لومړۍ 200 کرښې.
Senhoras e senhores, uma salva de palmas para Ali Wong!
Céus!
Ouvi um rumor
de que todos os asiáticos desta cidade...
estavam reunidos nesta sala de teatro, esta noite.
Obrigada por terem vindo com os vossos namorados brancos.
A sério...
Agradeço imenso do fundo do coração.
Estou muito entusiasmada por estar aqui.
Não tenho atuado muito...
Não tenho atuado de todo nos últimos dois anos.
Há dois anos, dei à luz uma menina.
Quando regressei às atuações de stand-up ,
os outros comediantes mal podiam acreditar.
Era do género: "Meu Deus, Ali...
O que fazes aqui?"
Não acabaste de dar à luz?
E eu respondia: "Escuta...
Estive com a minha filha desde que ela nasceu.
Todos os dias.
E eu amo-a tanto...
Mas estou prestes a metê-la no lixo.
Preciso de estar aqui para ter saudades dela!
Assim, não vou para a cadeia!" É tão sexista quando me perguntam:
"Se estás aqui, quem está a tomar conta da bebé?"
Quem achas que está a tomar conta da bebé, caralho?
A TV está a tomar conta da bebé, está bem?
As janelas estão abertas,
tem gomas com vitaminas no colo, está óptima!
Tentei ficar em casa e ser mãe a tempo inteiro...
durante oito semanas.
Gostei da parte de ficar em casa.
Não fiquei muito fã da parte da mãe. Essa merda é incessante.
Fui estúpida e ingénua. Achei que ao ser mãe a tempo inteiro
teria tempo para descontrair, organizar merdas em casa,
ver a Wendy Williams e comer com as amigas atrevidas.
Não percebi
que o preço por ficar em casa
seria ter de ser mãe.
É um trabalho.
É um trabalho duro como a merda.
Não temos direito a PPR, não temos colegas.
Estamos presos na solitária, todo o dia, com um Tamagotchi humano...
que não tem um botão de "reininciar", portanto, o risco é bastante alto.
Um Tamagotchi de brincar comunica mais do que um bebé humano.
Pelo menos, o brinquedo diz-nos quando faz cocó.
Com um humano, temos de adivinhar
e seguir a intuição ao cheirar-lhe o cu...
vinte e seis vezes por dia! E não dá para cheirar à distância.
Temos de virar o bebé, meter a cara no cu do bebé
e fazer uma bela inalação, como no ioga, com a boca e tudo,
porque o nariz já está queimado de tanto cheirar cocó.
É assim que sei que amo o meu bebé mais do que qualquer pessoa no mundo.
Disse ao meu marido: "Até que a morte nos separe."
E nunca na vida...
lhe cheirei o cu...
para ver se ele cagou nas calças.
Lambi-o, mas não o cheirei.
Porque cheirá-lo seria nojento! Está bem?
Se ainda não lamberam um cu, cresçam! Cresçam e apareçam, merda!
Aprendam a dedicar-se a uma relação a longo-prazo,
plena de amor,
na qual têm de fazer sacrifícios por uma causa maior.
O meu sonho, desde sempre, era ser uma mulher-troféu...
mas depois descobri que, para ser uma mulher troféu,
eu tinha de ser um troféu.
Eu sou mais uma placa comemorativa.
Entrei para um grupo de mães em Los Angeles.
Não acho que nenhuma daquelas cabras sejam interessantes ou divertidas,
mas quando somos mães de primeira viagem, em licença de maternidade,
é como se estivéssemos em The Walking Dead.
Temos de nos juntar a um grupo para sobreviver.
Eu detestava as outras mães pelas roupas que usavam.
Sabem aquelas roupas que as mães usam,
aqueles padrões animais foleiros...
sapatos brilhantes metalizados e barulhentos.
Agora, vejo algo embelezado com pedras brilhantes e...
"Olha que bonito.
Vou comprá-lo."
Quanto mais brilho, melhor.
Quando somos mães, precisamos de brilhar...
para compensar a luz dentro de nós que morreu.
Muitas mulheres jovens sentem-se ansiosas com o parto.
Bem, deixem-me que vos diga uma coisa.
O parto não é nada...
em comparação com a amamentação!
A amamentação é brutal! É tortura física crónica!
Pensei que era suposto ser um lindo ritual para criar laços,
no qual me sentiria sentada num nenúfar num prado
e coelhinhos juntavam-se aos meus pés,
enquanto tocava a versão do havaiano gordo de Somewhere Over the Rainbow.
Não!
Não é nada assim!
A amamentação é um ritual selvagem
que apenas te recorda que o teu corpo, agora, é uma cafetaria!
Já não te pertence!
Quando a minha bebé tinha fome, puxava o meu mamilo de um lado para o outro,
como aquele urso que fodeu o Leonardo DiCaprio em The Revenant.
É assustador. Eu vi o filme
e os meus mamilos estavam solidários com o Leo.
Não tive aulas sobre amamentação
porque parti do pressuposto de que seria algo fácil e intuitivo
no qual o bebé beberia do mamilo como se fosse uma palha.
A enfermeira prometeu-me que seria fácil para mim
porque os meus mamilos pareciam dedos.
Dão para girar DVD
só para terem ideia do cabide que são.
Mas, pelos vistos, o bebé tem de agarrar o mamilo num ângulo muito específico.
Tem de se abanar a cabeça dele e fazer geometria para agarrarem bem.
É stressante porque quando eles estão com fome e a chorar,
as nossas hormonas bombeiam leite para a cara deles e pescoço,
que se tornar muito escorregadia e difícil de controlar.
Temos de os encaixar na mama na altura certa.
Sempre que o fazia, era como estacionar de lado entre dois carros.
Não sei como consegui.
É um mistério. Nunca fui ensinada. Simplesmente, fi-lo.
Andei de trás para a frente, de trás para a frente
até que uns estranhos muito preocupados se começaram a juntar à volta do carro.
As pessoas que rodeiam os carros das asiáticas, quando estão a estacionar...
são tão prestáveis e racistas, ao mesmo tempo.
Estou sempre: "Obrigada, obrigada, mas vai-te foder...
por pensarem que eu sou tal e qual como sou!
Não teria conseguido sem vocês!"
A minha mãe viu que eu estava a ter dificuldades com a amamentação
e desencorajou-me de o fazer.
"Porque estás a amamentar?
Foste criada com suplemento e olha como o teu cabelo é luzidio.
Caíste naquele mote da treta
'o peito é melhor'?"
E eu: "Não...
Faço-o porque o peito é de graça.
Vá lá, mãe, tu sabes o que é.
Esguichos de leite orgânico de produção local diretamente das minhas mamas."
Esguichava de uns 15 buracos em cada mama,
como a fonte Bellagio.
De graça!
O meu corpo era uma fábrica alimentícia.
Não ia desperdiçar aquilo tudo.
Se tu cagasses hambúrgueres suculentos...
voltarias a esperar na fila de um In-N-Out?
Não, agachavas-te sobre a cabeça do teu marido, todas as manhãs...
e dizias-lhe para abrir bem a boca...
porque o pequeno-almoço vinha aí.
À animal.
Dirias: "Tenho aqui a tua ementa secreta."
Tive de deixar de amamentar depois de oito meses e meio.
Já não aguentava mais.
No final, sentia-me A Árvore Generosa.
Antes não percebia de que falava esse livre deprimente para caraças.
Agora sei que é sobre amamentação!
É sobre uma mãe tinha lindos ramos e maçãs
até que um pequeno parasita aparece na vida dela,
tira-lhe as merdas todas
e ela transforma-se num cepo triste para caraças
com mamas esvaziadas!
As pessoas perguntavam-me
como tinha emagrecido tanto depois de ter a bebé.
Ela sugou-me a vida!
Afinal de contas, a amamentação não é de graça.
Temos de comprar uma série de almofadas e bombas
para apoiar a amamentação.
E podemos ficar com um canal entupido.
É quando ficamos com uma pedra de rins a entupir o trânsito na nossa mama
e depois temos de chamar uma consultora em lactação.
Uma consultora de lactação ouve a rádio nacional, usa rastas...
chama-se Indigo...
e temos de lhe pagar 200 dólares
para vir a nossa casa desentupir a canalização da nossa mama.
A Indigo fez-me fazer flexões,
enquanto ia mergulhando a mama numa taça de água a escaldar
e, nos intervalos, batia-me na mama assim...
É por isto que as mulheres precisam de licença de maternidade.
Em todos os outros países de primeiro mundo, Canadá, França, Alemanha,
as mulheres têm até três anos de licença de maternidade paga
depois de terem um bebé.
Nos Estados Unidos, temos uma merda.
Nos Estados Unidos, não existem leis de licença de maternidade.
A licença de maternidade não serve apenas para criar laços com o bebé.
Que se foda o bebé!
A licença é para as mães esconderem e sararem os corpos destruídos.
Não podia voltar a trabalhar em topless , a bater na minha mama molhada
e tentar estabelecer o domínio sobre os meus colegas.
Seria demitida!
As pessoas não nos contam estas merdas passadas
que acontecem quando damos à luz, quando estamos grávidas.
Quando estava grávida,
muitas outras mães fizeram-me recomendações.
"Ali, não te esqueças de roubar uma carrada de fraldas no hospital."
"Sim, claro, para a bebé."
"Não, para ti."
"Para mim? Para que caralho preciso de fraldas?"
"Vais ver...
O inverno está a chegar."
E vi mesmo!
Ninguém me falou daquelas merdas
que saem do nosso pito depois de darmos à luz.
Sabem o que acontece depois da bebé sair?
Sabem o que também sai?
A casa dela.
A sala dela, as almofadas dela...
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