The Irishman: In Conversation

The Irishman: In Conversation

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The Irishman In Conversation 2019 1080p NF WEBRip DDP5 1 x264-pawel2006 Portuguese European
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Gepubliceerd op: 2019-12-09
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De eerste 200 regels.

Como se conheceram?

Éramos miúdos, brincávamos em...

Cresceram no mesmo bairro.

Eu ia ao bairro dele...

- Moravas em Kenmare? - Sim.

E eu morei em Prince, Elizabeth e Spring Street.

Basicamente, ele é o único que, ao longo dos anos,

de certa forma, sabe de onde venho, que eu conhecia

e que conhece aquele mundo e isso originou os filmes que fizemos.

Há quanto tempo não trabalhavam juntos antes de O Irlandês?

- Há quantos anos fizeram Casino? - Há 22 anos.

- Também entraste. - Credo.

Meu Deus.

Lembro-me que fiquei impressionado com a tua abordagem séria.

- Escreveste um rascunho grande. - Sim.

E...

A obra I Heard You Paint Houses,

que livro fantástico. Quer dizer...

E mencionaste-o primeiro em tua casa em Nova Iorque.

Dei-to no norte quando falámos.

Sim. E tu disseste: "Vamos fazer este filme..."

Já tinha lido o livro há muito.

- É verdade. - Um tipo levou-mo ao campo de golfe.

- Que interessante. - E disse-mo na altura.

"Um dia, vão fazer este filme." E eu disse: "Pois, está bem. Adeus."

- E depois... - Eu pensei o mesmo, de certa forma.

Não era essa a intenção,

voltarmos a trabalhar juntos.

Mas por um processo de eliminação

e de interesse...

Sabem o que é mais interessante? Isto é diferente porque aconteceu mesmo.

Fala do nosso mundo. Do nosso país.

E tem como contexto o mundo do crime organizado...

Isso é só o contexto.

Este filme, no fundo,

à medida que envelhecemos, conseguimos ver este mundo, este contexto

e estas personagens com a humanidade de pessoas que têm proximidade,

que são leais e se adoram. E, depois, tem de haver uma traição.

Sei como te sentes, Frank. Garanto-te, sei como te sentes.

Já te disse que fizemos tudo para o ajudar. Tu sabes isso.

Tentaste. A culpa disto é dele.

Pareceu encaixar-se com a nossa idade.

- Sim. - Foi estranho.

Por isso, o filme é mais íntimo e pessoal.

É abrangente, mas foca-se nestes três sujeitos.

- E o que têm... - É um reflexo dos tempos.

Fazer este filme foi uma bênção

porque pareceu encaixar-se na perfeição com as personagens,

entendem? Nem tivemos de falar muito sobre elas.

Especialmente nas cenas que fiz com o Al,

que eu tinha lido, disse: "Meu Deus,

espero que não comece a passar-se comigo,

como eu sei que ele faz, porque não sei o que fazer.

Passo-me também?"

E ele disse-me:

"Tu, nesta cena, não te passas nada."

E eu disse: "Ótimo. Desde que ele não se passe comigo..."

- Não, está no ar. - Exato.

"Vão-se f... e tal. Isto e aquilo." Era como se não estivesses a falar comigo.

Perguntaste se devíamos improvisar. Eu queria alinhar,

mas achava que o Scorsese queria que te passasses.

Não consigo deixar de achar... Desculpa, há outra razão?

Este sindicato é meu! Como assim, outra razão?

Este sindicato é meu!

É um filme reflexivo.

É um filme mais... De certa forma, é uma obra intimista.

Tem ação e tudo o resto. É grandioso.

No entanto, deve seguir um ritmo,

de certa forma, retrospetivo.

E era perfeito para... este tipo de história.

Sendo um filme longo,

pensaste nisso, na estrutura?

- Bem... - Pensaste se funcionaria?

Os públicos atuais

e os espaços onde veem estes filmes,

onde veem estas obras, estão a mudar. Esta é a maior revolução desde...

... o advento do som em 1927.

E arrisquei. Disse: "Não o podes fazer com algo em mente.

Não o podes fazer com um espaço específico em mente. Tens é de o fazer."

É como um compromisso para com o filme. E quem o quiser ver

passa muito tempo com estas pessoas nesse mundo.

Há muitos rufias aqui. Ele disse-te?

- Não tens medo de rufias, pois não? - Não.

Bem me parecia.

Falamos tanto das personagens como de...

Para já, são reais. Existiram mesmo.

- Estas personagens... - Isso facilita.

Sim, ajuda. Infelizmente, as nossas personagens já morreram.

Mas ajuda mesmo quando estão vivas.

- Sim. - Podes falar com elas e estar com elas.

- A tua personagem era famosa. - Sim.

- Tinhas muita informação. - Tinha tantas imagens.

Ouviste muito a voz dele? Imitaste muito bem.

Sim, ajudou. Quer dizer, a ideia de fazer pesquisa

conjugada com fotografias e livros, e com a pessoa que retratamos,

isso é impressionante.

O que a história tem de melhor é este triângulo, estes três tipos...

É uma história clássica sobre lealdade,

irmandade e traição.

- Mas a traição deles é compreensível. - É por necessidade.

Se pensarmos bem, é uma relação absurda.

- Eu sei. - Dormem no mesmo quarto.

Por causa dos guarda-costas.

E se ele fica no quarto ao lado e acontece algo?

- Ou vais pô-lo no corredor? - Não me parece.

O que me interessava era a forma como o Bob falava na narração.

É como se tivesse de dizer como eram as coisas quando cheguei.

Apresentava uma realidade concreta. Pensamos: "Isto aconteceu mesmo."

Ele está lá. O tipo que está a narrar está lá. Ou esteve lá.

Era como no Exército.

Cumpríamos ordens, fazíamos a coisa certa

e éramos recompensados.

E vocês já interpretaram personagens como estas

e, com a aproximação das filmagens, nem ensaiaram, entendes?

- Não ensaiámos. - Basicamente, acontece algo...

É verdade que se baseia em pessoas reais,

mas quem sabe qual é a história verdadeira?

Percebemos que a relação dos três é genuína.

O Russell é interessante porque era o oposto do que costumamos...

- Do que costumo fazer? - Sim.

Sim, disseste-me: "Não vais fazer o mafioso que costumas fazer."

Os chefões falaram com o velhote.

O velhote falou com o filho Jack e disse-lhe:

"Não te esqueças a quem ele deve, caralho."

Eu disse-lhe: "Se não fizer esse papel, faço o Tony Pro."

Ele disse: "Não. Não quero que faças esse papel."

- Juntamos estes dois. - Sim.

E tens de lidar com o Tony. A razão pela qual ele se aguenta...

... é por tua causa. Quem sabe o que realmente aconteceu?

Não sabemos. Esta é a sua versão,

por assim dizer, mas a verdade está nas relações,

está nas relações dentro desse mundo.

Jimmy Hoffa era a pessoa mais popular, depois do Presidente...

- É verdade. - ... naquela altura. Esquecemo-nos disso.

E esquecemo-nos dos sindicatos e do que custou dar aos trabalhadores

um salário decente. A certa altura, zangou-se

por causa dos Kennedy. E depois fazes a cena em que dizes:

"Ele nunca me vai perdoar por dar dinheiro ao Nixon!"

Sim.

Meu Deus. Em que te meteste?

Qualquer passo é fatal.

E a forma como a personagem é interpretada: "Vou ficar bem."

E, pelo teu olhar,

sabemos que não vai ficar bem.

Lembras-te da cena em que eu peço ao Bob

para matar o Tony Pro? - Hilariante.

Achas que o Russ despachava o gajo?

É complicado.

É complicado.

Ele diz: "Tens de entender.

Eu construí isto. Isto é puro.

Isto é progresso. É visionário."

Mas ele diz: "Não, lamento."

"Ele nunca vai alinhar."

- Jamais permitiria. - Não.

"Eu mesmo o matava, mas sou muito conhecido."

Diz: "Quero matar o filho da puta, mas não posso." É mesmo...

É de loucos, estão a falar em matar uma pessoa.

Não, num caso desses, nesse mundo, é apenas eliminar um problema.

Exato.

É um empecilho.

Um grande empecilho.

É impensável.

Sim, mas depois da conversa que tens com o Tony...

- Acabou-se. - "Conversa."

Meu Deus.

- Que não corre bem. - Deixaste o velhote lutar, não foi?

Sim, eu sei.

- Levei com os putos. - O Stephen malhou nele.

- Meu Deus. - O Tony Pro odiava-o.

Eu sei.

- O Tony verdadeiro odiava o Jimmy Hoffa. - O Tony Pro odiava-o.

E não era pouco.

E quis matar-te um milhão de vezes.

Começaram juntos e depois separaram-se. Foi uma questão de poder.

- Sim. - E o Tony?

Tinha por trás o poder da Máfia. Mas tu tinhas o sindicato.

- Fundaste-o. - Exato.

- "Este quer meter-se porque é mafioso?" - Coitado do Jimmy, não entendia.

- Eu sei. - Não entendia mesmo.

Ele tinha uma visão de como as coisas eram e achava...

Acho que nunca pensou que isso lhe acontecesse.

Dizes: "Eles não se atreveriam."

Eles não se atreveriam!

Eles não se atreveriam!

- Jimmy... - Por favor, Frank. Vá lá.

Não digas isso.

E depois...

- Eles sabem como chegar lá. - Sim.

As pessoas perguntam sobre o desaparecimento de Hoffa. Não sei.

Isto baseia-se no livro e no Charles Brandt.

Não há certezas,

a não ser que ele desapareceu.

Isso mesmo.

As teorias de que puseram o corpo num bidão,

algures na Costa Leste, são ridículas.

A história é muito simples.

É curioso porque a minha personagem, que o levou até ti,

tentou salvar-te tantas vezes, mas não lhe deste ouvidos.

O Jimmy nem sabia quantas vezes ele o tentou salvar.

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