Ang unang 200 linya.
Muito bem, 640. Estás fora. Vamos lá.
Vamos!
Anda.
ABRIL DE 2004 SEIS MESES APÓS O VEREDITO
Tiro ao 640!
Mexe-te!
- É tudo? - Sim. Acho que sim.
- Acha ou tem a certeza? - Sim.
- O seu saldo é 345... - Eu sei. Tudo bem. Obrigado.
Como é que me fizeste isso? Fodeste-me!
- Como? - Cabrão!
Peterson, 640.
PARIS, FRANÇA
Sabes porque te atacou, não sabes?
Não.
Há cinco anos que espera uma cela individual.
Era o próximo da lista, mas deram-ta a ti. Por seres famoso.
- Acabou-se o tempo. - Vemo-nos por aí, Escadas.
Fechem.
EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO - VOLUME 1
Querido Michael, um velho amigo visitou-me na semana passada,
ansioso por ver o Louvre.
Passear pelo museu recordou-me de que não tens o luxo
de relaxar enquanto esperas pelo teu recurso.
O prazo é apertado.
Acredita que trabalhamos o mais depressa possível
para divulgar a tua história ao mundo
e para finalmente teres o julgamento que tanto mereces.
Entretanto, disseste que a biblioteca da prisão não era estimulante.
Assim, envio-te algo para pores o cérebro trabalhar.
Com amor, Sophie.
A ESCADARIA
Bom dia, Sophie!
Bom dia!
Foste para casa ontem à noite?
Claro.
Café?
Quando?
Quando acabei.
Mandaste a última bobina do episódio quatro para o som?
- Vieram buscá-la. - Ótimo!
- Até já. - Até já!
Olhe para a minha cara, David!
- Estou a ouvi-lo, Mike. A sério. - Não. Eu não...
Não preciso que ouça nada. Preciso que veja!
Quanto mais tempo cá ficar, maior é a probabilidade de me matarem.
Quando há notícias do recurso?
Mike, sabe que não sei. Pode ser amanhã.
Pode ser daqui a três meses.
Então, três meses. É o tempo que tenho de sobreviver?
Ficaria chocado se demorasse mais.
Eu não devia estar aqui.
Isto não devia ter acontecido. Não devia ter sido assim.
Mike, eu sei.
O nosso recurso contesta a apreensão do computador do Michael.
Foi inconstitucional.
Sem isso, o Estado não podia
mencionar os emails nem os acompanhantes.
Sim. Estamos muito confiantes.
Sim, claro que me pode citar. Espero que o faça.
Por isso lhe liguei de volta.
- Vende. - O conjunto todo?
A mãe adorava isto.
Como vai o trabalho? O pessoal dos filmes anda a mandar-te fazer o quê?
Só coisas básicas. Atendo chamadas, faço marcações.
Mas o último editor que contrataram fazia trabalho administrativo antes...
Gostas de LA?
Gosto.
A simpatia das pessoas é surpreendente.
E Reno fica a um dia de distância. Tal como a Martha.
São bem-vindas sempre que precisem de uma pausa.
Não sei se o chefe da Martha lhe dá folga.
Ela trabalha onde?
Algo de atendimento ao cliente.
O que foi?
- Ela não é muito agradável. - Ela, com clientes?
- Ela... - Olá!
- Olá! - Olá!
Vieste!
- Olá, meu. - Olá.
- Olá. - Senta-te. A comida está quente.
Ótimo!
Vou buscar uma cerveja. Alguém quer?
Acho que não há.
Eu trouxe.
Olá.
Olá!
Vou fazer massa. Queres?
Despedi-me.
Merda! O que aconteceu?
Nada. Não queria continuar.
- Estás bem? - Claro.
As mentiras sobre a sexualidade dele, a testemunha na Alemanha...
A montagem está equilibrada.
Não digo isto contra ti...
Mais provas de inocência ou culpa irá prejudicar o equilíbrio.
O Michael foi declarado culpado.
Não vamos agir como se não tivesse sido!
A fratura da cartilagem tem de ser incluída.
Como assim? Não.
Tem de ser incluída porquê?
A história da cartilagem é supérflua. Daí termos cortado a cena logo à partida.
Jean, sei que gostas de nos ver discutir, mas não dizes nada? Merda!
Por agora, prefiro ouvir.
A Dra. Radisch depõe,
olha diretamente nos olhos do David Rudolf e diz,
com toda a certeza médica do mundo
que acredita que a Kathleen foi estrangulada.
Sim...
A mesma mulher tinha a mesma certeza
de que a Kathleen tinha levado uma pancada na cabeça
com uma arma que o Dr. Duane Deaver disse, com toda a confiança,
que o Michael teria usado,
quando, na realidade, a arma do crime estava a ganhar pó na garagem!
O episódio é demasiado longo. Para pôr a cartilagem,
teríamos de cortar algo. O que cortarias?
Sim. Tenho muita curiosidade em saber.
Sabes que não precisámos de ti para ganhar um Óscar.
Parabéns!
Não temos tempo para discussões. Temos um prazo a cumprir.
Denis, estou a perguntar: O que cortarias?
A cena com ele e o Clayton.
É uma divagação poética sobre a idade, o amor-próprio...
Não vou cortar. É uma cena chave para compreender o Michael.
Mas que obsessão é esta em querer perceber o Michael?
É um mentiroso!
Merda! Ninguém pode perceber um tipo daqueles! A chave é essa!
Bem, é o protagonista da série. É só isso.
Sim, de uma série cujo fim conhecemos. É culpado!
Os jurados disseram que o condenaram devido às provas materiais,
tendo citado, especificamente,
o depoimento da Dra. Radisch sobre a cartilagem!
É a imagem que os procuradores pintaram dele desde o início.
Não podemos apoiar qualquer tipo de calúnia. Certo?
Ele merece ser retratado de forma justa e equilibrada.
Justa? Então, tu sabes o que é justo?
Nem conheces o tipo.
Conheço. Temo-nos correspondido.
Como?
Há quanto tempo?
Cinco, seis meses.
Então? Acalmem-se os dois.
Vocês passaram dois anos a beber o vinho do homem e a rir das piadas dele.
Eu só lhe envio postais e livros.
Livros?
Que livros?
Em Busca do Tempo Perdido.
Enviaste-lhe Proust?
Proust?
Ó Escadas! Ainda não acabou, ouviste?
Estás a ouvir? Ainda não acabou!
- Senta-te! - Ainda não acabou!
Senta-te!
Vai para a tua mesa.
Querido Michael, fiquei tão feliz com a tua última carta.
Ao lê-la, consegui ouvir a tua voz,
com a qual me tenho familiarizado durante o último ano.
É estranho. Tu não fazes ideia do meu aspeto nem da minha voz.
O que ouves ao ler as minhas cartas?
A Brigitte Bardot ou o Pepé Le Pew?
Sim, o documentário está a ir bem. Obrigada por perguntares.
Trabalho noite e dia para o acabar.
E continuo convencida de que, quando o mundo o vir,
ajudará no teu recurso.
Vais esfaquear-me com essa caneta, Escadas?
Achei que me podia suicidar.
O que achas?
Iam obrigar-me a limpar.
Sabes o que se diz dos selos?
São melhores que dinheiro.
Leva 50 de 37 cêntimos para o pátio, e tratamos do teu problema por ti.
Ou não. Tu é que sabes.
NOVEMBRO DE 2001 UM MÊS ANTES DA MORTE DE KATHLEEN
O ATUAL PRESIDENTE CLEMENT DERROTA O ESCRITOR PETERSON DE FORMA CLARA
Lamento pelas eleições, Michael. Sabes que votei em ti.
Deves ter sido o único.
SRA. MARGARET RATLIFF
UNIVERSIDADE DE TULANE
Estou tão desiludido contigo.
Não acredito que abriste o meu correio.
A casa é minha, o correio também. Não mudes de assunto. Isto é sério.
Tulane vai tirar-te a bolsa.
Desculpa! Ouve, pai, estou a passar um mau momento.
Pedir desculpa não chega, menina.
Estas notas são ridículas!
Que porra fazes em Nova Orleães? Andas a ver quem dá mais?
Que nojo! Não. Ouve, pai, eu...
Sinto que se passa alguma coisa comigo.
Sempre tive problemas.
Os meus amigos acham que tenho dificuldades de aprendizagem.
Margie, a mártir. O mesmo que preguiçosa.
Concordo. Sempre foste preguiçosa.
Porque estás a ser horrível?
- Vou ligar à mãe... - Força.
Eu e a Kathleen estamos de acordo. E sabes?
Não te pagamos o bilhete para vires na Ação de Graças.
Pai! Para!
Temos de começar a poupar para quando a bolsa acabar.
Estás a brincar comigo?
- Odeio-o. - O que fez agora?
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