LIMBO... Until I Decide

LIMBO... Until I Decide (Limbo)

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Limbo S01 1080p STRP WEB-DL DDP5 1 H 264-SiGLA
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🟩 𝑶𝒇𝒇𝒊𝒄𝒊𝒂𝒍 𝑺𝒖𝒃𝒕𝒊𝒕𝒍𝒆𝒔 🟩

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1080
Diterbitkan pada: 2022-09-28
Unduhan: 25
Tuna Rungu: No

Pratinjau subtitle Portuguese

200 baris pertama.

LIMBO. Loc. Sub. Coloq.

Estado de alheamento de uma pessoa face ao que a rodeia.

Fraca noção da realidade. Estado de latência. Pausa no tempo.

O dia de ontem pareceu não terminar.

Às 7:10, um raio de sol acordou-me

porque a Isabel se esquecera de baixar a persiana.

Levantei-me para a fechar. Vi a hora no telemóvel.

Tomei um ibuprofeno e voltei a adormecer.

Às 12:32, voltei a levantar-me. Tornei a ver a hora no telefone.

Respondi aos comentários do Instagram ainda na cama.

Tinha mais de um milhão.

A Isabel bateu à porta.

Perguntou-me se estava bem.

Bem? Quem está bem?

Às 13:20, fiz uma máscara facial.

Tirei uma selfie e publiquei-a.

Às 14:30 almocei com a Estefanía num restaurante novo,

mas não tinha fome.

A salada ficou toda no prato.

E o empregado ofereceu-me um recipiente.

Primeiro, achei muito gentil, mas depois fiquei deprimida.

Às 16:00, fomos às compras.

Às 19:30,

recebi os vestidos que tinha escolhido para a noite.

Experimentei-os.

Levei-os a votação e ganhou o prateado.

Um seguidor fez um comentário de que gostei.

"Parece-me loucura que seja necessário dinheiro

"para fazer coisas como criar um vício, viajar ou divertir-se."

Às 20:00, tomei um banho de imersão.

Não jantei.

Às 21:00, olhei-me ao espelho

e pensei num sonho que tinha tido umas noites antes.

Eu era pequena e a minha mãe dava-me um cachorro azul.

Completamente azul.

Ela perguntava: "Não é lindo?" E eu respondia: "É azul."

Ela repetia: "Não é lindo?"

Desculpe.

Às 21:15, enchi um alguidar

com água e gelo e usei a técnica da Kate Moss.

Submergi a cabeça para apagar as marcas da noite.

Aguentei a respiração o mais que pude, até os meus lábios ficarem dormentes.

Às 22:00, o Marco veio buscar-me.

Bem-vinda.

Gostei do que ele tinha vestido.

Mas não lhe disse.

Mna. Sofía!

O seu telemóvel.

Se tivesse de dizer qual é o meu talento,

diria que é a habilidade quase sempre desdenhada de ser sociável.

Gosto de estar com pessoas.

Garanto que tudo seja melhor comigo do que sem mim.

Quero outro uísque.

As fadas deram-me esse dom.

Não sei apenas divertir-me,

também sei fazer com que os outros se divirtam.

Aquilo a que outros chamam passar um bocado, eu chamo viver.

A minha família poderia dizer dos meus amigos, logo, de mim,

que são mandriões, promíscuos, bêbados, putas, maricas, tolos, estranhos,

mas a verdade é que dizem pouco porque preferem ignorar o meu mundo.

Veem isso como pagar imposto para me manterem longe e controlada.

Quanto dinheiro nos custará hoje a Sou?

Pode apertar o cinto de segurança, por favor?

Traga-me algo para a ressaca. O que tiver.

Nunca tive quem me dissesse para onde ir.

Talvez o meu pai. Mas o meu pai não era o meu norte.

Ele era como a minha Meca.

O lugar para onde tinha de olhar em algum momento do dia

para lhe prestar tributo e me recordar de que ele continuava a velar por mim,

mesmo que eu estivesse no outro lado do planeta.

Agora, quero um desses, pai.

Alguém com um blusão fluorescente e um par de raquetas de pingue-pongue

que mostre o caminho.

Imagino que também não estejam disponíveis.

Disseram-me que tinha de escolher um.

Já escolheu?

Dá uma volta.

Vou pensar.

Nas festas, não pensamos. É por isso que gosto delas.

Certas coisas não podem ser explicadas.

A música está farta...

...de ser usada como um objeto...

...romântico.

O que é isso?

Outro poema?

Andrés, o que se passa contigo?

Porque me bombardeias o telefone?

Acabaste de interromper um poema que estava a fazer à música. O que foi?

Como?

Quando?

Certas coisas não se podem explicar.

Que tu desapareças do mundo, por exemplo.

Tu.

É inexplicável.

Quero ir para casa chorar. Quero que todos vão para casa chorar.

Também não é invulgar.

Em algumas noites, é isso que faço.

Sem ter qualquer desculpa.

Quando estou num avião, tenho este tipo de fantasias.

Que as horas que passo no ar, a ver nuvens pela janela,

são uma pausa que me permite congelar os pensamentos

e fingir que, lá em cima, o tempo não passa.

Ou que passa mais lentamente. Ou noutro sentido.

Agora, gostaria que andasse para trás.

Olá.

Não é um pouco grande?

Escolhi-o a pensar em ti.

Olá, Sou.

Ignacio, como estás?

- Os meus sentimentos, Sou. - Obrigada, Sole.

Sou.

Delfina.

Trouxe-te um vestido preto do Pablo Ramírez.

O que foi? Não gostas do que tenho vestido?

Caso mudes de ideias.

Que loucura é esta?

Estão tão grandes e tão lindos!

Cruz, dás-me um abraço?

Sou o Segundo. Ele é o Cruz. E ele é o Benjamín.

Bem, é irrelevante porque os nomes não importam.

Venham cá!

Não és apenas igual a ele.

És ele!

O que foi aquilo?

Quem era aquele?

Um bom amigo do pai.

Um amigo. Como se chama?

Sr. Castelló, continuamos?

Pedi a todos que se retirem da capela.

O quê? Não, um momento.

Eu não o vi.

O caixão está fechado. A cerimónia será no parque.

- Queres abrir o caixão, Sou? - Andrés, por favor.

Acompanha-me?

- Vamos. - Com licença.

Não. Quem...

Quem decidiu que seria assim? O pai?

Conseguiste vê-lo?

Sim, quando o preparámos.

Mas o teu voo atrasou-se, Sou.

Não, Andrés. Não me façam isto, por favor.

Não te façamos isto? O quê?

Quero vê-lo! Preciso de o ver!

Chegaste tarde!

Atire-a para a cova quando o caixão descer.

Família e amigos do Francisco,

estamos aqui reunidos, na presença de Deus,

para lhe dizermos adeus e lhe desejarmos paz na eternidade.

Como sacerdote, além de dizer adeus a um cristão,

despeço-me de um amigo.

Por isso, quero falar-vos dele.

O Francisco foi uma pessoa

inolvidável, nobre e maravilhosa.

A partida dele deixou uma grande dor

e o coração partido a todos os que o conheciam.

Não sei se te lembras dele.

- O encarregado do laboratório da empresa. - Sim, claro.

- Olá, como estás? - Olá, Sou.

Esmeralda Hamilton.

A menina dos olhos dele. Andrés.

Esmeralda, obrigado por estares sempre presente.

A tua visita não é pertinente.

Não és da família.

Não és nada como ele.

Só o meu pai me chamava Sofía.

Para os outros, desde que me lembro,

sou a Sou.

Até aos 13, 14 anos,

o meu nome mutilado foi promessa de uma virtude.

As minhas colegas do colégio inglês transformaram-no em algo superlativo.

Em inglês: "So smart, so beautiful, so sweet."

Até que, aos 15 anos,

uma amiga lixada por o namorado me ter beijado

gritou-me no pátio: "So fucking bitch!"

Depois, os meus irmãos deram o golpe final.

Sabem como eles me chamavam?

"So, so."

Eles, os aplicados, os bons alunos.

E eu, a única medíocre numa linhagem excecional.

Estamos a tratar de assuntos familiares.

Podias ser um pouco mais infantil?

Só um pouco, não muito.

- Como ficou a foto? - Bem.

- Publicaste-a no Instagram? - Sim.

- Conseguiste novos seguidores? - Alguns.

A orfandade assenta-te muito bem.

Estás esplêndido. Cada minuto que passa, mais esplêndido.

Não vou entrar nesse jogo, Sou.

Não hoje.

Não te vou dar esse gosto. Acabo de enterrar o meu pai.

É nosso pai!

E este espetáculo que montaste é asqueroso!

Nem esperaste para que eu me despedisse dele.

Também tiveste o teu papel de protagonista.

Apareceste com essa roupa ridícula.

Tiraste a tua foto ridícula, não foi?

Fizeste os teus comentários ridículos, com total impunidade.

- Como sempre. Não te podes queixar. - Não me posso queixar?

Sou!

Vamos. Levo-te na mota, sim?

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