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Há nove anos e meio,
uma nave espacial chamada New Horizons
partiu numa missão a Plutão.
Agora, está prestes a chegar.
Neste momento, a nave espacial New Horizons
está prestes a chegar a um planeta que não é maior que o Alasca,
com apenas 2 250 km de diâmetro.
O lançamento espacial mais ambicioso de sempre.
Plutão sempre nos conseguiu inspirar.
De Walt Disney, nos anos 1930,
a uma opinião pública indignada na primeira década do século XXI.
Mas a verdade é que Plutão é um lugar de que conhecemos muito pouco.
A grande pergunta por responder em relação a Plutão
é qual é sequer o seu aspeto.
Com acesso privilegiado à equipa da New Horizons,
este é Plutão como nunca o viram antes.
Nove anos e meio no espaço
e tudo se resume a um dia intenso e angustiante.
O espetáculo vai começar.
AO ENCONTRO DE PLUTÃO
Os seres humanos gostam de descobrir.
Somos uma espécie incansavelmente irrequieta,
migrantes natos, viajantes, aventureiros, exploradores.
Sempre fomos.
Temos uma inquietação insaciável.
No espaço de poucas centenas de milhares de anos,
deixámos África, atravessámos oceanos,
chegámos a todas as partes do nosso mundo.
E agora? Agora vamos até outros mundos.
Já fomos a Marte, Júpiter e Mercúrio.
Já vimos Saturno, Neptuno, Urano e Vénus.
E Plutão (Pluto) é muito mais que o nome de um desenho animado.
É o último mundo por explorar do sistema solar.
Uma potencial mina de ouro em termos de descobertas.
Talvez seja a chave para compreendermos as origens
do nosso próprio planeta.
E neste momento, a nave espacial New Horizons, da NASA,
está prestes a mostrar-nos esse mundo pela primeira vez.
Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus.
A New Horizons até apareceu na série preferida de cromos do mundo.
Estou preocupado com a nova sonda espacial New Horizons.
Ele passa-se porque teme que seja destruída pelo gelo espacial.
O gelo espacial não é brincadeira nenhuma.
Já nem consigo ver o "Frozen".
Saberemos em breve se esta missão audaciosa foi bem-sucedida.
A equipa da New Horizons é constituída
por alguns dos cientistas espaciais mais qualificados do mundo.
Hal Weaver, cientista de projeto.
Ver o rosto de Plutão será fantástico.
Fran Bagenal, da Equipa de Partículas e Plasma.
Podemos ter apenas um imagem muito vaga de Plutão, agora.
Gabe Rogers, da Equipa de Orientação.
É uma oportunidade única na vida.
Amanda Zangari, da Equipa de Geologia e Geofísica.
Ainda nem acredito que seja real.
O líder da missão, Alan Stern, dedicou 26 anos a este projeto.
Sente-se a energia da equipa.
Estamos quase a alcançar o objetivo de tudo o que fizemos.
A New Horizons descolou para a sua viagem épica em 2006.
O mesmo ano em que o Twitter foi fundado.
Foi o objeto artificial mais veloz de sempre a sair da Terra.
Um ano depois, passou a grande velocidade por Júpiter,
quando foi lançado o primeiro iPhone.
A equipa aproveitou a oportunidade
para testar as câmaras da New Horizons
em Júpiter e nas suas luas,
obtendo algumas das melhores fotos de sempre
de um vulcão em erupção no espaço.
Durante 2008 e 2009, acelerou silenciosamente pelo espaço
enquanto o mundo mergulhava no caos financeiro.
Sem parar na direção do pequeno Plutão,
a mais de 5 mil milhões de km.
Uma obra-prima da engenharia com 480 kg,
do tamanho de um piano de cauda,
acelerando pelo sistema solar exterior
a dez vezes a velocidade de uma bala.
A 14 km por segundo,
avança tão depressa que, quando chegar a Plutão,
não conseguirá aterrar.
Durante o encontro com o planeta
tentará aproximar-se ao máximo da superfície,
tirando as fotos e medições cruciais em menos de duas horas.
O encontro é tão fugaz
que o centro de controlo da missão terá de guiar a nave espacial
minuto a minuto,
para a colocar exatamente onde ela deve estar.
Estamos a tentar perceber ao certo onde a nave espacial está
em relação a Plutão.
É isso que estamos a fazer agora na nave espacial.
Eles estão a fazer com que a New Horizons
envie fotografias de Plutão com as estrelas em fundo,
que eles usam para delinear um mapa do espaço.
Tal como os antigos navegadores faziam antigamente com o sextante.
Sabiam onde estavam certas estrelas a certas horas do dia,
e assim sabiam onde estavam no planeta.
Com a localização de Plutão em relação àquelas estrelas
conseguimos determinar onde a nave espacial está em relação a Plutão.
Estamos a percorrer quase 1,6 milhões de km por dia,
por isso estamos a aproximar-nos rapidamente do planeta.
Devemos conseguir finalmente ver como Plutão é realmente.
Mas, até há dez semanas, não fazíamos ideia.
Mesmo com o melhor telescópio espacial do mundo, o Hubble.
Vou mostrar-vos as melhores imagens de Plutão que temos agora.
Podem pôr as imagens?
Aqui estão as melhores imagens que temos de Plutão.
É uma mancha pixelizada.
Foi tirada com o telescópio espacial Hubble.
Foi tudo o que o Hubble conseguiu,
o telescópio mais potente que temos?
Adorávamos ter uma imagem mais detalhada, todos nós.
O problema é que Plutão está mesmo muito longe.
Mas mesmo neste borrão indistinto há pistas fascinantes,
se olharmos com atenção suficiente.
Uma análise sob vários comprimentos de onda de luz
revela vestígios de azoto, metano e monóxido de carbono.
E como Plutão fica tão afastado do Sol,
deve ser um dos lugares mais gélidos do sistema solar.
Em Plutão, a temperatura é de cerca de -235 graus.
Os gases da Terra ficariam congelados em Plutão.
A cientista planetária Cathy Olkin imagina o que seria estar em Plutão.
Se caminhássemos sobre Plutão,
veríamos rochas e gelo, mas o gelo seria muito diferente.
Não seria gelo de água, como vemos aqui,
seria gelo de azoto, gelo de monóxido de carbono
e gelo de metano.
Mas os cientistas também pensam
que nos sítios onde o pouco sol atinge a superfície de Plutão,
algum do gelo pode ser aquecido, transformando-se diretamente em gás.
Plutão pode ser um mundo montanhoso de gelo exótico e pedras primitivas,
com gases a serem expelidos da sua superfície.
Pode ser algo parecido a como o azoto líquido evapora aqui.
Em Plutão, acho que a luz do sol aquece o gelo
e esse gelo eleva-se na atmosfera.
É transportado pelos ventos até locais em Plutão onde faz mais frio,
e lá condensa-se, talvez formando até nuvens,
e depois pode haver neve ou geada a cair
e a condensar-se sob a superfície.
Pensamos que Plutão tem tempo atmosférico.
O Hubble também revela que Plutão tem luas.
A maior, chamada Caronte, tem metade do tamanho de Plutão.
Ambos dançam à volta um do outro
de forma diferente de qualquer outro corpo planetário no sistema solar.
Compreender isto pode revelar como Plutão se formou,
e isso pode dizer-nos como a Terra se formou,
que foi o que levou a vocês e a mim.
Temos um grande mistério em mãos, neste sistema planeta-satélite.
Temos de nos perguntar como é que foi ali parar.
Plutão é um objeto muito primitivo.
Esteve congelado.
Podemos pensar nele como uma zona de armazenamento, um sótão,
de alguns dos edifícios do nosso sistema solar.
Plutão pode ser uma mina de ouro para aprendermos sobre a formação
de planetas ainda maiores, como a Terra.
Por isso é que eles tinham de ir a Plutão.
Parece fácil, é só ir, certo?
É como ir daqui ali.
Mas ir a Plutão implicava ir mais longe
do que alguma vez tínhamos tentado.
Uma distância de mais de 5,6 mil milhões de km,
25 vezes mais longe que Marte.
Mas, finalmente, depois de nove anos e meio no espaço,
a New Horizons tem Plutão à vista.
Esta é a fase mais perigosa da missão,
onde um só grão de pó pode destruir a nave espacial.
Se me viram em séries como "Brain Games"...
Provoca um curto-circuito no nosso cérebro.
...sabe como fico entusiasmado com as maravilhas do universo
e como o poder da tecnologia as pode revelar.
Este é um daqueles momentos na história
em que todas esses coisas se juntam numa aventura única e emocionante.
Se a missão da New Horizons for bem-sucedida,
será o clímax de uma história que remonta há 85 anos.
Em 1930, o astrónomo americano Clyde Tombaugh
tirou duas fotografias através de um telescópio,
com seis dias de diferença, ao céu noturno.
Um dos pontos mexeu-se.
Tinha de ser um planeta.
O nome Plutão foi dado por uma menina em Inglaterra,
por ser o nome do deus romano do mundo dos mortos.
O avô dela, que trabalhava em Oxford,
transmitiu a sugestão dela a amigos nos Estados Unidos.
E depois o magnata do cinema da época, Walt Disney,
foi buscar o nome do planeta recentemente descoberto na América
e batizou o seu cão animado como Pluto (Plutão).
Não foi ao contrário, como muita gente, como eu, pensava.
O amor das pessoas pelo cão durou décadas,
enquanto o pequeno pobre Plutão, o planeta, foi posto de lado.
Até aparecer Alan Stern.
Eu cresci na época emocionante da exploração espacial.
Era miúdo durante o programa Apollo.
A tecnologia, as descobertas científicas
e, sinceramente, o romantismo da exploração
arrebataram-me completamente.
Comecei a construir pequenos foguetões que voavam.
E diverti-me imenso com isso, durante anos.
Alan viu as missões desenrolarem-se ano após ano,
planeta após planeta.
As coisas evoluíam tão depressa que eu nem sabia
se conseguiria terminar a escola a tempo de fazer parte daquilo,
antes de explorarmos todo o sistema solar.
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