Um Pai em Apuros

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Publié le: 2026-08-13
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Les 177 premières lignes.

É inacreditável.

Eu nunca deixei faltar nada, nada, nada para a minha família.

Algumas vezes eu faltei, porque não pude estar presente,

mas mesmo nesses momentos,

eu deixei tudo organizadinho, gente. Tudo no esquema,

para ninguém nem sentir a minha falta.

Eu nunca nem traí, gente.

Talvez só em pensamentos, mas até aí, né?

E para as crianças, nunca faltou nada.

E eles vão pedindo. "Ah, pai, quero fazer curso de não sei o quê."

"Ah, negócio de drone." "Negócio de tablet."

Eu vou dando, vou dando tudo. A gente vai indo.

Pelo amor de Deus.

Aí, toca seu telefone e fala: "É para o negócio de doação",

não sei o que tô doando, para onde o dinheiro vai.

Vai no automático, é na conta automática.

É muito importante vocês entenderem que se eu não sou um cara legal,

se eu não sou um pai legal,

se eu não sou um marido legal, o conceito de "legal" que tá errado.

- - Ai, água.

É muito importante falar para todos vocês, para todo mundo, em legítima defesa,

é difícil para caramba viver o que eu tô vivendo.

Isso tá demais! Tá demais isso!

- Bom dia, tudo bem? - Bom dia, amor.

Com licença, senhor, desculpe estar incomodando.

- Fica de olho aqui na sanduicheira. - Tá.

É o lanche dos seus filhos.

Superfácil. Acendeu a luz verde, está pronto.

- Tá bom, meu amor. - Tá bom?

Mãe, que saco! Todo dia você desliga o ar.

- Maior calor. - Mãe, cadê meu drone?

Filha, vi perto do meu armário. Você pode pegar lá.

Não viu nada. O drone saiu voando.

Ninguém sabe onde tá. Agora é hora do café da manhã.

Tá educando direitinho sua filha, né?

- Tom Tom acordou. - Ai, meu amor. Bom dia.

Bom dia. Opa, não tem "bom dia" mais, não?

- Bom dia, mãe. - Ah, que bom.

Também não tem, sabe o quê?

Sanduíche! Que o papai deixou torrar.

Amor, tô ocupado aqui.

Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo, pelo amor de Deus.

- Mãe, acabou a granola. - Espera aí.

Esse queijo tá aguado de geladeira.

- Espera aí. - Mãe, a manteiga está "mó" dura.

- Espera aí. - Amor, aproveitando

que a minha advogada particular está em casa,

me ajuda aqui numa cláusula do contrato?

Eu preciso chegar no trabalho hoje com isso bem organizadinho.

É 146, 147, 148. E a cláusula terceira com a primeira,

acho que é uma coisa de texto, não consigo entender.

Eu queria chegar no trabalho tinindo.

Você me ajuda com coisa de contrato?

O quê?

Olha só, uma empresa gigante daquelas, pede para um advogado te ajudar.

Lá tem o Vicente, por exemplo, mas quem precisa de Vicente,

se tenho a melhor advogada na minha casa, à disposição.

- Ex-advogada, né? - Uma vez advogada,

sempre advogada, tá? Tem umas pegadinhas que, assim,

- é uma troca de... - Deixa eu te falar uma coisa.

A cada segundo que eu atraso, o trânsito triplica.

Se você levasse as crianças para a escola, você ia saber, mas não é o caso, né?

Deixa a mamãe ver. Vira aqui, ó. Olha que tá...

- Vai melhorando depois. - Achei. É essa aqui.

Eu não tenho a menor condição agora!

Deixa eu fazer o cabelo da menina, pelo amor de Deus.

- A mamãe vai fazer de novo. - Mas não vou esquecer disso.

- Mais bonito, mais bonito agora. -

"Vambora"! Estamos atrasados.

- Sério, agora não dá. - Mas tem um aqui...

Sério, não é possível. Bom dia, Simone.

- Ué, seu Fred ainda está aqui? - Ele está. Deixa eu te falar uma coisa.

Eu fui no mercado ontem, comprei chuchu,

comprei abobrinha, batata doce, estava um horror.

Vamos fazer arroz com brócolis hoje?

"Vambora", gente! "Vambora". "Vambora". É isso aí!

- Vamos pra escola. Você vai com o João. - Ah, Tom Tom!

- Beijo, Simone. - Vou levar as crianças na escola, vamos.

Simone, desculpa. Você se machucou? Tô vendo você mancando, o que houve?

Não, é porque eu tenho uma perna mais encurtada

- em relação à outra. - Desde quando, gente?

Desde que eu nasci.

Na escola, sabe o que vai ter hoje?

Vai ter o dia da...

Fred, a Simone já tá com a gente há sete anos.

Só para te dar uma situada, tá? O desfoque já tá aí há sete anos.

Então ajuda o desfocado aqui, porque não consigo entender, meu amor,

o que está escrito nesse contrato.

Rápido, dá. Vai.

"Vambora".

- E aí, todo mundo de cinto? - Sim.

Vamos lá.

Tchau, papai. Tchau.

- Beijo, papai. - Tchau.

Vamos lá.

- - Mala.

Vai, que eu não tenho nada para falar contigo.

Aqui estou, aprendi meu trabalho em Cambridge.

Eu sou o melhor.

Em Cambridge?

Ele fala inglês, francês, tudo ao mesmo tempo.

Vamos lá.

Sou o melhor de Cambridge.

- Bom dia, Sr. Fred. - Bom dia, Beth.

O café ficou horrível, eu errei na mão hoje.

Delícia, você dá bom dia e logo depois você mesma destrói o bom dia, né?

Mas engole rápido, viu? Porque a diretoria está vindo aí.

Que delícia.

- -

Esse é o tipo de coisa que me tira do sério, viu?

A gente vai resolver.

Matheus.

Claro que meu vaso sanitário pode ser arte...

- Bom dia, Fred. - Bom dia, bom dia.

- Seu Pontes, bom dia. - Bom dia.

Bom dia, Dante.

Satisfação ver vocês tão cedo aqui. Aconteceu alguma coisa?

Fred, o Matheus tem uma coisa pra te mostrar. Por favor.

Uma funcionária da faxina foi flagrada pelas câmeras de segurança.

O que foi que ela roubou?

Parafusos borboleta. Três unidades.

- Três caixas? - Não.

- Três unidades. - Ah, tá.

Nós estamos diante de uma situação delicada aqui.

Uma pessoa rouba, mas rouba três unidades.

É.

O que você faz com uma pessoa dessas?

O que se faz?

Roubo bobo assim, simples, né? Não dá pra...

Uma situação complicada. Eu...

Eu acho que para a gente ser coerente, tem que dar uma advertência.

- Sim. - A gente dá um exemplo para ela

e para toda a empresa, como um todo...

- Não. - Hum, pode ser.

O que é isso, gente?

Advertência? Hoje são três parafusos,

amanhã um assalto à mão armada aqui na empresa.

Hum?

- "Assalto"? - Tem isso também.

- Tem? - Tem.

Tem! Não, tem.

Ele tá certíssimo e o exemplo tem que vir de cima, gente.

O exemplo tem que vir de cima.

O que eu queria é o seguinte:

três dias de afastamento pra ela pensar...

- Pode ser. - Né?

Três dias. Um dia para cada parafuso.

Eu tenho a leve impressão de que você tá minimizando o delito, Fred.

- Talvez. - Eu?

- É. - Não,

porque, na verdade, eu pensei três dias para cada parafuso.

Você não me deixou completar a linha do raciocínio.

Três dias para cada parafuso,

a gente chega em nove, que eu já redondo para dez.

É. Faz sentido.

Bom, para mim,

essa garota tinha que pagar pelo estoque de parafuso inteiro.

Opa. Ó. Eu concordo.

Ô, gente, vamos parar? Chegou aqui!

Vamos chamar a razão, porque a gente está deixando...

Sabe o que estou percebendo? E isso é muito comum.

A emoção tá tomando conta da razão. Chegou, gente.

É demissão sumária para essa moça.

Não, é o que eu acho. É o que eu acho também.

Acho que a razão não pode ser afetada por sentimentalismo.

- Olha aí. - Muito boa. Muito boa, Fred.

Bom, a demissão tá aí já. Pra assinar, resolver logo isso.

Estou sem minha caneta, porque eu...

- Usa a minha. -

Matheus.

Pesado, hein?

- Que isso, cara? - Não precisava.

Ainda bem que hoje é terça, chope em dobro, né?

- Opa. - E o dobro vai ser eu

comigo mesmo, vou pedir um chope, vão vir dois.

Eu vou beber os dois, não dividirei com ninguém.

- Que isso? Que egoísmo é esse? - Não é egoísmo!

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