처음 200줄입니다.
No alvorecer do século VII d.C...
A Europa, devastada por guerra, invasões, fome, regicídio e peste
assistia à ascensão de três figuras notáveis.
Em Roma, ainda marcada pelas invasões bárbaras de Alarico, o Papa Honório I
um pontífice severo mas iluminado.
No Oriente, o imperador Heráclio I, herdeiro do antigo trono de Bizâncio
ambicioso e astuto.
Para além dos Alpes, Dagoberto I da dinastia merovíngia.
Os destinos destes três homens estão entrelaçados
levariam a consequências imprevistas.
Heráclio I, Honório I, Dagoberto I...
Qual deles se elevará verdadeiramente acima dos outros? Em breve descobriremos.
BOM REI DAGOBERTO
Pecador impenitente!
- Quem falou? - A Santa Igreja.
Otarius! Eu estava a ter um sonho delicioso, e tu acordaste-me a guinchar como um leitão.
Sou a voz da Santa Igreja. Vigio para que tu, pecador
não cometas fornicação fora do vaso sagrado de Nanthilde, tua esposa...
- Perante Deus e os homens. - Mas Alpaide ainda me amamenta.
Ela dá-me banho, cuida de mim. É como uma segunda mãe para mim.
E ela fez-te esquecer tudo o que a tua mãe te ensinou.
Nem tudo!
Ela também me ensinou a nunca confiar em monges.
Mas eu não sou um monge comum. Sou o tutor do palácio. Nunca te esqueças disso, Dagoberto.
Que sonho agradável estavas a ter, meu rei?
Se to contasse, deixaria de ser o meu sonho.
O Diabo infiltra-se muitas vezes nos nossos sonhos.
- E como entra? - Pelas narinas.
Foi isso que declarou o último Concílio dos Bispos da Campânia.
- E se tapar o nariz? - Então usará os teus ouvidos.
Posso também bloquear esses. E não me fales dos seus outros possíveis pontos de entrada.
O Diabo sabe, tal como tu e eu, que sofro de disenteria. Não ousaria.
- Mas, Majestade! - Vai-te embora!
Cuidado, Majestade! Nenhuma coroa pode proteger quem a usa da ira do Todo-Poderoso!
Nenhuma cabeça está a salvo de cair, nem mesmo uma que use uma coroa.
E se eu perder a paciência, mando-te decapitar. Fora daqui!
Tu és o próprio diabo.
O leite acabou. Que pena.
Alpaide!
Parece algo saído de um cemitério.
Sonhei que estava deitado numa cama quente e confortável, com o sol a brilhar lá fora.
- Sonhei que estava a jogar com o rei. - A jogar o quê?
- Não te digo. - Vá lá, diz-nos.
Não.
Vá lá, o rei está à nossa espera.
Alto!
Porque é que paramos?
- O que se passa? - Não sei.
Livrai-nos do mal! Avisem rapidamente o rei!
Arranha aí. - Majestade!
- Assim? - Sim. O que é isto?
Há perigo à frente. Vem depressa, é importante.
- Mais importante do que o que estou a fazer? - Receio que sim, Majestade.
Outra interrupção! Vês? Um rei nem pode aliviar-se em paz.
Dá-me aquilo... a capa ali.
- Como está? - Suave.
- E o cheiro? - Forte!
Então devo estar a melhorar.
- O que é, monge? - Majestade!
- O que é? - Algo terrível, Majestade!
Aqui está sempre a acontecer alguma coisa!
- Vem, Majestade. - O que é isso? Mostra-me.
É uma cabeça de porco com uma coroa. A mensagem é clara.
- Há um espião entre nós. - É o símbolo dos bárbaros, meu rei.
Sim, tens razão. Livrem-se disso. Agora!
Majestade, preferia meter o braço no fogo a tocar nessa coisa amaldiçoada.
- Bem... então tu. - Eu?
Sim, tu! É o teu rei que ordena.
Não me disseste cem vezes que a superstição
e a feitiçaria não têm lugar num coração cristão?
- É verdade, Majestade. - Qual de nós é o melhor cristão?
- Tu ou eu? - Eu, Majestade.
Então prova-o. Tira isso daí! Lança esta maldição fora, ordeno-te!
"Pelas sagradas chagas de Cristo", Majestade...
Terei de rezar e recitar ladainhas durante bastante tempo antes de lhe tocar.
Quanto tempo vai demorar?
- Pelo menos três ampulhetas. - Não, isso é demasiado tempo!
Chega. Abram caminho agora!
- Deixem passar o vosso rei. - Majestade!
- Tu, move esse fetiche. - Eu? - Sim. - Tu.
- Então ele. - Eu? - Ele! - Eu? - Tu! - Ele! Não, ele!
O que se passa aqui?
Meu Deus... ajuda-me!
- Os bárbaros! Os bárbaros! - Dagoberto, os bárbaros!
Oh Deus, os bárbaros. Corramos!
Soldados, salvem o vosso rei! Deem a vida, se necessário.
Meu Deus! Vamos sair daqui!
Rápido, a minha espada! Dá-me a minha espada. Quando é precisa, nunca está aqui.
- Tu aí, vem cá. - Sim, meu rei.
- Leva a coroa para um lugar seguro. - Obrigado, Majestade.
Homem sortudo. Morreu pelo seu rei.
Sigam-me. O vosso rei proteger-vos-á.
- Socorro! - Socorro! - Cada um por si! - Socorro, querem violar-nos!
Deixem-nos. A guerra é a guerra.
Um cavalo! O meu reino por um cavalo!
Quem é?
Tu, Majestade... Dagoberto!
Meu rei! Ah, meu rei.
- Vamos, levanta-te. -
- Quem és tu? - O meu nome é Chrodilde.
Já te vi antes. Fazes parte da minha comitiva?
Sim, sirvo na cozinha.
- Estás com frio, hein? - Sim, majestade.
Estás com frio, não estás?
- O meu manto. - Obrigado, Majestade.
É pesado, não é?
Espera, vamos fazer assim. Pronto.
Sentes-te bem debaixo do manto do rei?
- Sim. - Estás prometida?
- Não tens medo do teu rei, pois não? - Não, majestade.
- Quantos anos tens? - Dezasseis, majestade. Uma bela idade.
- Lobos, Majestade! Lobos! - Onde? Ali.
- Majestade! - Coragem, corre!
Não me deixes… tenho medo!
Desgraça… Vergonha!
Um rei sem coroa nem espada vale menos que um homem. Até os lobos o sabem.
Lá estão eles… a rir-se de mim. “Lupus diabolicus”.
Tudo está perdido, até a honra. Abandonei os meus fiéis súbditos
as minhas dedicadas criadas. Estou sozinho numa árvore no meio da floresta!
- Eu… o rei? - Eu também estou aqui, meu rei.
- Quem és tu? - Chrodilde. Não estás sozinho, Majestade.
Tinha-te esquecido… a minha mente está perturbada
todos aqueles pobres soldados massacrados,
e Alpaide nas mãos de… aqueles vilões, negros como o inferno!
A propósito… quão habilidosa és no “bocce”?
Não posso competir com Alpaide, mas safo-me.
Não contra o teu rei, espero. Vamos… mostra-me. Mostra-me!
O teu rei é o melhor juiz do reino.
Pela minha coroa perdida, juro que o Criador não te negou a sua graça.
Chrodilde, Chrodilde… desejo-te… vem. Majestade! Mas sou uma donzela.
- Tenho medo. - Deixa-me esquecer a minha derrota.
Vem aqui, eu sou o teu rei.
Eu sou o cavaleiro e tu és o cavalo.
- Já não estou sozinho. - Só boas notícias esta noite.
Espera, espera.
Oh, sim! Mãe!
O que se passa? Quem és tu?
- Porquê? - O que queres dizer com porquê? Eu disse, quem és tu?
- Otarius. - Otarius?
- E tu? - Eu sou o rei! Quem mais?
Graças a Deus! Majestade, sois vós. Então estavas a espiar-me. E viste?
Só ouvi. Ouvi uma voz feminina a gritar “mãe”. Não estás sozinho?
Bem, não… não completamente.
Ouviste bem, de facto “mãe”. Eu estava a desflorar uma virgem. Numa árvore?
Bem, os pássaros não fazem outra coisa nas árvores. Sua Santidade
escreveu-me que desaprova os teus feitos adúlteros!
Não desafies a ira de Deus! Hoje o teu Deus esqueceu-se de mim.
Achas normal que o rei dos francos esteja empoleirado num ramo
com lobos a babar à espera que ele caia? Protesto! Vá, diz-lhe.
Não estou muito familiarizado com ele, e isso é trabalho teu. Vá, reza, espero.
Olha, meu rei, os lobos estão a ir embora. Bravo, Otarius!
Obrigado, Senhor. Meu Deus, perdoa-me.
Prometo consagrar-me a mim e ao meu povo à defesa da Igreja.
Olha!
Ah, retiro a minha promessa. É Argobal.
Coragem, Argobal.
Maldito Judas! Está a vir na nossa direção.
Argobal, idiota, o que estás a fazer? Não os tragas para aqui! Já não há espaço.
Esse tipo vai denunciar o seu rei.
Meu Deus, deixa-me sair daqui,
e juro pela Santa Cruz que irei a Roma ao bom Papa Onorius
para me tornar um cristão melhor, juro.
Senhor, salva-nos, o rei jurou. Aí vêm eles.
Argobal, meu herói destemido, consegues ouvir-me?
- Sim, meu rei. - Bem.
Pela tua coragem, nomeio-te conde. Estás contente? Sim, majestade.
Monge, abençoa-o.
Majestade... Vá primeiro, monge. Parece podre.
- É firme? - Sim, majestade.
- Majestade... - Ah não, não exageremos.
Ali. Apanhei uma febre quartã, sentes? Sim, sim, estás quente.
O que é isso? Que animal é esse, monge? Um urso?
Ah não, é um lenhador. Vem, rachador de lenha. Bom homem.
Eu sou o teu rei.
Como vês, a minha majestade também é um homem como tu.
- Eu? - Não, eu. Sou o rei, Dagoberto.
Cagoberto.
Dagoberto Primeiro, rei dos francos. Ele está aqui, diante de ti.
O pobre homem tem a cabeça mais dura que a sua madeira. Cabeça dura, diz-me...
Onde encontraste a coroa do teu rei?
Encontrei-a no chão, debaixo de um arbusto.
Estou feliz, parabéns, não esquecerei, mas agora tens de a devolver.
Vamos. Mas eu sou o rei, afinal! Está bem, olha.
Olha bem. Aqui tens. Vês? Sou eu, é o meu perfil.
Ele quer ver o outro perfil, o idiota.
- Devolve-a. - Dá-lha.
- Fica com ela, o rei dá-ta. - Levanta-te. Eu compro a minha coroa.
Combinado?
Rei, colocaste a coroa ao contrário.
Coloquei-a assim como sinal de que tudo correu mal desde ontem.
Talvez alguém lá em cima não goste de mim, frade?
Receio que sim.
É melhor temeres alguém cá em baixo. Tu, tira-nos daqui.
Meu simplório, mostra-nos o caminho.
As florestas são belas, adoro árvores, são minhas amigas.
Aprendi muito nestes bosques. Eu também, majestade.
Lenhador, farei de ti ministro das florestas. Oh, a febre sobe!
- Beleza, vem aqui. - Tira as mãos!
Ei, bobo, como está o rei? O que dizem os médicos sobre o seu cocó?
Não deixam entrar ninguém. Não querem que vejamos o que estão a fazer.
No comments yet. Be the first to leave one.