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UNIVERSIDADE DE NOVA IORQUE
Descobrimos que alguns traços da personalidade têm um papel crucial
na perceção extrassensorial aumentada.
Esta lista de caraterísticas parece aumentar a taxa de sucesso
numa experiência desta natureza.
E quais são as caraterísticas?
Crença positiva na PES,
praticar uma disciplina mental, tal como meditação, e capacidade artística.
E qual é a taxa de sucesso das experiências Ganzfeld?
Temos uma taxa de sucesso acima de 32 %.
Os participantes tinham capacidades variadas.
Como a Annie disse, os que têm caraterísticas compatíveis
têm mais sucesso do que os outros.
Reitor Michaels, um prazer inesperado.
Céus, isto parece um pesadelo surrealista.
- Pobres otários. - Estão a ser pagos pelo estudo.
Isso significa que podem torturá-los à vontade.
Gostava de falar consigo e com o Dr. Barron no meu gabinete quando terminarem.
Está bem.
- O que é aquilo? - Aquilo tem dentes.
É disto que preciso para obter mais financiamento.
Estamos com dificuldades?
Vamos diretos ao assunto.
O orçamento do vosso departamento vai ser cortado,
a não ser que apresentemos investigações interessantes aos investidores.
Isso é mesmo verdade, reitor?
Que tipo de investigação científica entusiasma um leigo?
O tipo que traz publicidade e glamour.
A maioria das vossas descobertas resulta de investigação feita nos anos 70 e 80
e isso não entusiasma pessoas com muito dinheiro.
É nisto que o vosso departamento se devia concentrar.
- Castelo Margam? - Sim. É no País de Gales.
Já ouviram falar do País de Gales?
Sim.
Ainda bem, porque quero que vão lá.
Realizem experiências, recolham dados,
tudo aquilo de que vocês gostam.
E depois?
Apresentamos as vossas conclusões aos média
e geramos publicidade para esta instituição.
Será muito mais fácil atrair investimento
quando tivermos uma causa célebre relacionada com o nome da universidade.
Está a falar a sério?
Preferem que vos corte o orçamento?
São as únicas duas opções?
Ouça, o financiamento federal e do estado é uma vergonha
para uma universidade do tamanho da nossa, como sabem.
Dependemos dos dólares extra dos doadores abastados.
A cobertura dos média a algo em que nos envolvamos
vai aumentar o interesse destas pessoas.
Então...
O que dizemos aos média quando voltarmos?
Falem dos fantasmas que viram.
Claro que seria ainda melhor se os filmassem.
E se não virmos nada? Devemos mentir?
Mentir é uma palavra muito forte.
Vamos dizer embelezar.
Então, se não encontrarmos nada de natureza sobrenatural,
quer que voltemos e digamos à imprensa que encontrámos?
Gosta do seu trabalho, Holzer?
Sim.
Esta é uma boa forma de garantir que ainda o tem no próximo semestre.
Estamos entendidos?
Acho que sim.
Sabes que tudo o que o Michaels disse é mentira, não sabes?
Achas?
Sim, ele tem sempre segundas intenções.
Deve ser ele que quer a publicidade, gosta de protagonismo.
Vocês nunca concordaram.
Deve estar a adorar dar-me este trabalho horrível.
Pode não ser assim tão mau.
Ficar num castelo velho e húmido no meio do nada? Por favor.
Eu gosto da ideia.
Câmaras com imagem térmica e gravadores de voz eletrónicos?
Adoraria usá-los num lugar com tanta história.
Deve ter muita energia residual.
Devemos obter leituras interessantes.
No mínimo, a equipa diverte-se no estrangeiro.
Vocês já foram ao Reino Unido?
- Não. - Não.
E querem ir?
- Sim. - Porque não?
Vês, Annie?
Se não o fazes por mim, fá-lo pelos miúdos.
O Michaels não me deu grande escolha, pois não?
Há wi-fi no País de Gales?
Sabes, Brent, acho que devias concentrar-te em coisas mais importantes.
Como o quê?
Tens de parecer um parapsicólogo
quando lá formos.
Talvez... um corte de cabelo.
Precisas mesmo é de um casaco grande.
- Os castelos são um gelo. - Sim, de certeza.
- Fogo. Que espelunca. - Também temos igual ou pior.
Já vim algumas vezes ao Reino Unido
e há uma coisa que têm de saber sobre os britânicos.
- Têm os dentes estragados? - Boa.
Alguns têm, mas não é isso.
É que eles são completamente obcecados com o tempo.
Sempre que falarem com um, vão trazer o assunto à baila.
O céu pode estar cinzento-claro ou cinzento-escuro
ou qualquer outro cinzento
que eles vão especular sobre quando irá mudar
como se fossem meteorologistas.
E depois, quando o Sol aparece, é como a chegada de um novo messias.
Devíamos comer antes de irmos para o castelo.
Sim, boa ideia. Estou cheia de fome.
PENSÃO ROCK & FOUNTAIN
Vamos pedir.
- O que deseja, querido? - Queríamos ver a ementa.
Aqui têm.
O que é o rarebit galês?
É um prato típico desta região.
Data do século XVIII.
E, originalmente, chamavam-lhe rabbit , coelho, galês.
Então, é coelho?
Não, não leva coelho.
Então, porque lhe chamavam rabbit galês?
Não sei. Sabe como são os chefs .
Dão nomes todos especiais às coisas, não é?
- Então, o que leva? - Leva um pedaço de queijo.
Leva ovos, leite, uma pitada de sal, uma pitada de pimenta,
mistura-se, põe-se no pão,
depois no forno, deixa-se cozinhar, o queijo derrete
e dá para fazer várias coisas.
Se puser um ovo estrelado é um "macho".
Ou, melhor ainda, se lhe puser tomate
chamamos-lhe "tímido".
É um nome engraçado, não é?
Mas vou simplificar, querido,
é uma torrada com queijo chique.
Vendido. Vou querer um desses.
É a única coisa que entendo, portanto, também quero isso.
- Pode ser para mim também. - Mais um para aqui.
Parece que vamos todos querer o rarebit galês.
Boa escolha. Idris, faz cinco rarebit galês.
Não é preciso gritar. Faço num minuto.
- De onde são? - De Nova Iorque.
Da América?
Nunca lá fui, mas ouvi dizer que não é má.
Sim, nós gostamos.
E o que fazem? Porque estão aqui?
Somos parapsicólogos.
Psiquiatras, não é?
Não. Estudamos fenómenos paranormais. Vamos passar a noite no castelo Margam.
Não.
Não vão querer lá ir.
A sério? Porquê?
Muitos dizem que está amaldiçoado.
Muitos lugares estão associados a lendas.
Não.
Não.
Isto é mais do que uma lenda.
Se tivessem juízo, voltavam para trás. Não se aproximem do castelo.
Meu Deus, a senhora também.
Eles estiveram adormecidos muitos anos, mas têm estado a acordar.
- Sim, está bem. Muito obrigado. - Eles quem?
Eles estão à vossa espera. Têm estado sempre à espera.
- Qual de vocês é o responsável? - Eu.
Pronto.
O meu nome é Enos, sou o zelador.
- Sou a Annie Holzer. Muito prazer. - Olá. Dr. Daniel Barron.
Doutor?
Porque é que um doutor quer passar aqui a noite?
Sou doutor, mas não sou médico.
Estudei parapsicologia
e fiz uma licenciatura em Psicologia na Franklin Pierce.
- Só viemos fazer uma investigação. - O que vão investigar?
Algumas declarações de aparições paranormais no edifício.
Houve muitas ao longo dos anos.
O telemóvel tem rede aqui?
Não.
Também não devem ter wi-fi .
- Nada disso. - Porquê?
Porque não há antenas de telecomunicações por perto.
Os habitantes daqui não se aproximam muito.
Sim, já conhecemos alguns.
- Ficam nervosos com este lugar. - Têm motivo para isso.
Volto de manhã. Boa sorte para vocês.
Não vai fazer-nos uma visita guiada?
Vocês hão de conseguir orientar-se.
- Ele não quis demorar-se. - Pois não.
Este lugar assusta mesmo toda a gente.
Caramba.
- Parece saído de um filme do Drácula. - Macabro, não é?
Por falar nisso, tens um uniforme novo?
Pois, a Annie disse que tinha de parecer o que sou.
Sim. Mas um colete?
Ela quer que pareças um parapsicólogo,
não o Aladino.
- É demasiado? - Só um bocadinho.
Mas o corte de cabelo está bom?
Sem dúvida. Se vieste para vender seguros.
Quando estás sóbria és má, sabias?
- Por falar nisso... - Isso é erva?
Fala baixo.
- De onde veio? - Tenho as minhas fontes.
Como a trouxeste no avião?
Não queiras saber.
- Desculpa. Sim. - Kirk. Sim.
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