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Keleson. Keleson. Keleson. Senhoras e senhores, Keleson!
Bom dia, senhoras e senhores.
Senhoras e senhores ou damas e cavalheiros?
Damas e cavalheiros, Keleson! Keleson!
Sou o Onur Güzel, da Fevzi Chemistry. Sejam bem-vindos.
Sejam bem-vindos? Que raio é isso?
Keleson é o produto milagroso que vos quero apresentar hoje.
É uma espuma que se aplica nas áreas com pouco cabelo.
E que só tem de se passar por água, dois minutos depois.
Dentro dos micro-grânulos, contém...
Micro-grânulos.
Micro-grânulos! Como é que era?
Micro-grânulos de queratina.
Micro-grânulos de queratina.
Depois vejo. Deixa lá pôr isto mais alto.
MEU AMOR
- Estou, querida? - Escuta, Onur.
Contei aos meus pais. Já não há volta a dar.
Tens mesmo de vir.
E vou. Prometi e não me atrasarei.
Se evitares cruzar-te com o meu pai outra vez,
ele vai-se passar. Sabes disso, não sabes?
Se o evitares outra vez, isto acaba mesmo antes de começar.
Querida, eu mandei-te o meu calendário ontem.
Tenho de estar em Ayvalık no primeiro dia da Festa para a apresentação.
Vou fazer a apresentação do Keleson e, depois, vou ter contigo para jantar.
A casa dos teus pais é a cinco minutos do hotel.
Já verifiquei no mapa. Tu não confias mesmo em mim.
Será porque já prometeste visitá-los três vezes e nunca foste?
Mas não tinha prometido. Disse que iria, se tivesse dispensa, e não tive.
Desta vez vou mesmo. Está prometido para amanhã.
Adiante. É tua última oportunidade de conheceres a minha família.
Se é que a queres conhecer, claro.
Claro que eu quero, meu amor.
- Jura por Deus. - Juro por Deus.
Diz: "Que fique cego, se estou a mentir."
Que fique cego, se estou a mentir.
Diz: "Que fique reduzido a cinzas e que as cinzas voem para o lixo."
Que Deus me castigue, se estou a mentir.
Estás a gozar comigo?
Vou entrar num túnel, posso perder rede.
Não podes entrar, enquanto falas comigo. Tens de pedir desculpa.
Já te ligo a...
Onur? Estou?
Onur?
Cabe à vontade. Continua.
Cabe entre os dois. Não te preocupes.
- Está bem. - Vá, entra.
Para a frente. Abre a janela.
Para a frente. Agora para a direita.
Vira tudo e continua. Anda.
Vou bater no passeio.
Não faz mal, anda. O passeio é baixo.
Continua.
Não, para a frente.
Para a frente. Tudo para a frente.
Vira tudo e anda.
- Assim? - Isso mesmo.
- Virei tudo. - Tudo, vá.
Isso, continua.
Boa. Agora vira para a esquerda.
- Assim? - Sim, continua.
Continua. Pronto, chega.
- Agora direita e em frente. - Está bem.
Agora, esquerda.
Alto!
Alto! Já chega. Pode ficar assim.
Está bom assim.
- Muito obrigado, amigo. - De nada.
É doido ou quê?
- Aqui está o seu carro. - Onde estava? Estou aqui a assar.
Não havia lugar aqui. Estacionei lá em baixo. Desculpe, tia.
"Tia"?
- Bateu com o meu carro? - O quê?
Nem pensar! Isso já estava.
Alguém o riscou antes.
- Que está a dizer? - Que está riscado.
Isto é riscado! Isto é uma batida. Acha que estou a mentir?
Juro que não fui eu. Já estava assim, quando chegou, tia.
Não me chame "tia"! Bateu com o meu carro!
- Admita! - Porque haveria de mentir?
- Admita que o fez! - Mas, repare...
Bateu com o meu carro, é claro como água.
- Bateu! - Chega, tia!
Porque lhe haveria de mentir? Não me enerve!
- Şeref, que estás a fazer? - Louca!
Saia da frente!
Aqui está o seu carro.
Está bem.
O Dr. Kamuran diz que não vai receber mais ninguém hoje.
Mas eu tinha marcado.
Isto é muito importante para mim.
Infelizmente, não posso fazer nada.
Só preciso de cinco minutos. Nem chega a seis.
São só cinco minutos. É muito importante, por favor.
Dei-te uns destes.
Meu Deus.
Estou-me a passar! Sei lá quem é que lhes anda a mexer agora!
Acredita, foi um erro isolado, Kamuran.
Parabéns! Um erro isolado. Tudo são coisas isoladas!
Fiz tanto por ti.
Arranjei-te o corpo todo de graça! Não me pagaste um tostão!
Eras um patinho feio e fiz de ti um cisne!
Eras o meu cisne... E olha o que fizeste.
Traíste-me... Puseste-me os cornos!
Traíste-me!
Então e, se quiser voltar, quando poderá ser?
Deixe-me ver.
- Volto já! - Não pode entrar aí!
Toma lá as tuas mamas!
Era melhor vê-las postas, claro.
Doutor, tentei impedi-lo...
Bom dia, tenho tentado encontrar-me consigo há meses.
Deixe-me apresentar-me. Sou o Onur Güzel da Fevzi Chemistry.
Só lhe peço cinco minutos para lhe apresentar o meu produto e depois saio.
Aqui estão umas lembranças que a minha empresa fez para si.
Um caderno personalizado. Tome.
Estamos a conversar. Por favor, saia.
Achei que poderia não gostar, portanto aqui está outra coisa.
Uma lembrança dos nossos supositórios antipiréticos.
É um porta-canetas. Põe-se a caneta assim.
Dará personalidade à sua secretária.
Pegue nisso e saia daqui! Estamos a conversar.
Uma bandolete! Fizemos uma edição limitada para a Festa do Sacrifício.
- Pare! - Senhor doutor, por favor.
- Pare! Saia já daqui. - Por favor...
Ela também teve um caso consigo? É isso que está a insinuar?
Não!
Não, senhor. Isso foi para a Festa do Sacríficio. É uma coisa de vaca.
Tem cornos! Que quer dizer com isso?
- Senhor, por favor. - Venha cá!
- Por favor. - Venha cá!
- Não é o que pensa. - Por favor!
- Para! - Também dormiu com ela, não foi?
- Sai daqui. - Parvalhão!
Nazmi, não faças isto. Haşmet, para onde vou agora?
Devias ter pensado nisso antes.
Vamos esquecer isto. Vamos virar a página.
Já não há mais páginas.
Está bem. Paga-me a indemnização e eu vou.
Que indemnização? Nem tratámos do teu seguro.
Então, trata. Estou à espera, vá.
A tua indemnização será para pagar o carro.
Deviam ter vergonha!
Se não me querem aqui, também não vos quero.
Também não quero a vossa farda!
Fiquem com ela. Passo-me com vocês!
- Batam-lhe! - Anda cá!
Não corras, seu parvalhão!
Bom dia.
Olá.
Olá, Deniz.
- Como estás, Nazlı? - Olá, Onur.
Onur, o patrão quer falar contigo.
Sobre?
Deve ser sobre a apresentação de Ayvalık.
- Porque estás tão feliz? - A vida é linda.
O ambiente aqui é ótimo. Adoro o meu trabalho.
Estou a ver.
ONUR GÜZEL DELEGADO DE INFORMAÇÃO MÉDICA
Entra.
Pediu para falar comigo, senhor?
Foste falar com o Kamuran.
Senhor, ele percebeu tudo mal.
Ele atacou-me logo e nem sequer me ouviu.
Onur, o Karuman é um homem estranho,
mas é um cirurgião plástico muito importante na sua área.
- Certo. - Portanto, não estou satisfeito com isto.
Peço imensa desculpa, senhor.
Pedes desculpa?
- Senta-te. - Perdão?
Vou fazer abdominais. Senta-te.
Ah, abdominais. Pensei que...
- Vou dobrar os joelhos assim. - Quando?
- Assim. - Está bem.
- Está confortável? - Senta-te.
- Está bom assim? - Sim.
Escuta, mano.
- Posso tratar-te por "mano", certo? - Claro.
Estás a trabalhar aqui há seis meses,
e as tuas vendas são uma porcaria.
Bem, demorei um pouco a adaptar-me à empresa.
Se me puder dar mais tempo...
Não temos tempo. Temos muita concorrência.
- Nunca temos tempo. - Tem razão, mas...
- Querido. Posso chamar-te "querido"? - Sim.
Querido, custa-me dizer-te isto a dois dias da Festa do Sacrifício,
mas é muito complicado ter-te connosco nestas circunstâncias.
Há muita gente a querer fazer o que tu fazes.
Senhor, por favor. Vou para Ayvalık, amanhã.
Estou a preparar a apresentação do Keleson há meses, por favor!
Vou esforçar-me muito. Farei uma grande apresentação
e conseguirei muitas encomendas, prometo!
Quando decido algo, nunca volto atrás.
O Ahmet irá no teu lugar.
O Ahmet? Por favor, não me faça isto.
Preparei-me tanto. Eu consigo.
Impossível
Imploro-lhe, senhor. Dê-me outra oportunidade!
Cala-te.
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