Pierwsze 200 wierszy.
UM ESPECIAL DE COMÉDIA NETFLIX
Olá! Ena!
Obrigada! São tão simpáticos!
Bolas, tanta gente!
Bolas!
Não estávamos à espera.
Tivemos de adiar algumas vezes.
E não é uma sala pequena.
Bem, é bom estar aqui. Andei em digressão este outono.
Estive em sítios como Falun,
Kristianstad,
Boras.
Eu e Boras não nos demos bem, tenho de admitir.
É tão bom regressar a Estocolmo. À Aviici Arena!
Ena!
Tivemos de adiar este espetáculo algumas vezes
por causa da pandemia.
Isso não foi ótimo?
Não vou falar da pandemia, mas a maior parte das coisas fechou.
Fecharam os restaurantes, fecharam os clubes de comédia.
Fechou quase tudo, menos o Spy Bar…
Esse deixou uma portinhola aberta.
E eu corri em direção a ela, por assim dizer, a toda a velocidade.
Bêbada que nem um cacho. Meti um balde de champanhe na cabeça…
… e alguém filmou.
FODE-NOS COM FORÇA
Alguém gravou e espalhou-se pelas redes sociais.
Tornei-me no rosto das festas durante a pandemia.
Só eu é que fui criticada, não foi mais ninguém.
O meu agente ligou-me: "Não fales disso no podcast ."
Por isso, falei disso no podcast .
Lembram-se daquela conferência de imprensa famosa do Stefan Lefven,
a conferência de imprensa de "chega de festas".
Ela é sobre mim.
Diz o meu nome, Stfan. A sério.
Não era assim que queria que o meu Primeiro-Ministro me visse.
Queria que ele me visse a ganhar um prémio da paz da ONU, ou assim.
Não, ele viu-me a não ter cuidado nenhum durante uma pandemia.
Por isso, o meu único passatempo, que era ir a festas, acabou-se.
Não sabia o que fazer.
Por isso, tive de arranjar outro passatempo.
As pessoas arranjaram novos passatempos na pandemia.
Começaram a jogar padel, a ter filhos e coisas do género.
Pensei: "Mas que raio é que vou fazer? E agora?"
Acabei por ir para um palco…
… vestida de dragão…
Não mereço aplausos.
Para quem não sabe do que falo,
espero que haja alguns…
Participei na primeira temporada de A Máscara .
Ena, obrigada.
Foi a pior coisa que fiz na vida.
Nunca aceitei fazer aquilo.
Encontrei-me com a produtora e ela disse: "Não me lembro de aceitares."
"Não!"
"Porque não aceitei, porra! Quando dei por mim, estava lá."
Foi a pior coisa que já fiz.
Mas senti-me tão magra como quando as pessoas achavam que era a Anja Parson.
"Boa!" Olhei-me ao espelho…
"Boa, perdi algum peso."
Achar que eu sou a Anja Parson
é como achar que o Leif GW Persson nunca está cansado.
É impossível.
Coitada da Anja.
Ele recebeu um comentário no Instagram:
"Ena! És o dragão de A Máscara ."
Está um elefante no palco.
Achar que eu sou a Anja Parsson…
A sério. É como dizer que a nossa melhor qualidade é a bondade.
Ele sente-se horrível com isto.
Foi completamente horrível. Foi mesmo muito mau,
mas acho que participei no programa porque tive uma crise de identidade.
Vou dizer-vos porquê. Acho que fui raptada.
Foi uma reação estranha.
Acho que os meus pais me raptaram. Vou dizer-vos porquê.
Há alguns anos, receitaram uma medicação a uma amiga minha
e queriam ver a ficha clínica dela.
Eu estava sempre no hospital em miúda. Tenho alergias e tomo medicação.
Eu sei que aquela ficha fala de mim.
Sei que diz lá alguma coisa, por isso, fui lê-la, só por diversão.
Entrei no site do serviço de saúde. Não aparecia nada lá.
Não tenho ficha nenhuma. Fiquei logo desconfiada.
Liguei à minha mãe para lhe perguntar o que se passava.
Então, liguei-lhe. "Olá querida, como estás?"
Eu disse: "Bem, olá…
… Anette.
Espero que esteja tudo bem contigo.
Tenho só uma perguntinha…
A minha ficha médica. Vamos falar dela. Onde está?"
A minha mãe trabalha na área da saúde,
por isso, disse: "Tens de fazer um pedido para ver a tua ficha médica."
Eu acreditei nela. Liguei para os serviços de saúde.
Falei com uma mulher muito simpática, a Birgitta.
Ficámos logo amigas. Foi incrível.
Finalmente, lá disse: "Olha, Brigitta…
Não achas que devia… ter acesso à ficha?"
Ela disse: "Claro que devias ter a tua ficha médica."
Dei-lhe o meu número de utente,
mas, de repente, ficou tudo silencioso.
Eu disse: "Estou? Brigitta? Ainda estás aí?"
E depois ela disse-me: "Johanna, lamento, mas não tens ficha médica."
"Birgitta, meu amor, por favor…
Liga à Lena do hospital de Vasteras. Tenho a certeza que já fui a um hospital."
Ela disse: "Lamento, não posso fazer nada."
E desligou.
Foi aí que me transformei numa detetive.
Comecei uma investigação.
Comecei a ligar aos meus amigos e à minha família. Liguei à minha avó.
"Não te lembras de quando fui para o hospital?"
E ela disse: "Não, Johanna. Nunca foste a um hospital."
Desculpem, mas aquela cabra
lembra-se de quando a minha irmã foi apanhar a vacina do tétano,
mas quando fui eu a ficar internada três dias, dá-lhe Alzheimer.
Liguei ao meu pai: "Lembras-te ser internada no hospital?"
"Johanna, sonhaste com isso. Nunca aconteceu."
"Aconteceu. Trouxeste-me doces.
Espero que tenhas sido tu, senão foi outro velhote qualquer."
De repente, o meu tio envia uma mensagem: "Para de insistir nisto, Johanna."
Para tua informação, vou continuar a insistir.
A questão é que passei a minha vida em hospitais.
Não foi a vida toda, claro, mas muito tempo.
Até estou internada agora, tenho de voltar depois do espetáculo.
Estou a soro nos bastidores.
Fui muitas vezes ao hospital.
Fui alérgica a tomates a minha vida toda,
mas nunca ninguém falou disso na minha casa. Nunca.
Perguntava aos meus pais: "Quando fiquei alérgica a tomates?"
"Bem…"
Era de loucos.
Mas lembro-me de ir de férias para Portugal.
Comi tomates lá.
Tomates portugueses grandes, sopa de tomate, ketchup…
Lembro-me tão bem, mas depois dessa viagem, nada.
Em relação a tomates.
O que significa…
… que à vossa frente…
… têm…
… a Madeleine McCann.
Eu sou a Madeleine McCann!
Acho que sou parecida com ela.
Já fiz a mesma cara à frente de um espelho.
Oh, não! Oh, não!
Sou eu, porra!
Ando a dizer isso desde o outono passado, mas a polícia não me liga.
Eu sei que alguma coisa não está bem.
Alguma coisa não está bem, mas não sei o que é.
Quer dizer, sei. Tenho um espelho, não se preocupem.
Mas sempre fui… Fui uma criança estranha.
A única coisa que pedia era um peixe de estimação.
Era a única coisa. É pior do que bichos-paus.
Quem quer isso? Mas deram-me três peixes. Fiquei tão contente.
Dei-lhes nomes e tudo.
Gabava-me deles na escola, dizia:
"Tenho peixes de estimação."
"E nós temos dignidade, sai daqui."
Quando cheguei a casa da escola, os peixes estavam todos no chão.
Tinham saltado do aquário.
Mas mãe é mãe… Quer dizer, "mãe".
Fomos comprar três peixes novos. Esqueci os outros.
Estava tão contente. Gabei-me na escola.
Acho que me atiraram pedras, não me lembro.
Chego a casa da escola.
Tinha acontecido o mesmo. Estavam os três peixes no chão.
Seis peixes de estimação tinham cometido suicídio.
Os assassinos e os psicopatas
costumam torturar animais quando são crianças
ao ponto de eles quererem morrer.
Por isso, fui para a porta da prisão feminina de Hinsberg gritar:
"Deixem-me entrar!
Sou uma de vocês!"
Acho que sou a próxima Christine Schürrer, a sério.
Um amigo meu recebeu um peixe quando fez 18 anos.
Não era muito popular.
Ele não era de Estocolmo, por isso, ia visitar os pais.
Pediu-me: "Johanna, não te importas…
… de tomar conta do meu peixe?"
Ele não sabia dos meus problemas com peixes.
Não fazia ideia e eu não lhe ia dizer.
Nem pensar. E não era uma tarefa assim tão difícil.
"Só tens de lhe dar de comer. Não tens de ficar lá."
"Não te preocupes. Eu vou lá."
Então, fingi que estava doente uma semana.
Fiquei lá sentada a ver o peixe… Falei com o peixe.
"Não saltes, por favor. Não saltes, por favor…"
Mas o peixe sobreviveu. Foi o dia mais feliz da minha vida.
Liguei à minha mãe.
Obrigada.
Ena!
Vocês aplaudem tudo.
Não têm grande fé em mim, pois não?
Liguei à minha mãe e disse: "Mãe, o peixe sobreviveu.
Acho que afinal não sou doente. Ele está ótimo."
A minha mãe disse-me: "É bom saber,
mas tenho de te contar uma coisa."
Então, a minha mãe contou-me:
"Os teus peixes… não se mataram.
Foi o gato."
"Achaste melhor dizer que foi suicídio do que dizer que foi o gato?
És estúpida?" Passei a odiar gatos depois disso.
"Com pessoas como tu, não admira que não saibam quem matou o Palme.
No comments yet. Be the first to leave one.