Vatican Girl: la scomparsa di Emanuela Orlandi
Pierwsze 200 wierszy.
JULHO DE 2019 CIDADE DO VATICANO
O Vaticano abriu dois túmulos dentro de um pequeno cemitério,
na esperança de resolver
o desaparecimento há 36 anos de uma rapariga adolescente.
Emanuela Orlandi desapareceu após uma aula de música a 22 de junho de 1983.
Ao concordar em abrir estes túmulos, o Vaticano admite finalmente
que pode ter havido envolvimento interno.
O caso de Emanuela Orlandi
não é simplesmente uma história sobre o desaparecimento de uma rapariga.
Muitos italianos continuam convencidos de que se trata de um encobrimento.
É muito mais.
UMA SÉRIE DOCUMENTAL NETFLIX
Tudo o que a polícia tem
é uma mensagem gravada recebida esta semana.
Quase inaudível, ouve-se a rapariga a implorar pela vida.
Numa chamada anónima em Itália, uma jovem raptada foi ameaçada de morte,
a menos que o homem que tentou matar o Papa seja libertado.
Agca disse que os russos o treinaram.
E o KGB?
Sim, e o KGB.
Desde que Emanuela desapareceu, a chave de casa está sempre na porta.
Nunca deixaremos de a procurar.
Acho que o Vaticano sabe o que aconteceu à Emanuela.
Para muitos americanos, esta história assemelha-se
a um romance de Dan Brown.
Como é que o Papa sabe?
Quem lhe deu a informação?
Foi um mistério.
Ou então foi o início de um mistério.
É um jogo de poder.
É algo tão grave
que seria o maior escândalo na história contemporânea da Igreja.
O Vaticano tem uma história de 2 mil anos de segredos.
Em Itália dizemos:
"Não importa o quanto tentamos guardar segredo,
porque, no final, a verdade virá ao de cima."
Chamo-me Pietro Orlandi.
Nasci e cresci no Vaticano com as minhas quatro irmãs.
A Natalina é a mais velha.
Depois, a Federica,
a Emanuela e a Maria Cristina.
A minha irmã Emanuela está desaparecida há 37 anos.
Esta era a sala de estar
onde a Emanuela estudava.
E aqui é a cozinha.
A minha mãe estava a fazer piza naquele dia.
Este era o quarto da Emanuela.
Continua exatamente igual.
Esta era a cama da Emanuela.
E estas eram as suas bonecas.
Ainda estão aqui.
Ela adorava música pop.
Era fã do Claudio Baglioni.
Eu costumava gozar com ela.
A Emanuela desapareceu
a 22 de junho de 1983.
Boa noite. Este é o jornal da noite da CBS.
Sou o Dan Rather.
O Papa João Paulo II regressou a casa hoje.
Regressou à sua Polónia, um país angustiado e em tumulto.
Richard Roth estava no local…
Ainda me lembro…
22 DE JUNHO QUARTA-FEIRA
… do calor naquele dia.
Bem-vindos, amigos.
As altas pressões de África afetam a zona de Lazio,
causando dias escaldantes em toda a região.
No centro de Roma,
a temperatura subirá até aos 37 graus, com humidade de…
A Emanuela tocava flauta e piano. E também cantava num coro.
Naquele dia, teve de ensaiar
para um recital de final de ano na sua escola.
Ela levava uma flauta
e o saco de cabedal que costumava usar a tiracolo.
E perguntou-me: "Podes dar-me boleia?"
"Por favor, dá-me boleia. Está calor."
Como não podia, respondi-lhe: "Não posso."
Mas podia ter ido com ela, se quisesse.
Talvez, naquele momento, estivesse apenas a ser preguiçoso.
E…
E lamento muito por isso agora.
Ela olhou para mim e mandou-me bugiar.
Talvez tenha dito algo mais,
bateu com a porta e foi-se embora.
O Papa chegou num carro à prova de bala,
seguido por agentes de segurança de fatos escuros.
João Paulo II celebrou a missa num altar com um gigantesco…
A Emanuela não era uma criança qualquer.
Era uma rapariga do Vaticano que vivia num edifício dentro do Vaticano,
ou seja, dentro das fronteiras do Vaticano.
JORNALISTA CORRIERE DELLA SERA, 1976-2000
É um estado dentro de outro.
É como uma monarquia, onde o Papa é o rei.
Tem 0,5 quilómetros quadrados
e uma população de apenas uma centena de pessoas seculares.
É um local muito invulgar.
A minha família serviu
durante muitos anos sete Papas.
E passámos toda a nossa infância dentro daquelas muralhas.
ARQUIVO DA FAMÍLIA ORLANDI
IRMÃ DE EMANUELA
Vivíamos no Vaticano, como se fosse uma pequena aldeia.
A única diferença é que havia muralhas
e, à meia-noite, o portão era fechado.
A escola da Emanuela ficava fora do Vaticano.
ESCOLA DE MÚSICA
ESCOLA DE MÚSICA DE EMANUELA
Antes de sair da escola,
a Emanuela ligou para casa
e a minha irmã Federica atendeu.
Estava a estudar em casa.
IRMÃ DE EMANUELA
A Emanuela ligou para casa
entre as 17 e as 19 horas.
Disse-me que um homem a tinha abordado à porta da escola,
dizendo que era representante da Avon,
e que lhe tinha oferecido um emprego.
DA AVON
Distribuição de panfletos para a marca de cosmética Avon.
A Cristina e as amigas iam encontrar-se com ela às 19 horas.
IRMÃ DE EMANUELA
Combinámos encontrar-nos
entre as pontes Castel Sant'Angelo e Palazzaccio.
Quando lá chegámos, esperámos um pouco,
até às 19h30, 19h35,
mas a Emanuela não apareceu.
Durante a viagem, os assessores do Vaticano preveem
uma linha ténue entre religião e política…
Quando entrei, fui ao outro quarto e perguntei: "A Emanuela voltou?"
Os meus pais disseram-me: "Ainda não. Porquê?"
Eu disse: "Como ela não foi ter connosco,
pensei que já estivesse em casa."
O Papa João Paulo deixou bem claro o que sente
sobre o progresso da Polónia desde a lei marcial.
Às 21h30, entrámos em pânico
porque era um horário fora do normal para a família Orlandi.
Por isso, decidimos refazer
o seu percurso habitual para a procurar.
COMANDINI PRODUTOS RELIGIOSOS POR ATACADO
HOSPITAL S. GIOVANNI
Tentei ligar para todos os hospitais.
Depois, fui ter com os meus pais.
O ponto de encontro era a escola de música.
Imediatamente, pareceu
que havia algo de errado.
Algo não batia certo.
O meu pai decidiu fazer uma denúncia.
POLÍCIA
Disseram que era muito cedo para a denúncia.
E mandaram-nos embora.
À meia-noite, o portão é fechado.
O PORTÃO É FECHADO
O meu pai estava muito preocupado, muito chateado.
Ele ligou ao meu tio, Mario,
que veio a correr para nossa casa com o filho, Pietro.
PRIMO DE EMANUELA
Conhecia Roma bastante bem.
E disse ao Pietro: "Olha, Pietro,
vamos dar uma volta por Roma."
A primeira coisa que fizemos foi pegar numa fotografia da Emanuela
e mostrá-la às pessoas.
Eu parecia estar a viver uma realidade estranha.
Uma espécie de pesadelo.
O que lhe aconteceu?
Começámos a imaginar o pior.
Para ser sincero,
acreditava que tinham drogado a Emanuela.
Foi o que pensei.
A dada altura, lembro-me de ter adormecido em cima da mota.
APARTAMENTO DA FAMÍLIA ORLANDI
Na manhã seguinte, fomos fazer a denúncia
sobre a Emanuela e esta foi a foto que entregámos.
Ao olhar para a foto e numa tentativa de me confortarem,
disseram-me:
"Eu não me preocuparia. Afinal, ela nem é assim tão bonita."
Acharam que não era bonita o suficiente para ter sido raptada.
Acreditavam que tinha fugido voluntariamente.
Chamo-me Mauro Obinu.
Em 1983, era capitão dos Carabinieri em Roma.
Lembro-me de que, durante os inquéritos iniciais,
ficámos a saber que duas pessoas,
um polícia de trânsito e um polícia reformado,
tinham reparado que uma rapariga que se parecia com a Emanuela
tinha sido abordada por alguém.
Essa pessoa foi descrita como um homem
entre 35 e 40 anos
e 1,80 metros de altura.
Tinha estacionado o seu carro,
descrito como um BMW verde,
em Corso Rinascimento, junto ao Palácio Madama,
sede do Senado.
Essa informação levou-nos a crer que esta pessoa
podia ser o homem da Avon.
Mas, nesse ano,
dezenas de adolescentes tinham desaparecido de casa
e regressado pouco depois.
A impressão que tive naquela altura,
a minha opinião pessoal,
é que o desaparecimento da jovem Emanuela
se enquadrava nessa categoria.
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