Pierwsze 200 wierszy.
O que estão prestes a ver é pura invenção.
Afinal, nada na vida real é tão divertido quanto as invenções.
Assim, tentem lembrar-se deste passado.
Eram os anos da proibição. Livros, jornais e palavras eram banidas.
As promessas de liberdade eram todas vãs.
A única esperança era a urna eleitoral.
Estávamos no ano de 1949.
- Ruken! - Aqui!
- Rojin! - Aqui!
- Havin! - Ao seu lado!
Onde está a tua irmã?
O pai diz que uma pessoa da família a sair é suficiente.
Por isso, revezamo-nos a vir à escola.
Uma irá aprender Ciências e a outra Álgebra?
- Sim. É o que aparecer. - Santo Deus!
- Jiyan! - A caminho!
Com os restantes.
- Sivan! - Aqui!
- Serdest! - Aqui!
- Mizgin! - Com vontade de urinar!
Fosses antes de sair de casa.
Somos 12. Demora a chegar à minha vez.
Canta e irás esquecer.
Estes animais não se mexem, Faruk.
Em frente! Vá, em frente!
Idiota, estás a falar mal com eles. São mulas, gaita!
Dizes "em frente" para os cavalos. Tal como dizes "sai" para os cães.
Dizes "xô" às galinhas, "fora" aos gatos e "arreda" aos camelos.
Porquê? Eles falam línguas diferentes?
Claro, palerma! Quando dizes ao pobre animal para ir em frente,
estás a falar estrangeiro para ele. É confuso.
Dizem que é uma língua, uma nação.
Outra língua, outra nação.
O que queres que diga, Faruk?
Como posso saber? Não conheço bem "mulês".
- Entendo, mas não sei falar. - Mexe-te!
Não me enlouqueças. Estou a falar-te como uma pessoa.
É a Xate, Faruk.
Olá, Xate.
Não está cansada de acartar essas crianças à escola todas as manhãs?
- O que tem, ignorante? - Desde que ajude.
Quantos são dois mais dois?
Pouco.
Ainda não aprendemos isso. O que posso fazer?
Seu palerma! Estás a responder-lhe porquê?
Não sejam muito amigáveis com estes operários.
Basta um cumprimento.
Porque vai direta à jugular?
Estamos a trabalhar.
- A trabalhar? - Sim.
O que faz, Faruk? Chama "trabalhar" ao contrabando?
O seu pai é o Governador de Distrito! Tenha alguma vergonha.
Bem, servimos o distrito.
Temos chá, tabaco. Veja, açúcar.
Do mais doce.
- Prove, mãe Xate. - Não me venha com "mãe"!
- Saia-me da frente! - Pronto, não é minha mãe, e depois?
Mexam-se!
- Espere, mãe Xate! - Corre!
- Fazes o resto na escola. - Estou a ir!
Deus vos abençoe, povo estimado de Midyat.
O seu novo discurso da eleição, Sr. Presidente. Que colha frutos.
Fico empolgado em todas as eleições.
Obrigado, Ikram. Deixe aí.
Não há mesmo candidatos novos?
O Faruk, filho do Governador de Distrito, diz que vai candidatar-se.
Mas não irá longe. Vá para ali, comece a falar
e iremos ganhar facilmente. - Esperemos que sim.
Ainda temos muito para fazer por esta vila, Ikram.
No próximo mandato, espero eu.
Sr. Presidente, vi alguns erros neste último,
mas não consegui falar com a mulher que escreveu o documento.
Se calhar, está fora, Nazmi.
Decerto que a encontrará.
Não entre!
Esconda estes livros banidos!
Entre!
Bom dia!
Uma carta de Ancara.
- Ancara? - Sim.
Em nome de Deus.
Porque é que Ancara nos escreveria de repente?
É uma carta oficial, mas preciso de uma assinatura.
Nazmi?
Por favor, nem me atreveria. Não sou bom em linguagem de Ancara.
Usaria uma palavra banida por engano.
Não adianta enfurecer o governo sem motivo.
Ikram, pode fazê-lo?
Oxalá pudesse.
Acabei de mudar de assinatura.
Ainda não sei se devo usar a antiga ou a nova.
Acreditem, estou muito confuso.
- Dê-me isso. - Aqui tem.
"Para o Sr. Veysi Doêgu, Governador de Distrito, Midyat."
Isto é para o Governador.
Quando vi que era de Ancara, tive medo de ler o resto.
- Desculpe. Tenha um bom dia. - Adeus.
Que Deus ajude Veysi Bey.
Ter sido colocado aqui foi um favor que lhe fizeram.
Tinha a vida facilitada em Yalova. Ninguém interferia.
Esconda esses livros, Ikram. Alguém poderá entrar.
Vou fazer a barba decentemente. Vemo-nos na praça.
Adeus.
Bom dia, professor! Vá, podem ir.
Cada dia, são menos. Trago aqueles que encontro.
Quanto mais aprenderem antes do inverno, melhor.
É a época para aprenderem.
Bem-vinda, Sra. Xate.
A sério, venha às aulas, um dia.
- Aprenderia a ler e a escrever. - Sou demasiado velha.
Quem trataria da casa? Sou mais ouvinte.
O meu marido e os meus filhos estudam, eu escuto. Tenho memória auditiva.
- Ao menos, aprenderia o alfabeto. - Conheço algumas letras.
Mas não quero dizer quais são.
Esqueça isso agora. Aprenderei um dia, se for preciso.
Tenho as cadernetas de identificação das crianças. Estão todas aqui.
1 de janeiro de 1941. 1 de janeiro de 1941.
- Mas têm todos a mesma idade. - A idade de começarem a escola.
Nasceram todos no mesmo dia.
Uma ninhada de 14.
Os nomes também mudaram.
Os nomes verdadeiros deles não são permitidos.
Quer dizer, Sidar, Berivan, foram banidos.
Então, dei-lhes nomes novos.
Veja, é o Abdo, Ibo, Feyzo, Deriko, Zeyno, Sehmo, Cano, Aliko, Fedo,
Dilo, Fato, Ayso, Fadiko. E aquele é o Cüneyt.
Cüneyt?
O nome do antigo Governador. Foi o que me deu a ideia.
Esqueça os nomes. Têm de ir à escola.
Deixe-os aprender muito.
Se não fosse por si, ninguém traria cá os filhos.
Se o Aziz Veysel vencer a eleição de novo e construir a escola na vila,
irão à escola.
Depois, virei buscá-las.
Ruken! Hoje, recitas tu o juramento.
Sou turco, sou honesto, sou trabalhador!
- Se o destino o permitir. - O meu princípio é proteger os jovens.
Este também já se foi.
Não pode fazer isso! É o segundo touro que mata.
O que posso fazer? Disse-lhe 50 vezes para ficar fora do meu terreno.
- Não me deu ouvidos. - Meu Deus!
E porque será? Reparou em algo estranho nele ultimamente?
Não. O que se passa?
Santo Deus, é um animal!
Se lhe diz para ficar fora daqui, como quer que o entenda?
- Porque não me avisou? - Estava muito longe.
Pronto, matei os seus touros.
Pode ficar com a minha neta como noiva do seu neto.
É muito trabalhadora.
Ela vale dois touros?
No ano passado, recusámos uma oferta de quatro touros.
Eu ofereci quatro, mas matou dois.
- E é o Faruk. - Quantos touros vale ele?
O Faruk tem tudo o que pode querer por dois touros.
Está bem, negócio fechado.
Sinto um peso em cima de mim, e o sacana não desaparece.
Faruk, podemos alimentar estes animais?
Poderá fazê-los andar. Que mais posso fazer?
O que tem isso que ver com comida? O problema deles é psicológico.
É não terem sexo. Não terem tesão deixa-os em baixo.
Não sejas tão duro com as bestas!
Percebeste? Brinco com as palavras e dou-lhes novos significados.
É espetacular.
Eu sou espetacular. Tenho um cérebro incrível.
Não consigo evitar aplaudir-me a mim mesmo.
Estás a olhar para onde, palerma? Leva os mantimentos às aldeias.
Volta apenas depois de teres vendido tudo!
Como vão, meus caros? Para onde vão?
Fique aí, Faruk. Vamos rezar para pedir chuva.
Não levamos impuros.
Que Deus vos perdoe.
Como não há água, fiz a minha lavagem ritual com terra.
Porque nunca para?
Olá, Faruk.
Olha, pessoa do Correios. Tudo bem?
Boas notícias, esperemos.
Fui ver o Governador, mas o seu pai não estava no gabinete.
Tenho uma carta oficial de Ancara para ele.
- De onde? - Ancara.
Faruk?
- Faruk? - Ancara.
Ancara? Uma carta para o meu pai?
Ele desapareceu!
Faruk?
Sou órfão! Não tenho pai! Veio uma carta de Ancara para o meu pai!
- Ferhat, não vás! - O que se passa?
Ancara!
Ancara enviou uma carta oficial para o Veysi Bey.
Que Ancara? A nossa Ancara, a Turquia?
A capital, Ancara. Ao pé do Lago Tuz.
É por isso que sinto um peso em cima de mim!
Tome, Faruk Abi. O burro, o meu burro oficial!
Tome! O burro está a ir-se embora. Espera, burro!
Não me deixe sozinho com Ancara!
Olha... Ancara. Abre.
- Não posso, Faruk Abi. - É de Ancara. Vá, abre.
- Não me obrigues. - Então, sai daqui!
Deixa-me sozinho.
Ele desapareceu. O meu pai desapareceu.
Meu Deus.
No comments yet. Be the first to leave one.