Ang unang 200 linya.
PRAIA DO FAROL 19 DE JANEIRO DE 2016
PK 35 NÓS
LB1 RED MIST RJ, TRIPULAÇÃO: LP
É um barco com 200 pessoas.
Temos a localização exata deles no telemóvel.
Vamos buscá-los com o nosso barco salva-vidas, o Red Mist.
NADADOR-SALVADOR
Quando passarmos dali, vamos…
Está a vir depressa.
Romeo. Daqui Farol de Molyvos.
17 DE JANEIRO, 28H ANTES
Farol de Molyvos, daqui Romeo. Escuto.
Romeo, mensagem de rádio no 87.
O sinal está ótimo. Escuto.
Também vos ouço bem, obrigado.
Começamos pelo treino com o Sr. Jenkins.
Mas, antes de tudo, vamos fazer café para todos.
Depois, vamos esperar pelos barcos.
Esteve muito vento nos últimos dois dias e não veio nenhum barco.
Como o tempo está perfeito, estamos a contar com muitos barcos hoje.
Estamos preparados dia e noite.
Temos vindo até esta baía.
Folgo em saber que, apesar de haver rochas aqui,
temos uma grade
e podemos desbloquear o motor para atracar devagar.
Se isto rebentar, ainda sobra algo,
mas têm de chegar a casa na mesma.
Não deviam tentar fazer outra coisa.
Se conseguirem salvar alguém,
a decisão é vossa.
Chamo-me Robin Jenkins.
Represento o United World College of the Atlantic.
Vim para cá antes do Natal, num barco salva-vidas
concebido e construído no Atlantic College, pelos alunos.
Doámo-lo aos nadadores-salvadores gregos, os Lifeguard Hellas,
que são responsáveis por cuidar desta praia,
a Praia do Farol de Molyvos.
É uma das travessias mais curtas entre a Turquia e Lesbos.
Vêm em barcos insufláveis sobrelotados,
comprados a traficantes do outro lado,
com um motor muito pequeno, que, com sorte, faz a travessia.
Aqui, há um local de desembarque,
para que possam ser recebidos por nadadores-salvadores.
Os barcos são muito rápidos, chegam aos 25 nós,
para podermos chegar depressa.
O nosso trabalho é garantir que as embarcações chegam em segurança.
Chamo-me Nikos Mavreas, sou de Kalamata.
Fui jogador profissional de râguebi e, agora, sou personal trainer.
Fui ter ao barco quando chegaram, rasparam nas rochas
e a gasolina espalhou-se pelo mar porque rompeu por baixo.
Raios! Este cheiro.
No dia 28 de outubro, vi nas notícias
que um barco se afundou e muitas pessoas morreram.
Os nadadores-salvadores espanhóis
disseram que tiveram de escolher quem salvar.
Não tinham mãos para salvar todos.
Morreram pessoas diante deles.
Senti que, se acontecesse no meu país, eu teria de estar lá.
Foi por isso que vim para cá.
MARINA DE MOLYVOS LESBOS
Disse que o bebé tem dez dias.
E que nasceu em fevereiro.
No hospital?
Não sei, mas posso perguntar-lhes.
Mais algum sintoma?
Ela vira-se muito, mas parece-me estar bem.
Devemos cobrir sempre a cabeça.
Podem traduzir?
Ainda bem que tem a cabeça coberta,
porque a temperatura da cabeça pode baixar muito.
O que ela está a fazer é ótimo, perfeito.
Ela está quente e confortável.
APOIO A REFUGIADOS
Sempre quis fazer coisas destas.
Fui bem treinado pela Marinha
e, agora, estou a estudar paramedicina.
Toda a ajuda é bem-vinda. É uma crise gravíssima.
Dar uma mãozinha faz muita diferença.
Sou o Joshua Moroles, tenho 22 anos.
Sou nadador-salvador da Marinha dos EUA.
Sou o Matt Chamberlain, nadador-salvador da Marinha dos EUA.
Estamos em Lesbos para ajudar os Lifeguard Hellas
a salvar vidas na Praia do Farol.
Ajudamos em tudo o que podemos.
Usamos aquilo que aprendemos na Marinha e que treinamos há quatro anos
para dar assistência aos refugiados.
Ver isto em primeira mão,
em vez de ler num artigo ou ouvir dizer,
ou falar com alguém nos EUA,
é muito diferente porque ficamos com uma perspetiva em primeira mão
daquilo que estas pessoas passam.
Estes homens, mulheres e crianças, estes refugiados.
É um longo caminho para estas pessoas.
É uma lição de humildade saber que somos um elo minúsculo
numa corrente com milhares de quilómetros e milhares de pessoas.
Os recursos necessários…
É chocante aquilo que lhes retiraram
e que, agora, tem de ser recuperado.
Acho que é uma das maiores crises
e apelos do nosso tempo.
FAROL DE KARAKAS ZONA 5
Chamo-me Ian Johnson.
Sou da Ilha de Wight, no Reino Unido.
Vim para cá há duas semanas.
Sou um médico na reforma. Vim aqui ver o que podia fazer.
Encontrei o Farol de Karakas, na ilha de Lesbos,
um dos locais de desembarque mais perigosos da ilha.
Há muitos voluntários noutros lugares, mas não há muitos aqui.
A caminho daqui, percebemos porquê. É de acesso difícil.
Fazemos vigilância noturna
e, durante o dia, tentamos tornar isto habitável.
Como é um edifício protegido, não há muito que possamos fazer,
mas isolámo-lo termicamente e dá para dormir mais ou menos.
Este é o quarto do último andar.
Há sempre pessoas aqui, dia e noite.
De momento, somos só dois durante o dia,
mas há seis ou sete pessoas à noite.
Dois ou três ficam no cimo da colina,
a observar com uma câmara termal.
Aqui, convivemos e passamos o tempo,
e alguns dormem nas tendas do exterior.
Estamos em remodelações, mas usamos muitas coisas recicladas.
Estamos a construir prateleiras a partir de revestimentos.
Arranjámos centenas de revestimentos de…
Vejam este Yamabisi.
É material de qualidade, não é?
Estas são as vigas do barco que usamos para construir prateleiras.
Aqui fica a área médica.
De momento, está um caos,
mas podemos resgatar pessoas do penhasco e assisti-las.
Temos cobertores de emergência, alguma roupa seca e bens essenciais.
Fizemos este chão com terra.
Arranjámos algumas paletes,
tirámos o forro de muitos coletes salva-vidas falsos
e pusemo-los por baixo, para criar isolamento.
Acabei de cozinhar uma boa refeição.
Normalmente, nem ao meu cão daria, mas até estava saborosa.
Vimo-los a fazer uma cama aqui. Pusemos aqui alguns cobertores e assim.
Já está outra vez caótico, mas remodelamos todos os dias.
Quando a equipa da noite entra depois de um desembarque,
está tudo de pantanas.
No dia seguinte, pomos tudo no sítio e tentamos aprimorar.
É a nossa pequena mansão.
Os refugiados costumam seguir a luz.
Se embaterem nas rochas, terão problemas graves.
Os barcos insufláveis sobrecarregados rebentam nas rochas
e eles acabam no mar.
Morreriam a 20 metros da costa.
Há quatro dias, tivemos três barcos a desembarcar durante a noite.
O primeiro foi aquele pequeno barco de plástico.
Um barco de quatro metros com um pequeno motor externo,
com 16 pessoas a bordo.
Quando ouvi, estava numa tenda ao virar da esquina.
Estava acordado.
Ouvi o barulho do motor.
O pessoal com câmaras térmicas, no topo, não reparou.
Ouvi o barulho do motor e, de repente, ouvi muitos gritos,
muitas mulheres e crianças em risco.
Acho que embateram nas rochas.
Naquela noite, estávamos seis.
Apressámo-nos a descer,
trouxemos o barco até terra e desembarcámos toda a gente.
Mulheres, crianças, crianças com…
Um rapaz com paralisia cerebral. Tivemos de o levar ao colo.
Havia pessoas na casa dos 70 e dos 80.
Foi uma noite muito complicada.
Foi chocante, pois nunca ouvira pessoas a gritar em risco de vida.
É uma sensação horrível.
Seja dia ou noite, fazemos uma chamada
e as pessoas da região trazem carrinhas.
É estritamente ilegal, podem ser detidos por tráfico humano
por causa dessas leis absurdas.
Trazemos as pessoas até aqui e encaminhamo-las.
Temos um pequeno ponto de passagem a cinco quilómetros,
uma antiga queijaria,
levamo-los até lá e damos bebidas e coisas quentes.
Ficam lá cerca de meia hora, uma hora,
até chegar o autocarro do acampamento dos MSF.
De momento, estamos a entrar numa fase de treino no barco
que é bastante técnica.
Treinámos coisas como entrar com o barco ancorado em espaços apertados,
a chamada marcha à ré,
o que não se faz no início do treino num barco salva-vidas.
É preciso muito experiência para o fazer.
Como a equipa está a aprender depressa,
treinamos o máximo de coisas possível.
Também temos colocado muitas pessoas a bordo.
Terão de lidar com circunstâncias no barco
em que haverá muitas pessoas na água.
Homem ao mar!
Não temos combustível.
É algo essencial
porque estamos num barco com impulso, velocidade, potência e peso,
o que pode correr muito mal.
Por isso,
há um protocolo muito rígido para fazer isso.
Todos deviam aprender.
A forma como viras o barco põe-no no sítio ideal.
Facilita bastante.
Tens de…
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