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COMBUSTÃO
Entre.
Gostou?
Sim.
Quer beber algo?
Sim, um rum.
- Só? - Só.
Onde fica o banheiro?
- Perto da entrada. - Certo.
Terminei.
- Aqui está. - Obrigada.
Sabe de uma coisa?
Queria muito ficar a sós com você.
Sem gritos, e nada de gracinhas!
O que está fazendo? Me larga.
O que está fazendo?
Abra o cofre.
O quê?
- Não tenho um cofre. - Obedeça!
- Não tenho cofre, certo? - Por favor! Por favor!
Você, de joelhos.
Vou contar até três.
Um.
- Dois. - Por favor, não!
- Por favor, não! - Muito bem, parem.
Tudo bem, eu abro.
Onde é que está?
- Onde é que está? - Lá em cima.
Onde é isso?
Onde é que é?!
Abre a porra do cofre!
- Abre a merda do cofre! - Certo, está bem.
Não se atreva a errar.
Não se mova!
Vou embora.
O quê? Não, não! Não pode ir embora.
Vou ligar para polícia. Você será minha testemunha.
Eu nem te conheço.
Vim aqui passar o tempo e não esta merda!
Ei!
- Como foi? - Um luxo.
Desgraçados!
Para que me leve sempre com você.
Não, agora não.
Mais um golpe e vamos sumir para sempre.
Me promete.
Eu prometo.
A joalheria é no centro.
A dona chama-se Júlia Camacho. Herdou o negócio dos pais.
Morreram, há dois anos, durante um assalto.
Desde então, a joalheria está ligada com a casa.
Está bem em cima.
Este é o alvo. Chama-se Mikel Gómez.
É de boa família que passa por tempos difíceis.
Acabou de se mudar com ela e vão se casar.
Apenas consiga que abram a porta.
Então, nós poderemos entrar na joalheria.
Está tudo pronto com o cara do catering?
Claro, como de costume. Sabemos tudo antes de entrar.
Não gosto disso.
Por quê?
Porque não. Uma coisa é roubar a casa
e outra é entrar numa joalheria.
- Se algo der errado, estamos ferrados. - Nada vai dar errado.
Só precisamos deste trabalho para juntar a grana e ir para Lisboa.
Estou só dizendo que teremos a polícia atrás de nós.
Talvez seja a hora de parar.
Dividimos o que temos e desaparecemos.
Se eu ganhar em Lisboa, será um milhão.
Mas primeiro, tem que ganhar.
- Sabe que vou. - É melhor.
Devo ajudá-lo a arrumar?
Não, mas pode ajudar a arrumar um espaço para tudo isto.
E, entre tudo isso, qual é o meu lugar?
- Está me chamando de maníaco? - Um pouquinho.
Venha aqui.
Não sabe o quanto eu queria que viesse viver aqui.
- Eu também. - E jogou duro para conseguir.
- Há que se fazer as coisas bem. - Que cara pau tem!
- Está feliz? - Muito.
- São o casal perfeito. - Olá.
- Que tal? - Esperando que nos faça uma visita.
Não, não quero incomodar.
Além disso, tenho ciúmes, porque está levando minha alma gêmea.
- Por isso, cuide bem dela. - Carla, você não incomoda.
E o quarto de hóspedes será sempre seu, você sabe.
- Terei isso em conta! - Tenha, é verdade.
Tem fogo?
Sim.
Que lindo carro!
- Muito chique. - Obrigado.
- Quer? - Não, deixei de fumar maconha.
- Quer mais é fumar escondido. - Não fumo nada escondido.
Está bem.
Como pode trabalhar fumando isto?
É que, sem isso, não seria capaz de aguentar estes idiotas.
O que aconteceu com farras e as bebedeiras na praia?
E, além disso, é uma festa mixta.
Sim, bem, é que a minha noiva é um pouco tradicional.
Notou algo?
Não.
Quer jogar um jogo?
Sim.
Feche os olhos.
Abra a boca.
O que está fazendo?
Estou só verificando se é um cara bom.
Acho que sim, desculpe.
Espera.
Então, você não é um dos mocinhos.
Olha...
Na quinta à tarde, estarei aqui. Se quiser aparecer...
Vou para dentro, certo?
Tchau.
Uma vodka.
- Olá. - Olá.
Bem-vindo à sua despedida de solteiro.
Talvez eu não devesse estar aqui.
É este vestido, é um pouco exagerado. Desculpe.
Não, pelo contrário. Está lindíssima.
- Eu pago. - Não, eu pago!
Em que despedida de solteiro o noivo é que paga?
- Quer se sentar? - Sim, claro.
Nem sei como se chama.
Ari.
- Me chamo Mikel. - Eu sei.
- Conte-me algo sobre você. - O que quer saber?
Tem namorado?
- Quer que eu tenha ou não? - Quero que me diga a verdade.
Merda!
Desculpa se incomodei. Vamos mudar de assunto.
Vamos embora, por favor.
Para onde?
Não sei, mas vamos ver.
Vamos.
É a garota que me roubou.
- Veio de carro? - Sim.
- Onde é que está? - Bem ali.
O carro. Vamos!
Vamos!
- O que está fazendo? - Está vermelho, não pode ver?
Siga por ali.
- Vamos, anda! - Não.
- Que merda! - Espera!
Vai me dizer quem era?
Um idiota que devo dinheiro.
Onde aprendeu a dirigir assim?
Há muita coisa que não sabe sobre mim.
Eu fico aqui.
Como vai ficar aqui, se estamos no meio do nada?
Bem...
Será um passeio tranquilo.
Posso pegar um ar fresco.
Tudo bem.
Foi assim tão ruim?
Muito pelo contrário.
Te dei meu número, caso queira me ligar
para nos vermos e conversar um pouco.
É muito especial.
Muito especial.
E sei que não me contentaria estar contigo só um pouco.
Foi um prazer.
Igualmente.
Ele dirigia bem. De onde saiu o cara?
Não faço ideia.
Mas conduz muito bem e é jogo duro.
Não está perdendo a cabeça?
Tenho tudo sob controle.
Dormi completamente.
Por que não me acordou?
Porque me deu pena.
E ia pensar que me casaria com um robô.
Desculpe, estive até tarde com o Alfredo e, já sabe...
- Despedida de solteiro. - Sim.
Mas podia ter ligado.
Sim, tem razão.
Chegou muito tarde?
Um pouco.
Por isso é que não quis te acordar.
- É ele? - É.
E então?
Domingo de manhã.
Estaremos prontos.
Muito bom trabalho.
- Olá. - Bom dia.
- Gosta muito de madrugar, hã? - Sim.
- Onde vamos a esta hora? - Isso é uma surpresa.
Tem vertigens?
- Não. - Então, vai adorar.
- Adorei. - Sério?
- Sim. - Ainda bem.
- Há muito já não vinha aqui. - Este é seu esconderijo?
Eu não me escondo.
- Então, o que mais? - O que mais o quê?
- O que mais quer fazer? - Então... Tem fome?
Vamos comer algo?
Vamos, mas vamos a um lugar sossegado.
Está bem. Que tal a minha casa?
Tem certeza?
Sim, claro. Somos amigos, não?
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