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UM FILME ORIGINAL NETFLIX
VIAJAR
Chamo-me Juanita Lewiston.
Faço o segundo turno, aqui, no Saint Pete.
Bom, agora chamam-lhe Centro de Saúde de Fairdell. Como quiserem.
Ninguém me consultou sobre a mudança de nome.
Mas ainda sou eu que limpo a trapalhada que esta gente faz.
- Viva, amiga. - Olá.
Mas alguns doentes são simpáticos.
Como a Sra. Berman. Ela é amorosa.
Não que eu adore o que faço.
É só trabalho. Semanas de cinco, seis dias.
Das 14h30 às 00h30.
E não ando a dormir nem a tomar banhos de espuma prolongados,
entre os turnos.
Porque eu tenho família.
- Viva, Sra. Berman. - Viva.
Esta é a minha neta, a Teisha.
Teisha, como é que já sou avó?
Isso é algo que não sabes, pois não?
Isso não sabes.
Digo-lhes como. Apresento-lhes a minha filha, a Bertie.
A minha mamã disse-me para esperar para ter filhos e eu esperei.
Mas devia ter esperado mais.
Fiz o melhor que pude, mas a Bertie deixou a escola,
foi mãe aos 19 e veio viver comigo e com o Rashawn,
o meio-irmão dela.
O Rashawn é esperto o suficiente para não ter emprego,
mas ter sempre dinheiro no bolso.
Mas não é esperto o suficiente para ser uma testemunha protegida.
Sou um clichê do gueto.
E tu és a minha netinha linda do gueto, não é verdade?
Olha, é o Swee'pea.
Mamã.
Mamã.
- Mamã! - O que é?
Sorris outra vez para a TV.
Não há problema nenhum em sorrir.
Gosto do Popeye e do Swee'pea.
Teisha, cagaste nas cuecas, não foi?
Mamã, vou sair. Ficas com ela?
- Não. É a minha noite de folga. - Não saio há dois dias.
E não sais esta noite. Pega na tua filha.
Mas já estou vestida.
- Onde anda o Rashawn? - Não está.
Ela adormece logo, sim?
E ficas com a casa para ti, para variar.
Sim? Amo-te. Tenho de ir.
Teisha, a tua mamã é uma vadia.
Sabes, não sabes?
- Juanita. - Olha.
Blair Underwood.
Desde que te conheci, parece que respiro de outro lado.
- Parece um tambor. - Só te quero fazer feliz, querida.
Posso fazer isso?
Trabalho neste sítio há nove anos.
Continuo a receber, líquidos, 12,50 dólares à hora.
Devem estar a dizer: “Pelo menos, tens trabalho.”
Eu percebo.
Mas nem tenho tempo para sonhar com o Blair Underwood.
- Vincent, Jacob, viva. - Viva, Juanita.
Desculpem se não dou graças pelo que tenho.
Como está o seu outro filho?
Começa por R.
O Randy.
Está bem, Sra. Berman.
Está na prisão mas, fora isso, está a sair-se bem.
Mas que bom.
Desculpe, tome. Aqui.
- E já fez amigos novos? - Não.
Mas o desgraçado do irmão deve fazer-lhe companhia em breve.
Pelo menos, isso.
Isso é bom para ambos.
Sim, podem viver juntos.
Sim. E escolher cortinas novas.
A Sra. Berman era bailarina.
Foi muitas vezes à Europa.
Boa noite.
Faço exercício no pátio, todos os dias, com pessoal que me protege.
Mas não jogo muito básquete, porque é quando vou à biblioteca.
Que bom, querido. O tempo passa mais depressa.
Nada faz o tempo passar mais depressa aqui.
Eu sei. Mas estás a aproveitar bem o tempo.
Sim. Deve ser melhor do que ser idiota.
É isso mesmo. És um tipo inteligente.
Estou orgulhosa, Randy. Acredito em ti.
Obrigado, mãe.
Ouve.
Estava a pensar em… Talvez fazer uma pequena viagem.
Tenho de me afastar, Randy. É algo que tenho de fazer.
Aonde vais?
Não sei.
Mas, às vezes, sinto
que, se não sair de Columbus, perco o juízo.
Percebo-te perfeitamente.
Faz o que tens de fazer.
Está bem.
Ótimo.
Não sei quando vou mas, quando for, aviso-te.
- Está bem. - Acabou o tempo. Terminem.
Tenho de desligar. Há muito pessoal à espera.
Mas vai. E não te preocupes comigo.
Está bem.
Amo-te, filho.
Também te amo, mãe.
Tenho de ir trabalhar.
Viva! Como…
O quê? Onde é que vais?
- Tenho umas ideias. - Nem sabes?
Ainda não decidi.
Mãe, estás-te a passar. Isso são tretas.
Não são nada. Tu tens de arranjar trabalho.
E tu tens de olhar por ela e pelo bebé.
Mãe, não vais a lado nenhum, não é a sério.
Não é, uma ova! Vocês são adultos.
Não vou ficar aqui ao vosso dispor. Têm de se desenrascar.
E não tenho de dizer onde vou ou quando volto.
Aliás, já não me cabe fazer merda nenhuma por vocês.
Livra! Toma o teu bebé.
Merda.
Ainda não sei para onde vou.
Mas, depois disto, é melhor fazer as malas.
Juanita.
Caramba.
SALÃO DE JOGO GOLDEN NUGGET
Então… Florida?
Com certeza.
Mas têm furacões por lá, Blair Underwood.
- Metade das pessoas nem fala inglês. - Sim.
Mas Miami é emocionante e muito pescada.
Sim, mas Miami é emocionante e muito sensual.
- É o que quer dizer, querido? - Sim, mamã querida.
- Não me chames “mamã”, Blair Underwood. - Certo.
- Não sou tua mamã. - A culpa foi minha, desculpa.
- O que raio se passa contigo? - Não sei.
Pronto. Olha só. Anda.
O quê? Anda. Lá está.
Não te magoes.
Achas mesmo que a Florida é boa ideia?
Acho. E, por falar em boas ideias…
Talvez pudéssemos…
… experimentar algo diferente, esta noite.
- O que achas? - Em que é que estavas a pensar?
Talvez faça um pouco disto.
E talvez mova isto para aqui.
E talvez trabalhe este joanete.
Vou trabalhar e abrir caminho por aí acima.
Mas, antes de ir mais longe, há algo que preciso de saber.
- A palavra de segurança? - Não.
O que preciso de saber é…
Emprestas-me 50 dólares?
- O quê? - Não, 60. Sessenta era perfeito.
Não, não te empresto 60 dólares, Blair Underwood.
Não são para mim.
São para um projeto com o Denzel.
Parker, o meu vizinho.
Precisamos de capital para a ideia de uma carrinha de queques.
Uma carrinha de comida, mas só com queques.
Não. Não estou a ouvir isto.
- Vá lá, querida. Sabes que te pago. - Não sei.
Sabes, sim! Ouve, estou aqui. Estou a cuidar de ti.
Vá lá. Só te peço que também cuides de mim, só isso.
Cuidar de ti? Tu também?
Tenho três filhos adultos de dois caloteiros, Blair Underwood.
Compreendo. Queres tempo para pensar no assunto.
- Não preciso de pensar. - Tudo bem.
- Eu volto. - Quando?
Quando pensares bem na minha proposta.
Acreditam nesta merda?
O único homem que tenho acabou de me pedir dinheiro.
E ele nem é real.
Uma coisa eu sei. Não vou para Miami.
Aliás, deixa cá ver
até onde, na direção oposta, é que consigo ir,
longe de Miami, na porra da Florida.
Dê-me um minuto, querida.
- Para onde é que vais? - Oeste.
Na direção…
… Oeste.
Como é que vais lá chegar?
De autocarro.
Vais meter-te num autocarro sem saber para onde vais?
Ainda não decidi.
Estás doente?
Apanhaste cancro de um dos teus doentes?
E se tens um ataque de pânico?
O cancro não se apanha.
Ouve, tenho a renda paga até ao final do próximo mês.
A Bertie vai precisar de trabalhar…
Precisa de trabalhar há algum tempo.
Em vez de ficar à espera…
Terá de arranjar um emprego.
Se a quiseres ajudar, e a mim, é a tua oportunidade.
- Está bem. - Obrigada.
Não tens de quê.
Só te vim dizer que vou fazer esta viagem
e que terei saudades tuas,
mas não muitas.
Pelo menos, durante uns tempos.
- Julgas que tens piada. - Tenho.
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