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BEM-VINDOS A NOVA ORLEÃES
Viemos de Seattle de avião. Não pode ajudar-nos?
Somos um restaurante com estrelas Michelin e só temos mesa daqui a seis meses.
Sr. Ridley, que surpresa maravilhosa. O chefe de sala arranja-lhe já uma mesa.
Marcel, a mesa seis para o Sr. Ridley.
- Obrigado. - Bom proveito.
Olhe lá, ele acabou de chegar e não tinha reserva!
Quando for crítico de gastronomia do New York Times, pode fazer o mesmo.
Aqui tem.
Este sou eu, o Sonny Jones, a fazer aquilo que adoro,
num dos melhores restaurantes de Nova Orleães.
Vou contar-vos uma história incrível
que, por acaso, é verdadeira.
- Chef, tenho um pequeno problema. - Não vê que estou ocupado?
O Bernard Ridley acabou de se sentar na mesa 67.
Muito bem, senhoras e senhores.
Toca a mexer, pessoal!
Temos cá o New York Times!
Hoje, não me podem envergonhar!
- Entendido? - Sim!
- Preciso já do béchamel. - Está a sair.
Onde estão as ostras?
Deviam estar à frente da minha cara laroca há 30 segundos.
Evolui muito desde que comecei a limpar fritadeiras
na casa de frango frito da minha família, em Atlanta.
Uma coisa que não mudou foi
o meu amor pela comida.
É isso mesmo.
Vá, malta.
- Impecável. - Vais direto daqui?
Sim, vou direto daqui.
Vou conduzir à noite e ouvir "Midnight Train to Georgia".
- O meu pai dizia que era a única forma... - ...de um homem chegar a esse estado.
Isso mesmo.
Ótimo trabalho.
Graças a ti, vamos ser elogiados no Times.
Bom, chef, só ponho em prática a sua visão.
Pois...
Acho que está na hora de pores em prática a tua.
- Vamos abrir um Bentley's em Los Angeles. - Não acredito!
- Em LA? - E quero que sejas o chef principal.
Quer...
Eu?
Exato.
Não acredito. LA?
Quer dizer, claro.
Claro que sim!
- Chiça, que sonho. - Muito bem.
Vai lá, diverte-te com a tua família. Quando voltares, vais andar a mil.
Lá nisso tem razão.
A mil, sem parar. Vou ser tão rápido que nem vai dar conta de mim.
Vá, não morra de excesso de álcool antes de me promover.
- Tenho de descontrair. - Boa viagem.
Então, velhadas? Tens aí a cena? Despacha-te.
Tens de ter paciência.
Onde está a tua irmã?
Disse-me que tu e outra gaja tentaram usar o cartão dela para reservar uma viagem.
- Eu e outra gaja? - Disse-me para não me meter contigo.
Ainda essa conversa? Não, meu, não.
Eu quero... isto é um saco de 20 dólares. Não me vais dar dez, caralho.
O teu problema é que não sabes contar.
Devias ir para a escola.
Hoje é domingo.
Sei lá, podias ter aulas ao fim de semana. Tens é de ir à escola.
Tu e a tua irmã ranhosa precisam de Jesus.
Vai-te foder!
- Vai tu. - Velhadas.
BRINQUEDO DO DUTCH
Dou-te isto se me deixares fumar contigo.
Olha o frito do Dutch.
É o pior traficante que já existiu.
Como é que ele vende tanta droga
e não faz guito nenhum?
- Cala-te. Ele, ao menos, tem trabalho. - Eu sou rapper, puto cabeçudo.
Mas não te pagam.
Meu, eu ganho dinheiro a roubar.
- Ele tem é de arranjar trabalho. - É isso mesmo. Teso do caraças.
Ele dá nisto todos os dias.
Mas só roubou uma desgraçada.
- O quê? - Tu roubas.
Uma velhota.
Estou-me nas tintas. E fiquei-lhe com o dístico de deficiente. Toma!
Olhem só.
Olha-me este carro novo.
- Mas o que é isto? - Um mulato todo betolas.
Enfim, meu.
Este gajo deve andar perdido!
Nem mais.
Esta merda é do caralho...
Eu não ia a casa há quase um ano.
E aquilo estava muito degradado.
O meu avô devia estar às voltas no caixão.
- Erva potente. - Desculpe.
Quero arranjar as unhas. Na verdade, acabei de as arranjar.
Pode servir-me frango?
- É surda? Não temos frango. - Mas vocês só vendem frango.
Que gentinha exigente!
Então, não vendem nada?
"Não vendem nada?"
Se quer frango, leve-me esse cu falso até ao J.J.'s.
É isso que vou fazer, o frango deles é melhor, velha do caraças.
Querida, tenho uma asa para ti, mas tens de dar uma comigo!
Já te viste ao espelho?
Se não estás caladinho...
Isso, tio Gus, põe essa gaja na linha!
Tens de lhe dar uma!
O que se passa? Vou cumprimentar a minha miúda.
O que se passa? Então, amor?
Não vou ao teu concerto, para de perguntar.
- Queres vir ao meu concerto? - Não, não és rapper.
O quê?
Vais querer esta pila quando eu ficar rico!
- O que acha que estou a fazer? - Não está a trabalhar. A Mamã Jay?
- Quem é você? - A Mamã Jay?
- Quem? - O gerente?
Está bem. Só um minuto, gaja.
Amor!
Amor!
Quem está para aqui a gritar? Sonny!
Tudo bem? É o meu mano mais novo de que eu te falei. O meu mano.
- O que fazes aqui? Estou a trabalhar. - O que fizeste ao restaurante da mãe?
E quem é esta tipa asquerosa...
- Espera. - Descobri-a no Instagram.
É a filha do Al Sharpton.
A quem estás a chamar asquerosa, ó merdoso do caralho?
- Já disse que sou uma dama, caralho. - Minha senhora, ouça.
- Entendido? - Este é um restaurante familiar.
- E este é o meu homem! - E você está aos gritos.
Este restaurante é do meu homem!
Julgas que estás a falar com quem?
Calma, calma. Ela ainda te dá uma facada.
Dá-te uma facada, estou a avisar-te.
- A mãe? - À frente dos clientes, não.
- Vamos embora. - Eu acompanho-te.
- A mãe adoeceu e fiquei a tratar disto. - Fizeste uma bela merda.
Porque não tomas conta disto? Tu dás-te com brancos.
És um emproado.
Não te posso ajudar, tenho trabalho.
- Despede-te. - Não me posso despedir.
Fui promovido para ir para LA, vou gerir um restaurante.
Nova Orleães não é suficientemente longe?
Não comeces com essa conversa.
Falo com a mãe todas as semanas e nunca me disse que estava doente.
Sabes como ela é.
Não vai dizer a ninguém que está doente.
Mas anda preocupada contigo.
Entendes?
Vou visitá-la.
Bebé-chorão. Vai visitá-la, eu tenho assuntos a tratar.
- Ai tens? - Tenho assuntos a tratar.
Porque não tratas disto?
- Orienta isto. - Tenho de arranjar o telhado.
Tenho de arranjar o telhado.
Vai mas é atender clientes, ouviste?
E a canalização, meu.
Mãos no volante.
Já tenho as mãos no volante.
Bem te disse que era ele.
Reconhecia este cabeção em qualquer lado.
Achas que isso tem piada?
Não podem mandar parar pessoas à toa.
Fiquei todo nervoso e nem fiz nada.
A ideia foi dela, não foi minha.
Boa, a sério.
Mighty Morphin Powers, como está o meu ranger branco preferido?
Agora, sou agente Powers.
Não te reconhecia sem a farda.
O avental?
Vejo que pouco mudou desde o fim do liceu. Continuas jeitosa.
Continuas a dar cartas em Nova Orleães?
Sim, mais ou menos.
Continuas na mesma.
- Espero que isso seja bom. - Vais ficar quanto tempo?
Alguns dias, alguns dias. Olha,
sou capaz de te telefonar, se me deres o teu número.
Não. Já tens o meu número.
- Não tenho, não. - Cento e doze.
Podes ir.
Não arranjes problemas, cabeçudo.
Ela podia prender-me quando quisesse.
GINÁSIO DE PUGILISMO PHILLIPS
- o Que fazes aqui, merda? - Chiça, pensei que era um eclipse.
Fica sabendo que o K.P. me pediu para vir aqui pessoalmente.
Salta da merda do carro.
Julgava que estavas preso.
Chiça, é isto mesmo.
Não estiveste nada mal. Não?
Eu também tenho jeito, K.P.
Estamos quites?
Meu...
Mas que merda é esta?
Meu Deus!
Merda!
- Agora, estamos quites. - Mas que merda foi esta?
Querias vir a seguir?
- Sobe. - Não, meu, não.
- Estou bem aqui. - Estás com algum problema?
Não posso fazer nada, sou fraco dos joelhos.
Estou constipado.
Ele devia-me dinheiro.
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