لومړۍ 186 کرښې.
A história da tua bisavó é lendária.
Quando estiveres pronta, temos muito a falar.
ANTERIORMENTE EM
Nessa época, não existia o Paquistão. Era tudo um enorme país, a Índia.
- Que aconteceu à mãe da Sana? - Desapareceu naquela noite.
Esta é a minha ammi. Pelo menos, o que me lembro dela.
Todas as famílias paquistanesas têm uma história da Partição.
De alguma forma, acabei por me separar do meu pai.
Até que apareceu um rasto de estrelas e levou-me de volta aos braços dele.
- No comboio. - O último daquela noite.
A Aisha só queria levar-nos para casa. E agora tens de acabar o que ela começou.
Se eles usarem a bracelete para destruir o Véu,
irão libertar o mundo deles no nosso, até não sobrar nada.
É por isso que é importante manter essa bracelete segura.
Tira-a daqui!
Waleed.
Ao soar da meia-noite, enquanto o mundo dorme,
a Índia irá despertar para a luz e liberdade.
Com estas palavras, na véspera de 15 de agosto de 1947,
o recém-nomeado primeiro-ministro Jawaharlal Nehru
assinalou o início de uma nova Índia.
Após quase 200 anos de um domínio britânico opressivo, a Índia é livre.
ÍNDIA CONQUISTA INDEPENDÊNCIA
O Domínio do Paquistão foi demarcado para os muçulmanos,
enquanto a Índia é um estado secular com uma maioria hindu.
Teve início uma migração em massa sem precedentes,
à medida que milhões de pessoas cruzam fronteiras,
uma consequência de uma estratégia britânica secular de dividir para reinar.
ONDA DE MOTINS NA ÍNDIA
Motins e revoltas violentas eclodiram por todo o país.
As pessoas fogem pelas suas vidas.
Comboios sangrentos chegam aos destinos, enquanto casas são incendiadas pelo país.
Para percebermos como tudo isto começou, temos de voltar a um momento marcante
na luta indiana pela independência.
De volta a 1942.
ÍNDIA OCUPADA PELOS BRITÂNICOS
Para ou disparo!
Se os hindus, muçulmanos e sikhs da Índia
querem o fim do domínio britânico, é só porque
queremos liberdade pacificamente sem tumultos.
No entanto, não vejam a nossa atitude pacífica como fraqueza.
Mahatma Gandhi disse que chegou a hora
de fazermos alguma coisa.
Se tivermos de lutar, vamos lutar,
mesmo que isso signifique darmos a vida pela causa.
Esta terra é nossa.
Demos o nosso sangue por ela durante milhares de anos.
- Vamos conquistá-la de volta! - Liberdade!
- Gritem-no bem alto! - Liberdade!
Ali estão eles, senhor.
Partam agora!
Saiam!
Dispersem!
Afastem-se daqui!
Vão para casa!
Afastem-se!
Voltem para casa!
Voltem para casa!
Toca-me e parto-te a perna.
Estás a falar desta?
Pode ser, não lhe dou muito uso.
O que queres?
Para começar, gostava que parasses de pisar as minhas pobres rosas,
mas parece que precisas de mais ajuda do que elas.
- Posso ajudar-te? - Não.
Não, obrigada.
Tens comida e onde descansar, se precisares de usar a minha cabana.
Agora já percebi que estás só a fingir.
Nenhum humano resiste ao cheiro de paratha acabado de fritar.
Tens algum nome?
Ou posso chamar-te "faminta"?
Então, talvez me possas dizer de onde és?
Estou a ver.
É evidente que não és britânica.
E não és desta aldeia. Então, o que te trouxe à minha porta?
Gosto das tuas rosas.
Ela fala.
És muito gentil. Qual é a tua preferida?
Quando te vi lá fora, lembrei-me do meu poema preferido.
"Quando a alma se deita naquela relva
"Da qual o mundo está demasiado cheio para falar
"O que procuras, procura por ti..."
Aisha.
O meu nome é Aisha.
Aisha.
"Ela que vive." Um belo nome.
Hasan.
Sei que tens um enorme afeto por aquele galho de árvore podre,
mas pensei que seria bom
ter uma bengala que te ajudasse mesmo a andar.
E pensava eu,
quando nos conhecemos, ameaçaste partir-me uma perna.
Bem, mudei de ideias.
Obrigada.
Obrigada por criares um lar para mim.
Ela olha para ti como se fosses mágica.
Não posso dizer que a censuro.
À medida que a agitação religiosa varre o país,
o primeiro-ministro pede aos indianos que mantenham a calma...
Eu adoro-te.
"O nosso maior objetivo terá de ser pôr um fim
"a todos os conflitos internos e à violência
"que nos desfiguram e nos deterioram, e prejudicam a causa da liberdade."
Contudo, a incerteza e o medo resultaram em derramamento de sangue...
Pacífico?
Com tanto sangue derramado e chamam-lhe "pacífico"?
Havemos de superar isto.
Leite e legumes servem?
Obrigada. No mercado, há...
Não têm de me agradecer.
Pede-lhe que fique com as coisas.
Perdeste a cabeça?
Sempre disseste que estamos unidos,
e agora estás a fazer exatamente o que os britânicos querem.
Para ti, é muito fácil falar.
Ninguém está a obrigar-te a deixares a tua casa.
Eu é que estou preso.
Ninguém está disposto a comprar as minhas flores.
Nem ninguém vai vender leite à minha esposa.
Porquê?
Hasan...
Porque eu sou muçulmano?
Perdoa-o. Ele está irritado.
Não te preocupes. Todos têm medo.
Também isto passará.
Najma.
Então, é aqui que tens estado escondida.
Pensei que tivessem morrido.
Procurámos-te por todo o lado durante anos.
Mas agora que te encontrei,
podemos colocar o nosso plano em ação.
Não queres voltar para casa, Aisha?
Claro que sim.
É claro que quero.
Mas escondi a bracelete como precaução.
Preciso de algum tempo para a recuperar.
Tens até ao pôr do sol de amanhã.
E depois voltamos todos para casa. Juntos.
Os motins aumentaram.
Estão todos a tentar fugir, enquanto ainda podem.
Isto é tudo o que já conheci.
O meu pai construiu esta casa para nós.
O que vou deixar para a minha filha?
Nenhum muçulmano está a salvo.
Viste o que está a acontecer.
Andam a queimar casas por todo o país.
As pessoas estão a morrer.
É demasiado arriscado ficar com a Sana.
Podemos levar as nossas memórias connosco.
Se estivermos juntos, podemos construir uma casa em qualquer lado, Hasan.
"O que procuras, procura por ti."
Tu ensinaste-me isso.
Eu sei, beta.
As novas aventuras podem ser assustadoras.
É por isso que preciso que me guardes isto.
Ela vai manter-te a salvo, onde quer que estejas.
Aisha, ouve.
Aisha.
- Aisha, não te consigo acompanhar. -É o último comboio, apressa-te.
Afinal, do que estamos a fugir?
Com quem estavas a falar ontem à noite?
Diz-me a verdade.
Tenho de te mostrar uma coisa.
Sempre disseste que era mágica...
Mas porque me estás a contar agora?
Sabias que estava a fugir de algo.
Mas nunca insististe.
Porque não queria saber.
Tu escolheste-nos, e era isso que importava.
E continuo a escolher-vos.
E aconteça o que acontecer,
certifica-te de que a Sana segue naquele comboio.
Promete-me, Hasan.
Não vai acontecer nada.
Plataforma um, comboio pronto a partir.
A Sana não está a salvo. Tens de a levar contigo.
O quê?
- Tens de confiar em mim, Hasan. - Aisha.
- Para o bem dela! Tu prometeste. - Aisha!
- Vão! - Aisha!
Sana.
Está tudo bem.
Tu viraste-nos as costas.
A tua família. O teu povo. Onde está a bracelete, Aisha?
Najma...
Vai ficar tudo bem. Ela vai aparecer. Ela disse que iria aparecer.
No comments yet. Be the first to leave one.