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Quem cresce no Ohio quer ser um Buckeye.
A Ohio State é uma identidade de vitória.
E isso caracteriza-nos.
O impacto do departamento desportivo da Ohio State
não pode ser exagerado.
É um motivo de orgulho.
- O-h! - I-o!
- O-h! - I-o!
- O-h! - I-o!
Foi e continua a ser um dos mais bem equipados, financiados
e luxuosos departamentos desportivos do país.
É o maior exemplo do desporto universitário.
Um Buckeye da Ohio State é um autêntico super-herói.
Tinha muito orgulho em ser Buckeye.
Era muito, muito importante.
Éramos atletas da Ohio State.
Era tudo para nós.
Sangrávamos OSU.
Os Buckeyes são uma religião.
Mas nós acreditávamos na Universidade Ohio State.
Acreditávamos no escarlate e no cinzento.
Até descobrirmos a verdade.
UNIVERSIDADE OHIO STATE COLUMBUS, OHIO
SILÊNCIO!
Alegações de conduta sexual imprópria há 40 anos
na Universidade Ohio State.
A Ohio State está a investigar um ex-treinador da equipa de luta livre.
O treinador é o Dr. Richard Strauss.
Hoje, em exclusivo, temos a vítima que diz ter sido
quem iniciou a investigação e vem falar sobre as alegações.
Quando comecei a cobrir a história inicial, em 2018,
centrava-se num homem, um lutador da Universidade Ohio State
que alegava ter sido abusado por um médico da equipa.
Comecei por pensar: "Isso será verdade? Será mesmo?"
Mas o que ele dizia era muito polémico,
que um médico da universidade
vinha a abusar sexualmente não só dele, como de outros atletas,
e já durava há décadas.
E outros começaram a dar a cara.
Mais um antigo aluno...
Mais dois antigos Buckeyes vieram a público...
Mais vítimas avançam com alegações contra...
E isso incitou-me a investigar.
Novos detalhes sobre a alegada conduta sexual imprópria
de um médico da equipa de luta livre da OSU.
Quem era o médico acusado?
Tive dificuldade em encontrar informações.
É muito difícil encontrar
uma fotografia deste Dr. Richard Strauss.
A universidade não tem muitos registos fotográficos
deste homem.
É uma espécie de enigma.
É estranho.
Quase parecia ter sido planeado,
o que tornou tudo isto ainda mais inquietante.
UNIVERSIDADE OHIO STATE
Sempre fomos uma família Buckeye com orgulho.
Quando fui deixar o meu filho a um dormitório da Ohio State,
tinha 18 anos, era o primeiro a sair do ninho
e saí lavada em lágrimas.
Mas pensei: "Bom, ao menos fica em boas mãos.
"Está na Ohio State."
Todos estes homens foram deixados na Ohio State.
Quero saber a razão para isto lhes ter acontecido.
Como um predador sexual pôde permanecer na universidade
durante 20 anos.
Como é que isso aconteceu?
Quando rebentou o escândalo,
pensei de imediato
se me queria meter nisto.
Ia por um caminho para o qual não estava preparado.
E, por isso, fiquei quieto.
Sou professor numa escola pública
e, um dia,
estou na sala de professores
e alguns estão a falar sobre isso.
E...
... um dos professores, mais velho,
diz: "Ora, eu não acredito nisso. Se estivesse lá, se fosse comigo...
"Dava uma sova ao gajo."
E eu só penso: "Meu, não fazes ideia do que dizes."
E o pensamento seguinte foi:
"Vou ter de falar sobre isto. Merda. Aqui vamos nós."
OS BUCKEYES DA OHIO STATE DE 1988-89
Pelos Buckeyes, Dan Ritchie.
Fica aí!
Perna! Não passes por trás! Perna!
Meti-me na luta livre porque o meu pai pensou
que seria bom para mim.
Iria tornar-me mais forte, pôr-me em forma.
Na altura, era meio lingrinhas,
mas algo na luta livre me apelava.
E... eu cresci com ela.
Tornou-se parte de mim.
Era espetacular.
Gostava de estar lá sozinho, por minha conta.
Sabia que se me esforçasse muito, e ganhasse,
era porque trabalhara para isso.
E eu trabalhei para isso.
E ganhei.
O meu treinador do liceu mostrou-me as classificações no início
e disse-me: "Estás em primeiro no ranking estadual."
Eu: "O quê?" Fiquei parvo. E, para mim, foi fantástico.
Como Ritchie veio de uma escola do sul,
muitos duvidaram das suas capacidades,
mas ele passou o ano a ganhar.
Passei a época inteira sem perder e ganhei o torneio estadual.
E o campeão estadual de 1988
com 76 Kg em duplo A, Dan Ritchie.
Dan Ritchie!
E foi assim que consegui
a bolsa de estudos para a OSU.
UNIVERSIDADE OHIO STATE
Cheguei lá em 1988.
Na minha cidade natal, éramos 32 mil habitantes.
Só a Ohio State
tinha 50 mil pessoas, pelo que era assoberbante.
Mas pensei que, com a luta livre,
teria um grupo com quem poderia conviver.
Conheci o meu colega, Mike Schyck, outro lutador,
e demo-nos logo bem.
Quando conheci o Dan...
Ele tinha riscas à Vanilla Ice...
... no cabelo.
Só pensei: "Vou partilhar quarto com este? Não!"
Passado pouco tempo, tornámo-nos melhores amigos.
Adorávamos luta livre. Mais do que adorávamos.
A luta livre era tudo para mim.
E já o era desde miúdo.
Força, Mike!
Era meio desastrado em miúdo.
Se continuarmos a colaborar, chegamos ao campeonato estatal.
No 8.º ano, ganhei a um finalista. Cheguei ao campeonato.
Fui o primeiro aluno do 8.º ano a chegar lá.
Fui à final no primeiro ano
e fiquei em segundo.
No segundo ano, fiquei em terceiro.
E ganhei nos dois anos seguintes.
Com 69 Kg, o nosso campeão, Mike Schyck.
Várias universidades enviaram cartas e pedidos de recrutamento.
Até recebi cartas
do treinador principal da OSU, Russ Hellickson.
O Russ era bicampeão olímpico
e um dos melhores treinadores do país.
Pessoal, eu sento-me ali, ao canto, como treinador de luta livre.
Não vejo luta suficiente.
Russ estava a começar como treinador da Ohio State
e prometeu criar vencedores.
Era isso que queria. Zero desculpas.
Malta, no mínimo, quando voltarem a casa,
estarão em melhor forma do que quaisquer outros.
O Hellickson veio com o assistente, o Jim Jordan,
e o Jordan era uma lenda.
Vi-o vencer o primeiro título da NCAA.
Depois ganhou outro título no ano seguinte.
Foi incrível.
Não escolhi a OSU pela universidade.
Escolhi-a pelo Russ e o Jim.
E pelo programa que desenvolveram.
Eles iam até ao fim. E eu queria isso.
Aquela equipa
permitia-me realizar o meu sonho de ser mais do que campeão nacional.
Mas tinha grandes sonhos.
Ia ser campeão olímpico.
O Russ Hellickson, atleta olímpico, podia ter ajudado a realizar esse sonho.
E todos conheciam o Jim Jordan.
O tipo era uma besta.
Muito religioso, honesto...
Era o bom da fita.
Ao mesmo tempo, dava coças valentes.
Era o homem perfeito.
Após uma luta renhida, o Jim disse-me:
"Meu, grande luta.
"Acho que vens para a equipa."
E fiquei empolgado por entrar.
Muito empolgado.
Vi muito potencial na Ohio State.
Olhamos à volta e pensamos em campeões nacionais.
Vamos a isto.
GINÁSIO CASTANHO
No início do ano letivo, tínhamos os exames físicos.
Fiz exames no liceu,
em que o médico de família fazia coisas mínimas.
Era entrar e sair.
Isto era diferente.
Faziam exames em massa
com postos diferentes.
Íamos a um posto e davam-nos um bocal.
Íamos a outro
e mediam-nos a tensão.
Depois íamos a outro e testavam os reflexos.
Por fim, íamos para uma fila
mesmo em frente a uma porta.
Essa fila era grande.
SALA DE EXAMES
E tipos mais velhos comentavam: "Olha que vai demorar um bocado."
Disseram: "O médico vai gostar de ti."
Depois riram-se um bocado
e eu sem perceber a razão.
Chegou a minha vez.
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