
recentemente descoberta e nunca antes filmada.
Os seus longos dígitos e garras ajudam-na a segurar-se à rocha.
A floresta que rodeia as escarpas abriga raras criaturas
que só existem em Tsingy.
Incluindo um dos moradores mais fugidios do parque.
Um lémure, propithecus deckenii.
Este parque é o lar de muitos destes lémures em perigo de extinção.
Como a maioria dos primatas, passam grande parte do tempo nas árvores.
Este pequeno grupo tem uma nova responsabilidade.
Com apenas oito semanas, terá de demonstrar a sua força em breve.
Por isso, a mãe farta-se de o encorajar.
Quer dar-lhe confiança para se afastar dela…
… e explorar o seu novo mundo.
Trepar e saltar
é o melhor treino para a vida no parque.
Um dia, conseguirá saltar quase 10 metros de uma só vez.
Até lá, vai andando com cuidado.
O calor abrasador pode não o incomodar,
mas os outros lémures poupam a sua energia e descansam à sombra.
É o pico da época seca.
Os lémures usam as folhas como fonte de alimento e água.
Mas os recursos estão a esgotar-se na sua parte da floresta.
Os únicos locais com comida são pequenos santuários à sombra,
espalhados por entre os picos.
As fêmeas decidem que está na hora de agir.
Têm um labirinto de pináculos afiados entre eles e a sua sobrevivência.
Para baixo, têm abismos profundos.
O bebé tem de usar toda a sua força para se agarrar à mãe.
O peso dele faz com que todos os movimentos dela
tenham de ser absolutamente precisos.
Um só passo em falso
pode ser fatal.
É um labirinto,
mas eles sabem um caminho secreto.
Um dia, ele também o vai aprender.
Mas, para já, só tem de se segurar,
com toda a força.
Há caçadores experientes a patrulhar as rochas.
Não podem ficar aqui muito mais tempo.
A mãe faz um último esforço…
… e está quase em segurança…
… até que…
… chegam a um santuário escondido entre as rochas,
cheio de folhas suculentas.
Uma viagem épica e cansativa.
Ele irá repeti-la muitas vezes
nos próximos anos.
Quanto mais isolado é o parque,
mais invulgares são as suas criaturas
e mais extraordinários os seus comportamentos.
Ou seja, é ainda mais importante proteger as ilhas.
Como esta, no sul do Japão.
Onde fica o Parque Nacional de Yakushima e uma floresta ancestral.
Musgo cobre o chão.
Figueiras e figueiras-de-bengala
tecem as suas raízes pelo terreno.
Gigantes cedros-japoneses,
alguns com centenas de anos, formam uma cúpula nas alturas.
O isolamento moldou as criaturas que aqui vivem.
Muitos animais que vivem em ilhas são mais pequenos do que os do continente.
Este cervo-sika tem apenas 90 cm.
Estas folhas mortas saciam a sua fome,
mas não são muito saborosas.
E não satisfazem a sua gulodice.
Como ele gostaria de conseguir chegar à fruta que está lá em cima.
Mas há golpes de sorte em Yakushima.
Se souberem onde as encontrar.
O macaco-japonês.
Era este grupo que ele queria encontrar.
Agora, só tem de ser paciente.
E estes macacos são a chave para a comida mais doce da floresta.
Dizem que quem espera sempre alcança.
Os cerdos só sabem que estes macacos
não têm maneiras à mesa.
A comida que deixam cair tem imensos açúcares.
Mas não chega para todos.
O cerdo aproveita o seu banquete enquanto pode.
Mas um veado distraído torna-se o brinquedo perfeito.
E parece que vai ter de pagar pelo almoço.
Em troca do seu banquete,
o veado tem de servir de boleia.
É bom manter os aliados por perto.
Mas chegaram ao fim da viagem.
Os nossos parques fazem muito mais do que servir de santuário e alimento.
E ainda estamos a descobrir todos os benefícios de proteger a natureza.
Em 1872,
Yellowstone, no oeste dos EUA,
tornou-se o primeiro parque nacional do mundo.
São 810 mil hectares de natureza selvagem nas Montanhas Rochosas.
Geologicamente ativos
e espetaculares.
Lar da maior concentração de vida selvagem
nos Estados Unidos contíguos.
Uma das melhores ideias americanas.
Criado para benefício e usufruto do povo.
E a ideia pegou, criando um movimento global.
Hoje em dia, cerca de 15 % da terra
e quase 8 % do oceano estão protegidos.
A maioria tornou-se protegida durante a minha vida.
Percebemos o valor destes últimos refúgios selvagens
e que aquilo que acontece nos nossos parques nos afeta a todos.
Como as florestas tropicais.
São o refúgio de mais de metade de toda a vida terrestre.
Se não percebem porque é tão importante proteger esta biodiversidade,
pensem nisto.
Um quarto dos nossos medicamentos
vem da floresta tropical.
Ainda estamos a fazer novas descobertas médicas,
escondidas à vista de todos.
No Parque Nacional Manuel Antonio, na Costa Rica,
até rostos familiares nos podem surpreender.
Uma preguiça-de-três-dedos está a apanhar sol.
Com o metabolismo mais lento de todos os mamíferos,
ela não pode desperdiçar energia.
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