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UMA SÉRIE DOCUMENTAL NETFLIX
Com base no conselho do presidente da NRC,
aconselho aqueles que podem ser
particularmente suscetíveis aos efeitos de qualquer radiação,
que são as grávidas e crianças em idade pré-escolar.
deixem a área num raio de oito quilómetros
das instalações da central Three Mile Island até nova ordem.
DIA 3 30 DE MARÇO DE 1979
Esta e outras medidas de contingência
baseiam-se na minha convicção de que é melhor ter prudência excessiva.
Fiquem dentro de casa. Fechem janelas e portas.
Isto é apenas uma medida de precaução.
Os negócios fecharam à medida que donos e trabalhadores deixam a área.
As escolas num raio de oito quilómetros da central
foram fechadas indefinidamente.
Lembro-me de haver grande confusão na sala de aula.
Os professores estavam reunidos no corredor.
Com seis anos, somos intrometidos, ponto final.
Mas via-se pelas caras deles que era, sem dúvida, algo alarmante.
Sei que a minha mãe ligou várias vezes para a escola,
mas a chamada não passava.
Lembro-me de nos dizerem para voltarmos para os nossos lugares
e tentarem manter-nos calmos e ocupados,
e que voltaríamos para casa de autocarro.
Ao olhar pela janela,
viam-se filas de carros para sair.
As buzinas não paravam.
Era ensurdecedor.
Vi pessoas de fatos brancos
a andar de um lado para o outro na rua.
Penso: "Parece Star Wars." Os Stormtroopers.
Mas não sabia porque estavam lá.
"O que vai acontecer?"
Oficiais da proteção civil nos quatro condados vizinhos,
estabeleceram centros de evacuação para quem quiser sair.
E residentes num raio de 16 km
foram instados a ficar dentro de casa indefinidamente.
Fechem janelas e portas.
Sintonizem a vossa rádio ou televisão preferida
e aguardem mais instruções.
Thornburgh realçou mais do que uma vez
que nem ele nem ninguém ordenou uma evacuação,
mas admitiu que há sempre essa possibilidade.
Estamos apenas a pedir que todos se preparem para sair,
mas não saiam agora.
Ninguém está em perigo neste momento.
O governador foi muito específico ao dizer:
"Isto é apenas e só por precaução."
Mas causou o que estávamos a tentar evitar…
… pânico.
Para onde vão?
Para a casa da minha mãe. Não tenho para onde ir.
Vou sair daqui. Não vou voltar.
Felizmente, o meu marido estava em casa.
Tínhamos um filho na creche e eu disse-lhe:
"Temos mesmo de ir."
Uma das preocupações que tive foi: "O que devo levar?"
Era muito importante ter as certidões de nascimento dos nossos filhos
para que, Deus nos livre, nos separássemos,
eu pudesse provar que eles eram meus filhos.
Foi uma das coisas em que pensei.
E quando saímos de casa,
olhei para tudo o que amava e perguntei-me se voltaria.
Muito difícil.
O que pensou quando ouviu as últimas notícias?
Apetecia-me fugir.
Quando os meus filhos chegaram a casa, não os queria assustar.
Então, disse:
"Vamos para a casa dos avós, serão umas miniférias."
O meu objetivo era afastar os nossos filhos
deste monstro.
Os habitantes não vão esperar pela declaração oficial de evacuação.
Quase metade da população partiu.
Saíram tantas pessoas de Middletown
que a polícia impôs um recolher obrigatório das 21 às 7 horas
para evitar pilhagens.
É agora evidente
que o acidente nuclear que ocorreu na quarta-feira de manhã
foi muito mais complicado e muito mais grave
do que o público foi levado a acreditar.
Quando saímos de casa, não percebi o que se passava,
mas sabia que havia algo de errado.
E pensei: "Será que vamos voltar?
A minha casa ainda estará aqui?"
Lembro-me de ver as caras das pessoas nos seus veículos.
As pessoas estavam assustadas.
As autoridades divulgaram hoje que a radiação na cúpula do edifício
foi medida a 30 mil rems por hora,
setenta e cinco vezes a dose letal para um ser humano
e 3 mil vezes o nível de um reator nuclear em operação normal.
A pluma, que é a nuvem radioativa
que é arrastada com o vento,
dirigia-se para norte,
exatamente para onde nos dirigíamos.
Devemos tentar manter-nos longe daquilo.
Se acabarmos por entrar em contacto,
o melhor a fazer é entrar em casa, tirar a roupa
e lavá-la…
Quando chegámos aos meus sogros, mandaram-nos…
… tirar a roupa, tomar banho e mudar de roupa.
E lembro-me de pensar: "Senti-me uma leprosa."
Neste incrível terceiro dia do acidente,
confusão, contradição e perguntas
encobriram a atmosfera como partículas atómicas.
E enquanto víamos o Walter Cronkite no telejornal,
acho que a maioria ficou chocada
por isto acontecer na nossa pequena cidade.
Mas nem todos partiram. Alguns decidiram ficar.
Não saímos de Middletown, não pensámos sair.
Se fosse mais novo e tivesse filhos, provavelmente teria saído.
As pessoas que tinham opções para sair saíam,
mas muitas pessoas não tinham essas opções.
Começou a perceber-se
que a comunidade nunca mais seria a mesma.
As leituras atuais não são mais altas do que ontem.
Fomos para casa da minha avó,
que ficava a apenas 16 km de distância, em Harrisburg.
Eu era muito curiosa,
ouvia as conversas dos adultos e o que se passava.
A situação tornou-se cada vez mais confusa
desde a primeira libertação, na quarta-feira de manhã…
A empresa disse que as fugas pararam.
As autoridades reguladoras disseram que as fugas continuam.
Era avassalador.
O governador definiu…
Designou uma pessoa ou uma task-force para supervisionar as ramificações…
Acho que ele está a começar a pensar em criar uma task-force.
A gestão da informação
acabou por ser um dos grandes desafios desta crise.
Havia milhares de rumores e fontes de informação contraditórias.
Tivemos de estabelecer uma fonte credível em que as pessoas pudessem confiar.
Como tal, o governador Thornburgh ligou ao presidente.
Na altura, eu era a porta-voz do presidente para o acidente.
O governador pediu ao presidente Carter
uma pessoa que supervisionasse a gestão disto no terreno
e fosse a única pessoa a falar com a imprensa.
O presidente envolveu-se porque era uma altura
em que a política energética era uma fonte constante de ansiedade.
E havia um sentimento de que precisávamos de energia nuclear.
Mas ele também era engenheiro nuclear de formação.
Ele tinha feito parte da Marinha nuclear.
O Sr. Carter conhece bem os acidentes nucleares.
Ele descreveu como, no início dos anos 50,
como engenheiro estagiário da Marinha nuclear,
liderou um grupo de 22 homens
para o núcleo de um reator em Chalk River, no Canadá,
onde ocorrera um colapso.
O presidente diz que passou um minuto e 29 segundos
a ajudar a desmontar o reator.
Ele sentia-se muito à vontade com a integridade da tecnologia.
O presidente enviou o seu representante pessoal,
o Sr. Harold Denton, o diretor da NRC,
para me ajudar e trabalhar com os nossos especialistas
para monitorizar a situação e manter o público informado.
Dentro da NRC, o Harold Denton era considerado
uma das pessoas mais informadas no terreno.
Ele era o representante do Jimmy Carter
em Three Mile Island e devia avaliar a situação na central
e informá-lo sobre o que realmente se estava a passar.
Estamos preocupados com o estado do combustível no núcleo.
Também há uma bolha no reator, o que significa
que qualquer mudança no sistema hidráulico deve ser monitorizado…
Denton disse-nos:
"Há uma bolha de hidrogénio no reator
que, se deixada à vontade, pode explodir."
E, pela primeira vez desde o início do incidente,
admito que fiquei assustado.
Porque as consequências de uma bolha de hidrogénio
eram potencialmente desastrosas.
CBS Reports, perigo em Three Mile Island.
A situação dentro do reator nuclear está estável, por enquanto,
mas comporta perigo.
No topo do reator, formou-se uma bolha de gás radioativo.
Abriu-se uma nova fase do acidente.
Uma bolha de hidrogénio
a formar-se no coração de uma central nuclear
com consequências desconhecidas.
O hidrogénio explode
e havia a possibilidade de uma explosão dentro do próprio reator.
Foi o que aconteceu em Chernobyl.
A explosão de gás de hidrogénio destruiu todo o teto do reator,
provocando a libertação de radiação para o ambiente.
O acidente ocorreu em 1986
e, durante séculos, partes da área em torno de Chernobyl
serão vedadas.
A bolha que está no reator é principalmente de hidrogénio.
Portanto, se houver uma fonte de oxigénio
e uma fonte de ignição, poderá arder.
Quando soube da bolha de hidrogénio,
percebi que havia uma grande hipótese de perdermos tudo.
Tudo aquilo por que trabalháramos, qualquer…
Tudo teria desaparecido.
… muito atual sobre o problema em Three Mile Island.
Quão perigoso é?
Corremos o risco de uma síndrome da China?
Um desastre enorme é uma possibilidade remota ou impossível?
Sempre houve a possibilidade de uma síndrome da China.
Isto foi incluído em todos os cálculos.
As catástrofes de que estamos a falar, num colapso massivo,
são dezenas de milhares de mortes, centenas de milhares de cancros,
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