De eerste 200 regels.
Lar, eterno lar.
Senhor.
À família.
São o falatório da cidade.
Obrigado.
Perdão. Presentes aqui.
Ela é maravilhosa.
Ezra.
Agreus! Estás bem?
- Onde estamos? - Estamos a salvo.
Estamos em Ragusa.
Estavas a ter um pesadelo.
- Sim? - Sim.
Meus deuses!
Queres falar sobre isso?
Não?
Eu estou aqui. Tu estás aqui.
É o que importa.
É a única coisa que importa.
O que é aquilo?
É o sino para o pequeno-almoço.
Estás na disposição? Posso ir buscar-te algo
- se não quiseres descer. - Não.
Vamos descer.
Está bem.
Vamos descer.
Eu espero por ti.
Incomodei-a, minha senhora?
Incomodar? Isso é o menos.
Puseram o meu marido e os meus filhos noutro edifício.
Não compreendo.
Éramos quatro aí, até vocês aparecerem.
Fomos despejados sem aviso para arranjar espaço para vocês os dois.
Este quarto era vosso?
Garanto-lhe que não tivemos voto na matéria.
Que têm vocês de tão especial que a própria Leonora nos expulsou?
Chegará atrasada ao trabalho, camarada Hannah.
Claro. É para já, camarada.
Desculpa a delonga.
Não há problema, meu amor.
Aquele homem não estava no nosso barco? Creio reconhecer o uniforme.
- Bom dia. - Não o reconheço.
Deve tê-lo roubado. Parece ser costume aqui.
Agora, o pequeno-almoço.
Não me recordo do seu nome, mas não estava no Swan?
Sim, senhora, estava.
- Bom dia, senhor. - Bom dia.
- Vem, querida. - A tripulação está aboletada aqui?
Pergunto-me o que terá o capitão Haversham a dizer sobre isto.
- Na verdade... - Esqueci-me de te dizer,
o capitão Haversham e os oficiais dele foram... libertados.
Libertados? A sério?
Sim, senhora. Eles libertaram os oficiais.
Que sorte a deles. Azar para si, creio.
Há azares maiores.
É melhor ir. Começo a trabalhar daqui a pouco.
Cuide-se, Mna. Imogen.
Trabalho? Já não bastava terem-nos aqui como reféns,
os homens têm de trabalhar.
Não são só os homens.
Perdoem-me a interrupção. Sou o Kastor. É um prazer conhecer-vos.
Imogen Spurnrose. Mas imagino que já o saiba.
De facto.
Presumo que o tenham enviado para ficar de olho em nós.
A Leonora disse que era inteligente, diferente das outras mulheres de Burgue.
E ela costuma estar certa.
Sou o vosso líder do bloco.
Pode parecer intimidante,
mas é só uma forma de dizer que mostro como funcionam as coisas.
Um pouco como um mordomo, talvez.
Impeço que se metam em sarilhos.
- Ajudo-vos a instalarem-se. - Instalar?
Não nos vamos instalar aqui.
Diz a esta pessoa estranha que é nossa intenção partir
à primeira oportunidade.
Exato.
Insisto em falar com a vossa comandante.
Ou ela é a vossa rainha?
Essa é boa.
Rainha, de facto. Devia dizer-lhe isso quando a vir.
Mas é capaz de demorar. É uma mulher ocupada. Estamos em guerra.
Terminem o vosso pequeno-almoço e eu levo-vos ao vosso posto de trabalho.
Não...
O Agreus não vai trabalhar como um operário qualquer.
Aqui, todos trabalham.
Não é motivo de vergonha.
Não há honra maior para todos nós.
Feéricos e humanos. Homens e mulheres.
- Não está à espera que a Imogen... - É um belo passeio até à fábrica.
Vemo-nos daqui a meia hora.
Venham.
Temos os sistemas de produção mais recentes.
Bastantes para armar dois exércitos, se necessário.
Somos poucos, mas bem armados.
Vão começar os dois com algo simples...
Aonde vai?
Eu trabalho pelos dois.
Meu amor.
Obrigada.
Então,
Líder do Bloco,
por onde quer que comece?
Não. Retire esse cartucho primeiro e depois coloque o próximo.
Ainda se lembra de como é que se trabalha.
Subiu a pulso na vida.
Não é o trabalho que me incomoda.
É fazer armas para os meus captores.
"Captores" é algo exagerado.
Pode ver-nos como libertadores.
E os meus oficiais? Também os libertaram?
Dirigiam um barco negreiro.
Não tinham direito à vida,
não depois de tirarem tantas.
Escravos, não,
servos com contrato.
Um negócio justo.
Trabalham pela liberdade.
Fá-lo parecer tão civilizado. Como se tivessem escolha.
A tripulação nunca forçou ninguém.
A sua tripulação servia um sistema que escravizava toda a gente.
Ou lá perto.
E sabe-o.
E ganhou muito com isso.
Sim, fez um belo lucro.
E tentou comprar a sua aceitação.
Não que a fosse conseguir.
Patético, na minha opinião.
Não lha pedi.
Sei que engoliu as mesmas mentiras que os homens que escravizou.
Perdão, servos com contrato.
Diga-me, o que impele alguém como você
a fazer algo assim?
Pareces entender-te com o Kastor.
A conversa foi interessante?
De todo.
Desculpe, mas a comida é para quem trabalha, não para quem vê.
Não está à espera de que ela fique sem comer.
Também não esperava que ela não trabalhasse, mas pronto.
Que cavalheiro.
Não se cansa de tanta sobranceria?
Você cansa-se?
Nunca deve ter sentido fome na vida.
Talvez lhe fizesse bem.
O que é que tanto o atrai nela?
É por ela ser bonita? Ou útil?
- Devia ter cuidado com o que diz. - Ou não.
Ela é tudo o que você não é. Tudo o que almeja ser.
Rico, civilizado... humano.
É deveras aborrecido ver todos a trabalhar, Sr. Kastor.
Indique-me onde posso ser útil.
Foi um belo dia de trabalho. Vemo-nos amanhã para mais um dia.
- Boa noite, Sr. Kastor. - Camarada.
Muito bem, boa noite, camarada.
E para si, camarada. Mas terei de lhe pedir que aguarde aqui.
Porquê?
A Leonora deseja falar consigo.
- Com os dois, certamente. - Só ela.
Venha, Sr. Agreus.
Não a deixo ir.
Eles trazem-na de volta inteira, não se preocupe.
Até à última fitinha.
Está tudo bem, meu amor.
Não deve demorar.
O que lhe pareceu?
A dignidade do trabalho honesto.
Estou algo dorida.
Mas conseguiu.
Um dia de trabalho, em seu prol.
Fiquei com a impressão de que trabalhava para si.
Aqui, ninguém trabalha para ninguém.
O que produzimos é nosso. De todos nós.
Para que quereria eu tanta espingarda?
Podem dar-lhe jeito se tiver de enfrentar um exército do Pacto.
Ficaria surpreendida se soubesse que tenho um companheiro humano?
Gostaria de dizer que não, dada a minha situação,
mas, para ser franca, sim.
Os preconceitos com que fui criada,
receio que nunca os venha a ultrapassar por completo.
Revolução.
Começa na cabeça e no coração.
É sempre mais difícil do que se julga.
É, não é?
Eu amo o Agreus.
Mas ainda me tento acostumar
à ideia de humanos e feéricos juntos.
Não me orgulho disso.
Mas...
Pensei que se tornaria mais fácil.
Ou que se tornaria mais forte.
E vai, ziska, prometo.
Quando me apaixonei pelo Tomáš,
rezei por aceitação.
Mas, antes, rezei por paciência.
Paciência?
Pelos pés dele.
Os pés?
Os pés ossudos e medonhos dele.
Como mãos deformadas onde deveriam estar os cascos.
Esforcei-me ao máximo.
Ambos nos esforçámos.
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