Kardec

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Pubblicato il: 2019-09-03
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Le prime 193 righe.

Parem tudo que estão fazendo.

Prestem atenção!

Para que servem os livros?

Para nada,

se não soubermos usá-los para pensar.

Para sentir.

Dúvidas? Perguntas?

Curiosidades?

Escutem os seus corações,

e entendam por si mesmos

até onde a inteligência pode nos levar.

"Penso,

logo existo."

Isso!

Perfeito, Bernardo!

Mas o nosso grande filósofo, René Descartes disse exatamente:

"Duvido, logo penso, logo existo."

Não é o que vemos

que comanda o mundo.

- Onde ele está? Você viu ele? -

Onde ele está?

O que não vemos

é o que importa.

Cada um de vocês

pode ir além.

Muito, muito, muito mais além!

Eu quero ir, professor!

Para onde quer ir? Quais são seus sonhos? O que você quer descobrir?

É que eu quero ir ao banheiro.

Então, vá! Vá, porque não se pode mudar o mundo com as calças molhadas.

Bom dia, professor Rivail.

Bom dia, padre.

Classe, cumprimentem o padre Baudin.

Bom dia, padre Baudin!

Hora do catecismo.

Como pudemos permitir que isso acontecesse em um liceu particular?

Quais as chances de um recurso contra essa lei absurda?

Todo bom professor sabe que há perguntas que ficam sem respostas.

Um discípulo de Pestalozzi deveria saber disso melhor do que ninguém.

A educação de Pestalozzi

propõe o afeto entre professores e alunos.

Não a manutenção de dogmas e regras vazias.

O que está acontecendo nos liceus é a prova da falência do ensino na França.

Os institutos franceses devem seguir as ordens dos seus governantes.

-O senhor deveria saber disso. -Não costumávamos viver em uma república?

Mas não vivemos mais, professor.

Agora temos um imperador.

Não é assim que aprendemos a manter a cabeça sobre o pescoço?

Nossas cabeças continuam sendo cortadas,

e a dos alunos também. Não mais por guilhotinas,

e sim por dogmas e regras

que nos dizem que o céu é para poucos e bons

e o inferno e o purgatório para os maus e pecadores.

Basta usar o bom senso,

olhar para os lados e assumir de vez que fracassamos.

Que não é um Deus punitivo e vingativo

que vai nos tirar dessa situação.

- O que aconteceu? - Ele desapareceu!

- Outra vez? - Ele se jogou?

- Onde está? - Não vejo!

Está vendo ele?

CATOLICISMO OBRIGATÓRIO NAS ESCOLAS

Já li.

Trinta anos de magistério e nunca invadiram a minha sala assim.

Muito menos com tamanha petulância.

Catequese nas escolas, Léon!

O que nós podemos fazer contra isso? Melhor, a pergunta é:

O que o senhor, meu marido, vai fazer?

Religião e educação não deveriam se misturar.

A fé não deve ser imposta a ninguém,

muito menos a crianças em salas de aula.

Onde estão as nossas tão proclamadas liberdade, igualdade e fraternidade?

Será que devemos queimar tão rápido as bandeiras da Revolução?

"Ter a consciência livre, a luz da razão é um direito de todos.

Educar é ensinar pelo exemplo, é formar cidadãos integrais

e não seres manipulados, por ideias preconcebidas."

Com que direito o senhor escreve essas falácias contra as instituições francesas?

Com o direito conquistado por nossos pais e por nossos avós, padre Baudin.

Reconhecemos toda a sua contribuição para a reforma do ensino básico francês.

Mas não podemos fazer uma acusação contra uma ordem do Imperador.

Eu reconsidero,

se puder dar aulas livre da intromissão do padre Baudin.

O senhor não reconhece o mundo em que vivemos, professor?

Não sabe que fora da igreja não há salvação?

Pense nos alunos.

O senhor não pode querer mudar o mundo!

Eu ponderei muito.

Eu não posso compactuar com isso.

Aposentadoria?

O senhor não pode abandonar a escola!

É necessário coragem para mudar o mundo,

mas também para aceitar o que não pode ser mudado.

Eu tenho discernimento suficiente para compreender isso.

Com licença.

Nos cafés, nos salões, em toda Paris, ou melhor, em toda a Europa,

as pessoas estão enlouquecidas com essas mesas.

E agora ficam nos pedindo explicações.

Precisamos repudiar esse modismo para que não haja consequências graves.

Vamos acabar com essa farsa em nome da ciência.

Será que não entendem que chegou o tempo em que vivemos sobre o império da razão?

Por exemplo, estão dizendo por aí que as mesas têm vida própria.

- Pobres mesas. -

Crendices e superstições dos ignorantes, meus caros.

Desespero, nesse mundo sombrio.

Só isso poderia explicar a crença em almas de outros mundos.

O que é isso?

-Não quer fazer uma pergunta pras mesas? -

Supostamente elas respondem qualquer assunto.

Francamente.

São todos que eu tenho por agora, professor.

Aritmética, gramática, astronomia...

"Proposta de melhoria da escola pública."

Foi um dos primeiros que o senhor escreveu.

Vai ser suficiente para o momento. O básico.

O amigo vai conseguir sobreviver apenas das aulas particulares?

Nós temos algumas economias, e sempre posso voltar a fazer traduções,

escrever novos livros. E também tenho conhecimentos de contabilidade.

Voilà!

-O senhor está precisando de alguém... -

...para organizar os enormes lucros desta editora.

Aqui o amigo só trabalha se for para autografar os próprios livros.

Rivail, que boa surpresa.

Boa noite, senhores.

Veja só as coincidências da vida. Estava conversando com o Sr. Didier

a respeito de escrever outro livro e quem me aparece?

-O maior linguista da cidade. -Olha.

Sr. Didier, procuro material sobre mesas girantes.

Já existe algo didático publicado a respeito?

Porque só falam disso no mundo inteiro.

O senhor também se rendeu a esses modismos burgueses?

Devo confessar que nada nessa vida me atraiu tanto.

Monsieur, não há livros acadêmicos sobre esse assunto.

Acho difícil que exista um estudo sério sobre esse tema.

Eu, por exemplo, participo de um grupo sério

de estudo sobre esse tema.

Eu prefiro mesas com queijos e vinhos sobre elas.

Por acaso o amigo já viu o fenômeno?

Não,

não estou falando dos salões e dos teatros. Nada disso.

Já esteve em uma sessão séria?

Conheço o suficiente sobre magnetismo e eletricidade para imaginar o que aconteça.

Pois eu lhe garanto que não são magnetismo nem eletricidade que movem as mesas.

As pessoas perguntam

e elas respondem.

Eu só acreditaria se alguém me provasse que as mesas têm cérebro para pensar

e nervos para sentir.

Caso contrário,

façam-me dormir de tédio com esse assunto.

Ora, deixemos o professor descansar.

Professor,

quem sou eu para tentar lhe convencer de alguma coisa,

mas é que acreditamos que as mesas falam

movidas por um outro motivo.

Qual motivo?

Espíritos.

GRAMÁTICA

A porta, os alunos!

Sim, sim!

Entre!

O aluno.

Os pais nos pediram ajuda, mas não podem pagar por enquanto.

E estou esperando a resposta de mais dois alunos.

Eles virão.

Boa aula.

Tirei zero em gramática.

Para se mudar o mundo

é preciso saber ler e escrever.

Eu compreendo, monsieur. Juro.

De qualquer forma, o amigo precisa de um guarda-livros. Eu estou aqui.

Eu tenho formação em contabilidade.

Por favor, professor,

-eu me sinto constrangido. -Mas veja...

Meus filhos estudaram no liceu até quando o senhor resolveu sair.

Posso dar aulas particulares para eles, se o senhor permitir.

Tudo bem.

Pode vir hoje à noite?

Se quiser ver os shows, fique à vontade.

A mesa gira, responde todas as perguntas.

Uma loucura.

- O desconhecido... -

...o imponderável.

Quem aqui neste teatro gostaria de saber sobre o futuro?

Sobre o amor?

Alguém tem uma pergunta para a mesa falante?

Eu aqui!

Cavalheiro?

Devo fazer o que estou pensando?

Uma pergunta que pelo visto pode decidir o seu destino.

E a resposta da mesa...

-Monsieur... - Sim!

aqui está a sua contabilidade atualizada.

-Muito obrigado. -Eu que agradeço, professor.

Desculpe.

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